sexta-feira, 30 de setembro de 2016

5919. Grande Porto

A cidade vista do céu, ou como é vista por quem a visita. Inclui Ermesinde, Valongo, Rio Tinto e Gondomar, além do Porto e das freguesias urbanas de Matosinhos, Maia e Vila Nova de Gaia. Desconhecida dos que vêm as cidades a partir dos recortes administrativos, tem os mesmos 900.000 habitantes que Lisboa se considerarmos um círculo com 9km de raio.

5918. Subida da temperatura no planeta está a acelerar

A subida das temperaturas no planeta está a acelerar e "é necessário duplicar, ou triplicar mesmo, os esforços" para limitar as emissões de gases com efeito de estufa, alertaram, este quinta-feira, sete eminentes climatologistas. Estes emitiram um alerta, através de um comunicado de sete páginas, que resume uma nova análise detalhada, intitulado 'A Verdade sobre as Alterações Climáticas'.
"O aquecimento global está a ocorrer agora e a uma velocidade muito mais forte do que prevista", sintetizou Robert Watson, antigo presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), porta-voz dos sete cientistas que assinaram o documento. A Terra está em vias de bater este ano o seu terceiro recorde anual consecutivo de calor desde o início dos registos da temperatura, em 1880. "Sem esforços suplementares de todos os principais emissores de gases com efeito de estufa, o objectivo de limitar a subida da temperatura a dois graus Célsius (2ºC) poderia ser alcançado mais depressa do que previsto", preveniu.
Os dirigentes dos vários países determinaram inicialmente os 2ºC como o limite máximo de subida da temperatura média global em relação ao período pré-industrial. Consideraram então que este limite permitiria evitar as consequências mais nefastas do aquecimento global, como as secas, os incêndios, as vagas de calor, as inundações e outras intempéries.
Na conferência de Paris, realizada em Dezembro último, porém foi fixado um objectivo mais ambicioso, situando-o nos 1,5ºC. Mas em 2015, a temperatura média na Terra já tinha superado a do período pré-industrial, do século XIX, em 1ºC, segundo a Organização Meteorológica Internacional. Isto representou uma subida importante no espaço de apenas três anos, uma vez que o aumento, em 2012, era de apenas 0,85ºC. E o número de fenómenos climáticos extremos, ligados ao aquecimento global, duplicou desde 1990, sublinharam os cientistas.
Mesmo que todos os países signatários do Acordo de Paris respeitem os seus compromissos para limitar a subida das temperaturas, as emissões globais de gases com efeito de estufa não diminuiriam o suficiente durante os próximos 15 anos, insistiram, citando um relatório das Nações Unidas de 2015. Desta forma, o objectivo mais ambicioso do Acordo de Paris, de manter a subida das temperaturas abaixo dos 1,5ºC, é "quase certamente impossível e (este valor) poderia mesmo ser superado no início dos anos 2030", segundo estes cientistas.
* * * * * * * * * * * * * * *

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

5917. RANKING EUROPEU: Tendência climática para o Outono de 2016

OUTONO 2016
(Outubro/Novembro/Dezembro)
  Tendência climática para o quarto trimestre de 2016
 * * *
TEMPERATURAS MÁXIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas máximas diárias superiores aos valores máximos normais deste trimestre.
===================================
===================================
TEMPERATURAS MÍNIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas mínimas diárias inferiores aos valores mínimos normais deste trimestre.
===================================
  ===================================  
PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com precipitações máximas diárias superiores aos valores máximos diários normais deste trimestre.
================================
 
================================
 Prováveis regiões da Europa
com valores INFERIORES à média
* * *
OUTONO 2016
(Outubro/Novembro/Dezembro)
* * *
TEMPERATURA MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos calor
====================================
 
====================================
TEMPERATURA MÍNIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos frio 
====================================
 
==================================== 
PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para uma diminuição da precipitação
===================================
 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

