quinta-feira, 8 de junho de 2017

6265. Fundação Oceano Azul quer ter "palavra na agenda internacional dos oceanos"

A Fundação Oceano Azul, gestora do Oceanário de Lisboa, que participa na Conferência dos Oceanos, a decorrer na ONU, em Nova Iorque, "tem a ambição de ter uma palavra na agenda internacional dos oceanos", disse o presidente da instituição. "Queremos ter essa palavra e uma conferência como esta é importante para o fazermos", disse Tiago Pitta e Cunha, sublinhando que a fundação portuguesa é uma de apenas três fundações a participarem na conferência dedicada à utilização sustentável dos oceanos, que reúne 193 países.
"Entre todas as organizações não-governamentais registadas na conferência, estão apenas a Fundação Packard e a Fundação Waitt, que são grandes fundações americanas, e a nossa. Há, portanto, este espaço que queremos preencher para exercer liderança na área da conservação do oceano", adiantou o presidente executivo da Oceano Azul, criada pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos. A Conferência dos Oceanos é o primeiro grande evento da ONU dedicado aos oceanos desde a negociação da Convenção sobre o Direito do Mar nos anos 1970.
Tiago Pitta e Cunha defendeu que o evento "tem muita importância porque coloca os oceanos no centro das deliberações de um organismo tão importante como as Nações Unidas" e porque se passaram cinco décadas desde que a organização tomara uma decisão semelhante. "Já na altura os cientistas explicaram que não podíamos continuar a explorar o mar da forma não sustentável que estávamos a fazer. De alguma forma, deixámos que se passassem 50 anos, pelo menos duas gerações, sobre isso", disse.
No Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala hoje, o antigo conselheiro de Cavaco Silva lamenta que "os oceanos continuem a ser afectados, no seu equilibro ambiental e climático, muito além daquilo que as pessoas sabem." "Há um enorme fosse entre o que sabem os cientistas e o que sabem as pessoas e os próprios decisores. Não existe esta consciência, como já existe em outras áreas, como das florestas ou do clima", afirmou, adiantando que "ainda se desconhecem muitas coisas sobre os oceanos, mas o que já se sabe é suficiente para agir de forma muito decidida."
"Há uma quantidade de recursos que estão a ser delapidados a uma grande velocidade. Nem os cientistas mais pessimistas conseguiram prever, no final de 2015, que o ano passado seria o pior de sempre para os corais e que 40 por cento dos corais desapareceriam", diz. Pitta e Cunha lamenta que ainda não tenha sido possível lançar um "apelo à consciencialização que permita gerar acção concreta", mas defende que essa transformação acontecerá na sociedade civil.
"Não vamos conseguir fazer [esse apelo] através de conversas entre especialistas. Temos de as trazer até à sociedade. O maior peso desta conferência talvez esteja ligado ao sector não-governamental, onde noto mais dinamismo e onde foram organizados um conjunto de eventos laterais que reúnem muito conhecimento, muita informação e muita experiência", explica.
A Conferência dos Oceanos termina na sexta-feira com a adopção por todos os países-membros da ONU de um documento político que foi negociado pelo embaixador de Portugal na ONU, Álvaro Mendonça e Moura, em conjunto com o seu homólogo de Singapura. Portugal ofereceu-se entretanto para acolher a próxima edição do evento em 2020.
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quarta-feira, 7 de junho de 2017

6264. Quarta-feira, 7 de Junho (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
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Alvalade – 36,5 ºC
Pegões – 36,4 ºC
Alvega – 36,1 ºC
Portel (Oriola) – 36,0 ºC
Mértola (Vale Formoso) – 35,7 ºC
Castro Verde (N. Corvo) – 35,6 ºC
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Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 23,2 ºC
Aveiro (Universidade) – 21,9 ºC
Viana do Castelo (Chafé) – 20,9 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 20,5 ºC
Cabo Raso – 19,2 ºC
Cabo Carvoeiro – 19,0 ºC
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Fonte: IPMA

6263.PORTUGAL CONTINENTAL: Junho "gelado"

(Tecle sobre a imagem para ampliar)
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Fonte: IPMA
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Temperaturas mínimas próximas dos 0º C no dia 5 de Junho, nas regiões do interior norte.

