domingo, 30 de setembro de 2018

6907. Tsunami na Indonésia causou mais de 800 vítimas mortais (28 de Setembro)

CopyRight @ RTP Notícias

6906. PORTUGAL CONTINENTAL: Alerta de perigo de incêndio prolongado até ao fim da próxima semana

A Protecção Civil aumentou este domingo o nível de perigo de incêndio até ao fim da próxima semana. De acordo com a Autoridade Nacional de Protecção Civil o tempo seco e quente é propício à existência de fogos rurais. A intensificação do vento também é uma das preocupações das autoridades. Sete distritos encontram-se em alerta laranja. "Na sequência da informação meteorológica disponibilizada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a partir de hoje, 30 de Setembro, e até ao final da próxima semana, assistiremos à continuação de tempo seco e quente, com temperatura em valores acima da média para esta época do ano, intensificação do vento de quadrante leste e agravamento evolutivo do risco de incêndio”.
De acordo com a Protecção Civil a continuação do tempo quente, apesar da descida da temperatura, pode dar aso a uma maior “disponibilidade do combustível florestal”, havendo uma grande preocupação com a propagação rápida de chamas. Alexandre Penha, da Protecção Civil, disse, em declarações à RTP 3, que existe uma grande preocupação com a intensificação do vento seco do quadrante leste e com a falta de humidade nos combustíveis, que podem ajudar a propagar incêndios com maior facilidade.
Devido ao tempo seco que se vai fazer sentir na primeira quinzena de Outubro, os distritos do Porto, Braga, Bragança, Viana do Castelo, Vila Real, Guarda e Viseu encontram-se com um alerta especial laranja, enquanto o restante território do continente está com alerta amarelo. Com o período crítico a ser prolongado até 15 de Outubro, a Autoridade Nacional da Protecção Civil lembrou que têm de ser tomadas medidas preventivas para mão haver propagação de incêndios. As autoridades pedem que não se realizem queimadas ou fogueiras com finalidades de lazer, como é a confecção de alimentos.
A Protecção Civil pediu também que não seja realizado o lançamento de foguetes e que não se fume em locais de floresta. A utilização de máquinas agrícolas durante o período de maior calor também uma das medidas que as autoridades querem evitar. Na terça-feira, o Governo informou que decidiu prolongar até 15 de Outubro o período crítico de incêndios no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios devido às circunstâncias meteorológicas expectáveis para a primeira quinzena de Outubro.
* * * * * * * * * * * * *

6905. Domingo, 30 de Setembro (18h00)

Imagem de satélite às 18h00
* * *
Fonte: SAT24
==========
Tarde com instabilidade nas regiões do interior, com aguaceiros e trovoadas dispersas associados a desenvolvimento de nebulosidade convectiva; neblina ou nebulosidade baixa na faixa litoral ocidental.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

6904. PORTUGAL: Probabilidades no Outono



6903. RANKING EUROPEU: Tendência climática para o Outono de 2018

OUTONO 2018
(Outubro/Novembro/Dezembro)
  Tendência climática para o terceiro trimestre de 2018
 * * *
TEMPERATURAS MÁXIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas máximas diárias superiores aos valores máximos normais deste trimestre.
===================================
===================================
TEMPERATURAS MÍNIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas mínimas diárias inferiores aos valores mínimos normais deste trimestre.
===================================
===================================  
PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com precipitações máximas diárias superiores aos valores máximos diários normais deste trimestre.
================================
================================
 Prováveis regiões da Europa
com valores INFERIORES à média
* * *
OUTONO 2018
(Outubro/Novembro/Dezembro)
* * *
TEMPERATURA MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos calor
====================================
====================================
TEMPERATURA MÍNIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos frio 
====================================
==================================== 
PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para uma diminuição da precipitação
===================================
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

6902. PORTUGALÇ CONTINENTAL: Instabilidade dispersa

Imagem de satélite às 17h00
* * *
Fonte: SAT24
===========
Tarde com desenvolvimento de nebulosidade convectiva, originando aguaceiros dispersos, acompanhado por trovoadas e queda de granizo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

6901. ALENTEJO: Instabilidade moderada

Intensidade da Precipitação às 21h30
* * *
Fonte: IPMA
==========
Aguaceiros e trovoadas dispersas; vento com rajadas fortes.

6900. PORTUGAL CONTINENTAL: Instabilidade nas regiões do interior

Imagem de Satélite às 19h00
* * *
Fonte: SAT24
===========
Tarde instável, com aguaceiros e trovoadas dispersas nas regiões do interior.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

