sábado, 30 de setembro de 2017

6413. Cobertura noticiosa dos incêndios pode ter efeito promotor de fogos postos

Uma cobertura noticiosa dos incêndios que banaliza o acontecimento, assim como o recurso ao sensacionalismo, pode ter um efeito promotor de fogos postos por parte de grupos mais vulneráveis, alertam especialistas. “Há uma banalização da gravidade dos actos”, disse à agência Lusa a psicóloga da Polícia Judiciária, Cristina Soeiro, que há muito estuda os incendiários.
Para esta especialista, a simples referência a “época de incêndios” ou mostrar o mapa de Portugal a laranja e vermelho é uma forma de “normativizar e banalizar a informação”, sendo que a cobertura, com longos minutos na televisão com imagens de floresta a arder, “é excessiva e pode ter um efeito de empolgar a situação”. “Não se pode dizer só que está a arder. Isso não é produtivo. Em vez de se focarem nas imagens do fogo, deviam focar-se na entrevista das pessoas responsáveis em tomar decisões, no que poderá estar errado, nas consequências do incêndio para as pessoas pensarem um bocadinho que qualquer coisa que faça na floresta é sua responsabilidade”, defendeu Cristina Soeiro.
Desde 1997, que a PJ monitoriza os incendiários detidos. Neste momento, tem cerca de 600 indivíduos estudados, permitindo dividir os incendiários em “três grandes padrões”. Cristina Soeiro realça que o grupo mais frequente (55%) está normalmente associado a três factores: défice cognitivo, alcoolismo e outros problemas de saúde mental, como o autismo. O segundo grupo mais frequente (40 a 44%) é o das pessoas que usam o incêndio como instrumento “de vingança ou retaliação”, seja para “chamar a atenção dos outros ou resolver problemas de divisão de terras”, sendo que este perfil tem vindo “a diminuir progressivamente nos últimos anos”. O terceiro grupo – o menos expressivo (”não passa dos 6%”) – é constituído por pessoas “que retiram algum benefício de um incêndio”, nomeadamente pegar fogo para limpar terrenos. Há também quem receba “montantes pequenos para incendiar uma zona qualquer”, não sendo identificado nesse terceiro grupo “a presença de um perfil de um crime organizado”, realçou.
Por se estar a falar de um perfil de incendiário que, na sua maioria, está associado a um grupo de pessoas vulneráveis, Cristina Soeiro vincou que o tratamento noticioso pode ter consequências positivas, caso seja moderado e procure dar “a notícia completa – não apenas a floresta a arder, mas as consequências, de tudo o que se perde, da ausência dos animais”. No entanto, a psicóloga da PJ referiu que não há “nenhum estudo estruturado” que permita dizer que as imagens da floresta a arder possam “ter um efeito de activação em indivíduos, principalmente no grupo de risco maior”.
“Na minha perspectiva, como psiquiatra, há um exagero manifesto na mostra de imagens de incêndios”, afirmou à Lusa o psiquiatra e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Carlos Braz Saraiva, que enquanto psiquiatra forense estudou incendiários nos grandes fogos de 2003 e 2005.
O psiquiatra sublinhou que a maioria dos incendiários têm “personalidades mais vulneráveis”, sendo que “os minutos e minutos consecutivos” de imagens podem ter um impacto negativo, recordando o caso de um jovem na Serra do Açor que lhe confessou a alegria de ver os aviões e os helicópteros a sobrevoar a sua terra. “É um espectáculo e devia haver uma autorregulação” da cobertura dos fogos, defendeu.
O coordenador do Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicológico de Coimbra, João Redondo sublinha que os media podem ter um efeito benéfico junto das populações. Nesse sentido, recorda o projecto internacional eFIRECOM, que traça algumas recomendações que os jornalistas deveriam seguir: “melhorar a compreensão social em relação à gestão de riscos de incêndios, promover uma melhor compreensão da fragilidade e da vulnerabilidade do meio ambiente, reduzir o ‘show’ nas notícias sobre os incêndios florestais a fim de não motivar atitudes propensas à indução de incêndios, evitar a instrumentalização política e mediática do fenómeno dos incêndios florestais e o tratamento sensacionalista do evento catastrófico”.
* * * * * * * * * *
Fonte: dnoticias