5916. Quarta-feira, 28 de Setembro (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
* **
Setúbal (Areias) – 36,3 ºC
Rio Maior – 35,3 ºC
Setúbal – 35,3 ºC
Lousã (Aeródromo) – 35,2 ºC
Pegões – 35,2 ºC
Alvalade – 35,0 ºC
* * *
Aveiro (Universidade) – 23,6 ºC
Montalegre – 23,0 ºC
Santa Cruz (/Aeródromo) – 23,0 ºC
Foía – 22,0 ºC
Penhas Douradas – 21,6 ºC
Cabo Raso – 21,5 ºC
* * *
Fonte: IPMA

terça-feira, 27 de setembro de 2016

5915. Portugal exige a Espanha reunião urgente sobre central de Almaraz

Portugal exigiu uma reunião de emergência a Espanha para pedir esclarecimentos sobre a continuidade em funcionamento da central nuclear de Almaraz — a mais próxima do território português — que deveria ter encerrado em 2010 e já tem vindo a registar incidentes por estar obsoleta.
Numa audição na tarde desta terça-feira, na Assembleia da República, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, explicou que o Estado português decidiu agir agora devido a um “parecer positivo [do Conselho de Segurança Nuclear] para construção de nova instalação para depósito de resíduos nucleares” já que o mesmo “indicia que a central poderia permanecer activa para além da licença actual”.
O ministro não quis embarcar em alarmismos e destaca que a autoridade que controla o nuclear em Espanha tem vindo a “comunicar pequenos incidentes” na central nuclear. João Matos Fernandes acrescenta que, apesar do parecer da autoridade espanhola que regula o nuclear ter admitido “desconformidades no fabrico de algumas peças usadas na central, referia não existir qualquer razão que recomendasse a sua substituição”.
Embora respeite a “soberania de Espanha em relação à sua política energética”, o ministro garante que “Estado português intervirá de forma a garantir o escrupuloso cumprimento de todas as regras de segurança”. É por isso que, garante o ministro do Ambiente, “já foi solicitada, pelos canais diplomáticos, aos ministros que tutelam a energia e o ambiente em Espanha, uma reunião com carácter de urgência para debater este tema.”
Portugal recorre assim às directivas comunitárias e à Convenção Espoo, que consiste num “protocolo entre Portugal e Espanha e que regula os procedimentos a observar no âmbito de uma Avaliação de Impacto Ambiental” para forçar Madrid a dar respostas.
A oposição acusou, na mesma audiência parlamentar — através do deputado social-democrata, Bruno Coimbra — o ministro de acordar tarde para o problema. O governante explicou que só agora é que há um “facto novo”, o parecer do CSN, que exige intervenção do Estado português.
Já o deputado do Bloco de Esquerda, Jorge Costa “saúda a posição do Governo de garantir o respeito dos direitos que a Bloco saúda os direitos que assistem ao Estado português em matéria de impacto ambiental e consulta pública”, mas adverte que “a central de Almaraz é uma preocupação do Bloco há 15 anos e não desde Junho”.
Jorge Costa disse ainda que a construção de um novo aterro nuclear em Almaraz “não é uma surpresa” para os bloquistas. Esta nova estrutura na Central (que, recorde-se está situada junto ao Tejo e a 100 quilómetros da fronteira com Portugal) ainda terá de ser aprovada pelo governo espanhol, mas tem sido contestada em Portugal. Associações ambientalistas, como a Quercus, já tinham considerado esta nova construção e o prolongamento da actividade da central nuclear como “inadmissível”.
A central nuclear de Almaraz deveria ter sido fechada em 2010, mas as autoridades espanholas prolongaram a licença de funcionamento até 2020. Agora, caso esta nova estrutura seja aprovada, o tempo de vida da central deverá ser aumentado.
Rui Pedro Antunes
* * * * * * * * * * *
Fonte: Observador

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

5914. AÇORES (São Miguel): 27.08.2016

Central Geotérmica da
Ribeira Grande

Lagoa do Fogo

Miradouro da Bela Vista

 (Portas da Cidade)
Ponta Delgada


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

5913. A Lua (por cima do castelo de Sesimbra)

CopyRight @ Miguel Claro

5912. PORTUGAL: Tendência climática para o 4º trimestre de 2016

Tome nota: Esta é uma previsão sujeita a uma elevada margem de erro; apenas e só deve ser vista como uma linha de tendência geral, tendo em conta o que tem sucedido nos últimos anos.
============================================
4º TRIMESTRE DE 2016
Probabilidade em percentagem
(relativamente aos valores normais)
* * *

