quarta-feira, 13 de maio de 2026
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Segunda-feira, 11 de Maio (16h00)
Imagem de Satélite às 16h00
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Fonte: SAT24
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Tempo instável em Portugal Continental, associado à passagem de sucessivas linhas de instabilidade sobre o território do continente, em deslocamento de sudoeste para nordeste e associadas ao centro da depressão centrada a oeste da Península Ibérica. Períodos de chuva ou aguaceiros.
domingo, 10 de maio de 2026
Domingo, 9 de Maio (16h00)
sábado, 9 de maio de 2026
PORTUGAL CONTINENTAL: Tarde instável
Tarde de instabilidade em Portugal Continental com várias linhas de instabilidade sobre o território do continente, deslocando-se do litoral para o interior em progressão para nordeste e afectando sobretudo o litoral oeste; ocorrência de aguaceiros e trovoadas dispersas, por vezes com queda de granizo.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
PORTUGAL CONTINENTAL: Tempo instável
Avanço da instabilidade pelo sudoeste do território de Portugal Continental, associado a linhas de instabilidade girando em torno de uma depressão cavada a oeste da Península Ibérica. É previsível que a instabilidade progrida para o interior e para norte ao longo desta noite, originando períodos de chuva ou aguaceiros, pontualmente acompanhados por trovoadas.
Sexta-feira, 8 de Maio (12h05)
Imagem de satélite às 12h05
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Fonte: SAT24
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Tempo variável, com maior instabilidade nas regiões montanhosas do norte e centro, com ocorrência de aguaceiros e trovoadas dispersas.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Mau tempo: Três meses depois apoios continuam a chegar a “conta-gotas” (IV)
Zonas Ribeirinhas – Em 16 de Abril, o Conselho de Ministros aprovou um apoio de 76,5 milhões de euros (ME) “para reconstruir e proteger territórios ribeirinhos e costeiros” mais afectados pelo “comboio de tempestades”, em particular nas infraestruturas hídricas e no litoral, nos municípios abrangidos pela “declaração do estado de calamidade e outros nos quais a Agência Portuguesa do Ambiente [APA] identificou danos relevantes e de intervenção urgente”. Em 7 de Abril, a ministra do Ambiente tinha indicado que o Governo tem 174 milhões de euros para intervir no litoral até ao fim de 2027 e que tinham sido contabilizados 571 danos causados pelas tempestades do inverno.
Maria da Graça Carvalho apontou que as intervenções mais urgentes, que vão ser feitas antes da época balnear, correspondem a 27 milhões.
Fundo de Solidariedade Europeu – O Governo submeteu, em 13 de Abril, um pedido de apoio ao Fundo de Solidariedade da União Europeia (FSUE), declarando prejuízos superiores a 5.300 milhões de euros devido ao mau tempo. O FSUE destina-se a apoiar os Estados-membros face à ocorrência de catástrofes naturais graves ou emergências de saúde pública e a candidatura pretende ajudar na reconstrução das infraestruturas públicas afectadas e nas intervenções de emergência.
Dois dias depois, a Comissão Europeia disse ter recebido e estar a avaliar o pedido de Portugal.
Adiantamento para despesas urgentes dos municípios – O Governo publicou, em 15 de Abril, um despacho para o reforço, em 75 milhões de euros (ME), do Fundo de Emergência Municipal (FEM) como adiantamento “por conta dos contractos de auxílio financeiro que venham a ser celebrados”, para que os municípios tenham fundos para fazer frente às despesas mais urgentes decorrentes das tempestades. Os fundos devem ser utilizados na recuperação imediata de escolas e estradas municipais e outros equipamentos das autarquias locais.
O adiantamento poderá ser atribuído aos municípios com um apuramento preliminar de danos de, no mínimo, 500 mil euros e num montante que tem como limite máximo 50% do valor dos danos. A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) tinha reiterado a necessidade de um pacote financeiro para as autarquias reconstruírem infraestruturas e equipamentos, sobretudo no caso de Câmaras de pequena e média dimensão, com orçamentos e recursos escassos.
