segunda-feira, 22 de agosto de 2016

5866. Resumo Climatológico – 1ª quinzena de Agosto de 2016

O período de 1 a 15 de Agosto de 2016 em Portugal Continental foi extremamente quente.
A temperatura média do ar, 25.1 °C foi 2.9 °C acima do valor médio mensal; a temperatura máxima foi superior em 4.5 °C e a temperatura mínima, 1.1°C Em particular o período de 5 a 14, caracterizou-se pela persistência de valores muito altos de temperatura máxima do ar (superiores a 31 °C na média do território Portugal continental), sendo de destacar os dias 6, 7 e 8 em que foram registados valores ≥ 43 °C em algumas regiões e a média do país ter ultrapassado os 38 °C nos dias 7 e 8 (dias mais quentes do ano).
No dia 7, foram ultrapassados os anteriores maiores valores da temperatura máxima em Porto/P.R, Porto/ S. Gens, Braga, Leiria e Mora. O maior valor da temperatura mínima do ar, 27.9 °C ocorreu em Lisboa/Geofísico na madrugada do dia 7 e igualou o anterior máximo registado em 2/8/2003.
Entre os dias 5 e 13 de Agosto ocorreu uma onda de calor (duração entre 8 e 9 dias) nas regiões de Lisboa e Setúbal (Torres Vedras/Dois Portos, Lisboa/Geofísico, Santarém/Fonte Boa, Setúbal e Alcácer do Sal), do Norte (Braga), e do Centro (Lousã e Anadia).
Ocorrência de noites tropicais nos dias 7 e 8 de Agosto em cerca de metade do território, que associadas a dias muito quentes ou extremamente quentes (temperatura máxima ≥35 ou 40 °C) contribuiu para uma sensação de desconforto térmico acentuada e prolongada.
Não foi registada precipitação na primeira quinzena do mês de Agosto na rede de estações do IPMA, em Portugal continental, com excepção da manhã do dia 4 de Agosto no litoral da região Norte e na tarde do dia 9 na região de Miranda do Douro.
De acordo com o índice meteorológico de seca PDSI, a 15 de Agosto de 2016, 25% do território, as regiões do Alentejo e Algarve, encontravam-se em situação de seca fraca.
De referir ainda a sequência de valores da temperatura do ar superiores a 30 °C, associados ao elevado número de horas com valores da humidade relativa do ar inferiores a 30% e da velocidade instantânea do vento (rajada) superiores a 30 km/h; em particular nas regiões do Norte e Centro, nos dias 6 a 8 e 10 a 12, os valores da rajada variaram, em geral entre os 40 e os 70 Km/h e os valores da humidade relativa foram mesmo inferiores a 20%.
O índice de risco de incêndio florestal apresentou valores muito elevados no período de 6 a 13 de Agosto, nas regiões do Norte e Centro.
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Fonte: IPMA

5865. RISCOS DE SECAS EM PORTUGAL CONTINENTAL

Verifica-se a ocorrência de um elevado número de secas em Beja, 28, seguido de Évora com 25, Porto com 23 e Lisboa com 21. Alguns episódios de seca destacam-se, não só pela sua duração, mas também pelo número de meses consecutivos em situação de seca severa e extrema.
Em termos de duração há a realçar:
• 1933 –1935 no Porto (26 meses), Lisboa (15 meses) e Beja (28 meses)
• 1943 – 1946 no Porto (38 meses), Lisboa (26 meses), Évora e Beja (29 meses)
• 1953 –1955 no Porto (25 meses), Évora (23 meses) e Beja (24 meses)
• 1973 – 1976 em Lisboa (28 meses) e Évora (18meses)
• 1979 – 1982 em Évora (33 meses)
• 1991 – 1992/3 em Lisboa e Beja (24 meses), Évora(18 meses)
• 1994 – 1995 em Lisboa (22 meses), Évora e Beja (20 meses)
• 2004 – 2006 em Beja, (33 meses), Évora, Lisboa e Porto (16 meses).
Em termos de intensidade (número de meses consecutivos em seca severa ou extrema) são de realçar:
• 12 meses – Beja, 1943-1946 e 1994-95
• 11 meses – Beja, 1994-1995
• 10 meses – Beja e Porto, 2004-2006
• 9 meses – Beja 1980-1981; Lisboa e Évora, 2004-2006

Verifica-se que as situações de seca de 1943-46, 1980--83, 1990-92 e 2004-06, são as que apresentam maior duração, com quase todo o território a apresentar mais de 18 meses em seca, sendo de destacar:
seca de 1943-46: 38 meses em Castelo Branco e no Porto; 30 meses em Portalegre;
seca de 1980-83: 39 meses em Alvega, 36 meses em Sagres, 35 meses em Faro;
seca de 1991-92: 34 meses em Penhas Douradas e Miranda do Douro com 30 meses;
seca de 2004-06: 36 meses em Braga, 35 meses em Amareleja e 33 em Beja.