6899. Governo prorroga período crítico de incêndios até 15 de Outubro

O Governo decidiu prorrogar até 15 de Outubro o período crítico de incêndios, devido à previsão de temperaturas "com valores acima do que é padrão" e à baixa probabilidade de ocorrência de precipitação, anunciou esta terça-feira o Ministério da Agricultura.
Segundo uma nota do Ministério, seguiu já para publicação em Diário da República o despacho do secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural onde se explica que se trata de "um prolongamento tendo em consideração as circunstâncias meteorológicas prováveis para a primeira quinzena de Outubro, de temperaturas com valores acima do que é o padrão para a época, uma baixa probabilidade de ocorrência de precipitação e porque o território nacional se encontra em níveis elevados de valores de severidade meteorológica diária acumulada".
Face a esta situação, o executivo prevê "uma manutenção do risco de incêndio rural em níveis elevados".
Em conferência de imprensa esta terça-feira, a Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) avançou que o risco de incêndio rural vai permanecer "muito elevado" nos próximos dias. O alerta laranja (segundo mais grave de uma escala de cinco) mantém-se até às 14h de quarta-feira, quando será feita uma nova análise e decidida qual a tipologia de alerta para os próximos dias, disse o comandante nacional de operações e socorro, Duarte Costa.
Nas últimas 72 horas registou-se um aumento das ocorrências de fogo, assim como um aumento dos incêndios "de maior complexidade", disse Duarte Costa. "Acentua-se a tendência para o aumento da frequência de fenómenos extremos, e fora de época, nomeadamente susceptíveis de originarem grandes incêndios rurais."
Durante o período crítico de incêndios, nos espaços florestais ou agrícolas, é proibido fumar, fazer lume ou fogueiras; fazer queimadas; lançar foguetes e balões de mecha acesa; fumigar ou desinfestar apiários, salvo se os fumigadores estiverem equipados com dispositivos de retenção de faúlhas; fazer circular tractores, máquinas e veículos de transporte pesados que não possuam extintor, sistema de retenção de fagulhas ou faíscas e tapa-chamas nos tubos de escape ou chaminés.
"Face às condições descritas, considera-se necessário continuar a adoptar as medidas e acções especiais de prevenção de incêndios florestais, que decorrem durante o período crítico, no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios", refere a nota.
* * * * * * * * * * *
Fonte: PUBLICO

6898. Terça-feira, 25 de Setembro (16h00)


Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Mora – 38,1 ºC
Rio Maior – 38,0 ºC
Alvalade – 38,0 ºC
Alvega – 37,9 ºC
Santarém (Fonte Boa) – 37,8 ºC
Tomar (Valdonas) – 37,4 ºC
Reguengos (São Pedro do Corval) – 37,4 ºC
* * *
Carrazeda de Ansiães – 25,0 ºC
Foía – 24,5 ºC
Penhas Douradas – 24,4 ºC
Trancoso (Bandarra) – 23,2 ºC
Cabo Carvoeiro – 21,1 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 21,1 ºC
Cabo Raso – 20,6 ºC
Lombo da Terça (Madeira) – 17,1 ºC
* * *
Fonte: IPMA

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

6897. PORTUGAL CONTINENTAL: Tempo muito quente


Temperaturas iguais ou superiores a 38,0 ºC às 16h00

* * *

Alvega – 39,1 ºC

Tomar (Valdonas) – 39,0 ºC

Mora – 38,7 ºC

Santarém (Fonte Boa) – 38,6 ºC

Alvalade – 38,6 ºC

Coruche – 38,5 ºC

Viana do Alentejo – 38,5 ºC

Alcácer do Sal (Barrosinha) – 38,3 ºC

Avis (Benavila) – 38,2 ºC

Portel (Oriola) – 38,0 ºC

* * *

Fonte: IPMA

domingo, 23 de setembro de 2018

6896. Domingo, 23 de Setembro (16h00)


Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 39,2 ºC
Coruche – 38,6 ºC
Alvalade – 38,4 ºC
Mora – 38,3 ºC
Alcácer do Sal (Barrosinha) – 38,2 ºC
Avis (Benavila) – 37,8 ºC
* * *
Dunas de Mira – 23,1 ºC
Viana do Castelo (Chafé) – 23,0 ºC
Aveiro (Universidade) – 21,1 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,5 ºC
Cabo Carvoeiro – 19,2 ºC
Cabo Raso – 19,0 ºC
Lombo da Terça (Madeira) – 17,3 ºC
* * *
Fonte: IPMA

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

6895. Floresta diversificada resiste melhor a fogos e secas

Uma floresta diversificada é menos afectada por incêndios e também reage melhor a períodos de seca, indica um estudo publicado na revista Nature. Investigadores liderados pelo biólogo William Anderegg, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, concluíram que uma floresta com uma grande variedade de árvores e de características diversas relacionadas com o fluxo da água sofre menos com os períodos de seca.
Os resultados da pesquisa aprofundam investigações já feitas nesta matéria e, diz-se no estudo, podem ser úteis para os gestores florestais e para quem tem de reconstruir florestas após grandes incêndios. De acordo com Anderegg, a diversidade na forma como a água é usada pela floresta é um factor predominante sobre como essa floresta reage a períodos de seca.
As características hidráulicas de uma árvore são a forma como essa árvore move a água por todo o organismo, o que fará que tenha, por exemplo, níveis diferentes de reagir e suportar uma seca até todo o sistema colapsar. O estudo agora divulgado analisou não o indivíduo, mas todo o ecossistema. Anderegg e os restantes investigadores, incluído responsáveis das universidades de Stanford, Princeton e Califórnia, analisaram dados de 40 zonas florestais de todo o mundo aos quais juntaram dados já analisados e informação recolhida por satélite, todos coincidentes na ideia de que as secas não têm o mesmo efeito numa floresta hidraulicamente diversa do que numa com árvores do mesmo tipo.
A diversidade, explica Anderegg no artigo, leva a que se multipliquem os tipos de árvores, de madeira mais ou menos tolerante à seca, de raízes a diferentes profundidades e com diversas fontes de água. “Mais diversidade numa paisagem vai ajudar a floresta a ser mais resistente ao fogo”, diz também Anderegg, acrescentando que as mesmas condições climatéricas que levam às secas também estão na origem de muitos incêndios.
* * * * * * * * * * *
Fonte: Observador

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

6894. Segunda-feira, 17 de Setembro (18h00)

Imagem de Satélite às 18h00
* * *
Fonte: SAT24
============
Tempo instável nas regiões do interior, com ocorrência de aguaceiros e trovoadas.