Seguros – As seguradoras pagaram, até meados de Abril, 359 milhões de euros em indemnizações por danos causados pelas tempestades, prevendo que os estragos cobertos atinjam 1.086 milhões de euros. Segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), o mau tempo tinha provocado até então 193 mil participações de sinistros, das quais 106 mil já se encontravam encerrados ou com adiantamentos efectuados.
A APS indicou que Leiria é o concelho com maior volume de perdas protegidas por seguros, seguindo-se Marinha Grande e Pombal.
Banca – Perto de 7.400 clientes particulares e empresas afectados pelo mau tempo, com créditos de 930 milhões de euros, tinham aderido, até final de Março, à moratória de créditos decretada pelo Governo, disse, esta semana, a vice-governadora do Banco de Portugal, salientando que esta informação é ainda “incompleta e provisória”. Clara Raposo afirmou que o montante dos créditos abrangidos pela moratória representa “menos de 1,5% dos créditos à habitação das famílias e 4% dos créditos concedidos a empresas” nas regiões afectadas pelas tempestades.
A vice-governadora salientou ainda que 60% dos pedidos de adesão à moratória de 90 dias partiu das empresas, maioritariamente de média dimensão e com vocação exportadora.
Programa PTRR – O Governo vai aprovar a versão final do programa “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR) na terça-feira e só nessa altura anunciará o seu valor global, disse o primeiro-ministro. O PTRR é um programa para que o país possa recuperar economicamente das consequências do mau tempo e actuar nas infraestruturas mais críticas, com medidas que devem ser executadas até 2035.
No âmbito da consulta pública do programa, a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria apresentou propostas de investimentos de 675 ME, dos quais 350 ME para a área das infraestruturas. A CCDR de Lisboa a Vale do Tejo remeteu ao Governo uma proposta com 187 projectos considerados estruturantes para a região e a prioridade da região Norte será a recuperação das infraestruturas críticas, sem esquecer a resiliência e o futuro, salientou o presidente desta CCDR, Álvaro Santos.
PRR – O valor das obras que estavam a ser realizadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que ficaram suspensas devido à tempestade Kristin rondará os 500 milhões de euros, disse, em 28 de Março, o ministro da Economia e da Coesão Territorial. Castro de Almeida sublinhou que Portugal não perderá o financiamento europeu e precisou que o dinheiro vai ser afectado a outros investimentos, enquanto as obras do PRR “serão financiadas de outra forma”.
A Comissão Europeia confirmou, em resposta à Lusa, que está a identificar, com as autoridades portuguesas, os projectos do PRR que não poderão ser executados até 31 de agosto devido às tempestades, para realocar o seu financiamento para outros fins, incluindo em esforços de reparação.
Presidência Aberta – O Presidente da República iniciou em 06 de Abril, na região Centro, a sua primeira Presidência Aberta, focada na resposta ao mau tempo, para “ajudar a minorar as dificuldades das pessoas e centrada nas soluções dos seus problemas”. António José Seguro prometeu manter a vigilância reactivamente à reconstrução da zona Centro, considerando que é preciso manter “o nível de ajuda e proximidade”, acelerar apoios e adaptar medidas.
Salientando que ainda não é o momento de uma avaliação, pediu “menos palavras e mais acção”, mas considerou que é preciso perceber o que aconteceu para “tirar ilações para o futuro”. Na semana anterior, Seguro tinha visitado Alcácer do Sal, sem anúncio prévio, para verificar, no local, o ponto de situação dos trabalhos de recuperação na sequência das cheias que afectaram toda a zona ribeirinha e campos agrícolas do concelho no início de Fevereiro.