Considerando apenas duas áreas do território, a Norte e Sul do rio Tejo, verifica-se que:
a) nas situações de seca de 1964-65, 1974-76 e 2004--06 as duas áreas foram de igual forma afectadas;
b) nas situações de seca de 1943-46, 1948-49 e 1990-92 foram mais afectadas as áreas a Norte
do rio Tejo, em particular na de 1943-46 com 72% de área afectada;
c) nas situações de seca de 1980-83, 1994-95 foram particularmente afectadas as áreas a Sul do rio Tejo.

A destacar:
-Seca de 2004-06 foi a de maior extensão territorial (100% do território afectado), seguida pela de 1943-46 (92% do território);
-Seca 2004-06 foi a situação de seca mais intensa (meses consecutivos em seca severa e extrema) em termos de extensão territorial dos últimos 65 anos (100%);
-Maior frequência de situações de secas nos últimos 30 anos (depois de 1976) quando comparado com o período entre 1941-1975.
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5864. PORTUGAL CONTINENTAL: Anomalias na precipitação total anual

Passando agora a análise da precipitação total anual no continente, é possível constatar que, a partir do início dos anos sessenta do século passado, a mesma tem vindo a registar valores cada vez mais baixos, encontrando-se nos do século XXI os valores mais baixos. Cinco dos dez anos mais secos em Portugal Continental registaram-se depois de 2001.
Relacionando a evolução da precipitação total anual com a temperatura média anual, conclui-se que a tendência em Portugal Continental segue dois parâmetros: aumento da temperatura média anual e redução da precipitação total anual. Com esta tendência, os períodos de seca tenderão a ser mais frequentes.
Nota: Tendo em conta o gráfico representado, o ano com maior défice de precipitação foi em 2005. Por curiosidade refira-se que a seca mais longa em Portugal Continental ocorreu no litoral norte (Porto: Março de 1943 a Fevereiro de 1946).
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Fonte da imagem: Pedro_Viterbo

5863. PORTUGAL CONTINENTAL: Relação entre as temperaturas médias de verão e anuais


A comparação entre os gráficos afere uma elevada correlação directa entre o aumento da temperatura média anual em Portugal Continental e o aumento da temperatura média durante o Verão. Assim, à medida que os Verões se vão tornando mais quentes, quase implica um aumento da temperatura média anual, concluindo-se que o registo de Verões cada vez mais quentes tem contribuído para a ocorrência de temperaturas médias anuais cada mais elevadas.

5862. PORTUGAL CONTINENTAL: Julho extremamente quente e muito seco

O mês de Julho de 2016, em Portugal Continental, foi extremamente quente e muito seco. O valor da temperatura máxima foi o mais alto desde 1931 e em relação à temperatura média foi o 2º Julho mais quente. O valor médio da temperatura média do ar foi de 24.33 °C, a que corresponde uma anomalia de + 2.16 °C.
O valor médio da temperatura máxima, 32.19 °C, foi muito superior ao valor normal, com uma anomalia de + 3,47 ºC; o valor médio da temperatura mínima, 16.47 °C, foi superior ao valor médio em + 0,85 ºC, e corresponde ao 8º valor mais alto desde 1931 (maior valor em 1989, 17.54 °C).
Ocorreram neste mês 2 ondas de calor: a primeira no período de 14 a 19 de Julho que abrangeu apenas a região do Vale do Tejo e a segunda no período de 23 a 30 nas regiões do interior Norte e Centro, Vale do Tejo e Alto Alentejo. De referir ainda o número de dias com temperatura máxima superior ou igual a 30 e 35 ºC que foi cerca de 1,5 a 2 vezes o valor da normal 1971-2000.
O valor médio da quantidade de precipitação, 3.1 mm, foi inferior ao valor normal (13,8 mm). Valores da quantidade de precipitação inferiores ao registado neste mês de Julho ocorrem em cerca de 25 % dos anos (desde 1931).
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Fonte: IPMA

