Mais de uma centena de pequenas réplicas do sismo com epicentro na ilha de São
Miguel foram registadas nesta terça-feira nos Açores, revelou ao PÚBLICO o
director executivo do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos
Açores (CIVISA), João Luís Gaspar. O primeiro e mais forte abalo foi sentido às
6h25 (7h25 de Lisboa) e teve uma magnitude de 5,9 na escala de Richter, segundo
o US Geological e de 5,8 na escala de Richter, de acordo com o Instituto
Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Entre a hora do sismo inicial e as 14h
foi registada mais de uma centena de réplicas, sendo a de maior magnitude de 4,4
na escala de Richter.
“Foi dos eventos de maior magnitude verificados nas
imediações da ilha de São Miguel desde 2007”, frisa o director do Sistema de
Vigilância Sismológica dos Açores – SIVISA. “Trata-se de um sismo de origem
tectónica normal numa zona activa conhecida do arquipélago, na fronteira entre a
placa euro-asiática e a placa africana”, acrescenta João Luís
Gaspar.
Com magnitude relativamente elevada, o sismo “tem sido
seguido também, como é normal nestas circunstâncias, por réplicas, duas das
quais sentidas na ilha de São Miguel com fraca intensidade”, revela o
responsável pelo observatório sismovulcânico dos Açores. “É expectável que nas
próximas horas continuem a ocorrer mais réplicas”, admite.
O facto de o epicentro ficar 34 quilómetros a sudeste
de São Miguel fez com que não houvesse vítimas e fossem insignificantes os danos
causados nesta ilha. “O cenário seria completamente diferente se ocorresse mais
próximo e traria outras consequências, nomeadamente para o parque habitacional
vulnerável à actividade sísmica”, frisa Gaspar. E recorda a destruição
provocada, há quase 15 anos no Faial, por um terramoto com praticamente a mesma
magnitude (5,8 na escala de Richter), mas com epicentro cinco quilómetros a
nordeste da ilha.
O terramoto registado a 9 de Julho de 1998 provocou a
destruição generalizada das freguesias de Ribeirinha, Pedro Miguel, Salão e
Cedros na ilha do Faial, atingindo também várias localidades do Pico. Morreram
nove faialenses e 1700 pessoas ficaram desalojadas.
Na escala qualitativa de Mercalli modificada, com o
grau máximo de XII e usada para determinar a intensidade de um sismo a partir
dos seus efeitos sobre as pessoas e sobre as estruturas construídas e naturais,
a fúria ocorrida no Faial foi de intensidade VIII-IX (efeito entre o ruinoso e
destruidor), acima do nível V-VI (entre o forte e bastante forte) registada na
madrugada desta terça-feira na ilha de São Miguel. Este evento foi ainda sentido
nas ilhas de Santa Maria, com intensidade V, e na ilha
Terceira.
O SIVISA e a Protecção Civil dos Açores “continuam a
acompanhar a situação” e recomendam à população “os cuidados normais para
situações típicas de actividade sísmica”, alerta Gaspar. Ricardo Barros,
presidente da Protecção Civil dos Açores, disse à rádio TSF, que não há
destruição. Os Bombeiros de São Miguel e Santa Maria estão no terreno a avaliar
a situação após este forte sismo".
A Protecção Civil dos Açores encontra-se no terreno,
com os bombeiros locais, a averiguar se o sismo provocou danos humanos e
materiais, mas até ao momento não há qualquer registo. Fonte dos bombeiros da
localidade de Povoação disse à Lusa que “não foram registados danos” e que “não
receberam ainda telefonemas de alerta”, até porque “a população já está
habituada” à actividade sísmica.
Tolentino de Nóbrega
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