terça-feira, 6 de junho de 2017

6262. Sismo abanou Amarante e foi sentido no norte

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) registou esta terça-feira, pelas 17:03, um sismo de magnitude 3,5 na escala de Richter, cujo epicentro se localizou a cerca de quatro quilómetros a Este-Nordeste de Amarante e que foi sentido "de lés a lés do concelho", com grande intensidade, segundo o comandante da Proteção Civil local.
Temos registos de lés a lés do concelho. A descrição que nos foi feita do sismo é muito similar pelo concelho todo. Não foi de grande duração, de facto, mas sentiu-se e sentiu-se bem. Toda a gente dizia que parecia que algo tinha ido de encontro ao edifício e ele tinha sofrido com aquela circunstância", contou Hélder Ferreira.
Segundo o responsável, pelas 18:30 "foi retomada a normalidade no concelho", indicando que "nos momentos logo a seguir ao sismo foram recebidas "várias chamadas de pessoas, sobretudo preocupadas em tentar perceber o que teria acontecido, se poderia repetir-se o fenómeno e com consequências mais gravosas".  É evidente que procurámos junto das entidades responsáveis recolher essa informação e logo que a obtivemos fomos comunicando à população", referiu o responsável da Proteção Civil em Amarante.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) registou hoje, pelas 17:03, um sismo de magnitude 3,6 na escala de Richter e cujo epicentro se localizou a cerca de quatro quilómetros a este-nordeste de Amarante. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera informa que no dia 6 de junho de 2017 pelas 17:03 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica do Continente, um sismo de magnitude 3.5 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de quatro quilómetros a Este-Nordeste de Amarante", informa o comunicado do IPMA.
Epicentro em Lufrei – O comandante da Proteção Civil, Hélder Ferreira, assinalou que o epicentro "terá acontecido na Rua de Entre Águas, na freguesia de Lufrei", a cerca de quatro quilómetros da sede do concelho e a 17 quilómetros de profundidade.
Tratámos de perceber se havia vítimas, feridos ou danos materiais naquela zona. Foi-nos confirmado pela junta de freguesia no local que não havia vítimas nem danos materiais. A partir daqui a nossa principal preocupação foi, de facto, tentar sossegar a população e ir prestando a informação que dispúnhamos", acrescentou.
Face à intensidade do abalo, as pessoas que se encontravam nas piscinas de Vila Meã, ainda no concelho de Amarante, foram convidadas, por precaução, a sair das instalações, situação que foi posteriormente normalizada, acrescentou a Proteção Civil.
Norte sentiu abalo – O sismo também foi sentido com alguma intensidade nos concelhos vizinhos, nomeadamente Baião, Marco de Canaveses, Felgueiras e Penafiel.
Além do abalo, ouviu-se também um som forte. Alguns relatos apontam para a existência de uma réplica, cerca de 30 minutos após o abalo principal.
Em Marco de Canaveses, os bombeiros locais saíram do quartel alarmados com a intensidade do abalo. Também nos Paços do Concelho de Baião o sismo foi sentido, deixando preocupados vários funcionários.
Alunos da Escola Secundária de Felgueiras sentiram as suas mesas de trabalho tremer.
A agência Lusa contactou os serviços de proteção civil daqueles municípios, que comunicaram não haver indicação de quaisquer danos.
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Fonte: TVI24

segunda-feira, 5 de junho de 2017

6261. Segunda-feira, 5 de Junho (20h30)

Imagem de satélite às 20h30
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Fonte: SAT24