5861. Segunda-feira, 22 de Agosto (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
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Lousã (Aeródromo) – 41,1 ºC
Tomar (Valdonas) – 40,9 ºC
Alvega – 39,9 ºC
Pinhão (Santa Bárbara) – 39,4 ºC
Portalegre (Cidade) – 38,8 ºC
Portel (Oriola) – 38,8 ºC
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Sines – 27,8 ºC
Viana do Castelo (Chafé) – 27,5 ºC
Almada (P. Rainha) – 26,6 ºC
Dunas de Mira – 26,1 ºC
Figueira da Foz (Vila Verde) – 23,6 ºC
Cabo Raso – 19,3 ºC
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Fonte: IPMA

terça-feira, 16 de agosto de 2016

5860. IPMA: No olho do furacão (uma manhã com meteorologistas)

"A situação está muito complicada amanhã”. São 10h25 de quarta-feira e para Nuno Moreira isso é uma novidade. O chefe da divisão de Previsão Meteorológica, Vigilância e Serviços Espaciais do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) acaba de entrar na sala e é rapidamente informado sobre o tempo que vai estar esta quinta-feira. As notícias parecem não ser animadoras para o público, mas deixam os meteorologistas entusiasmados.
Portugal vai ser atravessado por um sistema frontal que trará chuva forte até meio da tarde. Segue-se um período de aguaceiros e, mais para o fim do dia, outro sistema frontal atinge o território nacional. Ou seja, mais chuvas fortes.
É isto. E é isto mesmo que, quinze minutos depois, a meteorologista Sandra Correia vai dizer na videoconferência diária que os especialistas do IPMA têm com alguns elementos da Protecção Civil. Nuno Moreira precisa: entre quinta e sábado, no Minho e Douro Litoral, esperam-se 150 milímetros de chuva, um valor relativamente elevado que poderá motivar medidas preventivas da Protecção Civil. Mas isso é lá com eles. No IPMA, a acção escolhida foi para já a emissão de avisos amarelos, que podem tornar-se laranja mais tarde, caso a situação o justifique.
Eram 6h50 quando Paula Leitão notou a chegada do segundo sistema frontal. Olhando para os vários ecrãs de computador espalhados pela secretária, um leigo não veria mais do que um mapa da Península Ibérica coberto de manchas amarelas, laranjas e verdes que se deslocavam de norte para sul. Mas a meteorologista, já com quase onze horas de trabalho às costas, identificou nessas manchas um foco de atenção que até aí não existia. “Como é que eu escrevo isto?”, pergunta, de olhos postos no computador onde tem escritas as previsões do tempo para o dia. “Temos chuva, depois passa a aguaceiros e volta a chuva forte…”
De Deus e da matemática – Para quem está habituado a números, símbolos e mapas, lidar com as palavras pode ser difícil, sobretudo quando não se deve entrar em detalhes excessivos, sob o risco de os textos se tornarem incompreensíveis. “Às vezes percebemos o que vai acontecer, mas não conseguimos explicar. Só com um boneco e uma palestra de dez minutos” isso seria possível, ri-se Paula, que, às 7h20, quando os primeiros raios de sol estão a surgir, decide emitir os avisos amarelos e deixar definitivamente claro que há nuvens a aproximar-se no horizonte.
No instituto desde 1990, Paula Leitão ainda é do tempo em que poucos radares meteorológicos havia, imagens de satélite eram uma miragem e grande parte do trabalho fazia-se à mão. Hoje, na sala das previsões meteorológicas, o que salta logo à vista é um enorme video-wall de nove televisões onde há gráficos, mapas, imagens de satélite e de radar em constante movimento. Em 24 anos muita coisa mudou, os modelos usados melhoraram significativamente e até já é um programa informático que prevê as temperaturas, mas as falhas não se podem evitar.
Não há modelo matemático nenhum que consiga prever a natureza. É preciso fazer aproximações. Modelar a natureza é uma obra para Deus, não é para os matemáticos”, diz a meteorologista.
E, por isso, “há uma boa receptividade, as pessoas acham que fazemos um bom trabalho”, considera Ângela Lourenço, que às 7h50 já está a ouvir de Paula as conclusões do trabalho da noite e prepara-se para assumir o controlo a partir daí. “Há uma tentativa de eficiência: os colegas alertam para os pontos com os quais nos devemos preocupar. Temos de ser selectivos”, diz. Esta quarta-feira, devido às previsões para quinta, que são actualizadas ao longo do dia, o mais crítico era a precipitação, o vento e a agitação marítima.
Está lá? É do tempo? – A sala que o centro operacional de previsão de tempo ocupa fica no segundo andar do edifício-sede do IPMA, no aeroporto de Lisboa. Além da equipa responsável pela meteorologia em Portugal Continental e na Madeira (os Açores têm um departamento próprio), no espaço trabalham também meteorologistas especializados na previsão aeronáutica e observadores – a estes compete interpretar dados recebidos das estações meteorológicas espalhadas pelo país e perceber se estas estão a trabalhar normalmente ou se há anomalias.
A partir das 8h, quando entra o turno do dia, a principal prioridade é preparar a videoconferência com a Protecção Civil, que ocorre todos os dias às 10h40. Depois de o sossego da madrugada ser perturbado momentaneamente enquanto as equipas que saem e entram falam entre si, o silêncio regressa à sala e Sandra Correia lança-se à criação de uma apresentação de PowerPoint. Tem mais ou menos duas horas e meia para preparar um conjunto de cinco ou seis diapositivos. Parece fácil, mas envolve ler e reler mapas, ler e reler observações, ler e reler gráficos. E, por vezes, atender telefones.
