segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

4682. Rescaldo do mau tempo em Portugal Continental (II)

Circulação retomada na linha da Beira Alta – A queda de árvores provocou também o corte da linha da Beira Alta. Não há registo de feridos, mas houve danos materiais. A circulação esteve cortada desde o final da tarde de domingo e só foi retomada ao início da manhã desta segunda-feira. Os ventos fortes e a chuva intensa dificultaram os trabalhos de remoção das árvores. Durante a madrugada os bombeiros de Mortágua, a Refer e a Protecção Civil de Viseu estiveram no local. (Fonte: RTP Notícias)
Tempestade Stephanie obrigou sete aviões a mudar rotas – A tempestade que assolou o país durante todo o dia de domingo obrigou sete aviões a alterarem rotas e a aterrarem em aeroportos que não eram o seu destino. Em Espanha ainda há passageiros com destino a Portugal retidos e que só devem regressar nesta segunda-feira ao país. Ventos fortes e chuva intensa impediram que sete voos com destino a Lisboa e Porto concluíssem a sua rota normal, tendo sido obrigados a mudar de percurso. Cinco aviões tiveram de parar em Faro e dois viram-se obrigados a voltar para trás e a aterrar em território espanhol.
De todos os aviões "divergidos", a situação mais complicada verificou-se com um voo de Munique com destino ao Aeroporto de Sá Carneiro, no Porto. De acordo com o relato de uma passageira de um outro avião desviado, no momento da aterragem o comandante deparou-se com condições muito adversas caracterizadas por fortes rajadas de vento, que impediram a aterragem do aparelho. “O avião ainda chegou a tocar com as duas rodas de trás na pista”, mas devido ao mau tempo viu-se obrigado a levantar voo novamente e seguir para o aeroporto de Valência, em Espanha. Os passageiros, que passaram por momentos de pânico, foram acompanhados para um hotel e devem regressar ainda esta segunda-feira a Portugal.
A mesma passageira relatou ao PÚBLICO que o voo da Lufthansa em que seguia — de Frankfurt para Lisboa — também sofreu alterações no percurso. Segundo conta, o avião, que já vinha com um atraso, foi impedido de seguir a rota inicial, que previa que aterrasse no aeroporto da Portela, em Lisboa, às 23h de domingo. O comandante, confrontado com o mau tempo que se fazia sentir em Portugal, teve de trocar de planos. O plano B seria então desviar o avião para a capital espanhola, Madrid. “As pessoas já estavam no avião quando a decisão foi tomada”, pelo que o mesmo não “chegou sequer a entrar no espaço aéreo” originalmente traçado, disse a passageira. À mesma hora, por volta das 23h de domingo, outros conseguiram aterrar em plena tempestade, sem qualquer registo de problemas.
Além das duas situações envolvendo passageiros retidos em Espanha, outros voos da Easy Jet, nomeadamente um proveniente de Madrid e outro de Londres, tiveram de parar no aeroporto de Faro, obrigando os que neles seguiam a continuar o percurso até Lisboa, via terrestre, em autocarros cedidos pela companhia. O PÚBLICO contactou a ANA – Aeroportos de Portugal, a empresa gestora dos aeroportos nacionais, que confirmou que foram cinco os aviões "divergidos" para o aeroporto de Faro (quatro da Easy Jet e um da Ibéria), além dos dois provenientes da Alemanha. Segundo a ANA, "o aeroporto de Lisboa registou na noite de domingo mais de 450 movimentações” e, por isso, “não se pode dizer que a situação tenha estado descontrolada". (Fonte: PÚBLICO).

4681. Rescaldo do mau tempo em Portugal Continental (I)

O mau tempo provocou estragos em todo o país. A Protecção Civil respondeu hoje a 2.780 ocorrências no litoral norte, com os distritos de Aveiro, Coimbra e Porto mais afectados pelo temporal que atingiu Portugal continental durante a noite. “Tal como esperávamos, a noite traduziu-se num número significativo de ocorrências registadas no litoral norte com Aveiro, Coimbra e Porto, desde o alerta amarelo, a registar 2.780 ocorrências”, declarou Marco Martins, adjunto-nacional da Protecção Civil.
Chuva e vento forte regressam na terça – A agitação marítima, o vento e a chuva forte diminuíram de intensidade hoje de manhã, mas prevê-se um novo agravamento do estado do tempo a partir das 00:00 de terça-feira, disse a meteorologista Paula Leitão. “Tal como previsto, a situação melhorou gradualmente durante a madrugada e já temos boas abertas em todo o território, embora com aguaceiros, que vão ser localmente fortes e de granizo durante a manhã. A precipitação vai diminuir de frequência e o vento vai soprar mais fraco do quadrante de noroeste em todo o território do continente”, disse a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Dez barras marítimas fechadas e duas condicionadas – Dez barras marítimas estão hoje fechadas à navegação e duas encontram-se condicionadas devido à previsão de forte agitação marítima, de acordo com a informação disponível perto das 12:00 na página da Marinha Portuguesa na Internet. A Marinha indica que as barras de Caminha, Vila Praia de Âncora, Esposende, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Douro, Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré e São Martinho do Porto estão fechadas devido à forte agitação marítima.