CONCLUSÃO
26 de Abril de 2026
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Fonte: Notícias de Coimbra
terça-feira, 5 de maio de 2026
Mau tempo: Três meses depois apoios continuam a chegar a “conta-gotas” (III)
A Estrutura de Missão para a recuperação da região Centro estimou que entre 35 mil e 40 mil empresas do sector industrial, de serviços e agrícolas ficaram com danos nas zonas mais afectadas, que têm um total de cerca de 55 mil empresas.
Agricultura – O Governo pagou 3,3 ME a 431 agricultores afectados pelo mau tempo, no âmbito do apoio simplificado de 10 ME de dotação para os concelhos em situação de calamidade, anunciou o ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, em 15 de Abril. Esta semana, o Governo alargou os apoios às explorações agrícolas, aprovados na sequência das tempestades, a todas as áreas com “prejuízos relevantes”, mesmo que fora dos concelhos abrangidos pela situação de calamidade, e prorrogou o prazo para candidaturas em 60 dias úteis (até meados de Julho).
Já as candidaturas ao restabelecimento do potencial produtivo, no âmbito do Plano Estratégico da política Agrícola Comum (PEPAC), fecham em 30 de Abril.
Pescas – No sector das pescas tinham sido submetidas 1.268 candidaturas até meados de Abril, das quais foram aprovadas 511. Tinham sido pagos 245.000 euros relativos a 56 candidaturas. O Governo disponibilizou um apoio extraordinário para o sector da pesca de 3,5 ME, em particular para mitigar o impacto da paragem dos barcos, através do programa Mar 2030.
O sector da aquacultura em Portugal registou um prejuízo de, pelo menos, 1,5 ME, o mesmo valor do apoio disponibilizado através do programa Mar 2030 para a reposição de equipamentos de empresas de aquacultura, que foram destruídos pelo mau tempo. As candidaturas estão abertas até 30 de Abril.
Telecomunicações, energia e água – Três meses após o início das tempestades, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações, revelou na sexta-feira à Lusa a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). A Anacom referiu ainda que recebeu “cerca de 1.200 reclamações escritas relacionadas com os eventos meteorológicos extremos verificados no início do ano”, estando a “demora na reposição dos serviços e/ou reincidência de falhas após reparação” entre os principais problemas, bem como reportes de avaria nos serviços de telefone fixo e móvel, serviços de acesso à Internet fixo e móvel, serviço de televisão por subscrição e televisão digital terrestre.
Contactados pela Lusa esta semana, autarcas de Mação, Tomar e Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, relataram que persistem falhas nas telecomunicações nestes concelhos, com postes caídos, cabos no chão e serviços instáveis, num processo de recuperação que consideraram lento. As telecomunicações móveis já estão genericamente repostas.
Mais de 300 mil clientes dos operadores de comunicações electrónicas Meo, NOS, Vodafone e Nowo foram afectados pelo mau tempo, segundo a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). As principais operadoras estimam ter reposição total nas zonas afectadas até ao fim de Abril.
O mau tempo afectou também infraestruturas de abastecimento de luz e água, que colapsaram e demoraram mais de um mês a ser repostas de forma estável. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) esclareceu que vigoram até 30 de Abril as medidas extraordinárias no sector energético aplicáveis aos clientes afectados pelo mau tempo, como o pagamento fraccionado das facturas de luz e gás, a dispensa do pagamento da potência contratada durante o período de interrupção do fornecimento e a proibição de os comercializadores cortarem a luz por falta de pagamento. A EDP estimou em cerca de 80 milhões de euros os impactos provocados pela Kristin.
O grupo Águas de Portugal estimou em cerca de 40 milhões de euros a recuperação de infraestruturas para o restabelecimento do funcionamento dos sistemas de saneamento básico.
Estradas e Ferrovia – A Infraestruturas de Portugal (IP) indicou que 26 estradas no território nacional continuavam encerradas em 21 de Abril, salientando que algumas reparações podem demorar vários meses. Na sequência das tempestades, a IP chegou a registar mais de 300 cortes totais de troços de estradas na rede que gere.
