sábado, 31 de agosto de 2013

4453. Onde estão os militares? Ajudam bombeiros em vários fogos

Os militares do Exército estão desde quinta-feira na Serra do Caramulo e noutros pontos do país fustigados pelos incêndios, após um pedido feito pela Autoridade Nacional de Protecção Civil. Estes efectivos levam a cabo operações de consolidação, vigilância activa e colaboração com as autoridades locais, nas regiões de Ponte de Lima (Viana do Castelo), Arcos de Valdevez (Viana do Castelo), Mondim de Basto (Vila Real), Águeda (Aveiro) e Tondela (Viseu).
No terreno estão seis pelotões e cinco destacamentos de engenharia militar equipados com máquinas de rasto para abertura de aceiros e apropriação de itinerários, num total de 160 militares e 28 viaturas. O maior contingente de apoio está localizado em Tondela. Até ao momento, o Exército até ao momento já empenhou nestas operações de combate aos incêndios cerca de 1.158 militares e 167 viaturas.
Também há militares em acções de patrulhamento e vigilância, concretamente nas regiões de Gerês, Serra D’Arga, Serra da Cabreira, Amarante e Serra do Marão, Serra do Alvão, Serra de Montesinho, Serra da Freita, Serra da Estrela Perímetro florestal de Alge e Penela/Góis, Serra do Caramulo, Serra de Montemuro, Matas Nacionais de Leiria, Serra D’Aire e Candeeiros, Serra da Malcata, Serra de Monchique, Serra de Sintra, Tapada Nacional Mafra, Serra de Santa Luzia, num total de 352 militares e 96 viaturas. Nestas operações já foram empregues 3.003 militares e 865 viaturas.
Também a Marinha está a prestar apoio. Até dia 6 de Setembro um pelotão dos fuzileiros vai estar a fazer patrulha, em permanência, na Serra da Arrábida, como disse à Renascença o porta-voz da Armada. O comandante Santos Fernandes acrescentou que esta força vai estar atenta a focos de incêndio, mas também aos incendiários.
Ana Rodrigues
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Fonte: Renascença

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

4452. Contaminação fecha três praias em Armação de Pêra

CopyRight @ RTP Notícias
As águas da Ribeira de Alcantarilha subiram e a ribeira teve de ser aberta para o mar. As águas das praias ficaram contaminadas.

4451. A Industria dos incêndios

A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada. Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.
Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:
1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências? Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair? Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?
Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?
2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...
3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.
4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.
5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.
Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime... Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal? Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país. Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.
Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:
1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.
2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).
3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores
4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.
5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.
6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.
Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.
José Gomes Ferreira
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Fonte: FaceBook