Vento forte provocou queda de árvores e estragos em carros em Cascais – O mau tempo desta madrugada provocou a queda de centenas de árvores no concelho de Cascais, causando estragos em algumas viaturas e também danificou a cobertura das urgências do Hospital de Cascais, informou a Protecção Civil. O responsável da Protecção Civil de Cascais, Pedro Lopes de Mendonça, adiantou que foram registadas 120 ocorrências, a maioria das quais quedas de árvores e danificação de algumas viaturas, na zona da Parede. No entanto, segundo contou, o caso mais grave ocorreu no serviço de urgências do Hospital de Cascais, com a danificação da cobertura.

Queda de muro danifica garagens e viaturas no Barreiro – A queda de um muro na freguesia do Lavradio, no Barreiro, danificou algumas garagens e causou estragos nos veículos que lá se encontravam estacionados, disse hoje fonte dos bombeiros. A ocorrência ocorreu esta manhã na rua Cândido Manuel Pereira, no Lavradio, com a derrocada de um muro a causar a destruição de quatro garagens, afectando as viaturas que lá estavam estacionadas.

Transtejo mantém ligações fluviais entre margem Sul e Lisboa – A Transtejo vai manter as ligações fluviais no estuário do rio Tejo, apesar da preia-mar prevista para as 12:38 de hoje em Lisboa, disse à Lusa fonte da empresa. “A parte operacional da Transtejo não tem qualquer informação sobre a suspensão da travessia devido à preia-mar. Os barcos vão continuar a circular”, disse à Lusa fonte da Transtejo. No domingo, as ligações fluviais da Soflusa e da Transtejo estiveram suspensas devido ao mau tempo, tendo sido retomadas na manhã de hoje.

Rio Tâmega em Chaves volta a transbordar e inunda circuito pedonal – O rio Tâmega, em Chaves, voltou hoje a galgar as margens e inundou a ciclovia, zona pedonal e jardins, condicionando ainda o acesso a uma habitação, disse à agência Lusa o responsável pela protecção civil municipal. Sílvio Sevivas referiu que o rio subiu 2,17 metros face ao leito normal de inverno, mas como parou de chover estabilizou.

Estradas da serra de Sintra reabertas – Os acessos à serra de Sintra reabriram à circulação rodoviária hoje cerca das 14:30, após a limpeza dos estragos provocados pelo mau tempo, informou fonte da autarquia. Segundo a mesma fonte, as estradas da serra ficaram desimpedidas e foram reabertas ao trânsito, apesar de "condicionamentos pontuais para circulação das máquinas das equipas dos serviços municipais que ainda se encontram a proceder à retirada das árvores que caíram".

A Protecção Civil de Sintra condicionou no domingo à tarde a circulação automóvel junto à Malveira, Rampa da Pena, Azóia e Pé da Serra (Colares). No perímetro encerrado à circulação apenas podiam transitar residentes. O fecho dos acessos ocorreu como medida de precaução, após a queda de duas árvores de grande porte que impediram a circulação de dois autocarros, mas sem provocar danos.

Plano de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo subiu para amarelo – O Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém subiu para amarelo o nível de alerta do Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo, dada a probabilidade de “aumento significativo nas descargas das barragens”. Em comunicado, o CDOS revelou que a informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pela EDP Produção aponta para o aumento das descargas nas barragens do Fratel, Pracana e Castelo do Bode, bem como das barragens espanholas, devido à forte precipitação que se tem feito sentir nas bacias dos rios Zêzere e Tejo.

Centenas de ocorrências na região Centro – O mau tempo que se fez sentir no domingo e na madrugada de hoje originaram centenas de ocorrências na região Centro, sobretudo relacionadas com quedas de árvores que originaram seis feridos.

No distrito de Coimbra, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) registou em seis horas – entre as 21:00 de domingo e as 03:00 de hoje – 238 ocorrências, 180 das quais relacionadas com quedas de árvores, havendo, também, casos de quedas de muros e deslizamentos de terras. Já hoje de manhã, a neve na serra do Açor obstruiu várias vias municipais, procedendo os bombeiros a trabalhos de limpeza para a reposição da circulação automóvel.

Em Leiria, o comandante distrital de operações de socorro deu conta de 240 ocorrências entre as 09:00 de domingo e as 08:00 de hoje relativas às condições meteorológicas adversas. As situações mais graves neste distrito prenderam-se com acidentes de viação, em que viaturas colidiram com árvores caídas na estrada, na Marinha Grande e em Pombal, provocando cinco feridos.

Na Guarda, as condições meteorológicas adversas derrubaram algumas árvores e causaram um ferido ligeiro, segundo fonte do CDOS. A fonte do CDOS disse que o ferido ligeiro resultou da queda de uma árvore na avenida Sá Carneiro, nas proximidades do Instituto Politécnico local. Devido à queda de neve que se regista no concelho da Guarda, a protecção civil municipal pede aos automobilistas que circulem com precaução.

Também devido à queda de neve duas estradas nacionais no norte do distrito de Viseu – a 2 e a 321 – encontravam-se ao início da manhã cortadas ao trânsito automóvel. Ainda neste distrito registaram-se durante a noite muitas quedas de árvores, mas sem danos.

Em Castelo Branco, entre as 15:00 de domingo e as 08:00 de hoje, foram reportadas ao CDOS "27 quedas de árvore, algumas quedas de mobiliário urbano, três desabamentos de estruturas edificada, oito quedas de elementos de construção, cinco aluimentos de terras e duas inundações de estruturas". Segundo o CDOS, as ocorrências não provocaram feridos e foram resolvidas num curto espaço de tempo.

