Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026_00h00
Fonte: Met Office
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Chamada de atenção para eventuais inundações urbanas repentinas e em leitos de cheias.
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Tarde de nebulosidade e precipitação moderada e constante no Litoral Oeste, Ribatejo, Beira Baixa e Alto Alentejo.
O que é um rio
atmosférico? Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas na atmosfera que
funcionam como verdadeiras “auto estradas de transporte de vapor de água”,
deslocando grandes quantidades de humidade desde as zonas tropicais até às
latitudes médias. Quando interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis,
ganham o potencial de gerar chuva forte, eficiente e persistente.
A disposição dos
centros de acção atmosférica, com um novo “comboio” de tempestades a circular
no Atlântico Norte e o anticiclone dos Açores deslocado para sul,
permitirá a canalização de um novo rio atmosférico até
ao nosso país, cujo grosso nos atingirá entre terça e quarta-feira, dias 10 e
11 de Fevereiro. Ainda assim, este novo rio de humidade não terá a
mesma magnitude que o da semana passada, mas ao “chover
no molhado” contribuirá para o agravamento do risco de cheias,
inundações, derrocadas e deslizamentos de terras.
A mais recente actualização
do modelo Europeu intui que a parte mais activa do rio atmosférico procedente
das Caraíbas afectará toda a geografia do Continente (embora com contrastes
regionais). É importante salientar que ao longo de terça-feira,
dia 10, o contributo do rio de humidade já será bastante significativo para a
precipitação em Portugal continental, especialmente durante a manhã
deste dia nas Regiões Norte e Centro e no litoral Oeste.
Além disto, perspectiva-se
a possibilidade de trovoadas fortes durante a manhã e início da
tarde de terça (10) em qualquer ponto da geografia do Continente entre Minho e
Tejo (especialmente mais junto ao litoral), pelo que poderá
atingir zonas dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real,
Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa e Setúbal.
Já na quarta (11)
começará por primeiramente alcançar as regiões entre os rios Mondego e
Guadiana, desde as primeiras horas da madrugada, onde reforçará a chuva, tornando-a
persistente e moderada ou pontualmente forte até quase ao final do dia,
especialmente na faixa territorial entre Tejo e Guadiana e em particular nas
zonas mais expostas aos ventos de Sudoeste.
O rio de humidade
rapidamente se espalhará para outras zonas do país, como a Região Norte, esperando-se que a sua fase mais intensa nesta parte
da nossa geografia ocorra entre o meio da manhã e o meio da tarde de
quarta-feira (11). No Norte, e sobretudo nos distritos situados a
oeste da Barreira de Condensação, prevê-se chuva persistente e pontualmente
moderada. Ainda de acordo com os mapas, o Algarve será a região menos afectada
pelo rio atmosférico, registando geralmente céu encoberto e chuva
fraca.
Quanto ao arquipélago
dos Açores prevê-se uma quarta-feira (11) de céu nublado, com boas
abertas, mas também períodos de chuva ou aguaceiros. Na Madeira
espera-se que o céu esteja geralmente muito nublado graças às altas pressões
que estenderão a sua influência de maneira significativa sobre este
arquipélago.
No Continente os rios
e as barragens terão de continuar a ser monitorizados, dado que muitos
deles ainda estão cheios e, mesmo que não chova tanto como nos últimos dias, os
solos saturados farão com que a água mais fácil e rapidamente flua sobre a
terra.
A chegada do ar
tropical muito ameno e húmido ‘transatlântico’ trouxe esta segunda-feira (9)
uma subida das temperaturas, sendo especialmente acentuada
nas mínimas. Nos próximos dias espera-se que subam de forma gradual, ou que se
mantenham, tanto máximas, como mínimas. Nesta primeira metade da semana as
mínimas oscilarão entre 12 e 15 ºC, excepto no interior Norte e
Centro onde os valores serão ligeiramente inferiores.
O rio
atmosférico impulsionará para o nosso país uma massa de ar tropical marítima
muito amena, provocando uma subida das temperaturas que registarão valores
acima da média para esta época do ano.
Tendo este panorama
térmico em conta, o cenário de queda de neve fica completamente descartado. O
que se espera é chuva abundante, também nas principais serras do Norte e do
Centro, o que elevará o risco de derretimento de alguma neve
que eventualmente ainda persista nos cumes, bem como o transbordamento de
cursos de água situados nestas regiões.
O vento de Oés-sudoeste
intensificará numa parte significativa da geografia continental, geralmente a
norte do rio Tejo, estando previstas rajadas até 70 km/h no litoral e
até 90 km/h nas terras altas.
O comandante nacional da Protecção Civil pediu esta sexta-feira às populações que mantenham um comportamento seguro, face à chegada da depressão Marta, que trará bastante chuva e ventos com rajadas que poderão atingir os 100 quilómetros/hora. De acordo com Mário Silvestre, durante o dia de hoje é expectável que se mantenham as previsões meteorológicas, apesar de "algum desagravamento do ponto de vista da precipitação".
Alertou para a chegada da depressão Marta, "que irá também trazer chuva intensa, nomeadamente na noite de sexta para sábado". "Mais uma vez estaremos perante um fenómeno meteorológico com previsões de bastante chuva e, inclusivamente, de bastante vento com rajadas que podem chegar aos 100 km hora", disse aos jornalistas, numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), em Oeiras.
Tendo em conta o quadro meteorológico actual, e as consequências da tempestade Kristin, o responsável frisou que "o cuidado é ainda maior", tendo em conta a possibilidade de queda de árvores e ou de alguma infraestrutura. "Portanto, como nota prévia, exortar toda a população para um comportamento seguro e com muito cuidado para que não tenhamos problemas e mais vítimas a registar", pediu.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas. O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de Janeiro e 1 de Fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 8 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de Fevereiro.