domingo, 16 de setembro de 2018

6893. 16 de Setembro: Dia Internacional para a preservação da camada de ozono (II)


Mais de três décadas passadas após a assinatura do Protocolo de Montreal em 1987, começamos a verificar sinais de uma aparente recuperação do ozono estratosférico. O Protocolo de Montreal foi o primeiro tratado ambiental à escala global da história e tem como objectivo acabar com a produção das substâncias que destroem a Camada de Ozono.
Entre as substâncias que destroem o ozono na estratosfera, encontram-se os clorofluorocarbonetos (CFC). O desenvolvimento tecnológico permitiu a substituição rápida destas substâncias por outras que não destruíssem o ozono estratosférico: os hidrofluorocarbonetos (HFC).
A redução dos CFC na estratosfera foi um sucesso. Contudo, os HFC são também gases com efeito de estufa, com um potencial de aquecimento milhares de vezes superior ao do dióxido de carbono, contribuindo também para o aquecimento global. Paradoxalmente, estes gases são muito utilizados na indústria do arrefecimento e naturalmente a sua procura será ainda maior num clima mais quente.
Neste contexto, em Outubro de 2016 foi acordado em Kigali (Ruanda) a redução faseada da produção destes gases: a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal. O cumprimento do Protocolo de Montreal foi colocado em causa recentemente após a notícia de que algumas fábricas estariam a produzir CFC ilegalmente.
É por isso imperativo continuar os programas de vigilância da Atmosfera, com vista a acompanhar a evolução da Camada de Ozono bem como para detectar desvios ao cumprimento do Protocolo de Montreal que comprometam a sua recuperação. Este acompanhamento é feito principalmente com satélites especiais, cujos resultados são regularmente comparados e validados com observações de superfície.
Para o efeito, o IPMA participa no esforço global de monitorização da Camada de Ozono contribuindo com duas estações de superfície, equipadas com espectrofotómetros. Neste sentido, estes espectrofotómetros participam com outros equipamentos do mesmo tipo e de outras instituições em campanhas de intercomparação, com vista a controlar as calibrações dos vários instrumentos.
O ozono é também um gás climático e por isso a sua monitorização é relevante no contexto de um Clima em mudança.
* * * * * * * * * * * * *

6892. 16 de Setembro: Dia Internacional para a preservação da camada de ozono (I)

6891. Serra da Estrela (14h00): Possível formação de uma funnel cloud

6890. AÇORES (Grupo Oriental): Tempo severo

A conjugação entre as tempestades tropicais HELENE e JOYCE influencia o desenvolvimento de linhas de instabilidade que afectam o estado do tempo no Arquipélago dos Açores. O surgimento de uma linha de instabilidade a sul do arquipélago, em deslocamento para nordeste, irá condicionar o estado do tempo esta tarde no Grupo Oriental (ilhas de São Miguel e Santa Maria); o desenvolvimento de nebulosidade convectiva dará origem a períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes e acompanhados de trovoadas dispersas.

sábado, 15 de setembro de 2018

6889. Tempestade HELENE afasta-se dos Açores

Fonte: IpmaWeather
================
A tempestade tropical HELENE encontrava-se, às 22h00, a noroeste do Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores; a sua trajectória faz-se para nordeste, afastando-se claramente do Arquipélago dos Açores.

6888. Tempestade Tropical HELENE (15h05)


Fonte: ImapWeather
================
Passagem, ao longo da próxima noite, da tempestade HELENE pelo oeste ou sobre o Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores.

6887. Noite e madrugada instável no interior sul

Descargas eléctricas atmosféricas entre as 23h00 e as 01h00
* * *
Fonte: Blitzortung
==============
Noite e madrugada de instabilidade no interior sul, com aguaceiros e trovoadas frequentes e dispersas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

6886. Sexta-feira, 14 de Setembro (16h00)


Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Pinhão (Santa Bárbara) – 36,1 ºC
Reguengos (São Pedro do Corval) – 35,7 ºC
Alvega – 35,6 ºC
Elvas – 35,5 ºC
Tomar (Valdonas) – 35,2 ºC
Aldeia Souto (Q. Lageosa) – 35,1 ºC
* * *
Dunas de Mira – 20,3 ºC
Sines – 20,3 ºC
Figueira da Foz (Vila Verde) – 20,1 ºC
Cabo Raso – 18,5 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 18,0 ºC
Cabo Carvoeiro – 17,4 ºC
Areeiro (Madeira) – 12,5 ºC
* * *
Fonte: IPMA

6885. PORTUGAL CONTINENTAL: Instabilidade no sueste

Imagem de Satélite às 19h00
* * *
Fonte: SAT24
========================
Descargas eléctricas atmosféricas
(entre as 18h00 e as 20h00)
* * *
Fonte: Blitzortung
Final de tarde com instabilidade associada ao desenvolvimento de nebulosidade convectiva nas regiões do sueste do território de Portugal Continental (margem esquerda do rio Guadiana).