No Fundão, as condições meteorológicas adversas atingiram o salão de festas de Atalaia do Campo, cujo telhado ficou "praticamente todo destruído", informou o secretário da União de Freguesias da Póvoa da Atalaia e Atalaia do Campo, referindo que o “prejuízo é certamente elevado".

Porto: vento provoca dezenas de quedas de árvores e de estruturas – A madrugada de hoje no distrito do Porto ficou marcada por quedas de árvores, painéis, telhas, toldos, clarabóias e outras estruturas, assim como por inundações, consequências do vento forte e da chuva intensa que se fizeram sentir. Fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto disse à agência Lusa que se registaram cerca de 90 ocorrências no Porto, sobretudo relacionadas com inundações e "com dezenas" de árvores caídas.

Funcionários camarários limpam neve e gelo no distrito de Vila Real – Dezenas de funcionários camarários estão esta manhã a limpar estradas nos concelhos de Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, onde alguns autocarros escolares não circularam devido à neve. A neve começou a cair com mais intensidade cerca das 06:00.

O comandante da protecção civil municipal de Vila Real, Miguel Fonseca, disse à agência Lusa que tem os meios todos no terreno esta manhã devido à queda de neve e ao gelo que se acumula nas estradas. As equipas da protecção civil estão com dois limpa-neves na serra do Alvão, zona de Lamas de Olo, e de São Tomé do Castelo. A estrada municipal 313, que liga Vila Real a Mondim de Basto pelo Alvão, está cortada ao trânsito. Os funcionários estão ainda a espalhar sal pelas vias mais afectadas, nomeadamente na Campeã.

Três feridos em colisão de viaturas com árvore caída na Marinha Grande – Três pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade, no domingo à noite, na colisão de duas viaturas com uma árvore de grande porte caída na estrada, na Marinha Grande, informaram os bombeiros locais. “Um pinheiro de grande porte caiu na estrada que liga Marinha Grande a Vieira de Leiria e a colisão arrancou o tejadilho de uma viatura e afundou o tejadilho de outra”, disse o comandante da corporação, Vítor Graça.

Escolas de Montalegre fechadas devido à neve e ao gelo – As escolas de Montalegre, no distrito de Vila Real, encerraram hoje devido à queda de neve e formação de gelo durante a noite, disse à agência Lusa o presidente da Câmara, Orlando Alves. “Não estavam reunidas as condições de segurança para os transportes escolares circularem. Era muito arriscado”, explicou. No terreno estão, desde as 06:30, limpa-neves e espalhadores de sal dos bombeiros e da autarquia a limpar as vias.

Parte de muro de escola caiu em Alenquer – Um muro da escola das Paredes, no concelho de Alenquer, desmoronou parcialmente devido ao mau tempo da última noite, disse hoje o comandante municipal da Protecção Civil. Rodolfo Baptista afirmou à agência Lusa que o muro da escola caiu numa extensão de quatro metros, devido aos fortes ventos da última noite, mas não causou hoje quaisquer problemas ao normal funcionamento do estabelecimento de ensino, estando as aulas a decorrer.

No Cadaval, uma habitação da vila ficou inundada, obrigando à intervenção dos bombeiros, disse o comandante da corporação, Luís Gaspar.

Registadas 240 ocorrências em Leiria, com cinco feridos – O Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria registou entre as 09:00 de domingo e as 08:00 de hoje 240 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sobretudo quedas de árvores, que provocaram cinco feridos. “As ocorrências referem-se, essencialmente, a quedas de árvores, que se registaram um pouco por todo o distrito”, disse à agência Lusa o comandante distrital, Sérgio Gomes, explicando que “houve também situações relacionadas com quedas de estruturas e deslizamentos de terras”. As situações mais graves no distrito prenderam-se com acidentes de viação, em que viaturas colidiram com árvores caídas na estrada.

Perto de 30 quedas de árvores no Alentejo na noite e madrugada – O mau tempo provocou no Alentejo perto de 30 quedas de árvores e danos em cabos de electricidade entre as 22:00 de domingo e a madrugada de hoje, informaram os bombeiros. O distrito mais afectado durante este período foi o de Portalegre, onde o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) registou 15 quedas de árvores, em vários concelhos, e uma inundação no concelho de Arronches.

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

4680. PORTUGAL CONTINENTAL: Superfície frontal fria (litoral Oeste)

Imagem de Satélite às 16h45
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Fonte: Sat24.com

4679. Tempestade STEPHANIE

Imagem de satélite às 11h30
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Fonte: Sat24.com
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Na imagem de satélite das 11h30 podemos observar a depressão no Oceano Atlântico, entre Portugal Continental e o Arquipélago dos Açores; o seu deslocamento processa-se para leste/nordeste, tendendo a ser cada vez mais lento de tal forma que o seu núcleo só deverá atingir a Península Ibérica por volta das 18h00. O cavamento da depressão deu origem a um sistema frontal, cujo ramo quente (superfície frontal quente) tem estado a atravessar o território de Portugal Continental desde as primeiras horas da manhã de hoje, originando um aumento da nebulosidade e ocorrência de precipitação, acompanhada por algum vento, sobretudo nas regiões do norte e centro.

O ramo frio (superfície frontal fria) começa agora a organizar-se sobre o Oceano Atlântico e deverá atingir Portugal Continental a partir do meio da tarde, afectando primeiro as regiões do litoral e progredindo depois para o interior; a passagem da superfície frontal fria dará origem a períodos de chuva, por vezes fortes e acompanhados por rajadas de vento muito fortes.