A empresa pública estimou também que as reparações de situações provocadas pelas tempestades nas linhas do Oeste e da Beira Baixa devem ficar concluídas até ao final do ano.
Florestas – Mais de três mil quilómetros de caminhos florestais afectados pelo mau tempo foram desobstruídos até ao dia 15 de Abril, revelou, na sexta-feira, à Lusa o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), salientando que um terço da rede viária florestal desobstruída até àquela data situa-se na Região de Leiria. O ICNF revelou ainda que as matas nacionais do Casal da Lebre (Marinha Grande), a do Ravasco (Leiria) e a Mata Nacional de Leiria foram “particularmente afectadas, tendo os povoamentos aí existentes sido praticamente totalmente destruídos”.
Em 31 de Março, o secretário de Estado das Florestas disse que vai ser impossível até ao verão retirar todo o material lenhoso das zonas atingidas. O governante salientou que o foco agora está na mitigação dos riscos de incêndios e que tem de haver zonas prioritárias, onde devem ser concentradas as intervenções.
Os proprietários têm de realizar a limpeza dos terrenos até 31 de maio, de uma forma geral, ou até 30 de Junho nas zonas mais afectadas pelas tempestades. A Comissão Europeia aprovou um pacote de 250 milhões de euros de ajudas estatais ao sector florestal em Portugal, válido até 31 de Dezembro de 2029, para reflorestar áreas afectadas e compensar proprietários pela perda de rendimento.
26 de Abril de 2026
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Fonte: Notícias de Coimbra
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Mau tempo: Três meses depois apoios continuam a chegar a “conta-gotas” (II)
Estado de Calamidade – Em 29 de Janeiro, o Governo decretou que 68 municípios nas zonas afectadas pela depressão Kristin estavam em situação de calamidade, uma declaração que implica uma série de apoios e de medidas de excepção para estes concelhos. No dia 25 de Fevereiro, o Governo juntou à lista mais 22 concelhos. Posteriormente, a situação foi estendida a todo o território desde que os danos se devam às tempestades.
Na sexta-feira, as comunidades intermunicipais (CIM) da Região de Leiria, Região de Coimbra e Médio Tejo pediram ao Governo o prolongamento, “até 30 de Junho de 2026”, das medidas excepcionais de apoio à economia e ao emprego nos territórios afectados pela calamidade Kristin.
Apoios – O Governo anunciou apoios que podem chegar a um montante global de 3,5 mil milhões de euros (MME) para ajudas directas, moratórias e linhas de crédito para a recuperação de famílias e empresas nos municípios mais afectados. Foi criada uma Estrutura de Missão para acompanhar a reconstrução e reparação dos danos – articulando ministérios, autarquias, CCDR, sector social e empresas.
Entre as principais medidas para fazer face aos estragos estão apoios à reconstrução de habitação própria, a prejuízos na agricultura e na floresta até 10 mil euros. Foi também decidida a simplificação dos procedimentos para aceleração da reconstrução, como a dispensa de licenciamento e de controlo prévio urbanístico, ambiental e administrativo para obras, e uma moratória de 90 dias nos empréstimos às empresas e no crédito à habitação própria e permanente, com possibilidade de extensão por mais 12 meses após esse período.
Famílias em situação de carência ou perda de rendimentos podem aceder a apoios da Segurança Social e foram decididos apoios às instituições particulares de solidariedade social para reforço da resposta social nas zonas afectadas. Para as empresas, foi disponibilizada a isenção total ou parcial de contribuições para a Segurança Social até seis meses e de um regime simplificado de ‘lay-off’.
Estão disponíveis duas linhas de crédito, pelo Banco Português de Fomento (BPF), de apoio à liquidez e à reconstrução: uma delas de 500 milhões para necessidades de tesouraria das empresas e de pessoas colectivas e uma segunda linha de crédito de mil milhões para recuperação da actividade das empresas na parte não coberta por seguros. Entre outras medidas, estão previstos também 400 milhões para recuperação urgente de infraestruturas rodoviárias e ferroviárias e 200 milhões para financiamento urgente da recuperação de equipamentos e infraestruturas públicas locais, incluindo escolas.