6260. Seca pode provocar quebra de 50% na produção de arroz no vale do Sado

CopyRight @ RTP Notícias

6259. Mês de maio 2017 extremamente quente em Portugal continental

O mês de Maio de 2017 em Portugal continental foi extremamente quente em relação à temperatura do ar e normal em relação à precipitação.
Este foi o 3º mês de Maio mais quente desde 1931, depois de 2011 e 2015. O valor médio da temperatura média do ar foi de 18.47 °C, +2.74 °C acima do valor normal. O valor médio da temperatura máxima do ar, 24.96 °C, foi o 2º mais alto desde 1931, com uma anomalia de +4.0 °C, e o valor médio da temperatura mínima 11.99 °C foi +1.49 °C acima do normal.
Ao longo do mês a temperatura apresentou grande variação, sendo de realçar valores muito altos da temperatura máxima do ar, muito superiores aos valores normais para o mês, nomeadamente a partir do dia 20. Os dias 23 a 25 foram os mais quentes, com valores de temperatura média superiores a 23 °C e valores médios de temperatura máxima superiores a 30 °C.
Os maiores valores da temperatura máxima do ar, ≥ 35 °C observaram-se nos dias 24 e 25. No período de 20 a 27 de Maio registou-se uma onda de calor nas regiões do interior Norte e Centro e Alentejo.
Em relação à precipitação o mês de Maio classificou-se como normal, com um valor médio de precipitação em Portugal continental de 66.1 mm, o que corresponde a 93% do valor médio.
De acordo com o índice meteorológico de seca - PDSI, no final do mês mantém-se a situação de seca meteorológica em quase todo o território de Portugal Continental, verificando-se, em relação a 30 de Abril, um desagravamento na região noroeste do território e um agravamento na região Sul, com o aumento da área em seca moderada. No final deste mês cerca de 70% do território estava na classe de seca moderada.
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Fonte: IPMA

6258. Papa no twitter: Meio Ambiente é responsabilidade de todos

Com o tweet “Nunca esqueçamos de que o ambiente é um bem colectivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos”, o Papa Francisco recorda o Dia Mundial do Meio Ambiente celebrado esta segunda-feira, 5 de Junho. A preocupação com nossa “Casa comum” é uma das marcas do Pontificado de Francisco. Em 24 de Maio de 2015, foi publicada sua Encíclia Laudato Sii, que trata de uma “ecologia integral”, ou seja, que envolve ecologia do homem e ecologia da criação.
Já na Missa com a imposição do Pálio e a entrega do Anel do Pescador para o início do Ministério Petrino do Bispo de Roma, Francisco destacava em sua homilia a importância do cuidado com a criação, indicando assim uma das linhas de seu Pontificado. A Santa Missa de início do ministério petrino, de fato, deu-se em coincidência com a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal. José teve a vocação de “guardião”, cuidou “com amor de Maria” e se dedicou “com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo”, “também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo”.
“Entretanto – observou o Papa Francisco - a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!”
“E quando o homem falha nesta responsabilidade – foi o seu alerta - quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher”.
Neste contexto, o Papa dirigiu o seguinte apelo:
“Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura”. (JE)
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Fonte (texto e imagem): RádioVaticano