6884. Furacão HELENE



6883. ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES: Avisos meteorológicos (a partir das 12h00 de Sábado)


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

6881. Quarta-feira, 12 de Setembro (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
* * *
Alvega – 37,2 ºC
Pinhão (Santa Bárbara) – 36,6 ºC
Tomar (Valdonas) – 36,4 ºC
Santarém (Fonte Boa) – 36,2 ºC
Coruche – 35,6 ºC
Portalegre (Cidade) – 35,2 ºC
* * *
Porto (Pedras Rubras) – 22,1 ºC
Aveiro (Universidade) – 20,7 ºC
Dunas de Mira – 20,6 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,4 ºC
Cabo Raso – 18,8 ºC
Cabo Carvoeiro – 18,6 ºC
Areeiro (Madeira) – 16,7 ºC
* * *
Fonte: IPMA

6880. A RTP e a meteorologia

6879. Furacão HELENE

O IPMA informa que às 21:00UTC (hora dos Açores), o centro do FURACÃO HELENE, localizava-se a 2435 km a SSW dos Açores. O ciclone está a deslocar-se para NW a 19 km/h, devendo nos próximos dias a sua trajectória alterar-se para NNE, pelo que existe a possibilidade do arquipélago dos Açores sofrer a influência deste ciclone a partir de sábado (15 de Setembro). Neste momento a previsão da sua trajectória indica que será mais provável atingir as ilhas do grupo Ocidental.
O ciclone era às 21:00UTC, classificado como furacão de categoria 2, com vento médio de 165 km/h no entanto, é expectável que a sua intensidade diminua devido ao seu deslocamento para águas mais frias e, nas próximas 36 horas se torne tempestade tropical. 
* * * * * * * *
Fonte: IPMA

terça-feira, 11 de setembro de 2018

6878. Ambientalistas ibéricos exigem encerramento da central nuclear de Almaraz

Mais de uma centena de ambientalistas portugueses e espanhóis exigiram hoje que o novo Governo espanhol encerre a central nuclear de Almaraz, no decorrer de uma manifestação em Mérida, sudoeste de Espanha.
A manifestação, convocada pelo Foro Extremeño Antinuclear, com o apoio do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), reuniu cerca de uma centena de activistas, segundo números da polícia, junto ao Teatro Romano de Mérida, que acolhia uma iniciativa inserida nas comemorações do "Dia da Extremadura".
Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda e presidente da Comissão de Ambiente na Assembleia da República marcou presença no protesto e disse à agência Lusa que o novo quadro político que está em funções em Espanha, liderado por Pedro Sánchez (PSOE - socialista), deve "avançar rapidamente" para o encerramento daquela central nuclear.
* * * * * * * * * *
Fonte: DESTAK

6877. A vida que a chuva levou

(Eduardo Gageiro)

Na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967 mais de 500 pessoas morreram numa enxurrada que arrasou as zonas mais pobres da região de Lisboa e Vale do Tejo. Foi o maior desastre natural em Portugal desde o terramoto de 1755. A ditadura de Salazar quis silenciar a tragédia, que marcou o despertar político de toda uma geração.