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

5911. Os incêndios de Agosto (Madeira)

Os satélites da NASA começaram a detectar um grande número de incêndios na ilha da Madeira no dia 8 de Agosto de 2016. Nos dias seguintes, os incêndios espalharam-se rapidamente e a quantidade de fumaça aumentou dramaticamente. Até ao dia 12 de Agosto, os incêndios foram quase extintos, mas eles deixaram grandes extensões de floresta carbonizada trás.
Quando o Operational Land Imager (OLI) do satélite Landsat 8 capturou esta imagem da Madeira no dia 11 de Agosto, 2016, um grande incêndio no lado ocidental da ilha ainda estava a arder. A cicatriz do incêndio estende-se para sudeste, em direcção dos arredores do Funchal, a maior cidade da Madeira.
A imagem de cores falsas combina o infravermelho de ondas curtas, infravermelho próximo e luz azul (OLI bandas 7-5-2). Com esta combinação, as áreas queimadas aparecem marrom. Os pontos quentes estão associados aos incêndios activos (vermelho). Cerca de 3.200 hectares (12 milhas quadradas) foram queimados durante os incêndios.
O fogo perto do Funchal matou três pessoas, destruiu mais de 150 casas e obrigou à evacuação de mais de 1.000 pessoas, segundo informações da imprensa. Uma onda de calor ajudou a alimentar o fogo, provocado por acção humana.
* * * * * * * * * * * * * * * *

5910. ESCLARECIMENTO (Participação no Fórum MeteoPT)

A participação tida no FórumMeteoPT pelo autor do presente blogue vincou-se sempre pela verdade científica, procurando ser sempre esclarecedor e apontar exemplos concretos sobre assuntos de carácter meteorológicos que sustentassem dúvidas. Muitas vezes teve trabalhosamente de desmontar incorrecções meteorológicas e climáticas, fazendo recurso de conhecimentos científicos e dos dados disponibilizados pelos organismos oficiais.
Tentou-se corrigir inverdades na interpretação cartográfica, procurou-se os dados onde eles existem realmente e expôs-se os assuntos de forma correcta e o mais explícito possível.
O surgimento de troll (pessoas sem habilidade para reconhecer outros pontos de vista, ignorando frequentemente o conhecimento científico e fazendo recurso muitas vezes a opções meramente pessoais ou associadas à religião) foi um facto que levantou atritos absolutamente desnecessários e que jamais se poderiam aceitar ou tolerar por quem deveria ter tido essa obrigação, que infelizmente passou imune durante vários meses no Fórum MeteoPT.
Na medida do possível refutou-se toda e qualquer insinuação em que se tentou denegrir quem procurou única e exclusivamente a verdade científica.
Finalmente, tentou-se imputar publicamente, de forma escandalosa, enviusada e deplorável, que se estava mais interessado em continuar a alimentara confusão do que resolver o problema, quando pelo contrário e em numerosas vezes foi denunciado e chamada a atenção para o que se estava a passar.
Não compete ao autor do Blogue pronunciar julgamentos em causa própria mas fica o esclarecimento.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