sábado, 3 de junho de 2017

6257. MOGADOURO (17h54)

Fonte: FlyWeather

6256. Checamos as alegações de Trump para a retirada dos EUA de acordo do clima

Os Estados Unidos anunciaram na última quinta-feira (2) sua retirada do Acordo de Paris. O documento foi assinado em 2016 e, desde então, aglutina 194 países em torno de políticas de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global. Por iniciativa do presidente dos EUA, Donald Trump, o país junta-se agora à Nicarágua e à Síria — únicos países que não assinaram o acordo.
Em parceria com o PolitiFact, site de checagem de fatos americano que integra com Aos Fatos a International Fact-Checking Network, checamos algumas declarações de Trump a respeito da retirada dos EUA do acordo.
EXAGERADO: A China poderá construir centenas de novas usinas de carvão. Nós não, mas eles sim, conforme o acordo.
Os países signatários do Acordo de Paris estabelecem unilateralmente quão disposto está em contribuir para a redução dos gases que geram o efeito estufa. A partir disso, estabelece as diretrizes para alcançar esse objetivo. Desse modo, o acordo não permite ou proíbe ações específicas, como construir usinas de carvão. Quem define é o próprio país.
Mesmo assim, a China tem feito esforços efetivos para parar de construir usinas de carvão. Em janeiro, o país paralisou a construção de 103 novas usinas de carvão. Essa ação congelou dezenas de projetos onde o trabalho já havia começado e deixou de acrescentar 120 gigawatts de capacidade em seu sistema energético. Entre os efeitos da redução de sua atividade econômica e os esforços de alcançar fontes de energia menos sujas, a China diminuiu o uso de carvão três anos seguidos.
O Climate Action Tracker, projeto de três grupos de pesquisa que mede políticas ligadas ao clima, relatou em maio que "as emissões de dióxido de carbono da China atingiram o auge mais de uma década antes de o país assinar o Acordo de Paris".
A China prometeu que, até 2030, reduziria em 60% a 65%o peso do carvão na sua economia em relação aos padrões de 2005. Também aumentaria a cota de energia de origem não-fóssil em 20%.
Ainda assim, o projeto Climate Action Tracker alerta: os objetivos da China "não são suficientemente ambiciosos para reduzir em 2°C o aquecimento, nem mesmo atingir o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris — a não ser que outros países façam reduções ainda mais profundas e um esforço proporcionalmente maior que o da China".
EXAGERADO: Com crescimento de 1%, fontes de energia renováveis podem atender a parte da demanda doméstica. Porém, com um crescimento de 3% a 4%, que é o que eu espero, precisamos de todas as fontes de energia disponíveis, ou o nosso país estará sob risco de racionamentos e apagões.
Trump tem argumentado que a economia dos EUA pode crescer entre 3% e 4% ao ano, mas essa não é a expectativa realista. Enquanto esse nível de crescimento era comum entre 1948 e 2005, os EUA não cresceram perto disso desde então. Recentemente, consultamos economistas que demonstravam ceticismo com relação à retomada desse ritmo de crescimento num futuro próximo. Isso significa que a preocupação de Trump com os efeitos do crescimento econômico na política energética norte-americana pareçam injustificados.
O crescimento econômico, segundo economistas, deriva de dois fatores primordiais: crescimento populacional e melhora na produtividade. Nenhum desses fatores, entretanto, estão tão bem posicionados a fim de estimular um crescimento de 3% a 4%. A população em idade ativa não cresce mais quanto antes por conta da redução da natalidade. Além disso, Trump quer limitar uma outra maneira pela qual a população pode crescer — pela imigração.
Paralelamente, o crescimento da produtividade está fora do alcance dos formuladores de políticas públicas. "Você pode criar bolhas para estimular o crescimento do PIB por alguns anos, como entre 2005 e 2008, com a bolha do mercado imobilário. Porém, para aumentar a produtividade de forma consistente, você precisa fazer mudanças ao longo de muitos anos", diz Chris Lafakis, economista-sênior da consultoria Moody’s. "Também é necessário que haja inovações tecnológicas transformadoras, o que não é algo previsível."