Após a passagem da superfície frontal fria, o vento rodará de sudoeste para oeste/noroeste e tornar-se-á moderado a forte; o regime de chuva dará lugar a aguaceiros, pontualmente fortes havendo ainda a possibilidade de ocorrência de trovoadas e queda de granizo.

A entrada do ar frio fará descer a temperatura do ar e cota de neve nas regiões do interior.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

4678. PORTUGAL CONTINENTAL: Situação meteorológica de risco extremo nos distritos do litoral


4677. Sábado, 8 de Fevereiro

Madrugada e manhã de Sábado com muita nebulosidade e ocorrência de precipitação por vezes moderada em Portugal Continental, associada à passagem de um sistema frontal em deslocamento para leste. Espera-se uma melhoria do estado do tempo para o resto do dia, com a passagem dos períodos de chuva para aguaceiros, cada vez menos frequentes e alternando com períodos de sol.
Para amanhã espera-se o agravamento do estado do tempo, com a aproximação e passagem, ao final do dia, da depressão ciclogénica que entretanto se irá formar no Atlântico e que irá afectar todo o território de Portugal Continental a partir do final da manhã de Domingo.

4676. PORTUGAL CONTINENTAL: Aproximação e passagem de tempestade

Carta Sinóptica de Superfície prevista para
Domingo, dia 9 de Fevereiro de 2014_12h00
Fonte: MetOffice
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O estado do tempo em Portugal Continental mantém-se condicionado pela corrente de jacto que se tem mantido com uma ondulação bastante pronunciada (descida em latitude) sobre a Península Ibérica e que está a provocar situações bastante anómalas um pouco por todo o Hemisfério Norte: calor excessivo no Alasca, vórtice polar sobre Canadá/Estados Unidos, explosão de tempestades atrás de tempestades no Atlântico, temperaturas na ordem dos 60 ºC abaixo de zero na Sibéria,  ...

Assim, o estado do tempo em Portugal Continental voltará a ficar condicionado, a partir da manhã de amanhã, Domingo, pela aproximação e passagem de um novo centro de baixas pressões bastante cavado (ciclogénese explosiva) pelo norte da Península Ibérica, em deslocamento para leste; a este centro de baixas pressões estão associadas linhas de instabilidade que cruzarão todo o território de Portugal Continental durante o Domingo e a madrugada de Segunda-feira.

A passagem das várias linhas de instabilidade dará origem ao aumento de nebulosidade e a ocorrência de precipitação, que será por vezes forte e com possibilidade de ocorrência de trovoada e queda de granizo, em todo o território de Portugal Continental. O rápido cavamento da tempestade dará origem a vento forte, com rajadas muito fortes, na ordem dos 120 km/h, de sudoeste ou oeste e rodando para noroeste ao longo da madrugada de Segunda-feira.

O ar frio pós-frontal na madrugada e manhã de Segunda-feira fará descer significativamente a temperatura do ar e a ocorrência de precipitação em forma de neve, em especial nas regiões do interior acima dos 600/800 metros de altitude. O vento forte com rajadas de noroeste reforçará a sensação de muito frio ao longo do período diurno de Segunda-feira; a tendência será que a precipitação diminua de intensidade a partir do meio da madrugada, passando os períodos de chuva a regime de aguaceiros e o vento comece a diminuir de intensidade a partir da manhã de Segunda-feira.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

4675. Quinta-feira, 6 de Fevereiro (12h30)

Imagem de Satélite às 12h30
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Fonte: Sat24.com
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Às 12h30 observa-se a aproximação do sistema frontal à costa ocidental de Portugal Continental. O sistema frontal cruzará o território do continente ao longo das próximas horas, de oeste para este, provocando um agravamento do estado do tempo, com ocorrência de vento e precipitação, por vezes forte.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

4674. PORTUGAL CONTINENTAL: Tempo severo

Carta Sinóptica de Superfície prevista para
6 de Fevereiro de 2014_12h00UTC
Fonte: MetOffice
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Previsão para Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014
(Portugal Continental)
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Céu muito nublado, com abertas a partir da tarde. Períodos de chuva, que será persistente e por vezes forte, passando a aguaceiros a partir da tarde, que serão por vezes fortes, de granizo e acompanhados de trovoada. Queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, descendo a cota para 600/800 metros a partir da tarde.
Vento moderado de sul, soprando forte com rajadas até 95 km/h no litoral oeste, e forte a muito forte com rajadas até 120 km/h nas terras altas, rodando para oeste a partir da tarde.
ESTADO DO MAR
Costa Ocidental:
A norte do Cabo Raso: Ondas do quadrante oeste com 5 a 7 metros.
A sul do Cabo Raso: Ondas do quadrante oeste com 4 a 5 metros, aumentando para 5 a 7 metros.
Costa Sul:
Ondas de sudoeste com 2 a 3 metros, sendo 2,5 a 3,5 metros junto ao Cabo de Sagres.
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Fonte: IPMA

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

4673. Grallhas (Montalegre)

Fotografia de Fernando Ribeiro

4672. Porque faz tanto vento?

Tecle na imagem para ampliar
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4671. Tempestade PETRA

Imagem de Satélite às 15h00
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Fonte: Sat24
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Na imagem de satélite das 15h00 podemos observar o núcleo da tempestade PETRA (970 hPa) localizado no Atlântico a noroeste da Península Ibérica, sensivelmente à latitude das Ilhas Britânicas. Um sistema frontal associado à tempestade estende-se pelo Golfo da Biscaia e noroeste da Península Ibérica; no seu deslocamento para nordeste, o sistema frontal atravessará todo o território de Portugal Continental ao longo das próximas horas.
Assim, espera-se um aumento da nebulosidade e ocorrência de precipitação, em regime de chuva, por vezes forte, estendendo-se do litoral para o interior, afectando sobretudo as regiões do norte e centro.
O cavamento do centro da tempestade fortalecerá a ocorrência de ventos fortes, com rajadas muito fortes do quadrante oeste.
A situação de instabilidade irá prolongar-se até ao final da madrugada de amanhã, Quarta-feira.