O Governo aprovou ainda uma redução no gasóleo para a pesca e a agricultura, e adoptou outras medidas temporárias, como a isenção de taxas de portagem nas autoestradas que atravessam as regiões mais afectadas. Autorizou ainda a transferência de um montante global de 250 milhões de euros para as CCDR territorialmente competentes, destinado à recuperação urgente e imediata de escolas, estradas municipais e outros equipamentos dos municípios e das freguesias, bem como à recuperação de habitação própria permanente.
Prejuízos – O coordenador da Estrutura de Missão criada para acompanhar a Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes, estimou inicialmente que a destruição causada pelas tempestades deveria custar entre os cinco mil e os seis mil milhões de euros (ME). Esta semana, Paulo Fernandes destacou que esta estimativa inicial não anda longe da realidade, salientando que o pedido de ajuda submetido pelo Governo à União Europeia indica mais de 5,3 mil milhões de prejuízos.
Leiria, Marinha Grande e Pombal concentram cerca de um terço dos prejuízos globais com as tempestades.
Candidaturas a apoios – Segundo o coordenador da Estrutura de Missão, até dia 21 de Abril tinham sido apresentadas cerca de 65 mil candidaturas a todas as linhas de apoio que estão em curso. Este número inclui quase 36 mil candidaturas à reconstrução de habitações e também candidaturas a medidas de apoio no âmbito da agricultura, Segurança Social, Autoridade Tributária e Instituto de Emprego, entre outras áreas.
“O número global do valor que chegou directamente” às pessoas, empresas e entidades públicas, incluindo isenções aprovadas e também o valor de cerca de 360 milhões de euros pago pelas entidades seguradoras até dia 21 de Abril está “perto de dois mil milhões de euros, o que é um número já muito relevante”, considerou.
Atrasos na distribuição dos apoios – Associações de empresários e de agricultores e municípios queixam-se, no entanto, que os apoios continuam a demorar a chegar efectivamente e são insuficientes. Também a atribuição dos apoios à reconstrução de habitações está a demorar mais do que o esperado, uma vez que, das quase 36.000 candidaturas, tinham sido avaliadas, até terça-feira, 10.000 e pagas mais de três mil.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alertou na quinta-feira para “demoras e insuficiências” nos apoios aos agricultores e produtores afectados, salientando que as medidas anunciadas estão “muito aquém do necessário”. Também o presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste, Sérgio Ferreira, se queixou dos atrasos no pagamento dos apoios aos agricultores
Associações de comércio, indústria, serviços e turismo de Leiria e de Coimbra e as Comunidades Intermunicipais do Médio Tejo e da Região de Leiria alertaram para a “lentidão e a burocracia” nos processos de atribuição de apoios às populações, afirmando que os fundos que chegaram ao território são “manifestamente insuficientes”.
Habitações – O Governo recebeu 35.905 candidaturas a apoios para a reconstrução de habitações nas zonas afectadas, que correspondem a um valor de 210 milhões de euros, informou o Ministério da Coesão Territorial. Do total de candidaturas apresentadas, perto de 17.600 referem-se a pedidos de apoio de valor inferior a 5 mil euros e perto de 18.300 a pedidos de apoio de valor acima de 5 mil euros.
Após a submissão, as candidaturas passam por um processo de avaliação, pelo que não correspondem automaticamente ao número de processos validados, nem aos apoios atribuídos. O ministro da Economia e Coesão Territorial estimou que a análise destes processos deve estar concluída até 30 de Junho.
Estes apoios têm um tecto de até 10 mil euros, sendo que para os pedidos de até 5 mil euros foi criado um regime simplificado em que a prova dos danos poderia ser feita através de fotos. Os atrasos têm sido verificados sobretudo no caso dos estragos em valores superiores a 5 mil euros, que exigem a validação dos danos através de uma vistoria técnica ao imóvel.