5909. O clima já está a mudar a nossa vida

Da agricultura ao turismo, da saúde às pescas, das cidades às praias, as consequências do aquecimento global são transversais à sociedade. Nada será como dantes. Pior: hoje, já nada é como dantes. Menos chuva, mas mais períodos de precipitação extrema. Subida da temperatura de meio grau por década. Ondas de calor mais frequentes e longas. Secas intensas e prolongadas. Doenças tropicais. "Sim", pensa o leitor. "A lengalenga de sempre. Já sei que as alterações climáticas vão afectar o País. Mas estou mais preocupado com o jantar de hoje."
Um pormenor: estas não são previsões para o clima daqui a cem anos, nem 50, nem 20. Não são previsões, são uma observação. É o presente. Nas últimas décadas, o clima tem mudado, e em Portugal essas mudanças são particularmente profundas. O tempo hoje não é o mesmo que em 1980. A chuva cai mais concentrada, provocando inundações cada vez mais frequentes e destruidoras, como as que provocaram o caos por todo o País neste Outono. De ano para ano, muitas praias tornam-se mais magras, devido à subida do nível do mar, à erosão e às violentas tempestades invernais. As secas começam a tornar-se tão comuns que alguns agricultores estão a mudar de culturas. As seguradoras já levam em consideração os estudos sobre alterações climáticas nas cartas de risco. Os verões com temperaturas que antigamente seriam normais são hoje considerados frios. E quanto a doenças tropicais, a Madeira passou, há dois anos, por um surto de dengue que infectou mais de duas mil pessoas. O Algarve, dizem os especialistas, será a próxima paragem do mosquito.
"A temperatura média global já aumentou 0,85º C desde o período pré-industrial. Em Portugal, esse aumento é ainda superior", explica Filipe Duarte Santos, coordenador dos maiores estudos nacionais sobre alterações climáticas. "Por causa disso, tendem a aumentar a frequência e a intensidade de fenómenos extremos, como precipitação elevada em períodos curtos, secas, ondas de calor. Tudo está a ser afectado por um clima em mudança."
O aquecimento é irreversível. Mas isso não significa que se desista de tentar mitigar os seus efeitos. É essa a razão para a 20.ª Conferência das Partes, das Nações Unidas, que decorre esta semana em Lima, no Peru: negociar a redução de emissões para que no encontro do próximo ano, em Paris, se possa assinar um acordo entre os chefes de Estado, limitando o aumento de temperatura a 2º C. Mas a adaptação – consciente ou inconsciente – aos novos tempos já começou.
As provas de que o clima está diferente são indesmentíveis. Fátima Espírito Santo, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), enuncia os dados registados nas últimas décadas. "Desde meados dos anos 70, a temperatura média subiu em Portugal Continental a uma taxa de cerca de 0,3º C por década; dos dez anos mais quentes, sete ocorreram depois de 1990, sendo 1997 o mais quente; aumento na intensidade e duração das ondas de calor; os três anos mais secos desde 1931 são do século XXI; há um decréscimo da precipitação anual; cinco dos dez anos mais secos ocorreram depois do ano 2000." A tendência vai manter-se, continua a climatologista. "Em 2040, a temperatura média anual deverá subir de 0,5º C a 1º C? e a precipitação anual diminuirá cerca de 15 por cento."
"Os estudos mostram que nos últimos 30 anos os padrões do clima estão muito diferentes", reforça José Paulino, da Agência Portuguesa do Ambiente e um dos autores da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC). As mudanças são tantas e tão transversais que lhe é difícil escolher uma área mais vulnerável. "Agricultura, florestas, biodiversidade, zonas costeiras... Mas também a indústria, dependente de matérias-primas que podem ser afectadas [pelas alterações climáticas], o ordenamento do território, o turismo e os recursos hídricos. Pouco a pouco, as pessoas apercebem-se que toda a sociedade está a ser afectada."