Texto Joana Pereira Bastos*, fotos de Eduardo Gageiro 
 
Muitos já dormiam quando a desgraça chegou. Guilhermina, 16 anos, apagara o candeeiro a petróleo pouco tempo antes e adormecera na cama de ferro, com a mão sobre a barriga que guardava o filho a poucos meses de nascer. Era quase meia-noite e faltavam cinco horas para se levantar e caminhar mais de cinco quilómetros até à fábrica da conserveira nacional, onde descascava marmelos a troco de 20 escudos por mês. Nunca chegou a ir trabalhar. Acordou com os gritos do pai e com o barulho de uma torrente de lama a entrar de rompante na pequena barraca de lusalite onde viviam. Em segundos, a água, barrenta e viscosa, chegou-lhe à cintura. Depois ao pescoço.
Com a ajuda do pai, subiu para o guarda-vestidos e ergueu-se até ao telhado, graças ao vizinho que, em seu auxílio, partira algumas telhas para a deixar sair. Atrás dela foi a irmã Graça, de 6 anos, e a mãe, que carregava no colo um bebé de seis meses, o último dos oito filhos. Há horas que não parava de chover. Tanto que o pequeno rio da Costa, o estreito braço do Trancão onde todos os dias iam buscar água para se lavarem, transbordara subitamente, engolindo muitas das barracas da zona. A casa onde moravam duas irmãs de Guilhermina era das que ficavam mais próximas do rio. Guilhermina chamava por elas o mais alto que conseguia, mas os apelos perdiam-se no meio de tantos outros.
Destruição. A enxurrada matou famílias inteiras. Mas ninguém até hoje sabe dizer o número total de vítimas
Eduardo Gageiro
A escuridão era total. A inundação cortara a electricidade aos candeeiros que iluminavam as ruas da Urmeira (Loures), um dos muitos bairros de lata que, na década de 1960, se multiplicaram em todos os subúrbios de Lisboa. Com a camisa de noite coberta de lama e de sangue, Guilhermina abraçou-se à mãe no cimo da frágil barraca que a qualquer momento ameaçava desabar. Num ápice, a mãe escorregou até à ponta do telhado e deixou cair o bebé que segurava nos braços. Desesperada, quis lançar-se à água para o salvar, mas Guilhermina agarrou-a. A mulher, que a miséria tornara velha em nova, ali ficou, enlouquecida de dor, a berrar pelos filhos. E Guilhermina a gritar pelos irmãos.
“Ouvia-se um barulho que parecia de metralhadoras. Era o som das casas a partirem-se e a desabar. E ouviam-se muitos gritos. ‘Acudam, acudam’. Depois os gritos passaram a gemidos. E ficaram cada vez mais sumidos até não se ouvir mais nada”, recorda Guilhermina, hoje com 66 anos.
Depois de muito tempo de escuridão, uma lanterna deixou finalmente ver a desgraça que só os estrondos e os gritos deixavam adivinhar. O longo foco de luz tinha um alcance de quase 200 metros, distância que separava Guilhermina e os outros desesperados que pediam ajuda aos impotentes bombeiros que não os conseguiam salvar. Entre uns e outros, erguera-se uma torrente de dor e morte feita de lama e destroços que tornava impossível o resgate.
“Já estava a ficar muito fraca de tanto gritar quando vi, ao longe, o foco de luz, que corria o bairro todo. Só aí é que conseguimos ver a altura da água e a destruição. Os bombeiros gritavam para termos calma. Diziam: ‘Agarrem-se, nós já vamos buscar-vos’. Mas não vinham. Não podiam acudir-nos por causa da tromba de água. E nós começámos a perder as forças”.
José Marques, então com 31 anos, estava do outro lado da luz. Era ele que segurava a lanterna. “Víamos as casas e ouvíamos as pessoas a gritar. Víamos a luz das velas ou dos candeeiros a petróleo lá dentro e as casinhas a ir com a água. Pareciam barcos. A maior parte desapareceu com a corrente. Famílias inteiras a irem pelo rio abaixo e eu sem poder ir lá salvá-los. Se fôssemos para dentro de água tínhamos ido também. Não podíamos fazer nada. Era deixá-los ir”. O bombeiro do quartel de Odivelas não conteve as lágrimas na altura. Nem as sustém agora, 50 anos passados, ao recordar a noite trágica de 25 para 26 de Novembro de 1967.
A chuva que naquele sábado caíra ao longo de todo o dia na região de Lisboa e Vale do Tejo transformou-se em dilúvio ao anoitecer. Entre as 19h e as 24h choveu cerca de um quinto de toda a precipitação média anual. Em minutos, rios e ribeiras galgaram os leitos, ruindo prédios, desabando casas, derrubando pontes, aluindo enormes massas de terra e arrastando com impiedosa violência tudo o que havia pela frente.
A enxurrada matou famílias inteiras. Como a família Garrido — Adelino, de 43 anos, e Amélia, de 36, e os cinco filhos de 2, 5, 7, 9 e 10 anos, que moravam na Quinta da Quintinha, na Póvoa de Santo Adrião. Ou a família Madureira — José e Maria e a filha Conceição, de 9 anos, em Ribeira de Lage, Oeiras. Ou Maria do Céu Patrocínio, mãe solteira de Alice, de 4 anos, e Maria de Jesus, de 1, que com ela morreram em casa, na Venda Nova (Amadora). Ou os três irmãos Bártolo — Carlos, de 3 anos, Graça de 2, e a bebé Paula de 3 meses, na aldeia de Lopas, em Sintra. E uma lista de centenas de outros nomes que até hoje ninguém sabe dizer onde termina.
“Foi o desastre natural de maior dimensão que tivemos em Portugal a seguir ao terramoto de 1755”, explica o geógrafo e investigador da Universidade do Minho Francisco Costa.
A ditadura nunca permitiu que se soubesse o número exacto de mortos. A censura entrou em acção praticamente desde o primeiro momento para evitar que a comoção geral se transformasse numa crítica política ao regime de Salazar. Logo a 27 de Novembro, um telegrama da Direcção da Censura frisava que era “conveniente ir atenuando a história”. “Urnas e coisas semelhantes não adianta nada e é chocante. É altura de acabar com isso”. Dois dias depois, a ordem dada aos jornais era mais concreta: “Os títulos (das notícias) não podem exceder a largura de meia página e vão à censura” e não era permitido fazer referência “ao mau cheiro dos cadáveres”.
A contagem dos mortos foi suspensa poucos dias após a tragédia. Os últimos números oficiais, publicados nos jornais no início de Dezembro, davam conta de 462 vítimas mortais. Depois disso, muitos corpos continuaram a aparecer. Nas conservatórias dos concelhos mais afectados, como Loures e Odivelas, há dezenas de atestados de óbito de pessoas mortas na enxurrada que só foram encontradas muito tempo depois da última contagem. Algumas até em Janeiro. E muitas outras terão ido parar ao Tejo e nunca chegaram a aparecer.
“Há vários estudiosos que apontam para 700 mortos. Outros dizem que foram mais de 500. Será um número entre esses dois valores. Infelizmente, não é possível saber”, lamenta o geógrafo.

Não foi a chuva, foi a miséria – Naquela noite, grande parte de Lisboa ficou inundada. A água irrompeu pelo Cinema Éden, nos Restauradores, obrigando os 150 espectadores que assistiam ao filme na plateia a refugiarem-se no balcão. Tiveram de esperar até à uma da manhã para serem socorridos pelos bombeiros, que chegaram à sala em barcos de borracha. Na Baixa, na Avenida da Liberdade, na Praça de Espanha, em Campolide, na Avenida de Ceuta e em muitos outros locais só se passava de barco. Apesar da violência do dilúvio, só houve registo de três mortos nos bairros residenciais da cidade. E nenhum na zona abastada do Estoril, onde se atingiu o valor máximo de precipitação.

