sexta-feira, 26 de junho de 2009

2476. Em Copenhaga: líderes pedem leis de ‘energia verde’

Investimentos em fontes de energia renováveis ou com baixa emissão de carbono poderiam criar 3 milhões de empregos até 2025 apenas nos Estados Unidos, de acordo com um relatório apresentado na Cúpula Empresarial Mundial sobre Mudança Climática, em Copenhaga. Mais de 800 líderes empresariais, especialistas, políticos e representantes de organizações não-governamentais participaram no evento na capital dinamarquesa.
O estudo, desenvolvido pelo Laboratório de Energia Renovável da Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), conclui que o investimento em energias renováveis e a adopção de medidas eficientes do ponto de vista energético poderiam gerar entre duas a oito vezes mais postos de trabalho por unidade de energia do que o sector baseado em combustíveis fósseis.
O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, abriram a conferência e fizeram um apelo. Os líderes pediram a participação activa dos empresários na luta contra o aquecimento global e empenho até a chegada da Cúpula Mundial do Clima, em Dezembro – que deve criar um novo tratado climático que deve substituir o Protocolo de Kyoto, válido até 2012.
"Lanço um desafio a vocês. Quero vê-los na vanguarda de um esforço sem precedentes para reorganizar a economia mundial, tornando-a mais limpa, ecológica e sustentável", afirmou Ban Ki-moon diante dos empresários. "Com o vosso apoio, devemos exportar vontade política necessária para concluir um novo acordo climático ambicioso", disse.
Al Gore, Prémio Nobel da Paz em 2007, foi enfático: "Para salvar o futuro, temos tudo de que precisamos, excepto a vontade política. Temos de fazer neste ano, não no próximo", repetiu. Al Gore ressaltou também a importância de regular adequadamente os mercados e mandar os "recados correctos" à comunidade empresarial para evitar a catástrofe anunciada caso não haja uma reacção diante do desafio da mudança climática.
Empresários presentes no evento defenderam fortemente a necessidade de se criar uma regulamentação clara sobre o tema. A comunidade reivindicou iniciativas dos governos, mas concordou quanto à necessidade de uma colaboração em todos os níveis para conseguir um acordo global na Cúpula Mundial do Clima.
O director da Ericsson Carl-Henric Svanberg ressaltou que as empresas podem transformar o "desafio climático" numa oportunidade de negócio. "Os políticos têm de assumir o problema, mas os empresários têm de actuar. Não há tempo para esperar o que os governos vão fazer", afirmou Indra Nooyi, directora executiva da Pepsi.
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