4450. MDN, MAI, INCÊNDIOS E ASNEIRAS ESCUSADAS

Uma das primeiras intervenções do novel Ministro da Defesa (MDN), efectuada numa visita à Força Aérea (FA), foi a de perspectivar o regresso daquele Ramo militar ao combate aos incêndios florestais (IF). A ideia é boa, apesar de requentada, e mereceu desde logo – e bem – um alerta do respectivo Chefe de Estado-maior, lembrando que tal desiderato não seria viável de um dia para o outro.
Como as pessoas em Portugal têm a memória curta por esquecimento ou conveniência, vamos tentar dilucidar, sucintamente, todo este imbróglio. Porque de um imbróglio se trata, apesar da aparente candura das palavras ministeriais.
O Governo tinha adquirido, em 1982, equipamentos com o acrónimo “MAFFS”, que foram adaptados aos aviões C-130, e que permitiam largar sobre os incêndios uma quantidade apreciável de uma calda retardante. Custaram, na altura, cerca de 200.000 contos. Para além disto, na “época dos fogos” distribuíam-se pelo país meia dúzia de helicópteros AL III, que ficavam em alerta aos incêndios. Estes helicópteros tinham uma capacidade muito reduzida de actuação, pois apenas podiam transportar equipas até cinco elementos e largar um pequeno balde de água sobre o fogo.
Com o agravamento anual do número de fogos e área ardida, cada vez foi necessário alugar mais hélis e aviões a empresas privadas, o que gerou um negócio de muitos milhões. Em 1997, durante o governo do Eng. Guterres, o Secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, decidiu (presume-se que com o assentimento do MDN), retirar a FA do combate e prevenção aos IF. Tal decisão abriu o caminho para se vir a adquirir, mais tarde, meios aéreos para esta missão, que foram colocados na dependência do MAI.
A fundamentação para tudo baseou-se – como se encontra descrito em vários documentos – na pouca capacidade que a FA possuía para atacar os IF, já que as poucas aeronaves C-130 existentes (cinco, mais tarde seis), o reduzido número de tripulações e o número substancial de outras missões cometidas à esquadra, nunca ter permitido o uso simultâneo dos dois equipamentos MAFFS existentes, a que acrescia as limitações do AL III (para o fim a FA já tinha muitas dificuldades em comprar a calda, pois esta já estava adjudicada a terceiros). Para além disto, referia-se, o Estado gastava muitos milhões de contos a alugar, sazonalmente, aviões e hélis, não era dono de nenhum e estava sujeito ao mercado.
Salvo melhor opinião, as principais razões que levaram à alteração da política governamental não têm nada a ver com a argumentação aduzida, ou tem pouco a ver. As razões, creio, radicam-se na “luta de capelinhas”; na proeminência que o MAI passou a ter sobre a Defesa; na paranoia em querer afastar os militares de tudo o que não tivesse exclusivamente a ver com a vida nos quartéis, substituindo-os por “boys e girls” – uma pecha insaciável dos partidos – e, também porque nos negócios a efectuar, a FA a Armada e o Exército não terem por hábito pagar comissões ou horas extraordinárias. Senão não teriam feito o disparate que fizeram que é sempre pago pelo contribuinte.
Tudo, aliás, tem resultado num desastre: os fogos não param, a legislação não é adequada, não há prevenção, há muitos acidentes com os bombeiros (os poucos que se apresentam dos cerca de 30.000 inscritos…), etc. Não se sabendo o que fazer com o que restava dos Guardas Florestais, nem como os enquadrar, resolveu-se incorporá-los na GNR que, por ser um corpo militar, é pau para toda a obra; e até se inventou um grupo especial de intervenção contra os fogos, dentro daquela corporação, cuja missão nada tem a ver com isto. Em contrapartida nada se fez para reforçar os sapadores bombeiros que são os únicos profissionais em apagar fogos, em todo este âmbito…
Ora se tivesse havido boa mente na apreciação da situação, o que deveria ter sido feito era ter aumentado os meios da FA (já que eram insuficientes…) e, ou, dotá-la de meios apropriados que pudessem ser aproveitados noutro tipo de missões, de modo a rentabilizá-los todo o ano. Manter-se-ia, deste modo, os meios aéreos sob comando e controle centralizado (sem embargo da descentralização da execução), a serem operados por quem sabe e tem experiência e capacidade de os operar e manter. Mas não, decidiu-se pegar no dinheiro – que pelos vistos nunca faltou no MAI – e ir-se inventar a pólvora, pois no nosso desgraçado país os últimos 30 anos têm sido um farró! E o “negócio dos Incêndios” lá continuou de vento em popa.