Foi nos bairros de lata à volta de Lisboa, como a Urmeira (Loures) ou a Quinta do Silvado (Odivelas), erguidos clandestinamente pelos que fugiam à miséria do campo, que a desgraça mais se abateu. E nas zonas pobres dos concelhos a norte da capital, como Vila Franca de Xira, Alenquer ou Arruda dos Vinhos. Sem saneamento básico nem canalizações, construíam-se barracas ou pequenas casas de adobe o mais perto possível de rios e ribeiras, de que as populações dependiam diariamente para ter água. Um dia, mais tarde ou mais cedo, o pior haveria de acontecer. Era uma tragédia anunciada.
Apesar da censura, o “Comércio do Funchal”, lido sobretudo pela juventude mais politizada, apontou directamente o dedo às causas sociais da catástrofe, que o regime forçara a atribuir exclusivamente à fatalidade natural. “Nós não diríamos: foram as cheias, foi a chuva. Talvez seja mais justo afirmar: foi a miséria, miséria que a nossa sociedade não neutralizou, que provocou a maioria das mortes. Até na morte é triste ser-se miserável. Sobretudo quando se morre por o ser”.
Como muitos dos que moravam nos subúrbios de Lisboa, ou em grande parte do país, Manuel Júlio dos Santos nascera assim. Com a pobreza colada à vida como o apelido se cola ao nome. Tinha 10 anos e já trabalhava numa carpintaria, a apanhar do chão aparas de madeira a troco de dois tostões por dia, para ajudar a mãe a criar a irmã, quatro anos mais nova. Os três viviam na Ponte de Frielas (Loures), uma das zonas mais atingidas pelas inundações, numa casa baixa e escura de uma única janela, tão pequena que não cabiam duas camas. O rapaz tinha de dormir colado ao teto, num sótão apertado onde não se podia pôr de pé. Foi esse sótão, improvisadamente construído, que os salvou naquela noite.
Pobreza. Foi nos bairros de lata erguidos clandestinamente à volta de Lisboa pelos que fugiam à miséria do campo que a desgraça mais se abateu
Eduardo Gageiro
Emília, a irmã de seis anos, dormia em baixo, na cama da mãe. Já se haviam deitado há muito quando, por milagre ou fortuna do acaso, a menina acordou para ir à casa de banho. Quando pôs os pés no chão, a água chegava-lhe aos joelhos. Só tiveram tempo de se levantar e correr para junto de Manuel. Mal subiram, uma onda espessa de mais de dois metros de lama entrou pela casa, derrubando as escadas do sótão. Foi lá que se refugiaram os três, com a água a rasar-lhes os pés, a ouvir o desespero da vizinha da frente, uma idosa acamada que não pôde fugir.
“Foi uma coisa de segundos. Foi como se tivesse rebentado uma piscina e a água saiu toda. Vinha água, lama, bocados de madeira que batiam contra os muros. Ouvíamos animais a gritar e carros a serem arrastados e a bater nas paredes. E ouvíamos os gritos horríveis da Dona Bárbara a morrer afogada”, recorda Manuel, hoje com 59 anos.
Se Emília não tivesse acordado segundos antes, a menina e a mãe não teriam sequer tido tempo de se levantar. Como os 14 homens que morreram na taberna ao fundo da rua. Foram encontrados no dia seguinte, com os corpos feitos estátuas de lama, na exacta posição em que se encontravam no momento em que o Trancão transbordou: sentados a jogar às cartas nas mesas de madeira onde passavam as noites a beber.
Manuel, Emília e a mãe esperaram toda a noite que a água baixasse para conseguirem saltar do sótão. “Quando saímos era o horror. Havia galinhas, vacas e porcos mortos que tinham sido trazidos pela água. Lembro-me de um autocarro de pernas para o ar, todo cheio de lama e ainda com as pessoas lá dentro. Havia carroças, troncos de árvores caídas, pessoas mortas, carros virados ao contrário. E muitas pessoas sem nada, algumas inclusivamente nuas”, descreve.
Durante três dias ninguém apareceu para ajudar quem tudo perdera. Nada restava das hortas que antes cresciam junto às casas. Nem dos animais que criavam para comer. Naquela zona todos se tinham habituado a enganar o estômago com caldos engrossados a farinha e fatias de pão duro cobertas de bolor. Mas depois da tragédia a fome apertou ainda mais. “Ao início, não tivemos auxílio nenhum. Havia umas quintas aqui para cima que não tinham sofrido nada e íamos lá roubar laranjas. Só assim conseguimos comer alguma coisa”, recorda.

O despertar político – A inoperância do regime perante a tragédia e o abandono das populações deixaram chocados os mais de seis mil estudantes universitários que se envolveram numa enorme campanha de auxílio às vítimas das cheias, organizada conjuntamente pela Juventude Universitária Católica (JUC) e pela Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico. Quando, no dia 29, se puseram a caminho das zonas mais atingidas, os jovens estavam longe de imaginar que, três dias após a catástrofe, estava quase tudo por fazer. Ainda havia corpos caídos nas ruas e nas casas, árvores, animais e gente soterrados no chão.

Organizados em brigadas, estudantes universitários de Lisboa, Porto e Coimbra, e muitos ainda do Liceu, distribuíram diariamente mais de mil sacos de comida à população, vacinaram milhares de pessoas contra a febre tifóide e ajudaram a lavar a roupa, a esfregar o chão e a limpar as casas. Em muitas estavam ainda gravadas nas paredes e no teto marcas das mãos de homens, mulheres e crianças que, em desespero, haviam tentado alcançar o telhado para se salvar.