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

6412. Sexta-feira, 29 de Setembro (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 33,2 ºC
Elvas – 32,6 ºC
Viana do Alentejo – 32,5 ºC
Portel (Oriola) – 32,3 ºC
Avis (Benavila) – 32,2 ºC
Évora (Aeródromo) – 32,1 ºC
* * *
Viana do Castelo – 20,7 ºC
Penhas Douradas – 20,6 ºC
Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 18,0 ºC
Cabo Raso – 16,9 ºC
Cabo Carvoeiro – 16,4 ºC
Areeiro (Madeira) – 13,5 ºC
* * *
Fonte: IPMA

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

6411. Alterações climáticas: Habituemo-nos a Lúcifer – o calor extremo vai tornar-se a norma

Ondas de calor como a Lucifer, durante a qual, no início de Agosto, as temperaturas subiram acima dos 40º e se mantiveram acima dos 20º à noite, em locais tão improváveis como a zona alpina da Eslovénia, ou fenómenos como o que assolou Portugal e Espanha em Junho, ajudando à deflagração de mortíferos incêndios como o de Pedrógão Grande, vão tornar-se a norma em meados do século XXI. Isto caso as nações do mundo se provem incapazes de agir para reduzir as alterações climáticas globais provocadas por acção humana. É este o alerta deixado num estudo agora divulgado pela World Weather Attribution, uma associação que reúne cientistas de todo o mundo na análise dos efeitos das alterações climáticas na recorrência de fenómenos naturais extremos.
Ainda que as alterações climáticas não possam ser responsabilizadas de forma directa e isolada por cada um dos desastres naturais que têm ocorrido, existe uma relação entre o primeiro fenómeno e o facto de os segundos acontecerem cada vez mais frequentemente. Comparando a recorrência recente de fenómenos extremos com os registos históricos e com modelos informáticos de evolução do clima num ambiente simulado sem a influência das emissões de carbono, a World Weather Attribution conclui que as alterações climáticas já estão a ter impacto na frequência de eventos extremos.
A organização indica que o risco de uma onda de calor como a que atingiu Portugal e Espanha em Junho tornou-se dez vezes maior em comparação com os registos do século XX. E que os Invernos quentes sentidos recentemente no continente europeu se tornaram num acontecimento 60 vezes mais provável, ou que o branqueamento em massa da Grande Barreira do Coral australiana, e consequente e grave fragilização gigantesca estrutura natural, se tornou uma realidade cuja probabilidade de acontecer aumentou 175 vezes relativamente à era pré-industrial.
“No início da primeira década de 1900, um Verão como o que vivemos agora teria sido extremamente raro”, afirmou em comunicado Geer Jan van Oldenborgh, investigador sénior no Instituto Meteorológico Real dos Países Baixos, citado pela Reuters, acrescentando que, neste momento, “em todo o sul da Europa, a possibilidade de assistirmos a uma onda de calor tão quente como a do Verão passado todos os Verões é de 1 em 10”.
Mais de 35 mil pessoas morreram na Europa como consequência da onda de calor de 2003, enquanto na Rússia, dezenas de milhares de mortes foram atribuídas a uma vaga de calor intenso registada em 2010. Em zonas mais quentes noutras zonas do globo, a ameaça, naturalmente, é ainda maior. “É urgente que as cidades trabalhem com cientistas e especialistas em saúde pública no desenvolvimento de planos de acção, porque o calor extremo tornar-se-á a norma a meio deste século”, alerta Robert Vautard, investigador no Laboratório de Ciências Ambientais e do Clima, em França.
* * * * * * * * * * *
Fonte: PÚBLICO