4670. PORTUGAL CONTINENTAL: Semana de mau tempo



Previsão de Cartas Sinópticas de Superfície
Fonte: MetOffice
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Durante esta semana uma forte corrente de oeste no Atlântico Norte e a passagem frequente de ondulações frontais de forte actividade pelo território do Continente irão originar episódios de precipitação, vento e agitação marítima fortes e queda de neve nas regiões Norte e do Centro do Continente.
A precipitação será generalizada a todo o território do Continente, persistente, com períodos de maior intensidade e com queda de neve nas regiões do Norte e Centro que, na terça feira e na quinta feira, chegará a cotas de 600 a 800 metros. O vento predominará de sudoeste ou oeste moderado ou forte, com rajadas que, nos períodos de maior intensidade, serão da ordem de 80 km/h no litoral e de 90 a 100 km/h nas terras altas. A altura significativa das ondas na costa Ocidental a partir de terça-feira, irá variar entre 5 a 7 metros podendo atingir alturas máximas entre 8 e 10 metros.
O IPMA irá manter a vigilância meteorológica, actualizando as previsões sempre que se justifique, recomendando-se que dê a devida atenção aos avisos meteorológicos e que se sigam as orientações dos Serviços de Protecção Civil.
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Fonte: IPMA

domingo, 2 de fevereiro de 2014

4664. PORTUGAL CONTINENTAL: Mau tempo na orla ocidental

Mar faz estragos em vários distritos do litoral – As ondas fortes durante a madrugada deste domingo fizeram estragos em vários distritos do litoral do país.
Na praia do norte, na Costa da Caparica, o mar subiu o paredão e provocou danos nos restaurantes e bares próximos, disse ao PÚBLICO uma fonte da Polícia Marítima. Apesar de o paredão já estar transitável, a polícia está a efectuar limpezas e tem apelado às pessoas para não passarem no local. A partir das 15h, o paredão vai voltar a ficar vedado por questões de segurança, afirmou a mesma fonte. Os proprietários das instalações afectadas estão no local a avaliar os prejuízos, bem como o Presidente da Junta. A forte ondulação não fez qualquer vítima, segundo a Polícia Marítima.
Em Sintra, as ondas fortes não causaram danos nos restaurantes perto do mar mas os acessos na Praia Grande foram cortados. "A estrada está cortada, porque o mar voltou a trazer pedras e a dar cabo dos bancos e dos passeios", adiantou o presidente da Junta de Freguesia de Colares, Rui Santos, à Lusa. "À primeira vista, a piscina aguentou e não sofreu danos de maior", acrescentou o autarca. Um responsável do Serviço Municipal de Protecção Civil pede para que durante a tarde, a partir das 16h, "as pessoas não se desloquem para junto da zona costeira, devido aos riscos" com a subida da maré e por a ondulação continuar forte.
No Estoril, a força do mar fez ruir parcialmente o paredão e danificou parte do passeio marítimo, segundo noticiou a TVI, não se tendo registado estragos em nenhum estabelecimento.
No Norte, a zona do Furadouro, concelho de Ovar, distrito de Aveiro, também foi fustigada pelas ondas. Segundo a Lusa, as vagas destruíram os separadores colocados na avenida marginal levando a água até estabelecimentos comerciais. "Os estragos são avultados", declarou o comandante dos bombeiros de Ovar, Carlos Borges, acrescentando que houve marés vivas desde as 4h30 desta madrugada. "O paredão que existia está todo destruído", frisou.
A zona Centro também sofreu com a agitação marítima na Nazaré, Peniche e São Martinho do Porto, relatou à Lusa o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria. Durante a noite e primeiras horas da manhã, o mar avançou para zonas habitadas e causou algumas inundações, provocando prejuízos diversos em estabelecimentos comerciais, cafés, viaturas e embarcações, adiantou aquela fonte à Lusa.
Na Nazaré, "a forte ondulação do mar atingiu a marginal, que esteve cortada ao trânsito até às sete da manhã", disse à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários (BV) da vila, João Estrelinha. "O mar partiu as montras de um restaurante. Este é o único dano que registámos", disse João Estrelita, indicando que a intervenção dos BV foi solicitada às 4 horas da madrugada. Segundo o comandante, algumas viaturas estacionadas na marginal "foram presas com cabos para evitar outros danos".
Por seu turno, o presidente da Câmara da Nazaré, Walter Chicharro, revelou que ainda esta manhã vão ser criadas barreiras de areia na praia, devido à continuação da agitação marítima forte que se prevê para este domingo. O mar conseguiu galgar duas barreiras de areia que tinham sido colocadas na praia para travar o avanço das ondas. Walter Chicharro admitiu que algumas artérias da Nazaré venham a ser interditadas ao trânsito nas próximas horas. (Fonte: PÚBLICO)
Mau tempo: Situação melhora no Furadouro, em Ovar – O comandante dos Bombeiros de Ovar disse hoje ao final da tarde que a agitação marítima no Furadouro, em Ovar, é esta tarde de "acalmia", depois de o pico da maré ter passado sem acrescentar danos aos da madrugada, ainda por contabilizar. Durante a tarde de hoje, quando se esperava a preia-mar, estiveram apostos na praia do Furadouro, no distrito de Aveiro, 30 bombeiros e cinco viaturas de socorro para lidar com eventuais operações de emergência.
O comandante Carlos Borges adiantou à Lusa que "esteve tudo controlado" e que a "situação da madrugada foi muito pior". Entre as 04h30 e as 05h30, o mar "esteve bastante alterado e galgou a marginal toda", acabando por danificar o murete que separa a praia da estrada levando a água aos estabelecimentos comerciais do rés-do-chão, explicou.