Constituiu-se mais um dos inúmeros grupos de trabalho (GT), que pulularam no país, como cogumelos, para se equacionar a coisa. As conclusões deste GT foram entregues, em 6 de Setembro de 2005 e daqui surgiu a EMA, Empresa de Meios Aéreos (de capitais públicos), na dependência do MAI. Do plano inicial fazia parte a compra de hélis ligeiros (quatro) e pesados (seis) e aviões pesados (quatro). Mas continuava a advogar-se o aluguer de 20 (!) hélis e 14 (!) aviões ligeiros e médios. Afinal… Só para se ter uma ideia da insanidade em que se caiu, em 2010 chegaram a operar, em simultâneo, 56 meios aéreos, o que representa 40% da totalidade das aeronaves do inventário da FA!
Acabou-se por só se adquirir os helicópteros, um negócio atribulado com a Rússia (os Kamov) e, ainda os AS350B3, da Eurocopter (tudo cerca de 54-56 Milhões de euros), e já não se adquiriram os aviões por não haver dinheiro. Os hélis chegaram entre Junho de 2007 e Março de 2008. O intermediário foi a empresa Heli Portugal, a quem foi adjudicado, também, por cinco anos, a manutenção das aeronaves, o que vale 16 M euros/ano.
A chefia da FA ainda fez uma proposta, em finais de 2004, avançando com a ideia de uma esquadra de aviões tipo Canadair (oito a 10), de multiuso. Este avião tem a vantagem de já ter dado boas provas e ser operado por Marrocos, Espanha, França, Itália e Grécia, podendo-se equacionar uma futura “poole“ destes meios. Ficou, ainda, em aberto a hipótese de reconfiguração dos 10 SA 330 Puma existentes e em desactivação, mas aproveitáveis, apesar de não serem os ideais. Hoje estão à venda e não se lhes encontra comprador.
Não deixa de ser curioso notar, contudo, que a chefia da FA, entre 1997 e 2000, não se ter mostrado nada interessada na questão dos IF, nem nos “Canadair”. A FA, com realismo militar, mas com falta de “perspicácia” política, sempre foi dizendo que necessitava de cinco anos para tudo estar operacional, o que logo foi aproveitado pelos políticos, como óbice pela falta de celeridade. Menos, certamente, por preocupação com os fogos, mas por estarem sempre de olho nas próximas eleições e no papelinho do voto…
É claro que a proposta ficou na gaveta da política e só não temos a certeza do grau de assertividade com que esta dama foi defendida. E devia tê-lo sido, não só pela FA mas pelo Conselho de Chefes. E, assim, se avançou para a organização de uma empresa para operar helicópteros num organismo que sabia rigorosamente nada sobre tal “negócio”. O Estado Português tem destas coisas e é, como se sabe, rico.
Faltava agora decidir sobre o dispositivo, isto é, onde estacionar os meios. A Autoridade Nacional de Protecção Civil pretendia meios colocados em Loulé e S. Comba Dão (e outros locais) mas, para além disto, era necessária uma base central. O MAI António Costa, ainda tentou colocá-los na antiga base de Tancos (que tem todas as infra-estruturas, espaço e está despido de meios aéreos, e para isso reuniu com os Chefes do Exército e da FA. A reunião correu mal (para variar), e nenhum acordo foi atingido.
Resultado, foi-se gastar uma nota gorda (cerca de 15M euros), a fazer uma “base” no aeródromo municipal de Ponte de Sor (a 50 km de Tancos…), que foi completamente remodelado. Como houve dificuldades, no início, em recrutar pilotos para os “Kamov”, a EMA foi generosa e passou a oferecer 6000 euros/mês a um comandante, fora as alcavalas. Afinal só não há dinheiro é para os hélis dos Ramos, nem para aumentar o risco de voo dos pilotos militares… Para já não falar nos diferentes pesos e medidas, que o mesmo patrão (o Estado), usa para com os seus servidores.
Como ninguém, aparentemente, explicou com algum detalhe aos senhores do MAI, que operar meios aéreos não é propriamente o mesmo que colocar uma asa num carro de bombeiros, os custos da empresa não mais pararam de derrapar e o passivo já ultrapassa os 40 milhões, se é que se podem acreditar nas contas que por aí correm. Tentou-se,” in extremis” impor quotas de horas de voo à GNR, PSP, ANPC, SEF, IMTT, etc., o que tem gerado uma apreciável confusão. E agora ninguém sabe o que fazer. Daí o anzol lançado pelo MDN.
A desintonia e os desencontros, entre MDN, MAI, bem como entre as principais entidades que têm andado ligadas a esta problemática, têm sido a regra. Os incêndios, esses, continuam a surgir por geração espontânea e fazem o seu percurso placidamente.
Deve ser das alterações climáticas.
3 de Agosto de 2011
Ten. Cor. Piloto Aviador (ref.)
Cmd. Linha Aérea João José Brandão Ferreira
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Fonte: O Adamastor