Nunca nos podemos esquecer de uma coisa: somos serviço público. Quem nos paga são os portugueses, trabalhamos para os portugueses”, refere Ângela Lourenço, que se encarrega da conversa para não perturbar Sandra. E encarrega-se também de atender o telefone aos jornalistas e outras pessoas que ligam para saber como vai estar o tempo.
Há uns anos, os meteorologistas não recebiam chamadas a perguntar pelo estado do tempo, mas isso mudou e agora é normal o telefone tocar. Ligam jornalistas e produtores de cinema e televisão, mas, para Ângela, “a senhora que quer estender a roupa também tem direito”. E, porque essa senhora poderá não ter acesso à internet, – onde o estado do tempo é permanentemente actualizado –, existe um serviço, que talvez muitos desconheçam, de teletempo. É o 760 786 774, custa sessenta cêntimos mais IVA e, através de um sistema automático, informa quem liga sobre a meteorologia para todo o continente e ilhas. Antigamente, quem telefonava podia escolher sobre que região queria informações, mas os cortes financeiros tornaram o serviço apenas nacional.
O mundo no laboratório, o laboratório no mundo – Em nome da eficiência financeira, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera foi criado, em Março de 2012, pela fusão de uma série de outros institutos públicos das áreas do mar e pescas, geologia marinha e projectos de investigação em transportes marítimos. E também pela inclusão dos serviços do Instituto de Meteorologia, que sempre ocupou as instalações do aeroporto de Lisboa e onde chegaram a trabalhar centenas de pessoas na vigilância meteorológica e sismológica.
“Até relojoeiro havia”, diz Joana Sanches, meteorologista que se ocupou durante a noite das previsões para o estado do mar, enquanto faz a visita guiada ao segundo andar. Chegada ao instituto em 2005, Joana já não conheceu o relojoeiro, que trabalhava para que todos os relógios estivessem sincronizados com os da Organização Meteorológica Mundial, a entidade “extremamente rigorosa” que tem como missão “coordenar todos os países para seguirem os mesmos procedimentos” no que à meteorologia diz respeito.
Com a criação do IPMA, “houve uma grande remodelação” não só nas estruturas da entidade como na própria disposição dos andares e das pessoas, conta Joana. Ao mesmo tempo, lembra Ângela, o número de procedimentos automatizados aumentou “e isso é bom”, mas há muito mais informação para processar – e “o equilíbrio [do número] de pessoas necessário não é fácil de encontrar”.
Quando vai ao baú das memórias dos quase vinte anos que já leva no instituto, Ângela separa os momentos marcantes entre aqueles que afectaram o público e aqueles que só a entusiasmaram enquanto cientista. “Tenho de estar permanentemente a estudar, não só de me actualizar, mas de estudar, de aprender”. Para a sua história pessoal ficam os episódios dos temporais do Outono de 1997 (escassos meses depois de ter começado a trabalhar ali), as ondas de calor e os incêndios de 2003 e 2005 e o temporal da Madeira em 2010.
Todos os episódios com vítimas mortais são os que mais nos marcam. Um dos grandes problemas da meteorologia é que não conseguimos simular em laboratório o fenómeno no seu conjunto, só em partes. Por isso, os fenómenos são o laboratório”, afirma.
Ainda há pouco tempo, uma das situações com que os especialistas do IPMA tiveram de lidar foi a inundação de algumas zonas de Lisboa, por duas ocasiões. “Foi uma situação complicada”, admite Ângela Lourenço, que destaca frequentemente que a missão do instituto é promover a “salvaguarda de vidas e bens”. Neste caso específico, todos foram apanhados de surpresa. “Os fenómenos meteorológicos de escala inferior a dez quilómetros são muito difíceis de captar” antes de ocorrerem, remata.
À espera da chuva – Notar-se-ia na voz de Sandra Correia um certo tom de nervosismo? Seja como for, a videoconferência acabou e a Protecção Civil já sabe que se aproxima mau tempo. Com base nessa informação, esta entidade emite um comunicado de “aviso à população” onde se deixam alguns conselhos para lidar com o tempo adverso.
Agora, compete aos meteorologistas de serviço saber se as previsões se confirmam exactamente como esperam. Para já, esta quinta-feira está a ser, de facto, chuvosa. Se se confirma a gravidade esperada, só as observações o dirão.
10h55. Apagam-se as luzes na sala da videoconferência. No centro operacional de previsão do tempo, é altura de monitorizar o avanço das frentes frias e da nebulosidade. Depois da azáfama da preparação do PowerPoint, a calma parece ter regressado à sala. Sandra regressa aos seus afazeres, Ângela vai ajudá-la. Mas, entre as equipas de previsão meteorológica do IPMA, os tempos mortos não existem. Toca o telefone: uma estação de televisão chegará às 11h30 para saber as últimas. E um novo rebuliço se levanta.
João Pedro Pincha
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Fonte: Observador