6410. RANKING EUROPEU: Tendência climática para o Outono de 2017

OUTONO 2017
(Outubro/Novembro/Dezembro)
  Tendência climática para o quarto trimestre de 2017
 * * *
TEMPERATURAS MÁXIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas máximas diárias superiores aos valores máximos normais deste trimestre.
=================================== 
 
===================================
TEMPERATURAS MÍNIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas mínimas diárias inferiores aos valores mínimos normais deste trimestre.
===================================
 
===================================  
PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com precipitações máximas diárias superiores aos valores máximos diários normais deste trimestre.
================================
================================
 Prováveis regiões da Europa
com valores INFERIORES à média
* * *
OUTONO 2017
(Outubro/Novembro/Dezembro)
* * *
TEMPERATURA MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos calor
====================================

====================================
TEMPERATURA MÍNIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos frio 
====================================

==================================== 
PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para uma diminuição da precipitação
===================================
 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

6409. PORTUGAL: Tendência climática para o 4º trimestre de 2017


Neste trimestre (Outubro, Novembro e Dezembro) espera-se que, a nível nacional, as temperaturas máximas absolutas acumuladas diariamente venham a ficar ligeiramente abaixo relativamente à média normal para o 4º trimestre do ano (-18,04), enquanto que as precipitações máximas absolutas acumuladas diariamente deverão vir a ser significativamente superiores relativamente à média normal para o 4º trimestre do ano (+29,82).
Relativamente às previsões realizadas para o 4º trimestre do ano passado, espera-se para 2017 menos calor (-4,15) e mais precipitação (+11,78).

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

6407. Chega hoje, oficialmente, o outono



Chega hoje a Portugal, às 21h02, oficialmente, a estação que traz uma belíssima variedade de tons às folhas das plantas e das árvores e deixa para trás o calor do verão. Mas o Outono não chega com frio, já que as temperaturas vão subir no fim-de-semana…
O Equinócio de Outono ocorre hoje, 22 de Setembro às 20h02, tempo universal. Significa que o Outono chegará oficialmente às 21h02 em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, e às 20h02 na Região Autónoma dos Açores.
Este instante marca o início do Outono no Hemisfério Norte, e o final do verão. Esta estação prolonga-se até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Dezembro às 16h28 em Portugal continental e dará lugar ao Inverno
O equinócio é o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. A palavra de origem latina ‘aequinoctium’ agrega o nominativo ‘aequus’ (igual) com o substantivo ‘noctium’, genitivo plural de ‘nox’ (noite). Assim significa “noite igual” (ao dia), pois nestas datas dia e noite têm igual duração, tal é a ideia que permeia a sociedade.
Outono sim, mas com sol… E o inicio do mês de Outono vai ser marcado com temperaturas a variar entre os 20 e os 30 graus Celsius.
As temperaturas vão ser mais elevadas no Alentejo, em especial no interior, devendo chegar aos 31 graus e na região Vale do Tejo entre 27 e 30 graus, indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Já no interior norte, as temperaturas máximas vão variar entre os 26 e os 28 e no litoral norte e centro entre 20 e 25 graus.
Em 2017 o Outono termina a 21 de Dezembro, dando lugar ao Inverno precisamente às 16h28.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte (texto e imagem): MundoPortuguês

