quinta-feira, 26 de novembro de 2009

2684. O dilema ambiental das fraldas descartáveis

Estima-se que uma fralda descartável leve 400 anos para se decompor. Isto significa que todas as fraldas usadas até hoje ainda estão depositadas em aterros espalhados pelo planeta. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, uma criança usa pelo menos 5 mil unidades até os dois anos.
Para diminuir o impacto que o filho Maurício, de dois anos, causa na natureza, a presidente da ONG ambiental Fundação Gaia, Lara Lutzenberger, optou por algo que pode parecer antiquado para a maior parte das mães: em casa, só fraldas de pano.
– Sempre me preocupei com essa questão. Uma criança tem um consumo muito alto de fraldas, que são cheias de elementos sintéticos e acabam sendo um grande factor poluidor – argumenta.
Lara adopta um sistema misto, que reduziu em 80% o uso do produto descartável. Nos passeios mais longos, entretanto, as fraldas plásticas são insubstituíveis.
– Não se trata de ser radical, mas de repensar o uso exclusivo desses descartáveis, que obviamente têm as suas vantagens. O caminho do meio parece-me ser o caminho correcto – afirma.
Mas o que se mostra como uma opção para reduzir os danos pode-se transformar num novo problema: o gasto de água para a lavagem dos acessórios de tecido.
– O regresso às fraldas de pano aumenta o consumo de água e liberta para o ambiente mais resíduos de detergentes. É uma alternativa que leva ao tratamento de uma quantidade maior de água – alerta Luís Frankenberg, professor da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
É difícil determinar qual das duas alternativas agride menos a natureza. O coordenador de Gestão Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Darci Campani, acredita que, mesmo com a necessidade de lavagem, as fraldas de pano representam a melhor solução.
– A quantidade de água é pequena, e podem ser usados detergentes menos impactantes para o ambiente – exemplifica o professor.
Lara também questiona as críticas à lavagem:
– As pessoas não pensam na quantidade de água que é gasta no fabrico das fraldas descartáveis – conclui.
Uma alternativa seria substituir o material com que se fabrica os produtos de plástico. Segundo Frankenberg, algumas empresas já se preocupam em utilizar matérias-primas menos poluentes.
– A combinação de algodão ou outros itens mais orgânicos com o plástico poderia tornar a degradação das fraldas descartáveis mais rápida. A preocupação da indústria, até agora, foi pesquisar materiais que levassem em conta a praticidade, a higiene e a saúde. O que se precisa, neste momento, é investir em alternativas para diminuir o impacto no ambiente – explica.
Lara observa outra vantagem do tecido: a menor quantidade de alergias e assaduras no filho.
– Quando o Maurício usa fraldas de pano, não preciso de utilizar mais pomadas contra assaduras.
O que a indústria deve fazer para reduzir o impacto ambiental das fraldas descartáveis:
– Diminuir a quantidade de plástico na composição;
– Usar mais produtos naturais;
– Substituir o gel sintético por um de origem vegetal;
– O uso de algodão poderia ser uma boa saída.
Vantagens:
Fraldas de pano - Reduzem a montanha de lixo nos aterros; uma fralda de algodão pode ser usada mais de cem vezes e leva um ano para se decompor; o contacto com o tecido, em vez do plástico traz mais conforto para o bebé e reduz o risco.
Fraldas descartáveis - A mãe trabalha menos; como o produto não exige manutenção (lavar, secar, passar), ela pode ficar mais tempo com o filho; são mais práticas e mantêm o bebé seco por mais tempo; não precisam ser trocadas com frequência à noite e em passeios.
Desvantagens:
Fraldas de pano - Lavá-las não é tarefa das mais fáceis; o desperdício de água e o uso de detergentespodem causar grande impacto no ambiente; quando lavadas incorrectamente, podem reter resíduos de produtos de limpeza e causar alergias.
Fraldas descartáveis - A quantidade descartada é agravada pela demora na decomposição; só o adesivo para fechar leva mais de 500 anos para se degradar; contêm produtos que mantêm a criança seca, mas que também ressecam a pele; o uso de pomadas contra assaduras é inevitável.
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Fonte: Dona

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