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

5859. PROJECTO FRIESA: risco e impacte potencial de frio

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Instituto Ricardo Jorge) e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em conjunto com outras entidades, pretendem desenvolver um teste piloto, nos distritos de Lisboa e Porto, que permita prever, diariamente, o risco e impacte potencial de temperaturas extremas baixas na mortalidade da população, durante o inverno de 2015/16. Este teste piloto surge na sequência do projecto FRIESA (FRIo Extremo na SAúde), realizado em parceria pelo IPMA e o Instituto Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Epidemiologia, e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
O projecto FRIESA teve como objectivo principal desenvolver modelos estatísticos para a previsão da mortalidade associada a temperaturas extremas baixas durante o Outono e Inverno, nos distritos de Lisboa e do Porto. Pretendia-se ainda que os modelos desenvolvidos servissem de base para a implementação de um sistema de vigilância, equivalente ao ÍCARO, e monitorização das temperaturas observadas e previstas, predizendo, diariamente, o risco e impacte potencial de temperaturas extremas baixas na mortalidade da população.
Este sistema, uma vez implementado, facultará aos decisores na área da saúde, em especial em Saúde Pública, informação atempada que apoie a preparação e adequação dos níveis e tipos de intervenção em situações de perigosidade associadas ao frio extremo com efeitos na saúde.
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5858. PROJECTO ÍCARO: Impacto das ondas de calor