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

6406. METEOGLOBAL: contribuição voluntária dos cidadãos



O interesse dos cidadãos pela meteorologia e pelo clima tem vindo a aumentar, e é hoje comum a aquisição de sistemas de observação, por particulares, e o acompanhamento da evolução de fenómenos meteorológicos, através da troca de informação em tempo real, por grupos de cidadãos interessados, aproveitando os avanços dos sistemas de comunicação que facilitam o estabelecimento de processos associativos entre grupos mais ou menos organizados.
Se para o acompanhamento dos fenómenos de larga escala têm as redes de observação meteorológica dos diferentes países uma dimensão adequada, o mesmo não acontece para o acompanhamento de fenómenos de menor escala, que exige uma maior densidade de estações e um maior número de técnicos de observação incomportável para os Estados.
É face a esta realidade que foi criada uma página que designou por METEOGLOBAL, acessível através do seu sítio na WEB, de forma a melhorar a sua capacidade de resposta, solicitando a contribuição voluntária dos cidadãos na vigilância meteorológica e climática, designadamente no acompanhamento de fenómenos extremos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

6405. Quarta-feira, 20 de Setembro (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 32,9 ºC
Reguengos (São Pedro do Corval) – 31,9 ºC
Elvas – 31,4 ºC
Castro Verde (N. Corvo) – 31,4 ºC
Amareleja – 31,2 ºC
Alcoutim (Mart. Longo) – 30,8 ºC
Tomar (Valdonas) – 30,8 ºC
* * *
Porto (S. Gens) – 20,1 ºC
Dunas de Mira – 20,0 ºC
Aveiro (Universidade) – 18,7 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 18,0 ºC
Cabo Raso – 17,4 ºC
Cabo Carvoeiro – 17,2 ºC
Areeiro (Madeira) – 12,2 ºC
* * *
Fonte: IPMA

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

6403. PORTUGAL CONTINENTAL: Temperaturas vão descer entre 4 a 8 graus até sexta-feira

Em declarações à agência Lusa, a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) disse que o dia de hoje ainda vai ser de céu pouco nublado ou limpo, com alguma nebulosidade matinal e vento moderado de noroeste durante a tarde, com temperaturas ainda agradáveis.
“No entanto, amanhã [quinta-feira] vamos ter uma alteração significativa do estado do tempo. Até ao início da manhã as temperaturas mantêm-se como estão hoje, mas gradualmente vamos começar a sentir uma descida da temperatura, sobretudo da máxima”, explicou. Segundo Maria João Frada, também a partir do início da tarde está previsto um aumento da intensidade do vento, tornando-se moderado a forte no litoral e nas terras altas com rajadas da ordem dos 60 quilómetros por hora. “Ou seja, durante a tarde de quinta-feira vamos ter mais frio do que de manhã. A temperatura máxima vai descer entre 02 e 04 graus, mas na sexta-feira a descida ainda será maior: entre 02 e 08 graus e atingirá às máximas e mínimas”, disse.
De acordo com a meteorologista, sexta-feira vai ser um dia muito frio, com uma descida da temperatura, vento forte no litoral oeste e nas terras altas com rajadas da ordem dos 70 quilómetros por hora.
“Na origem de tudo isto está a influência de um anticiclone que está a nordeste dos Açores que se estende em crista até ao território do continente. No entanto, a partir do final da manhã de quinta-feira, a crista vai estender-se até à Islândia e começamos a ter a entrada de uma massa de ar polar mais fria, mais seca, que vai passar a uma superfície frontal fria de fraca actividade”, explicou.
Na quinta-feira, segundo a meteorologista, esta superfície pode dar origem também a nebulosidade nas regiões do Norte e Centro, em especial no litoral onde podem ocorrer aguaceiros ou chuviscos. “Mas o mais importante é que após a passagem da superfície frontal temos a entrada de uma massa de ar polar que vai trazer já um cheirinho a Outono. As temperaturas baixam e a intensidade do vento aumenta”, salientou.
Assim, na sexta-feira as temperaturas máximas não deverão ultrapassar os 25 graus e será na zona de Vale do Tejo, Santarém, interior do Alentejo e costa sul do Algarve. No resto do território serão inferiores e vão variar entre os 15 graus nas Penhas Douradas e os 18/22 no resto do território. “No que diz respeito às mínimas, vão variar entre os 06 e os 08 graus nas regiões do litoral, entre os 11 e os 15 graus no interior do Alentejo, e 15/16 graus no Algarve”, disse.
Quanto ao fim de semana, Maria João Frada adiantou que no sábado não haverá alterações significativas relativamente a sexta-feira e no domingo está prevista uma ligeira diminuição da intensidade do vento. “Na segunda-feira, a tendência será para uma subida dos valores da temperatura máxima”, concluiu.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte (texto e imagem): SAPO24