Culturas substituídas – O sector dos seguros, pela natureza do próprio negócio, é dos mais atentos a esta evolução. "Há muito que envolvemos as alterações climáticas no leque de preocupações estruturais a monitorar, estudar e gerir", adianta Miguel Guimarães, da direcção da Associação Portuguesa de Seguradores. "É evidente que eventos da Natureza com consequências severas têm ocorrido em Portugal com maior frequência e gravidade. Sobretudo as inundações e as tempestades, na última década, como o comprovam os danos registados." Actualmente, muitas análises de risco já pesam os efeitos das mudanças do clima, influenciando as próprias tarifas. Ou seja, os seguros – multirriscos, coberturas extra de automóveis, agrícolas e de vida – tendem a ser cada vez mais caros. E esta é apenas uma gota na torrente de transformações em curso.
Sem surpresa, a agricultura é outra área em mutação. Todos os cenários antevêem um clima mais seco, com implicações claras em algumas das principais culturas portuguesas, até ao final do século. Segundo o último relatório SIAM (Scenarios, Impacts and Adaptation Measures, coordenado por Filipe Duarte Santos), a espécie mais afectada será o arroz, com perdas de produção médias, para o País, entre 55 e 70% (no Alentejo, as perdas podem chegar aos 91 por cento). Segue-se o milho, com quebras de 11 a 26%, e o trigo, de 6 a 22 por cento. Das culturas estudadas, a pastagem é a única que apresenta melhorias de produtividade, entre 10 e 25% (no Norte, pode ir aos 60 por cento). Por outro lado, o cultivo de hortícolas beneficiará das temperaturas mais amenas no inverno. Um caso de estudo no Vale do Sado conclui ainda que a alteração das datas da sementeira pode ajudar a minimizar as perdas.
Muitos agricultores já estão a integrar as consequências das alterações climáticas nas suas decisões. "Os jovens, mais informados e despertos, têm em linha de conta estes efeitos", garante Ricardo Brito Pais, presidente da Associação de Jovens Agricultores de Portugal. "Diversificam as suas áreas, investem mais em estufas e cultivam espécies de climas mais quentes e secos."
A crescente instabilidade do tempo tem levado igualmente a um aumento da contratação de seguros para as colheitas. Já a agricultura biológica será especialmente dificultada pelo aparecimento de novas pragas, enquanto as culturas geneticamente modificadas serão parte da solução, ao poderem ser trabalhadas para resistirem melhor aos infestantes.
Progressivamente, também as florestas sofrerão. Além do aumento do risco de incêndios (a época de risco tende a ser alargada à primavera e ao Outono), as condições serão mais propícias às pestes que atacam as árvores mais comuns. Espera-se uma produtividade menor do pinheiro e do eucalipto (com excepção no litoral norte e nas terras altas), enquanto a área de sobreiro será alargada para norte, em zonas com maior disponibilidade de água. A espécie, no entanto, sofrerá reduções com a falta de água nas regiões do Sul. Para facilitar a adaptação, a ENAAC propõe que o Estado utilize os fundos europeus para incentivar a produção de espécies mais resistentes. Mas as mudanças mais difíceis de implementar não são as do campo.
As cidades estão no centro do furacão (literalmente, muitas das vezes). No entanto, os Planos Director Municipal continuam a não ter em conta as alterações climáticas. Lisboa, por exemplo, tem sofrido cheias atrás de cheias, com a autarquia a declarar-se impotente para resolver um problema estrutural. Para 2015, estão alocados €1,7 milhões para obras no âmbito do plano de drenagem, desenhado em 2007 – plano esse que prevê serem necessários 153 milhões de euros para construir bacias de retenção de águas.