Apresentação: ÍCARO é um instrumento de observação no âmbito do qual se estuda o efeito de factores climáticos na saúde humana. Trata-se de um projecto nacional que engloba actividades de investigação, vigilância e monitorização, fundamentalmente, do efeito de ondas de calor na mortalidade e morbilidade humanas.
No que se refere à vigilância e monitorização de ondas de calor com potenciais efeitos na saúde humana, sazonalmente, implementa-se o Sistema de Vigilância Ícaro. Este sistema começou a ser desenvolvido em 1999, em parceria com o Instituto de Meteorologia e conta com a participação da Direcção Geral da Saúde e da Autoridade Nacional de Protecção Civil. Desde 2004 faz parte integrante do Plano de Contingência de Ondas de Calor.
Metodologia: O "Sistema de Vigilância ÍCARO" é activado, todos os anos, entre Maio e Setembro emitindo relatórios diários do Índice Alerta Ícaro. É constituído por três componentes:
  1. A previsão dos valores da temperatura máxima a três dias realizada pelo CAPT do IPMA e comunicada ao DEP, todas as manhãs;
  2. A previsão do excesso de óbitos eventualmente associados às temperaturas previstas, se elevadas, realizada pelo DEP, através de modelos estatísticos desenvolvidos para esse fim;
  3. O cálculo dos índice Alerta ÍCARO, que resumem a situação para os três dias seguintes, calculado com base na previsão dos óbitos.
Este conjunto de operações é realizado diariamente. Os valores dos índices Alerta ÍCARO são disponibilizados todos os dias úteis, através da edição do boletim ÍCARO, que é divulgado por via electrónica (e-mail) directamente a um grupo restrito de decisores, profissionais e serviços públicos, ou com relação contratual com o Ministério da Saúde, que têm responsabilidade na decisão e prestação de cuidados, de nível populacional ou individual, à população presente em Portugal. Sempre que as previsões da temperatura e o valor do Índice Alerta Ícaro o aconselharem, é transmitida uma recomendação de alerta de onda de calor a estas entidades.
As situações de alerta, as medidas de contingência e a respectiva informação à população são disponibilizadas à população pela DGS e as ARS de acordo com o estabelecido no Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas – Módulo Calor.
Contactos: Susana Pereira da Silva, (+351) 217 526 488, susana.pereira@insa.min-saude.pt / icaro@insa.min-saude.pt, Morada: Av. Padre Cruz. 1649-016 Lisboa
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domingo, 14 de agosto de 2016

5857. Incêndios: fogo de S. Pedro do Sul 70% dominado

O incêndio que está a lavrar em S. Pedro do Sul, distrito de Viseu, e o incêndio em Celorico da Beira, na Guarda, são nesta altura os que mais preocupam a Autoridade Nacional de Protecção Civil. O incêndio em São Pedro no Sul é aquele que, de acordo com a página da Protecção Civil, mobiliza mais meios no terreno. Às 21:50, o incêndio envolvia 988 operacionais, apoiados por 292 meios terrestres e 1 meio aéreo.
O incêndio, que já dura há uma semana, mantém três frentes activas. Começou em Arouca mas rapidamente se estendeu ao concelho vizinho. Chegou a ser considerado dominado no início da noite de sexta-feira, mas voltou a estar activo. Aliás, em São Pedro do Sul, as chamas não estão a dar descanso. Várias casas já arderam e pelo menos 12 pessoas ficaram desalojadas. Há ainda várias aldeias em risco.
A ministra da Administração Interna passou este domingo pelo quartel de bombeiros de São Pedro do Sul e afirmou que o incêndio já está 70% dominado. “O incêndio ainda não está completamente dominado, temos 70% dominado e 30% para combater”, disse a ministra aos jornalistas, após uma visita realizada ao final da tarde ao posto de comando de S. Pedro do Sul.
A governante frisou que, hoje, estiveram, no combate às chamas, 11 meios aéreos, e disse esperar que, "com o entrar da noite e com a humidade", os bombeiros que se encontram actualmente no terreno possam debelar o incêndio. Constança Urbano de Sousa considerou que este não é o momento para fazer "uma análise da forma como este incêndio foi combatido", mas sim de deixar trabalhar bombeiros, presidentes de câmara, Instituto Nacional de Emergência Médica, pilotos e Forças Armadas.
“Temos que deixar primeiro combater, vencer esta batalha, que é uma batalha dura, mas que vamos vencer, no meio desta guerra que temos que são os incêndios florestais”, sublinhou. A governante disse que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, haverá "uma acalmia do tempo a partir da próxima semana", o que permitirá que os bombeiros descansem.
“Eles vão sendo rodados com aqueles que estão a sul do país e que não têm tido uma tarefa muito exigente. Naturalmente aqueles que são do local, poderão estar mais exaustos, mas existe sempre essa preocupação de os rodar”, garantiu. Instada a comentar queixas relativas à falta de alimentação, a ministra disse não acreditar "que haja bombeiros que passem fome, porque além de a protecção civil assegurar a alimentação, toda esta catástrofe gerou uma enorme onda de solidariedade, com as pessoas a doarem bens", causando até muitas vezes "alguma dificuldade logística nas corporações". “Provavelmente naquele momento não tinha acesso a uma refeição, mas seguramente que essa refeição estava garantida”, explicou. O incêndio de Celorico da Beira, na freguesia de Mesquitela, mobilizava, às 21:50, 96 operacionais apoiados por 26 meios terrestres.  
No Porto, já foi desactivado o Plano Distrital de Emergência (PDE), que tinha sido accionado há uma semana. Este domingo ficou ainda marcado pela avaria de dois aviões que combatiam os incêndios. Por volta das 13:00, um dos aviões russos que chegaram no sábado a Portugal e o Canadair marroquinos tiveram avarias quase em simultâneo deixando de estar operacionais. Durante a manhã, os dois aviões russos tinham estado a combater fogos em Penha do Gerês, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Questionada sobre as avarias registadas nos meios aéreos que vieram apoiar Portugal, a ministra da Administração Interna afirmou que "têm sempre pequenos problemas, mas todos eles vêm acompanhados de uma equipa técnica que está sempre a fazer as reparações que são necessárias". “É normal que muitas vezes existam pequenas avarias ou pequenas falhas técnicas, mas para isso é que existe, nas bases aéreas, todo um dispositivo de técnicos que reparam prontamente, muitas vezes da noite para o dia, até de uma hora para a outra e, portanto, estão neste momento operacionais”, acrescentou. 
Segundo Constança Urbano de Sousa, estes meios aéreos deverão manter-se em Portugal enquanto forem precisos. “Vão manter-se agora aqui, e vão prestar seguramente amanhã (segunda-feira), se for necessário, ainda um contributo muito prestimoso”, acrescentou.
Às 20:40 mantinham-se activos 70 incêndios florestais, em Portugal Continental, cujo combate envolvia 2541 operacionais e 835 meios terrestres, segundo a página da Protecção Civil.
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Fonte: TVI24