 

Perda. Manuel, a criança que se vê na fotografia publicada na “Life Magazine”, refugiou-se no sótão durante toda a noite, com a mãe e a irmã, à espera que a água baixasse. “Quando saímos era o horror”
foto Terence Spencer/The LIFE Picture Collection/Getty Images

Para a grande maioria dos estudantes, quase todos vindos das elites, o socorro às vítimas das cheias foi um embate brutal com a realidade. Foi aí, ao caminhar sobre um caos de lama, destroços, escombros e cadáveres, que conheceram um país feito de lata que nunca antes tinham imaginado ser o deles. “Foi a primeira vez que saíram da sua redoma e se aperceberam das condições em que uma grande parte da população vivia. Para muitos, foi um choque, que acelerou a sua politização. Foi um momento muito importante no seu despertar político”, explica Miguel Cardina, investigador da Universidade de Coimbra.
Para alguns estudiosos da história portuguesa contemporânea, “as inundações de 1967 tiveram mesmo um papel tão importante na consciencialização política do movimento estudantil em Portugal como Maio de 1968 teve depois no movimento estudantil mundial”, diz a historiadora Irene Pimentel, que, à época, então finalista do liceu, também participou na campanha de solidariedade. “Foi o momento-chave que marcou o divórcio pleno dos estudantes com o regime”.
A ditadura fez de tudo para os afastar das acções de socorro à população. No Vale do Carregado, a GNR chegou mesmo a investir sobre os estudantes e, no Rossio, um grupo de jovens de capa e batina que se encontrava a fazer um peditório a favor das vítimas foi detido pela polícia por distúrbios à ordem pública.
A censura tinha ordens para cortar muitas das notícias que davam conta da solidariedade dos alunos. A conferência de imprensa que os estudantes organizaram para denunciar a “impreparação e desorganização dos organismos sociais e sanitários do Governo” e a existência de “condições de vida miseráveis em várias localidades do país” foi silenciada. “Compareceram jornais portugueses e alguns correspondentes estrangeiros. Os jornais portugueses não publicaram nada, mas no estrangeiro saíram notícias. Em resultado disso, toda a direcção da Associação de Estudantes foi convocada para ir prestar declarações à PIDE”, conta Armindo Fernandes, então vice-presidente da Associação de Estudantes do Técnico.
Com medo das repercussões no exterior, a polícia política apertou o controlo sobre as agências noticiosas estrangeiras que acusava de estarem a publicar peças tendenciosas sobre a forma como o Governo estava a lidar com a catástrofe. “Os correspondentes estrangeiros foram chamados para interrogatório e alguns foram mesmo expulsos do país”, conta Irene Pimentel.
Ainda assim, a notícia da tragédia chegou a toda a Europa, gerando um movimento de solidariedade internacional. Chegaram donativos da rainha de Inglaterra, do príncipe Rainier do Mónaco e até do general De Gaulle, que fez chegar uma “dádiva pessoal” de 30 mil francos.
“Foi um grande escândalo no exterior. As inundações pioraram a imagem de um país que já era mal visto porque tinha uma guerra colonial que não terminava. E, além de tudo mais, era um país que não cuidava dos seus próprios cidadãos”, lembra a historiadora.

A “aldeia mártir” – As imagens de bairros inteiros convertidos em cemitérios de lama correram o mundo pela lente de fotógrafos de prestigiadas revistas internacionais como a “Life Magazine” ou a “Paris Match”. O caso de Quintas, a pequena povoação de Castanheira do Ribatejo (Vila Franca de Xira) que naquela noite perdeu quase 100 dos seus 156 habitantes, foi dos que causaram maior comoção.