O investimento é grande, mas mais caro é nada fazer, diz Catarina Freitas, directora do departamento de Estratégia e Gestão Ambiental Sustentável da Câmara de Almada, um dos municípios mais activos na adaptação ao novo clima. "Por cada euro gasto, poupamos quatro ou cinco." O município tem recuperado linhas de água naturais, alargado o diâmetro da canalização e redimensionado as bacias de retenção para enfrentar os picos de cheia – opções baseadas nos cenários climáticos. Para combater as elevadas temperaturas do verão, há ainda um programa para plantar mais vegetação no centro da cidade, onde as temperaturas chegam a estar 4º C acima da periferia (o chamado efeito de ilha de calor urbana).
Os investigadores, porém, avisam que isto não chega: a climatização de espaços públicos será crucial para situações de emergência. E, além do calor, outros problemas começam a surgir, como as concentrações perigosas de ozono de superfície, devido ao aumento do número de dias quentes, levando a mais casos de problemas respiratórios graves (estima-se que seja causa de morte de 20 mil pessoas por ano, na Europa).
Igualmente preocupante é o risco de transmissão de patologias como a doença de Lyme, salmonelas, criptosporidiose, dengue, febre do Nilo Ocidental e malária – potenciadas por calor, humidade e má qualidade da água. O dengue, na verdade, já chegou à Madeira: no final de 2012, sete anos depois de terem sido detectados na ilha os primeiros mosquitos infectados com o vírus, eclodiu um surto que durou seis meses e provocou 2 168 casos de febre de dengue. Por causa disto, e à semelhança do plano de contingência para as ondas de calor, com avisos à população, existe já um programa de vigilância de culicídeos (insectos que transmitem doenças).
Menos água, luz mais cara – Apesar da frequência de trombas de água, chove cada vez menos em Portugal, de década para década (com a primavera, o verão e o inverno mais secos, e o Outono mais húmido). No Sul do País, há um "aumento da contribuição de dias chuvosos para a precipitação anual", diz a climatologista Fátima Espírito Santo. Por outras palavras: chove menos, mas de forma mais concentrada. Os modelos climáticos indicam precisamente que haverá assimetrias sazonais, com secas mais extremas e prolongadas no Sul e inundações (que afectam a qualidade da água).
A subida do mar poderá também aumentar a salinização dos lençóis freáticos – uma situação já bem actual no Algarve. A solução passa por transferir água entre bacias hidrográficas e construir barragens. Mas a falta de água também afectará a produção de energia hidroeléctrica no Centro e no Sul do País (no Norte, espera-se um aumento de produção). A este problema aliam-se os danos causados por fenómenos extremos nas linhas de distribuição de electricidade, aerogeradores e gasodutos. A própria temperatura tem um efeito negativo, calculando-se perdas de energia de 1,6% associadas ao aumento do calor. O maior número de dias de sol favorece a energia fotovoltaica, mas não chega para inverter a tendência para a subida dos preços da luz.
Nem o turismo escapa. E se podemos contar, em teoria, com um crescimento de visitantes na primavera, Outono e inverno, cortesia de uma meteorologia mais amena, não nos podemos esquecer que o Norte da Europa (de onde vem a maioria dos nossos turistas) também se vai tornar menos frio. Por exemplo, em 1995, o verão foi muito quente no Reino Unido; no ano seguinte, a entrada de turistas britânicos no nosso país teve um crescimento mais fraco do que o habitual – foram para fora lá dentro.
Mas nem tudo é péssimo. Portugal é um dos países mais vulneráveis, sim, mas também um dos mais bem-comportados. O último índice de desempenho de alterações climáticas, divulgado esta semana, da organização não-governamental GermanWatch e da Rede Europeia de Acção Climática, coloca-nos entre os melhores do mundo, avaliadas as políticas ambientais e as emissões de dióxido de carbono – um honroso quarto lugar. Apenas Dinamarca, Suécia e Reino Unido estão à nossa frente. Mas a verdade é que também temos muito mais a perder do que os outros.
* * * * * * * * * * *
Fonte: Visão Verde