Outra fonte dos bombeiros explicou que os estragos foram acentuados devido ao desnível da Avenida Central do Furadouro. "Na zona do muro da praia, o piso é plano, mas meia dúzia de metros à frente a avenida das lojas é toda a descer até ao fundo levando a água a deslizar até às casas", explicou. Um dos estabelecimentos afectados pelo avanço do mar durante a madrugada foi o Café Amadeu, que, incluindo snack-bar, restaurante e pensão, tem duas frentes para a rua: uma virada para o mar, outra para a referida avenida em cota descendente. Às quatro da manhã, o proprietário estava no local a tentar prevenir estragos, mas já não teve tempo de os evitar.
"Eu também sou marítimo, gosto de andar na minha pesca e sei ver quando o mar está ruim", disse, adiantando: "vim cá pôr umas placas para proteger as montras, mas veio uma onda com pedras e a água entrou". Entre os estragos nesse espaço, que aí funciona desde 1974, inclui-se uma montra de vidro partida, uma porta com ferrolhos derrubada e louça quebrada. "Tinha uns hóspedes que estavam no primeiro andar da pensão a ver o mar e até eles levaram com a água", acrescentou João Serralheiro.
Após a operação de limpeza, o estabelecimento funcionou durante a tarde, "porque fechar ainda dava mais prejuízo". A contabilidade dos estragos, contudo, só será feita na segunda-feira. O comandante dos Bombeiros de Ovar adiantou à Lusa que, apesar de o próximo pico da maré, às 06h00, seja previsivelmente mais pacífico, irá enviar para o local meios operacionais, como prevenção. (Fonte: Jornal SOL)
Estrada na Praia Grande fechada até ao final da tarde – A estrada na frente de mar da Praia Grande, Sintra, vai continuar fechada pelo menos até ao final da tarde, para trabalhos de limpeza e por precaução devido à forte agitação marítima, disse fonte da Câmara Municipal de Sintra. O mar provocou na madrugada de hoje estragos na Praia Grande, obrigando ao corte do acesso ao areal e aos restaurantes da frente de mar.
"A segurança está primeiro e não vale a pena reabrir a estrada para depois ter de se retirar as pessoas se as ondas voltarem a galgar a muralha", explicou Isabel Queiroz do Vale, directora municipal responsável pela Protecção Civil de Sintra. Embora a estrada fechada afecte os restaurantes da frente marítima, a técnica justifica a medida com a necessidade de concluir os trabalhos de limpeza da via e pelos riscos na próxima maré-alta.
Os danos provocados durante a madrugada de hoje foram idênticos aos de 06 de Janeiro, quando as ondas também galgaram o paredão e deslocaram floreiras e bancos em betão. A estrada ficou pejada de areia, pedras e outros detritos. Uma barraca de gelados foi deslocada do passeio para meio da faixa de rodagem.
"Não percebemos por que motivo não deixam as pessoas passar. O pior já passou e temos aqui o estabelecimento com os empregados à espera de clientes", comentou Vítor Caeiro, do restaurante Angra. "A estrada está cortada, porque o mar voltou a trazer pedras e a dar cabo dos bancos e dos passeios", explicou o presidente da Junta de Freguesia de Colares, Rui Santos. Os estragos foram provocados pela forte agitação marítima, por volta das 04:00, durante a maré-alta. A estrada de acesso à praia está fechada pela GNR e pela Polícia Municipal junto à paragem dos autocarros.
Segundo fonte do Serviço Municipal de Protecção Civil de Sintra, não há registo de danos pessoais. As autoridades apelam às pessoas para que não se aproximem de zonas de risco na orla costeira. (Fonte: Jornal SOL)
IPMA: Mau tempo volta na madrugada com chuva, vento e neve – Durante a madrugada e a manhã desta segunda-feira, as condições climatéricas deverão piorar significativamente, mas na tarde e noite seguintes já se registarão melhorias, segundo Cristina Simões, do IPMA (antigo instituto de meteorologia). Serão períodos de chuva, passando gradualmente a regime de aguaceiros a partir da manhã de segunda-feira. Tanto a chuva como os aguaceiros poderão ser nas regiões norte e centro, por vezes fortes e com granizo, acompanhadas de trovoada, e também deve haver queda de neve acima dos 800/mil metros durante a madrugada, baixando a quota a partir da manhã para os 600/800 metros", disse à Lusa.
Cristina Simões disse, ainda, que o vento se irá intensificar e deve chegar a ter rajadas com 80 quilómetros por hora no litoral e de 90 quilómetros/hora nas terras altas, estando previsto um aviso amarelo. Já as regiões altas, todas aquelas acima de 600 a 800 metros, devem sofrer quedas de neve, o que no fundo se resume a "todas as montanhas de norte e centro e, possivelmente, a Serra de São Mamede".
As previsões para o resto da semana são muito irregulares, com o tempo a agravar num dia e a melhorar no seguinte. "Vai ser uma semana em que alternadamente vão passando frentes e vamos ter um desagravamento temporário, seguido de novo agravamento com aguaceiros e abertas. Segunda-feira será um dia em que à tarde desagrava, à noite para dia 04 já volta a agravar, para 05 desagrava novamente. À medida que as frentes vão passando, vamos ter melhorias e um tempo um pouco melhor alternadamente. Talvez o dia 04 seja uma situação semelhante [à da madrugada de segunda-feira] e depois o dia 06. Quase dia sim, dia não, vamos ter a passagem de uma frente", acrescentou. (Fonte: Notícias ao Minuto)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