6402. Quarta-feira, 13 de Setembro (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 35,4 ºC
Castro Verde (N. Corvo) – 35,1 ºC
Reguengos (São Pedro do Corval) – 34,9 ºC
Mértola (Vale Formoso) – 34,7 ºC
Amareleja – 34,6 ºC
Pegões – 34,5 ºC
* * *
Penhas Douradas – 22,1 ºC
Sines – 21,9 ºC
Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 20,7 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,4 ºC
Cabo Raso – 19,1 ºC
Cabo Carvoeiro – 18,3 ºC
Lombo da Terça (Madeira) – 16,1 ºC
* * *
Fonte: IPMA

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

6401. Os incêndios e a conversão da dor em prazer, atitudes maléficas e eticamente execráveis (RTP, SIC, TVI, CMTV)

Nas televisões, o incêndio de Pedrógão Grande resultou num avatar técnico-totalitário da “obra de arte total”, na qual se dá uma confrontação dialéctica das várias artes. Com as imagens captadas pelos drones, a SIC compôs um filme com uma banda sonora que não era a Cavalgada das Valquírias, o excerto de uma ópera de Wagner a que Francis Ford Coppola deu uma grandiosa forma cinematográfica em Apocalypse Now, mas tinha a pretensão da “grande arte” wagneriana.
Diz-se que os pilotos operadores dos drones, combatentes de uma guerra à distância, antes de disparar gritam de júbilo: “Oh, que belo alvo!” A nauseabunda estetização da catástrofe servida ao espectador — o “belo” cenário trágico resultante das montagens e encenações feitas nos estúdios das televisões — também mostra que alguém, certamente uma equipa, rejubilou com os seus belos alvos que lhes fornecem matéria para uma grande produção a baixo preço, para um filme-catástrofe que não precisa de efeitos especiais, só precisa de uma montagem bem ornamentada e música a condizer. Tudo devidamente sublinhado por textos, legendas e designações (por exemplo, “a estrada da morte”) que remetem para as grandes ficções de Hollywood. Às vezes, sobre essas imagens sobrepõe-se uma voz-off que lê um texto a imitar qualquer coisa de literário, a sublinhar a operação que reduz a tragédia real a uma opereta obscena. A estetização é uma violência exercida sobre as vítimas da catástrofe e, paradoxalmente, tem o efeito de uma anestesia aplicada ao espectador.
Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime. Se a emergência dessa categoria estética que é o sublime está relacionada com os sentimentos de medo e de terror perante algo que excede toda a medida, é preciso no entanto que a ameaça que eles representam seja suspensa para que da dor nasça o prazer. As reportagens da televisão, muito especialmente as imagens estetizadas que passam a servir de separadores ou de fechos do noticiário, procedem a esta conversão da dor em prazer. São maléficas e eticamente execráveis. Devemos perguntar como é que os jornalistas dos vários canais de televisão se relacionam com elas.
O sublime, como sabemos, tem a dimensão do irrepresentável, deixa a faculdade da imaginação e a fala aniquiladas perante algo que tem uma potência ou um tamanho desmesurados. Por isso, é sempre ocasião para o uso de meios retóricos curtos, mas enfáticos. Para não ficarem em silêncio, para não dizerem pura e simplesmente que não têm nada a dizer ou que tudo o que são capazes de dizer é trivial, os repórteres recorrem aos parcos meios linguísticos que têm à sua disposição. Por exemplo, a palavra “dantesco” (para além de uma certa dimensão, o incêndio é sempre “dantesco” e configura “o inferno”). E porque os processos de descrição, na televisão, consistem sobretudo em mostrar, em dar a ver, entra-se sem pudor na exibição das imagens obscenas. Como vimos, alguns repórteres (Judite Sousa parece que não foi a única) nem hesitaram em aproximar-se dos cadáveres e oferecê-los aos espectadores como imagens ostensivas. Como uma personagem do filme de Francis Ford Coppola, eles poderiam dizer: “I love the smell of napalm in the morning.”
Face à falta de meios linguísticos (e de tempo para qualquer elaboração mais cuidada) e porque a televisão pratica quase como ideologia jornalística um realismo ingénuo que acaba por nunca produzir o desejado efeito de real, os repórteres ou debitam lugares-comuns que não têm nem valor expressivo nem descritivo, ou recorrem aos testemunhos. Põe-se um microfone e uma câmara diante de pessoas em estado de choque e pede-se-lhes que elas testemunhem, que elas descrevam, que elas superem a afasia em que a situação as colocou. A violência é inominável e a televisão torna-se patética, no duplo sentido da palavra: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão.
Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de metáforas cristalizadas, de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.
Esta maquinaria é totalitária, expansiva, reduz tudo a uma peça integrada. Este jornalismo é um aparelho ao serviço da lógica da “partilha” da comunicação, da informação e da opinião da nossa época. A utilização dos drones realiza na perfeição esta atitude predadora de quem se acha munido do olho de Deus: o olho que abarca, na vertical, a totalidade do mundo. Era fatal que a televisão viesse a pôr ao seu serviço o drone de omnivisão, dotado de uma vista sinóptica, capaz de uma vigilância de largo alcance, “wide area surveillance”, como se diz na linguagem da guerra.
António Guerreiro
* * * * * * * * * * *
Fonte: PÚBLICO