Segundo o coordenador da Estrutura de Missão, até 21 de Abril os municípios tinham analisado 10 mil pedidos de apoio para habitações, dos quais tinham sido pagos mais de três mil. Até à mesma data tinham sido indeferidas 2.400 candidaturas. O número médio dos valores pedido pelas candidaturas ronda os 5.300 euros, mas o valor médio que estava a ser pago era de 3.058 euros, salientou Paulo Fernandes.
Mais de dez mil candidaturas para recuperação de habitações foram do concelho de Leiria.
26 de Abril de 2026
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Fonte: Notícias de Coimbra
domingo, 3 de maio de 2026
Domingo, 3 de Maio (16h00)
Imagem de satélite às 16h00
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Fonte: SAT24
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Tarde variável em Portugal Continental, com alguma instabilidade na região centro associada à ocorrência de aguaceiros dispersos e algumas trovoadas isoladas.
Mau tempo: Três meses depois apoios continuam a chegar a “conta-gotas” (I)
Portugal foi atingido por um conjunto de tempestades entre 22 de Janeiro e 15 de Fevereiro, que afectou sobretudo os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa, provocando prejuízos superiores a 5.300 milhões de euros (ME), segundo o pedido de apoio ao Fundo de Solidariedade da União Europeia (UE), submetido pelo Governo em 13 de Abril. Estes fenómenos causaram pelo menos 19 mortes, destruíram habitações, estruturas de abastecimento de água, energia e de comunicações e causaram graves impactos nos portos, hospitais, escolas, património e na actividade económica.
O Governo respondeu com medidas excepcionais e urgentes, que chegam a 3,5 mil milhões de euros (MME) para ajudas directas, moratórias e linhas de crédito para a recuperação de famílias e empresas nos municípios mais afectados. Até terça-feira tinham sido apresentadas cerca de 65 mil candidaturas a todas as linhas de apoio que estão em curso, no âmbito da agricultura, Segurança Social, Autoridade Tributária e Instituto de Emprego, incluindo quase 36 mil candidaturas à reconstrução de habitações.
Segundo o coordenador da Estrutura de Missão criada para acompanhar a reconstrução da região Centro, Paulo Fernandes, “o número global do valor que chegou directamente” às pessoas, empresas e entidades públicas está “perto de 2 mil milhões de euros”. No entanto, empresários, agricultores, autarquias e particulares continuam a alertar para a morosidade dos pagamentos e a burocracia dos processos.
Para ajudar o país a recuperar economicamente das consequências do mau tempo, o Governo vai apresentar na terça-feira a versão final do programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, com medidas para executar até 2035.
Mortes – Pelo menos 19 pessoas morreram por causa do mau tempo desde o dia 28 de Janeiro nos concelhos de Vila Franca de Xira (Lisboa), Leiria, Batalha, Alcobaça, Porto de Mós e Pombal (Leiria), Silves (Faro), Sertã (Castelo Branco), Serpa (Beja), Rio Maior (Santarém), Campo Maior (Portalegre) e Figueira da Foz (Coimbra). Quedas de telhados durante reparações, traumas causados pela caída de estruturas, incidentes em cursos de água durante cheias, intoxicações por monóxido de carbono e um caso de electrocussão são as causas das mortes. As vítimas mortais tinham entre os 28 e os 85 anos.
Ocorrências – Entre 1 e 15 de Fevereiro, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) registou um total de 19.066 ocorrências, envolvendo 64.636 operacionais. A queda de árvores foi o tipo de ocorrência mais registada, seguindo-se as inundações, quedas de estruturas e movimentos de massa.
Na sequência das tempestades, centenas de pessoas ficaram feridas e foram deslocadas ou ficaram desalojadas. Leiria, Coimbra (que depois das chuvas e ventos fortes enfrentou inundações no Rio Mondego), Lisboa, Península de Setúbal (com destaque para inundações em Alcácer do Sal), Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro foram as regiões mais afectadas.