4663. Agitação marítima forte durante o fim de semana

Uma depressão centrada na região das ilhas Britânicas tem estado a originar vento muito forte no Atlântico Norte. Desta forma, a agitação marítima gerada na referida região tem vindo a aumentar e as ondas poderão atingir 14 a 15 metros de altura significativa a oeste das ilhas Britânicas.
Assim, prevê-se que hoje (dia 1 de Fevereiro), a agitação marítima na costa ocidental de Portugal atinja valores entre 5 e 7 metros prolongando-se até ao final do dia 2, em especial a norte do Cabo Raso. A partir do dia 3, a agitação marítima deverá diminuir para valores entre 4 a 5 metros.
No arquipélago da Madeira, a agitação marítima deverá atingir valores entre 4 a 5 metros a partir do final do dia de hoje (1 de Fevereiro) e até ao início da manhã do dia 3.
O IPMA irá manter a vigilância meteorológica, recomendando-se a devida atenção à previsão para o mar, aos avisos meteorológicos e às orientações dos serviços de Protecção Civil.
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Fonte: IPMA

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

4660. Terça-feira, 28 de Janeiro (17h00)

Imagem de satélite às 17h00
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Fonte: Sat24.com
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Na imagem de satélite das 17h00 podemos observar que uma superfície frontal fria atravessa as regiões do sul de Portugal Continental, provocando períodos de chuva progressivamente de norte para sul. Após a passagem da superfície frontal, o ar frio pós-frontal dará origem a aguaceiros e possibilidade de trovoadas, especialmente nas regiões do norte e centro, acompanhado por uma descida de temperatura do ar.
Ao longo da próxima noite são esperadas a passagem de novas linhas de instabilidade sobre o território de Portugal Continental, no sentido norte – sul, associadas a um centro de baixas pressões localizado no Golfo da Biscaia. Também em altura é esperado a passagem de um núcleo de ar muito frio durante a madrugada de Quarta-feira (- 30 ºC a cerca de 5500 metros de altitude), afectando particularmente as regiões do norte e centro de Portugal Continental. Nestas condições, são esperados aguaceiros ao longo da noite e madrugada de hoje para amanhã, mais intensos e frequentes nas regiões norte e centro, podendo ser acompanhados de trovoada e queda de granizo.
A presença de ar muito frio em altitude determinará a queda de neve em cotas acima dos 600/800 metros de altitude.