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

6399. MAI abre processo disciplinar ao comandante da Protecção Civil



A ministra da Administração Interna anunciou nesta sexta-feira ter aberto um processo disciplinar ao Comandante Operacional Nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), Rui Esteves. O processo, diz uma nota do Ministério da Administração Interna (MAI) divulgada na tarde desta sexta-feira, surge na sequência de uma notícia da RTP que informava que Rui Esteves estaria ilegal no comando da ANPC desde que foi nomeado em Janeiro, por ter acumulado este cargo, até à passada segunda-feira, com o de director do aeródromo de Castelo Branco.
Diz ainda o documento enviado pelo ministério de Constança urbano de Sousa que "as conclusões do referido inquérito devem ser remetidas à tutela no prazo máximo de 30 dias".
Segundo o programa Sexta às 9, que vai para o ar às 21h desta sexta-feira na RTP1, o duplo cargo está referido no despacho de nomeação assinado pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, em Janeiro. Diz ainda que a acumulação de funções deu origem a uma ilegalidade.
Nunca teve autorização – A lei que regula o estatuto do pessoal dirigente do Estado é clara: um dirigente público não pode acumular funções, excepto se tiver autorização superior para o efeito. A RTP avança ainda que desde que foi nomeado para comandante nacional de operações de socorro, Rui Esteves nunca obteve autorização superior para acumular funções.
Confrontado com os factos pelo canal público, Rui Esteves nega e garante que pediu verbalmente ao presidente da Câmara de Castelo Branco, gestora do aeródromo, para ser substituído logo que assumiu funções em Carnaxide. O autarca confessa que nunca substituiu Rui Esteves e acrescenta que este nunca lhe enviou qualquer comunicação escrita a formalizar a intenção. A ANAC assegura que só recebeu um pedido de substituição de Rui Esteves como director do aeródromo a 1 de Setembro, precisamente um dia depois da RTP ter perguntado à câmara quem era o director.
O comandante nacional da Protecção Civil tem estado debaixo de fogo da oposição por causa da sua acção nos incêndios deste Verão, mas sobre os incêndios o MAI ainda aguarda respostas da comissão técnica independente e não avançou com qualquer processo disciplinar. Aliás, o único caso em que o MAI admitiu abrir um processo disciplinar a responsáveis não foi a Rui Esteves, mas a dirigentes da secretaria-geral do MAI, por causa do SIRESP – Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, na sequência de um relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI).
Ministra admitiu "descoordenação" – De recordar que foi a própria ministra da Administração Interna a admitir que tinha havido “descoordenação” no comando operacional do combate ao incêndio de Pedrógão Grande, nomeadamente na relação da Protecção Civil com outros agentes envolvidos nas operações.
A IGAI irá receber na próxima semana queixas do autarca de Mação e do PSD sobre a actuação de Rui Esteves nos incêndios que assolaram aquele concelho em Julho e Agosto. O presidente da câmara Vasco Estrela e o deputado do PSD, Duarte Marques, duvidam de informações prestadas Rui Esteves e querem que a IGAI as investigue. Em causa está a gestão de meios operacionais nos incêndios, que dizem ter sido desviados para outros concelhos, nomeadamente para o concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, de onde é Rui Esteves.
O comandante da ANPC foi nomeado no início deste ano pelo também novo presidente da Protecção Civil Joaquim Leitão. Até então era comandante distrital em Castelo Branco, ou seja, era a autoridade máxima da protecção civil naquele distrito. A nomeação de Rui Esteves fez parte de uma mudança que aconteceu na estrutura da ANPC e que, tal como o PÚBLICO noticiou, fez com que fosse mudada metade desses responsáveis operacionais.
Liliana Valente e Luciano Alvarez
* * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte: PÚBLICO