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

5908. Os incêndios de Agosto

Os satélites começaram a detectar um grande número de incêndios em Portugal em 6 de Agosto de 2016. Nos dias seguintes, os incêndios se tornaram mais numerosos e a quantidade de fumaça aumentou dramaticamente.
Quando o Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) no satélite Terra da NASA capturou esta imagem em 11 de Agosto de 2016, centenas de fogos lavravam em Portugal e Espanha. Mais de 4.000 bombeiros e 30 aviões lutavam contra as chamas em Portugal continental. No entanto, o calor e os ventos fortes dificultavam os esforços de combate a incêndios.
Enquanto isso, os incêndios também estavam queimando na ilha portuguesa da Madeira e aproximando-se da maior cidade, Funchal. Os incêndios mataram três pessoas e destruíram mais de 150 casas, de acordo com reportagens. As autoridades pensaram que alguns dos incêndios na ilha e o continente podem ter sido iniciados por incendiários. Vários suspeitos foram detidos.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte (texto e imagem): Earth Observatory

domingo, 18 de setembro de 2016

5907. 16 de Setembro: Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono

A Camada de Ozono e o Clima: Restaurados por um Mundo Unido
Em 1994, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 16 de Setembro como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono, comemorando a data da assinatura em 1987 do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozono (resolução 49/114). Os países membros foram convidados a dedicar esta data para a promoção de actividades de acordo com os objectivos do Protocolo e suas emendas.
No entanto, a destruição do ozono na Antárctida continua, acentuada agora pelo efeito das alterações climáticas. A extensão do buraco de ozono na Antárctida durante o evento de 2015 foi a mais longa e a mais tardia de sempre. Com efeito, a diminuição da temperatura da estratosfera em resultado do aquecimento global à superfície terá contribuído para a eficácia dos processos de destruição química do ozono, promovidas pelas nuvens polares estratosféricas, cuja formação só é possível com temperaturas muito baixas (<-78 b="">
Neste contexto, é necessário continuar a monitorização do ozono atmosférico e das substâncias que o destroem, com vista a verificação dos objectivos previstos nos acordos internacionais.
O tema deste ano para o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono reconhece os esforços colectivos das partes da Convenção de Viena e do Protocolo de Montreal na recuperação da Camada de Ozono durante as últimas três décadas e no compromisso global para combater as mudanças climáticas.
* * * * * * * * *
Fonte: IPMA

sábado, 17 de setembro de 2016

5906. Sábado, 17 de Setembro (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alcácer do Sal (Barrosinha) – 34,6 ºC
Pegões – 34,0 ºC
Setúbal (Areias) – 33,9 ºC
Alvalade – 33,7 ºC
Alvega – 33,3 ºC
Viana do Alentejo – 33,0 ºC
* * *
Aveiro (Universidade) – 21,2 ºC
Guarda – 21,2 ºC
Montalegre – 21,0 ºC
Cabo Raso – 20,1 ºC
Penhas Douradas – 19,9 ºC
Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 18,9 ºC
Areeiro (Madeira) – 9,1 ºC
* * *
Fonte: IPMA

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

5904. NASA confirma o Agosto mais quente desde há 136 anos



A NASA confirmou hoje que o mês de Agosto foi o mais quente a nível global, desde há 136 anos, igualando o valor de Julho de 2016. Nestes dois meses a temperatura média na Terra foi a mais alta desde que há registos instrumentais globais (início em 1880). Desde Outubro de 2015 (11 meses consecutivos) que se verificam recordes mensais de temperatura média global.
A NOAA ainda não publicou os valores relativos a Agosto de 2016 mas referiu recentemente, que o mês de Julho de 2016 tinha sido o 379º mês com valores superiores à média do século 20, o último com anomalia negativa foi Dezembro de 1984.
Em Portugal Continental, os meses de Julho e Agosto de 2016 igualaram o valor mais alto de temperatura máxima mensal de Agosto de 2003 (32,2 °C), sendo os únicos 3 meses cujos valores estão acima de 32 °C (Boletins Climatológicos).
Em relação à temperatura média o mês de Julho de 2016 foi o 2º mais quente desde 1931 (início da série), apenas Julho de 1989 apresentou um valor de temperatura média mais alto. Agosto foi o 5º mês de Agosto mais quente, atrás de 2003, 1949, 2010 e 2005.
No verão de 2016 (Junho, Julho, Agosto) o valor da temperatura máxima do ar, em Portugal continental, foi o mais alto desde 1931, 30,6 °C, cerca de 2,9 °C acima do valor normal 1971-2000. Foi ainda o 2º verão mais quente desde 1931 (depois de 2005) com o valor da temperatura média de 23,0 °C, cerca de 1,8 °C acima do valor médio.
Desde 1931, 6 dos 10 verões mais quentes ocorreram depois do ano 2000, sendo o verão de 2005 o mais quente em 86 anos.
* * * * * * * *
Fonte: IPMA

terça-feira, 13 de setembro de 2016

5903. ALBUFEIRA: Mau tempo fez escuar resíduos para a praia

Fonte: CMTV

5902. PORTUGAL CONTINENTAL: Precipitação acumulada

Precipitação acumulada
(entre as 01h00 e as 13h00)
* * *
Lisboa/Geof (95 m) 34.0 mm
Ovar (22 m) 29.0 mm
Porto/Pedras Rubras (77 m) 27.0 mm
Viseu (644 m) 26.0 mm
Portalegre (590 m) 19.0 mm
Coimbra (179 m) 18.2 mm
Castelo Branco (384 m) 18.0 mm
Monte Real (54 m) 15.0 mm
Évora (246 m) 14.0 mm
Bragança (692 m) 14.0 mm
Beja (247 m) 13.0 mm
Lisboa (105 m) 13.0 mm
* * *