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

5856. Proteção Civil pede para populações seguirem "rigorosamente" as instruções



O comandante nacional da Protecção Civil, pediu esta quinta-feira à população que siga "rigorosamente" as instruções das autoridades, considerando que o período de incêndios que se está a atravessar é de "gravidade significativa". "Sigam rigorosamente as instruções das autoridades, nomeadamente através dos seus serviços municipais de protecção civil", recomendou o comandante nacional da Protecção Civil, José Manuel Moura, em declarações aos jornalistas.
José Manuel Moura, que falava no comando operacional da Protecção Civil, em Carnaxide, Lisboa, explicou que toda a informação disponível é transmitida para os respectivos distritos e, destes, para os municípios e para as juntas de freguesia. Por isso, insistiu, é preciso que as pessoas "sigam rigorosamente" as instruções que são dadas pelas autoridades de protecção civil e pelas forças de segurança, porque podem existir circunstâncias em que é necessário optar pela evacuação "como procedimento cautelar".
"Não é necessariamente pelo facto de haver evacuação que tem de haver risco associado", referiu, vincando que, por vezes, "são medidas preventivas que têm de ser tomadas". Quanto às condições climatéricas, o comandante nacional disse que Portugal está "a atravessar uma severidade extrema", prevendo-se que no fim-de-semana não seja "tão extrema em termos de vento".
"Hoje, ainda vamos sentir, amanhã ainda vamos sentir a questão do vento, o que vai acontecer até segunda-feira é voltarmos às condições do passado fim-de-semana, que não foi vento, mas sim valores de calor de 38, 39, 40 graus", disse, classificando o actual período como de "uma gravidade significativa". José Manuel Moura recordou ainda que se irá manter o nível de alerta laranja até domingo, o "que obriga a 50% do grau de mobilização de todo o dispositivo e até seis horas o seu estado de prontidão".
"Este é um combate desigual, estamos a lutar com um inimigo desigual, que não defende, só ataca, que é o fogo", sublinhou.
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Fonte: DN