6398. Sexta-feira, 8 de Setembro (19h00)

Imagem de Satélite às 19h00
* * *
Fonte: SAT24

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

6397. Quinta-feira, 7 de Setembro (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alcácer do Sal (Barrosinha) – 38,3 ºC
Pegões – 37,5 ºC
Alvega – 37,0 ºC
Castro Verde (N. Corvo) – 36,7 ºC
Portel (Oriola) – 36,5 ºC
Viana do Alentejo – 36,5 ºC
* * *
Viana do Castelo (Chefe) – 24,6 ºC
Dunas de Mira – 23,9 ºC
Aveiro (Universidade) – 22,7 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,7ºC
Cabo Carvoeiro – 19,1ºC
Cabo Raso – 18,7 ºC
* * *
Fonte: IPMA

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

6396. Quarta-feira, 6 de Setembro (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 36,9 ºC
Reguengos (S. Pedro do Corval) – 36,7 ºC
Elvas – 36,1 ºC
Avis (Benavila) – 35,8 ºC
Castro Verde (N. Corvo) – 35,6 ºC
Portel (Oriola) – 35,5 ºC
Amareleja – 35,5 ºC
Alcoutim (Mart. Longo) – 35,5 ºC
* * *
Sines – 23,1 ºC
Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 22,7 ºC
Sagres – 21,4 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,3 ºC
Cabo Carvoeiro – 19,0 ºC
Cabo Raso – 18,6 ºC
* * *
Fonte: IPMA

terça-feira, 5 de setembro de 2017

6395. Terça-feira, 5 de Setembro (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 34,6 ºC
Aldeia Souto (Q. Lageosa) – 34,2 ºC
Elvas – 34,1 ºC
Mirandela – 34,0 ºC
Covilhã (Aeródromo) – 33,8 ºC
Zebreira – 33,4 ºC
* * *
Sines – 22,9 ºC
Viana do Castelo (Chafé) – 22,9 ºC
Dunas de Mira – 22,2 ºC
Aveiro (Universidade) – 22,0 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,9 ºC
Cabo Raso – 19,6 ºC
Cabo Carvoeiro – 19,0 ºC
* * *
Fonte: IPMA