EXAGERADO: A Índia poderá duplicar sua produção de carvão até 2020. Pense nisso. A Índia pode dobrar sua produção de carvão enquanto nós teremos que nos livrar da nossa.
A Índia de fato tem planos de duplicar sua produção de carvão, e o Acordo de Paris não previne isso. Porém, o Acordo de Paris sequer menciona a palavra "carvão" ou mesmo estimula seu boicote. Cada signatário estabelece suas próprias metas e tem o compromisso de divulgar seu progresso.
Um estudo de 2015 do Economic Times, um jornal sobre finanças da Índia, publicou um plano da Coal India Limited, uma companhia estatal indiana, para dobrar sua produção de carvão até 2020. A história ressalva que, para dobrar a produção, a empresa deveria comprar mais terras e remover áreas verdes, o que ainda não aconteceu. Coal India tem cerca de 84% da produção de carvão na Índia. Sua decisão de dobrar a produção de carvão significa basicamente que a própria Índia pretende duplicar sua produção.
"O meio ambiente não é negociável e somos extremamente cautelosos em relação a ele", disse à Reuters em 2015 Anil Swarup, um membro do alto escalão do Ministério de Minas e Energia indiano. "[Porém] nossa dependência em relação ao carvão irá continuar. Não há alternativa."
Mas a Índia pode mesmo dobrar sua produção de carvão até 2020? A Convenção da ONU sobre Mudança do Clima diz que o Acordo de Paris demanda que as partes envolvidas devem colocar seus maiores esforços nas Contribuições Nacionalmente Determinadas, as iNDCs, que são os documentos em que os governos registram os principais compromissos e contribuições para o futuro do acordo climático. Isso significa que todas as partes terão de informar regularmente suas emissões e seus esforços de implementação do acordo.
India, ao ratificar o acordo em 2 de outubro de 2016, disse que se comprometeria a seguir um caminho de baixa emissão de carbono in ratifying the agreement on October 2, 2016, said it would follow a path of low carbon commitment em consonância com sua legislação nacional e sua agenda de desenvolvimento, incluindo a erradicação da pobreza. A Índia também se comprometeu a reduzir emissões em 33% a 35% dos níveis de 2005 até 2030. Isso significa que o acordo permite que países que assinaram o Acordo de Paris estabelecessem seus próprios objetivos de redução para auxiliar na redução em 2°C da temperatura global.
EXAGERADO: [O Acordo de Paris poderia resultar em] menos empregos, menores salários, fechar fábricas e afetar negativamente a produção econômica.
Trump citou algumas estatísticas a respeito do impacto econômico que o acordo poderia produzir até 2040, incluindo uma queda de até US$ 3 trilhões no PIB (Produto Interno Bruto), além da perda de 6,5 milhões de vagas de emprego e uma redução de 86% na produção de carvão. É necessário encarar esssas estatísticas com ceticismo.
Esses números têm origem em um estudo de março deste ano desenvolvido pela Nera Economic Consulting. A consultoria estima os impactos potenciais na economia dos EUA de marcos regulatórios hipotéticos, eventualmente criados para alcançar as metas do Acordo de Paris. O estudo gerou uma série de críticas de especialistas em economia e meio ambiente.
O professor da Universidade Yale, Kenneth Gillingham, disse que o modelo da Nera tende a superestimar os custos do acordo, sobretudo em comparação com outras fórmulas estabelecidas. A pesquisa leva em conta marcos regulatórios hipotéticos, mas, segundo Gillingham, "é possível desenvolver facilmente outras ações com impacto econômico menor" como parâmetro. Ainda conforme o professor, o estudo também ignora os benefícios de reduzir os gases que causam o efeito estufa.
Outros especialistas apontaram outras suposições problemáticas do estudo, com, por exemplo:
• Outros países não promovem a redução de emissões de acordo com o Acordo de Paris, levando empresas americanas a se mudarem;
• Indústrias são estáticas e não se adaptam aos novos marcos regulatórios;
• Não haveria aumento na geração de energia limpa em comparação com o cenário atual.
Em outras palavras, o modelo Nera parte de premissas rígidas que geram um resultado extremo. "O modelo Nera fornece informações úteis, mas é necessário que seja analisado conforme o contexto e o resultado de outros modelos", disse Gillingham.
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Fonte: Aos Fatos