5855. Incêndios: seis mil homens e 52 aviões combatem 150 fogos

"Neste momento, estão 5.975 operacionais empenhados nos combates aos incêndios florestais em Portugal", afirmou José Manuel Moura, em declarações aos jornalistas no comando operacional da Protecção Civil. José Manuel Moura adiantou que no combate às chamas também estavam envolvidos 52 meios aéreos, dos quais 47 são portugueses, a que se juntaram um avião 'canadair' italiano, dois marroquinos e dois espanhóis.
Dos mais de 150 incêndios activos, o comandante nacional referiu que 15 estão a merecer um "empenhamento especial", sendo o distrito de Aveiro aquele que se apresenta com "uma maior actividade e empenho operacional", nomeadamente os concelhos de Águeda, Arouca, Albergaria, Castelo de Paiva e Anadia. "São cinco teatros de operações com um empenhamento operacional muito significativo", afirmou, sublinhando que em alguns locais os meios aéreos estão a sentir dificuldades em operar, devido ao fumo dos próprios incêndios. "Mesmo agora tive de tirar um [meio aéreo] do distrito de Aveiro, onde está a fazer muita falta, mas que neste momento não pode operar aí", referiu.
José Manuel Moura destacou ainda os fogos que estão a ocorrer no distrito de Braga, nomeadamente em Viera do Minho e Vila Nova de Famalicão, e no distrito do Porto, no concelho de Paredes.
No distrito de Viana do Castelo, acrescentou, existem também três situações "muito preocupantes" - Vila Nova de Cerveira, Arcos e Caminha - que se prolongam no tempo desde há dois dias.
No distrito de Vila Real merece destaque, disse, o incêndio de Montalegre, e no distrito de Viseu, os fogos nos concelhos de Resende, Santa Comba Dão e Viseu.
Questionado se os meios aéreos que estão a operar em cada incêndio são suficientes, o comandante nacional da Protecção Civil respondeu que "cada teatro de operações tem a sua especificidade e não é uma mera soma aritmética". Relativamente ao apoio europeu que está a ser dado a Portugal e interrogado se estava à espera de mais meios, José Manuel Moura lembrou que é "um operacional" e que tem de trabalhar com os meios que são colocados à sua disposição. "Os meios que eu tenho são estes e é com estes que tenho de resolver este problema", sublinhou.
Quanto aos meios operacionais, o comandante nacional referiu que o dispositivo efectivo operacional é constituído por mais de nove mil homens, existindo ainda mais 30 mil voluntários, dos quais 29 mil bombeiros, que concorrem também para as rendições que estão a acontecer "na ordem das 24 horas". "Onde se está a verificar uma maior dificuldade [de rendição] é nos corpos de bombeiros ou nos agentes em que é o seu concelho que está a ser afectado, ou seja, o concelho de Águeda, Arouca, Castelo de Paiva, aí a dificuldade é maior porque quase todos estão empenhados", afirmou.
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Fonte: OJogo

5854. Episódio de tempo excecionalmente quente no Funchal (8 a 10 de Agosto)

A acção conjunta de um anticiclone localizado a noroeste da Península Ibérica e de uma depressão centrada em Marrocos influenciaram o estado do tempo no arquipélago da Madeira. Em particular, na região do Funchal os efeitos orográficos reforçaram as condições meteorológicas, nomeadamente os valores elevados da temperatura do ar, valores baixos da humidade e o aumento da intensidade do vento.
Entre o dia 8 às 06 h e o dia 10 às 06 h, o Funchal foi afectado por tempo excepcionalmente quente. Análise preliminar dos dados registados indica que não tem comparação com o passado, em particular no que diz respeito às temperaturas mínimas registadas, desde 1949 (data em que tiveram início as observações, no Observatório Meteorológico do Funchal).
Neste período de 48 horas, a temperatura do ar foi sempre superior a 28 °C: acima de 32 °C em 92 % do tempo; acima de 35 °C em 35 % do tempo. O maior valor registado da temperatura máxima foi 38,2 °C, no dia 9 às 16:10 h, comparável ao maior valor de que há registo no Funchal, 38,5 °C, no dia 10 de agosto de 1976.
A temperatura mínima, extremamente alta, registada no dia 9 de agosto foi 29,6 °C, ficando agora 3,7 °C acima do anterior máximo, 25,9 °C, registado no dia 12 de agosto de 1976.
As temperaturas altas referidas estiveram associadas a valores da humidade relativa inferiores a 30 % e vento moderado, com rajadas que variaram entre 50 e 80 km/h, em particular durante o dia 9 de agosto.
Estas condições meteorológicas excepcionais, antecedidas já por dias quentes e secos, em particular o dia 5, em que foi registada uma máxima de 37,8 °C, condicionaram fortemente os acontecimentos dos dias 8 e 9 de agosto de 2016.
Os próximos 5 dias serão, em todos os aspectos meteorológicos, mais amenos, com temperaturas máximas a variarem entre 27 e 32 °C e as mínimas entre 21 e 23 °C.
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Fonte: IPMA