5901. A validade das previsões meteorológicas

As previsões concretizaram-se e a precipitação regressou ao território de Portugal Continental ao longo desta madrugada e manhã, estendendo-se do litoral para o interior, à medida que a superfície frontal fria efectuou o seu deslocamento para leste.
Mais uma vez se lamenta profundamente a utilização de meios via internet para lançar junto da população confusões com provisões meteorológicas contrárias às oficiais emitidas pelas entidades competentes e que se revelaram erróneas e sem qualquer credibilidade. Esteja atento e não se deixe guiar por previsões sem credibilidade; utilize e siga as informações emanadas pelas entidades oficiais, designadamente pelo IPMA.

5900. Terça-feira, 13 de Setembro (01h00)

Linha de instabilidade associada à passagem da superfície frontal fria, muito activa, afectando o litoral oeste das regiões norte e centro. Períodos de chuva, por vezes fortes, acompanhados de trovoadas frequentes e dispersas, progredindo para nordeste e estendendo-se progressivamente do litoral para o interior.
Procedendo de sudoeste, esta massa de ar tropical húmida vem carregada de muito vapor de água, o que favorece a ocorrência de elevada precipitação em curtos períodos de tempo, suscetível de provocar inundações em leitos de cheias.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

5899. PORTUGAL CONTINENTAL: Tempo instável


Na imagem de satélite das 17h10UTC (18h10 em Portugal Continental), é visível uma banda branca a oeste do território de Portugal Continental, correspondente ao extremo meridional de uma superfície frontal fria que se encontra em deslocamento para leste e que vai atravessar todo o território de Portugal Continental, começando a afectar o litoral oeste e progredindo posteriormente para o interior, a partir da próxima madrugada e nas primeiras horas da manhã de Terça-feira. Imediatamente oeste da superfície frontal encontra-se uma banda rosada, correspondente a um núcleo de ar muito frio (20,0 ºC negativos aos 5500 metros de altitude, aproximadamente) e que também se move para leste, atrás da superfície frontal fria. Este núcleo de ar muito frio tenderá a ficar centrado, para o final da tarde de Terça-feira, sobre o noroeste da Península Ibérica.
Assim, na conjugação da passagem da superfície frontal fria teremos inicialmente períodos de chuva, por vezes fortes e acompanhados de trovoadas, podendo ser persistentes ao longo da madrugada e manhã de Terça-feira, sobretudo nas regiões do norte e centro. O vento será moderado a forte, com rajadas previstas até aos 70 quilómetros/hora. Após a passagem da superfície frontal fria, a presença do núcleo de ar frio no noroeste da Península Ibérica, favorecerá a passagem dos períodos de chuva para regime de aguaceiros, pontualmente fortes e acompanhados de trovoadas, com possibilidade de queda de granizo, em especial nas regiões do norte e centro, acompanhados por uma descida moderada da temperatura do ar.
O estado do tempo deverá melhorar em todo o continente para o final do dia de Terça-feira, inicialmente nas regiões do sul e depois também nas regiões do centro e do norte.

5898. Segunda-feira, 12 de Setembro (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
* **
Mora – 33,8 ºC
Pinhão (Santa Bárbara) – 33,4 ºC
Zebreira – 33,4 ºC
Tomar (Valdonas) – 33,2 ºC
Avis (Benavila) – 32,9 ºC
Alvega – 32,7 ºC
* * *
Sines – 21,9 ºC
Foía – 21,9 ºC
Viana do Castelo – 21,8 ºC
Cabo Raso – 21,7 ºC
Aljezur – 21,4 ºC
Zambujeira – 21,1 ºC
Odemira (S. Teotónio) – 20,3 ºC
Areeiro (Madeira) – 16,1 ºC
* * *
Fonte: IPMA