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

4449. Fortes chuvadas causam dez inundações no distrito de Beja

As fortes chuvadas que se registaram hoje à tarde no distrito de Beja provocaram dez inundações em vias públicas e habitações, disse à agência Lusa fonte dos bombeiros. A fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja indicou que ocorreram inundações nos concelhos de Almodôvar (4), Barrancos (4) e Mértola (2).
Segundo a mesma fonte, o mau tempo provocou apenas "danos materiais, mas pouco significativos". Fonte da GNR indicou que a chuva provocou o corte temporário de algumas estradas no distrito.
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Fonte: PÚBLICO; Imagem: RainAlarm

4448. ALENTEJO/ALGARVE: Aviso Meteorológico


4447. PORTUGAL CONTINENTAL: 13 grandes incêndios activos

Desde a meia-noite desta quinta-feira a Autoridade Nacional de Protecção Civil registou 149 incêndios em todo o país, sendo que 28 deles continuam activos e 13 têm grandes proporções. O incêndio que lavra no distrito de Viseu, no concelho de Tondela, e que está a destruir parte da Serra do Caramulo, é o que está a mobilizar mais meios: mais de 450 bombeiros e quase 140 veículos.
De acordo com a informação da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), o incêndio que começou na manhã de quarta-feira tem ainda duas frentes activas. O incêndio atravessou durante a noite várias zonas habitadas, disse à Lusa o Comandante Distrital de Operações de Socorro de Viseu. Por precaução, algumas pessoas foram retiradas das suas casas. "Já atravessou várias populações, grande parte dos meios dos bombeiros esteve na protecção das habitações, que são várias espalhadas por toda a serra", afirmou António Ribeiro. O comandante explicou que na Serra do Caramulo há uma grande dispersão de habitações, aldeias e pequenas aldeias e algumas casas isoladas.
O combate está a ser especialmente dificultado pelo vento “brutal”, segundo explicou à Lusa o presidente da Câmara de Tondela. Ainda assim, tem sido possível proteger até ao momento as povoações, bens e pessoas. “Para já tem-se conseguido proteger as populações, sobretudo no concelho de Tondela e de Oliveira de Frades [distrito de Viseu], mas a situação está muito difícil por causa do vento. É a maior dificuldade, é uma coisa enormíssima e brutal. Entretanto, já começaram a funcionar os meios aéreos, o que pode vir a ajudar a resolver alguns dos problemas que temos”, adiantou Carlos Marta.
O autarca informou que existe apenas informação de uma habitação que foi atingida pelas chamas em Oliveira de Frades, e assinalou que o fogo está a avançar em direcção a Agadão, no concelho de Águeda, já no distrito de Aveiro. “Se o vento não parar, vai ser muito complicado”, sublinhou, acrescentando que neste momento “ninguém faz previsões” quanto a um eventual epílogo deste incêndio, que na última noite atravessou várias zonas habitadas.
Em termos de distritos, o Porto é o que está a ser mais afectado pelos incêndios de maiores proporções com quatro activos nos concelhos de Baião, Maia e dois em Marco de Canaveses, sendo que um deles, em Lugar de Reguengo, foi entretanto dominado. Ao todo, no país há quase 1300 bombeiros apoiados por mais de 330 veículos a tentarem controlar as chamas.
Em Braga há três incêndios destacados pela ANPC, nos concelhos de Vila Verde, Póvoa de Lanhoso e Vila Nova de Famalicão. Os dois primeiros foram entretanto considerados dominados. Em Bragança há dois dias que lavra um incêndio no concelho de Vila Flor, sendo que no terreno continuam mais de 100 homens e de 30 veículos.
Em Bragança desde terça-feira que o Parque Natural do Alvão, em Mondim de Basto, continua a arder, mobilizando mais de 200 bombeiros, num total de 300 operacionais. Os restantes três incêndios são nos distritos da Guarda (Vila Nova de Foz Côa), Castelo Branco (Covilhã), e Coimbra (Soure).
Ao longo do dia de quarta-feira a ANPC registou um total de 327 ocorrências, para as quais foram mobilizados 7561 operacionais e 1675 veículos. E o trabalho dos bombeiros deverá continuar a ser complicado já que nesta quinta-feira mais de três dezenas de concelhos do Norte e Centro de Portugal continental apresentam risco máximo de incêndio, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Ponte da Barca e Caminha (Viana do Castelo), Cabeceiras de Basto (Braga), Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), Gondomar e Valongo (Porto), Castelo de Paiva (Aveiro), Cinfães, Resende, São Pedro do Sul, Castro Daire, Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Mangualde (Viseu), Miranda do Corvo, Arganil, Góis, Pampilhosa da Serra (Coimbra), Guarda, Gouveia, Sabugal, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Aguiar da Beira e Trancoso (Guarda), Oleiros, Sertã e Vila de Rei (Castelo Branco), Castanheira de Pêra, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos (Leiria), Sardoal e Mação (Santarém), são os concelhos que estão hoje com risco máximo, cita a Lusa.
O risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, variando entre reduzido e máximo. O cálculo é feito com base nos valores observados às 13h de cada dia da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação ocorrida nas últimas 24 horas.
Romana Borja-Santos
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Fonte: PÚBLICO