A morte chegou à “aldeia mártir” às 01h50 da madrugada. Era o que marcava o relógio parado no pulso da menina encontrada no dia seguinte completamente nua a boiar no rio. Faltavam poucos dias para Teresa fazer 15 anos. Estava a dormir em casa dos avós quando o Rio Grande da Pipa se fez largo e revolto como o mar, engolindo quase toda a aldeia. Salvaram-se os que viviam na encosta. Na parte mais baixa não restou quase ninguém.
Perda. Guilhermina e o filho junto à casa prefabricada que a família recebeu dois anos após a tragédia
Eduardo Gageiro
O corpo de Teresa foi dos primeiros a serem encontrados. Um a um, os cadáveres retirados das casas ou resgatados da água foram sendo alinhados, todos muito juntos, no largo da aldeia para serem lavados da lama. Família inteiras deitadas lado a lado em cima dos escombros, no meio de caniços e raízes de árvores arrancadas ao chão.
Luísa, irmã mais nova de Teresa, tinha 13 anos. A enxurrada levou-lhe a irmã, os avós e mais 27 tios e primos. Numa aldeia pequena, quase todos eram aparentados. Naquela manhã, entre o silêncio dos mortos e o choro dos vivos, Luísa tornou-se mulher adulta. Vestiu-se de preto da cabeça aos pés, tapou o cabelo com um lenço e foi forçada a assumir o governo da casa dos pais, que sucumbiram à dor.
“A minha mãe ficou completamente sem saber fazer nada. Passava as noites inteiras a chorar e de dia só queria estar no cemitério. Eu tive de crescer e ser mulher à força”, recorda Luísa Fajardo, hoje com 63 anos. Na altura não se falava em depressão, muito menos em ajuda psicológica. Feitos os enterros e findos os trabalhos de limpeza, os poucos habitantes que sobreviveram às cheias ficaram entregues a si próprios, sozinhos numa terra enlutada pelo infortúnio.
“O negro permaneceu na aldeia muitos anos. Oito ou dez, pelo menos, tanto nos homens como nas mulheres. Conforme o tempo passava, maior era a saudade. Nós a querer fazer a nossa vida, a casar, a ter filhos, a ter netos, a querer compartilhar isso e a não ter com quem. Ninguém conseguiu ultrapassar, nem mesmo ao fim de 50 anos”.
O pequeno largo da aldeia que antes era o centro do convívio da comunidade tornou-se o retrato do seu desalento. Toda a parte baixa do Lugar das Quintas foi considerada zona inundável e foram proibidas novas construções. As pequenas casas térreas onde tantos morreram na cama estão hoje ao abandono ou foram transformadas em oficinas e arrecadações.
“Aqui, onde agora funciona uma oficinazita que está aberta aos fins de semana, morava a irmã da minha mulher, mais um filhote de nove anos e o marido. Ficaram os três lá dentro. Ao lado, moravam os tios da minha mulher. Ficaram lá os dois. Aqui em frente havia uma viúva mais uma filha de 17 anos. Também ficaram lá as duas. A seguir outra viúva, que morreu também. Nesta terrinha pequena, morreram 93. Ficámos muito poucos”, conta Joaquim Rodrigues, hoje com 88 anos, apontando, uma a uma, com a voz embargada, as casinhas do largo.
Joaquim lembra-se todos os dias do que aconteceu. E todos os dias os olhos se lhe enchem de lágrimas. Vivia com a mulher e o filho de 11 anos naquele mesmo largo, numa dessas frágeis casas de adobe, com um único quarto. O rapaz já dormia no sofá da sala quando, pela meia-noite, o casal se foi deitar. A mulher, ou “camarada” como sempre lhe chamou, olhou pela janela. Chovia muito. “Ainda bem que estamos todos abrigados”, comentou. Pouco depois, a água irrompeu pela porta. “Ai, nossa senhora, o que é isto?”, gritou a mulher. Foram as últimas palavras que lhe ouviu.
“A minha mulher levantou-se rápido para ir buscar o candeeiro a petróleo e nunca mais a vi. Agarrei o moço, consegui pôr uma mão na greta que faltava para tapar a porta e lá conseguimos sair os dois. Nesse momento, a água já estava mais alta do que a porta e ajudou-nos a subir para o telhado. Tirei três ou quatro telhas para ver se ia buscá-la, mas a água já ia até ao sótão. Pensei: ‘O que é que lá vou fazer? Ela já está morta’. Era tanta lama e tanta lenha, tanto lixo e tanta coisa que ela não teve hipótese”.
Joaquim e o filho ficaram agarrados a um barrote do telhado até amanhecer, enregelados e molhados até aos ossos numa noite fria e escura de Novembro. Passado algum tempo, os últimos gritos calaram-se. “Ficou até um sossego. O que é que interessava estar a gritar? Já não havia solução”.
Nessa altura, a 40 quilómetros de distância, Guilhermina também esperava em cima do telhado. Também ali os gritos tinham dado lugar a gemidos e tinham ficado cada vez mais sumidos até não se ouvir mais nada. A rapariga de 16 anos, grávida de seis meses, já tinha perdido as forças quando a água baixou e, já de manhã, os bombeiros puderam finalmente ir resgatá-la. Levaram-na inanimada para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Foi lá que soube que as irmãs e o sobrinho tinham morrido.
fotos arquivo nacional da torre do tombo, jornal “o século” (provas de corte)
Censura. Fotografias de “O Século Ilustrado” que a ditadura não deixou publicar. O “lápis azul” actuou desde o primeiro momento para evitar que a comoção geral se transformasse numa crítica ao regime
fotos arquivo nacional da torre do tombo, jornal “o século” (provas de corte)
Dias depois, um milagre aconteceu. Um jornal publicou a fotografia de um bebé que tinha sido resgatado pelos bombeiros na noite da tragédia e que, considerado órfão, tinha sido entregue à Misericórdia para adopção. A família de Guilhermina não queria acreditar no que via. Era o bebé que a mãe deixara cair à água, no meio da escuridão. Sem que até hoje ninguém consiga perceber como, o bebé deve ter caído sobre uma placa de lusalite ou outro pedaço de escombro das barracas e conseguiu sobreviver.
Acompanhados de vários vizinhos que serviram de testemunhas, os pais de Guilhermina foram à Misericórdia buscar o bebé. Mas não os queriam deixar levá-lo. Não porque duvidassem de que era deles, mas porque já havia casais “de doutores e engenheiros” dispostos a ficar com ele e a dar-lhe uma vida que a família, que já era pobre e ainda perdera tudo, nunca lhe poderia proporcionar.
A mãe de Guilhermina bateu o pé e conseguiu trazer o menino. Já tinha perdido duas filhas, não o perderia também a ele. Sem teto, roupas ou mobília, a família ficou a viver com vizinhos durante dois anos, enquanto aguardava que lhes fosse dada uma casa, no novo bairro da Urmeira, construído de raiz para os desalojados das cheias.
Mas nem o milagre os resgatou da escuridão daquela noite. A mãe continuou a “gritar de noite e de dia” pela morte das filhas. O pai, que já bebia, afogou-se cada vez mais no álcool. E o filho de Guilhermina nasceu em Abril com problemas neurológicos que os médicos atribuíram ao trauma vivido na gravidez, de que ela nunca recuperou.
Guilhermina dispôs-se a trabalhar de noite e de dia para sair do bairro. Não aguentava as recordações. A mudança, no entanto, não lhe aliviou a memória. Ainda hoje não dorme com a chuva e tem pavor da água. Na praia não se aproxima do mar e recusa-se a pôr os pés num barco. A tragédia vem-lhe constantemente à cabeça, como se nunca tivesse saído do cimo daquele telhado. “Eu também era para morrer naquele dia. Não teve de ser, mas é uma sobrevivência de luta”.
Não morreu nas cheias, mas naquela noite escura a vida deixou de ter luz.
*Com Joana Beleza e José Pedro Castanheira
* * * * * * * * * *
Fonte: Expresso