Foi activado o Plano Nacional de Emergência de Protecção Civil entre 1 e 20 de Fevereiro.
26 de Abril de 2026
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Fonte: Notícias de Coimbra
sábado, 2 de maio de 2026
Tempestades Janeiro Fevereiro: Alcácer do Sal acusa Governo de chegar tarde
A resposta do Estado às consequências do mau tempo que atingiu Portugal no início de 2026 está a ser contestada em Alcácer do Sal. A presidente da câmara, Clarisse Campos, acusa o Governo de não ter conseguido dar uma resposta eficaz aos prejuízos deixados pelas cheias e pela sucessão de tempestades que afetaram o país. A autarca aponta o dedo à demora na chegada dos apoios e sustenta que, quando o auxílio começou a aparecer no terreno, muitas famílias e empresas já estavam há semanas a tentar recuperar pelos próprios meios. No entender de Clarisse Campos, a dimensão dos danos exigia outra rapidez e outro modelo de atuação.
Em Alcácer do Sal, o impacto foi severo. As cheias deixaram habitações submersas, afetaram a vida de dezenas de pessoas e travaram parte da atividade económica local. A presidente da câmara descreve o cenário como o de uma cidade “completamente destruída” e defende uma mudança profunda na forma como os apoios públicos são atribuídos em situações de catástrofe. Uma das críticas mais duras recai sobre o tecido empresarial. Segundo a autarca, continua sem existir uma solução concreta para compensar financeiramente as empresas afetadas, numa altura em que muitos negócios enfrentam perdas acumuladas e dificuldades para retomar a normalidade.
O caso de Alcácer do Sal expõe um problema que ultrapassa a escala local. Após vários episódios de mau tempo no arranque de 2026, com danos relevantes em diferentes zonas do país, o debate deixou de estar apenas nos anúncios oficiais e passou para o terreno onde as populações esperam respostas práticas. É aí que se mede a eficácia do apoio público e é aí que, para já, a contestação continua a crescer. Mais do que uma crítica política, a posição assumida pela autarca traduz a frustração de quem olha para o intervalo entre a promessa e a execução. Quando os mecanismos existem, mas tardam em produzir efeito, a dúvida instala-se: o problema está apenas no Governo ou num sistema demasiado lento para responder a crises desta dimensão.
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Fonte: Diário doDistrito
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Tempestades Janeiro Fevereiro: Três meses depois da tempestade Praia da Vieira espera a bonança que tarda
"Até hoje não recebemos nem um cêntimo, nem de entidades, nem do seguro", lamenta Bruno Gomes, proprietário do Restaurante Flor do Liz, um dos estabelecimentos que a tempestade Kristin devastou na madrugada de 28 de Janeiro. A fúria do vento destruiu nessa noite o telhado, os vidros, a esplanada, a maquinaria e todos os produtos em 'stock' no estabelecimento, que esteve 20 dias sem luz eléctrica.
Os prejuízos, contabiliza Bruno Gomes, "rondam os 150 mil euros", valor que, nestes três meses, já teve de investir para pôr o restaurante "quase a 100%", tendo reaberto no dia 18 de Abril. Os anunciados apoios é que "nem vê-los", já que, "nem o lay-off dos oito trabalhadores pagaram e teve de ser a empresa a suportar os ordenados, durante três meses, com o estabelecimento fechado", conta, com um encolher de ombros de resignação de quem já só espera "que o verão traga pessoas à praia e que a câmara [da Marinha Grande] perceba que é preciso uma grande intervenção para atrair pessoas, porque esta terra vive do turismo". Se dúvidas houvesse, bastava olhar em volta, para uma avenida "onde não há luz à noite, porque nenhum candeeiro trabalha desde a tempestade", ou para o restaurante próximo, o Lismar, ainda em obras e longe de poder reabrir ao público.