sábado, 25 de janeiro de 2014

4658. IPMA: Granizo na região de Lisboa

No passado dia 17 de janeiro o território do continente encontrava-se sob a influência de uma depressão complexa cujo núcleo principal se centrava, pelas 0 UTC, entre a Islândia e as Ilhas Britânicas. Em associação a esta depressão desenvolveu-se e propagou-se, para sueste, um núcleo secundário que se centrava a oeste da Corunha (Espanha) pelas 9 UTC do mesmo dia. Esta configuração traduzia-se pela existência de um vale em altitude a oeste da península, que promovia um fluxo de ar polar modificado, ainda com razoável conteúdo em água precipitável, sobre o território do continente. A referida massa de ar não apresentava grande instabilidade, mas esta encontrava-se disponível até níveis relativamente elevados. Por outro lado, foi notória a presença de uma corrente de jato aos 300 hPa, com uma orientação noroeste-sueste e cujo máximo se localizava a oeste da península Ibérica pelas 9 UTC. Esta corrente de jato induzia, sobre as regiões centro e sul do continente, um importante forçamento dinâmico favorável à sustentação de fortes correntes ascendentes. Em face do perfil vertical do vento criado entre a superfície e níveis elevados, algumas das estruturas convectivas que se organizaram neste ambiente adquiriram uma natureza supercelular.
Uma destas supercélulas (forma convectiva dotada de uma corrente ascendente com movimento de rotação duradouro e organizado nos níveis médios), formou-se cerca de 60 km a oeste-sudoeste de Lisboa, tendo-se deslocado para este-nordeste e organizado gradualmente com a aproximação à costa portuguesa. À escala de uma supercélula, os movimentos ascendentes costumam ser particularmente fortes e, no contexto sinótico apontado, terão favorecido um rápido transporte vertical e consequente brusco arrefecimento da massa de água. Esta, conduzida bastante acima do nível de congelação num ambiente convectivo organizado e duradouro como o de uma supercélula, encontrou condições para se converter na grande quantidade de granizo observada. Tratou-se essencialmente de granizo (pedras com diâmetro inferior a 5 mm) e saraiva de pequena dimensão (pedras com diâmetro até 10mm). Não obstante o diâmetro relativamente modesto das pedras, o episódio foi notório pela sua duração (havendo casos de queda de granizo durante mais de 15 minutos sobre o mesmo local) e, por vezes, pela sua repetição sobre a mesma área. Estes factos foram devidos à propagação relativamente lenta da supercélula sobre a região de Lisboa (verificada entre a Parede e Sacavém) e a alguns episódios de realimentação da mesma que tiveram lugar. Favoreceram, no seu conjunto, a deposição de uma camada de granizo e saraiva com uma espessura razoável, sobre áreas relativamente extensas.
Recorreu-se a um método convencional baseado num valor limiar de refletividade radar, para efetuar um diagnóstico das áreas onde terão caído pedras com diâmetro da ordem de 8 mm ou superior, sobre a superfície. A animação de um produto de refletividade a baixa altitude (indicador de posição plana, PPIZ a 800 m de altitude) permite acompanhar a progressão da queda de granizo observada sobre a região de Lisboa. Chama-se a atenção para o facto de áreas mais extensas do que as delimitadas poderem ter sido afetadas pelo fenómeno, já que granizo de menor dimensão poderá não ter sido detetado e, por outro lado, porque a observação do radar não é absolutamente contínua no tempo. O granizo caído em áreas como a margem sul, área a norte de Lisboa e região do Oeste esteve associado a formas convectivas com alguma organização, embora nem todas de tipo supercelular. A fim de se avaliar a distribuição global do granizo observado, apresenta-se a sobreposição num mapa Google das áreas afetadas pela queda de granizo. Este mapa poderá ser confrontado com um outro, do mesmo tipo, construído para ilustrar o episódio de granizo de 29 de abril de 2011 sobre a cidade de Lisboa. Uma comparação mostra que no episódio de 2011 foram afetadas áreas relativamente mais extensas da cidade. Por outro lado, o histórico mostra igualmente que as pedras de maior dimensão foram maiores no episódio de 2011.
Aproveita-se esta oportunidade para esclarecer que granizo e neve são fenómenos distintos e que não devem ser confundidos, embora se possa assemelhar o aspeto da deposição no solo. A neve está, em geral, associada a massas de ar estratificadas, sem grande instabilidade e caraterizadas por movimentos verticais ascendentes pouco expressivos embora persistentes e abrangendo grandes áreas. Estes movimentos são suficientemente lentos de modo a permitir a gradual formação dos cristais de gelo que constituem os flocos de neve, por agregação progressiva. O regime de precipitação tende a ser contínuo, embora também possam ocorrer aguaceiros de neve. A queda de neve é observada sob temperatura do ar negativa ou pouco positiva, à superfície. A queda de granizo, por seu turno, está apenas associada a massas de ar em que instabilidade, a uma escala pelo menos local e por vezes reforçada por outros efeitos, conduz a movimentos verticais ascendentes muito vigorosos. Estes movimentos são de tal modo rápidos que não permitem que o arrefecimento seja acompanhado pela cristalização. Nestas condições forma-se o chamado gelo amorfo (pedras sem cristal consolidado, i.e. granizo ou saraiva). Neste caso o regime de precipitação é de tipo intermitente (aguaceiro), podendo as quedas de granizo durar um pouco mais no caso de o escoamento ser lento e/ou diversas células convectivas passarem sobre a mesma área, em instantes sucessivos. A queda de granizo pode ser observada com temperatura do ar elevada à superfície, inclusive no Verão.
Consulte a análise pormenorizada no site do IPMA, teclando aqui.
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Fonte: IPMA

4657. IPMA: Tornado ocorrido no concelho de Paredes a 04 de janeiro de 2014

No dia 10 de janeiro do corrente ano, o IPMA publicou uma notícia intitulada “Tornado ocorrido no concelho de Paredes a 04 de janeiro de 2014”, em referência ao fenómeno extremo de vento – tornado – que afetou várias freguesias do concelho de Paredes. Congregando a informação meteorológica, os diversos testemunhos relatados através da plataforma de colaboração voluntária do IPMA, MeteoGlobal, a natureza dos danos (e a sua distribuição espacial) provocada pela passagem do tornado, classificado anteriormente como um F1/T3, foi possível elaborar uma animação que descreve visualmente o trajeto executado pela super-célula (SC), que mais tarde viria a dar origem ao tornado, e que corrobora as localizações dos relatos de queda de granizo/saraiva e dos estragos ocorridos nas várias freguesias de Paredes. Na animação é utilizado o produto radar de máximos de refletividade (MAXZ, em dBZ), devido à sua área de alcance permitir a identificação da respetiva SC.
Pelas 0020 UTC, as observações com o radar Doppler de Coruche/Cruz do Leão (C/CL) identificam, a presença de dois máximos relativos de refletividade, com expressão significativa em altitude, a oeste da região de Aveiro com deslocamento no sentido sudoeste-nordeste. Às 0220/0230 UTC, a SC entra em terra a norte do Porto e, na sua progressão, causa vários episódios de precipitação em forma de granizo e saraiva, especialmente em Matosinhos, Leça da Palmeira, Maia e Valongo. Finalmente, e antecedendo o seu fim de ciclo de vida, entre as 0300 UTC e as 0315 UTC, a SC originou um tornado provocando danos e consequentes prejuízos, numa extensão aproximada de 3 a 5 km, com maior incidência nas freguesias de Vilela e Duas Igrejas.
Consulte a análise pormenorizada no site do IPMA, teclando aqui.
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Fonte: IPMA