sexta-feira, 2 de junho de 2017

6255. O que é que as alterações climáticas fizeram a Portugal?

Enquanto se discute sobre quem fica fora e dentro do Acordo de Paris, o mundo aquece, o Árctico derrete e a Antárctida fica um bocadinho mais verde. Não são projecções ou especulações, são constatações que estão em relatórios de cientistas que continuam a medir os efeitos das alterações climáticas no planeta Terra. E Portugal? Há muitas coisas que já mudaram à nossa volta.
Já reparou que há sobreiros e azinheiras a morrer no Alentejo? Que as ondas de calor se tornaram mais frequentes? Que a floresta de Portugal está a diminuir, consumida pelos incêndios? Que a chuva já não cai como antes? Que os Invernos estão mais curtos? Que os mosquitos da febre de dengue encontraram condições para espalhar um surto na ilha da Madeira? Que, devagarinho, acontece uma subida do nível do mar? São apenas alguns dos efeitos das mudanças climáticas em Portugal. 
A lista de fenómenos, mais ou menos visíveis, registados em Portugal que resultam das alterações climática é longa. Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), destaca a diminuição da precipitação, acompanhada de uma mudança do seu regime.
“A diminuição traduz-se, se fizermos uma média por década a partir de 1960, em 40 milímetros por década no Sul de Portugal. Ou seja, em 56 anos, estamos a falar de mais 200 milímetros, o que é muito significativo”, especifica o físico, referindo-se a dados da Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla em inglês). O problema, diz o especialista, não é exclusivo de Portugal e abarca toda a Península Ibérica onde, segundo os mesmos dados da EEA, a precipitação anual diminuiu até um máximo de 90 milímetros por década, desde 1960.
Infelizmente, este mau indicador parece manter a sua tendência. “Este ano é mais um exemplo disso. Estamos a ter uma precipitação reduzida, relativamente à média de há 60 ou 70 anos. Isto tem impactos muito significativos na agricultura e também no montado”, avisa. Por outro lado, nota, também se percebe que o padrão da chuva mudou e que, quando realmente chove, chove muito e durante pouco tempo. O que, entre outros efeitos, significa muitas vezes cidades inundadas por cheias.
Nas cidades sentem-se as cheias mas não a falta da chuva que, aliás, (quando cai) incomoda muita gente. “As pessoas que vivem na cidade não notam a diminuição da precipitação, abrem a torneira e têm água e de qualidade. A chuva é uma chatice”, reconhece Filipe Duarte Santos, que acrescenta que “é muito diferente quando se é um agricultor no interior do país”. É preciso enfrentar este problema e planear uma resposta, sem esquecer que a solução tem de ser discutida com os nossos vizinhos espanhóis com quem partilhamos recursos importantes para nos adaptarmos a estes desafios, recomenda o físico.
“Por outro lado, temos as ondas de calor”, continua Filipe Duarte Santos. Apesar de considerar que Portugal se tem adaptado bem a este fenómeno, com um programa de alerta dirigido à população, chamado Ícaro e que é da responsabilidade da Direcção-Geral da Saúde, o físico lembra que as ondas de calor são hoje mais frequentes. E há mais: “Também temos a questão dos fogos florestais. Com temperaturas mais altas e menor precipitação, o risco de incêndio florestal aumenta. Portugal é o único país do Sul da Europa em que a área florestal está a diminuir, por causa dos incêndios”, assinala.
A privilegiada localização deste cantinho da Europa à beira-mar também tem desvantagens. “Há ainda a subida do nível do mar”, acrescenta Filipe Duarte Santos, que confirma que as projecções mais extremas apontam para uma subida média de um metro em 2100.
O investigador também foi o coordenador geral do ClimAdaPT.Local, um projecto para capacitar os municípios para as adaptações às alterações climáticas e ensiná-los a definir estratégias de adaptação. A verdade é que, para já, as mudanças do clima não afectam muito o dia-a-dia da maioria da população portuguesa. “Os problemas nos países desenvolvidos são mais facilmente resolvidos porque temos situações económicas mais favoráveis. Mas se pensar no Sahel, em África, no Mali, na República Centro Africana, na Nigéria, na Etiópia, na Somália, o que se está a passar é dramático! Eles também estão a ter secas mais frequentes mas não têm condições para se adaptar, se a agricultura falha as pessoas têm fome.”
Os problemas em África não parecem ter uma voz mediática mas há um “grito” que se ouve desde o Árctico, que nos últimos anos registou temperaturas invulgarmente elevadas e uma perda de gelo marítimo recorde. “O Árctico e a Antárctica, mas sobretudo o Árctico, são uma espécie de altifalante das alterações climáticas. É uma coisa completamente evidente e é por isso que os senhores decisores políticos vão visitar o Árctico para verem com os seus olhos que realmente há qualquer coisa que está a mudar profundamente no nosso planeta.”
Se fosse possível viajar no tempo e espreitar o futuro de Portugal em 2100, numa viagem maldita em que tudo corresse mal, veríamos um país sem montado, sem sobreiros e azinheiras. É apenas um exemplo. “Se não se cumprir o Acordo de Paris, o futuro do Sul de Portugal e de Espanha apresenta uma grande tendência para a desertificação. Se em Portugal tivermos um aumento de temperatura média global superior a dois graus Célsius até ao fim do século, o ecossistema do montado do Sul dificilmente resiste”, admite Filipe Duarte Santos. Por isso, conclui, a decisão de Donald Trump retirar os EUA do Acordo de Paris é “egoísta”. “Está a defender os interesses das grandes companhias e do lobby dos combustíveis fósseis, mas os países mais vulneráveis – e Portugal é vulnerável no contexto europeu mas há muitos outros países numa situação bastante mais vulnerável –, vão sofrer com isso.” 
Andrea Cunha Freitas
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Fonte: PÚBLICO

quinta-feira, 1 de junho de 2017

6254. PORTUGAL CONTINENTAL: Nevoeiro persistente na costa ocidental

Imagem de satélite às 18h50
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Fonte: SAT24

6253. Quinta-feira, 1 de Junho (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
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Reguengos (São Pedro do Corval) – 34,6 ºC
Amareleja – 34,3 ºC
Elvas – 33,8 ºC
Mértola (Vale Formoso) – 33,6 ºC
Portel (Oriola) – 32,8 ºC
Avis (Benavila) – 32,6 ºC
Évora (Aeródromo) – 32,6 ºC
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Leiria (Aeródromo) – 19,4 ºC
Figueira da Foz (Vila Verde) – 19,4 ºC
Dunas de Mira – 19,0 ºC
Aveiro (Universidade) – 18,9 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 18,5 ºC
Cabo Raso – 18,3 ºC
Cabo Carvoeiro – 17,9 ºC
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Fonte: IPMA