Ao lado, no Restaurante Mirante, as janelas foram tapadas com placas de madeira e, numa das que escapou à destruição, foi colocado um anúncio de venda. O dono, Nelson Ribeiro, anda "desanimado" desde a noite em que, assustado, disse à mulher "veste o robe e vem para baixo", para se abrigarem no 'hall' das casas de banho do estabelecimento, na noite em que "o barulho só fazia lembrar o tremor de terra de 1969". O edifício onde vive, por cima do restaurante, tremeu, ficou com fendas nas paredes, janelas partidas, uma torre destruída, uma escada caída. Os estragos, que rondam os 80 mil euros, ainda lá estão todos, três meses depois.
"A única ajuda foi um grupo de escuteiros de Lisboa que puseram a primeira das 11 lonas no terraço levou, porque, de resto, ajudas nenhumas, só entidades a desajudar", queixa-se, ressentido com a recusa da câmara e da junta de freguesia em ceder uma grua e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que "está a dificultar a autorização para repor a esplanada" em frente ao estabelecimento que marca o ponto em que o solo está no Domínio Público Marítimo. Cansado, pôs a casa à venda, sem disposição para "recomeçar tudo outra vez". Mas, depois de conseguir um empreiteiro para fazer a obra, já admite "reabrir o restaurante, talvez lá para o final de maio, se não vender. Logo se vê", diz, com o mesmo encolher de ombros resignado do vizinho Bruno.
Menos resignado, Mauro Freitas reabriu o "Cardume" um mês depois da tempestade, e lá vai levando o negócio, "que só vai correndo mais ou menos porque muitos ainda estão fechados". Quanto a apoios, a sua sorte não difere da dos vizinhos: "o seguro só quer pagar um décimo dos prejuízos" e o "lay-off" do funcionário é ele "que o paga todos os meses". Ajudas, conta, "só mesmo de dois fornecedores [uma marca de café e outra de bebidas] que vão apoiar na remodelação da esplanada, para ficar mais atractiva".
Na Avenida dos Pescadores, que dá acesso à marginal, estão por recuperar ainda bancas de venda de tremoços ou mariscos. Já na marginal, um hostel ainda precisa de muitas obras antes de receber hóspedes. A oficina de artes "Cultura Avieira", sem telhas e sem vidros e na marginal que o vento insiste em encher de areia, veem-se candeeiros tombados, além de alguns restaurantes onde as obras de recuperação nem sequer se iniciaram.
No bar "Sunset", onde os pulares se concentravam no dia seguinte à tempestade, para tentar encontrar rede de telemóvel, ainda nem as fitas da protecção civil foram retiradas. No "Âncora", dezenas de traves de madeira estão empilhadas junto à parede de madeira e à antiga esplanada, completamente destruída. Da loja de recordações, onde ainda se anda a limpar areia das prateleiras, à sapataria 'Paulita', onde "toda a colecção ficou destruída", ninguém quer lembrar "essa noite terrível" de 28 de Janeiro.
Por entre o encolher de ombros de quem acha que "nem vale a pena falar nisso", Alberto Gomes, lá vai contando que deve ao vizinho da pizzaria "ter dormido dentro da carrinha, com os vidros partidos" a guardar-lhe "as montras da sapataria, todas partidas", para evitar que lhe levassem a mercadoria que acabou destruída. Também a este comerciante valeram "os fornecedores, que forneceram a nova colecção" que permitiu reabrir a loja.
Muito lentamente, vão-se somando os negócios que reabrem, na expectativa de que o verão permita recuperar alguma coisa do que se perdeu. Na marisqueira César, um cartaz lembra a resistência das gentes da Praia da Vieira: "ardemos, abanámos, mas não caímos". No Flor do Liz, garante Bruno, há-de ser colocada "uma fotografia do antes e depois, como um sinal de resiliência".
Mas, no que todos concordam, é que três meses depois da tempestade, a bonança ainda está longe de chegar à Praia da Vieira.
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Fonte: Notíciasao Minuto













