Um consórcio de especialistas de Portugal, Espanha e França desenvolveram uma aplicação informática que vai este verão permitir acompanhar a evolução dos fogos em tempo real e a carga de combustível existente nos terrenos, foi hoje revelado. Em declarações à Lusa, o Comandante da Sub-região das Terras de Trás-os-Montes, representante da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, um dos parceiros portugueses do projecto europeu USE4FOREST, explicou que “esta nova aplicação [‘app’] vai entrar em funcionamento no período crítico de incêndios que vai de Julho a Setembro, para se perceber a suas potencialidades na organização e combate aos incêndios, bem como a deslocação de meios de combate, humanos e motorizados, para as zonas mais críticas”.
Segundo João Noel Afonso, que falava no final de um encontro dois dias entre parceiros que decorreu em Bragança, outro dos objectivos desta ‘app’ passa por analisar os locais com maior carga de combustível nas regiões despovoadas de fronteira, e, assim, haver uma melhor coordenação entre os agentes envolvidos em cada acção, seja de combate ao fogo, ou ordenamento do território. O comandante disse que este projecto é encarado com muito optimismo, dadas as suas potencialidades e vontade que no seu final sejam indicados caminhos correctivos, para prevenir os incêndios de modo geral. “A tipologia dos incêndios tem vindo a mudar, nos últimos anos, fruto das alterações climáticas, sendo cada vez mais violentos e catastróficos e pretendemos inovar na gestão da floresta para evitar maiores”, vincou.
Da Junta da Galiza, entidade chefe de fila do projecto, Ina Bárrio Blanco avançou que outros dos objectivos imediatos é articular uma acção mais rápida para a extinção dos incêndios florestais e trabalhar em conjunto na prevenção dos fogos, com recurso a uma nova estratégia assente na limpeza e monitorização dos terrenos. “Os incêndios em Espanha, França e Portugal em 2025 foram mais rápidos, mais explosivos como se não houvesse fronteira. Os fogos portugueses passam para a Galiza e Castela e Leão e os de Castela e Leão passam para Portugal. Desta forma, procuramos cooperação entre as diferentes entidades de cada país”, indicou a responsável.
Segundo o secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Terras de Trás-os-Montes, este projecto compreende ainda a execução de um conjunto de “projectos piloto” a desenvolver por Portugal, Espanha e França, com o com objectivo de tornar a florestas mais resiliente aos incêndios. Financiado por 2,2 milhões de euros fundos europeus, e com um investimento total de quase três milhões, o projecto USE4FOREST, envolve 14 entidades de três países do Sudoeste Europeu (SUDOE).
Visando desenvolver estratégias inovadoras para a prevenção de incêndios florestais e a valorização dos espaços florestais na região, o projecto teve início a 01 de Janeiro de 2024 e tem conclusão prevista para 31 de Dezembro deste ano, sendo as conclusões apresentadas no primeiro trimestre de 2027.
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Fonte: O Minho
