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Fonte: SÁBADO
MARTA é o nome atribuído pelo IPMA a uma depressão, que se prevê que esteja centrada em 43°N e 16°W às 09UTC de dia 7 de Fevereiro, com uma pressão atmosférica no seu centro de 997 hPa, inserida numa vasta região depressionária centrada no Atlântico Norte.
Portugal continental irá sentir os efeitos da referida depressão, inicialmente com a aproximação à região Sul, em especial ao litoral desta região, na manhã de dia 7, com precipitação persistente e por vezes forte e com rajadas de vento da ordem de 100 km/h e de 120 km/h nas serras.
Prevê-se que os maiores valores acumulados de precipitação ocorram a sul do rio Tejo, incluindo a região da grande Lisboa, sendo mais prováveis no Alentejo e nas serras algarvias, com acumulados da ordem de 60 mm (litros/m2) em 24 horas, o que contribuirá para uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras destas áreas.
A partir da tarde, com o deslocamento da depressão para leste, prevê-se uma intensificação do vento no litoral Centro, com rajadas que poderão atingir os 90 km/h, bem como ocorrência de precipitação por vezes forte.
A precipitação ocorrerá sob a forma de neve acima de 900 metros de altitude, subindo temporariamente a cota para 1200/1400 metros entre o início da manhã e o final da tarde, com acumulados superiores a 25 cm acima de 1400 metros na Serra da Estrela.
A agitação marítima manter-se-á forte durante este período, prevendo-se ondas do quadrante oeste até 7 metros de altura significativa na costa ocidental, em especial a sul do Cabo Carvoeiro, podendo atingir 13 metros de altura máxima, sendo ondas até 5 metros de sudoeste na costa sul do Algarve.
Devido a esta situação já foram emitidos avisos meteorológicos de níveis AMARELO e LARANJA de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima, aconselhando-se o acompanhamento das actualizações dos mesmos.
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Fonte: IPMA
O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, sublinha que a conjugação da chuva intensa com a subida dos caudais dos rios aumenta significativamente o perigo.
“Não atravessem estradas inundadas. É crítico que não o façam”, alerta o responsável, explicando que “30 centímetros de água são suficientes para que a maioria dos veículos fique imobilizada por aspiração da água, colocando imediatamente as pessoas em risco”.
Cuidados na condução e na via pública – A Protecção Civil recomenda que os condutores evitem túneis, passagens inferiores, ribeiras e vales, e que, em caso de necessidade, parem em locais seguros e elevados, longe das linhas de água. O comandante nacional chama ainda a atenção para o arrastamento de objectos soltos e quedas de detritos nas vias rodoviárias, que podem provocar acidentes.
“Mesmo quando a corrente parece fraca, 30 centímetros de água podem ser suficientes para arrastar uma pessoa ou um veículo”, sublinha.
O que fazer em casa – Para quem se encontra em casa, a recomendação é clara: fechar portas e janelas, desligar o gás e cortar a electricidade, mantendo-se, sempre que possível, nos andares superiores ou em pontos elevados. Os equipamentos eléctricos devem ser afastados da água e, se for necessário abandonar a habitação, deve ser levado apenas o essencial.
“As pessoas que fazem medicação diária devem levá-la consigo, assim como os documentos de identificação. Caso contrário, criam-se problemas adicionais na resposta de emergência”, alerta Mário Silvestre.
Atenção redobrada a crianças, animais e curiosos – A Protecção Civil apela para que as crianças sejam mantidas afastadas das linhas de água, que os animais sejam protegidos e colocados em zonas seguras e que ninguém se aproxime de rios para filmar ou fotografar a subida da água.
O comandante nacional deixa ainda um aviso específico para as zonas de descarga das barragens, onde os caudais estão particularmente elevados, pedindo à população que não permaneça nem circule nessas áreas.
Rio Tejo com caudais excepcionais – Uma das maiores preocupações prende-se com o Rio Tejo, onde as barragens espanholas de Alcântara e Cedillo estão a libertar volumes muito elevados de água.
“Esperamos caudais na ordem dos sete mil metros cúbicos por segundo, que poderão chegar aos nove mil metros cúbicos por segundo em território nacional”, refere Mário Silvestre, acrescentando que “desde 1997 que não se registava um episódio com esta dimensão na bacia do Tejo”.
Perante este cenário, a Protecção Civil recomenda às populações ribeirinhas que retirem bens das habitações, se coloquem em segurança e abandonem as casas sempre que necessário.
“O comportamento seguro neste momento é crítico para atravessarmos este episódio sem termos vítimas a lamentar”, conclui o comandante nacional da Protecção Civil.
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Fonte: Renascença
Os números foram avançados pelo comandante nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, durante um ponto de situação realizado na sede da ANEPC, em Carnaxide. Segundo o responsável, a resposta no terreno mantém-se reforçada, incluindo três helicópteros em permanência, utilizados na vigilância aérea e na avaliação das zonas mais afectadas.
Apesar de as quedas de árvores continuarem a representar uma parte significativa dos incidentes, as inundações registam um crescimento acentuado, com 1.593 ocorrências já identificadas. A subida das águas está também a provocar isolamento de várias localidades.
No distrito de Santarém, permanecem cortados os acessos a Reguengo do Alviela, Valada, Porto da Palha e Caneira. Já no distrito de Coimbra, a localidade de Ereira, no concelho de Montemor-o-Velho, continua sem ligações viárias.
As cheias obrigaram ainda ao realojamento de centenas de pessoas em diferentes pontos do país. Em Santarém, há 53 pessoas deslocadas na sequência da tempestade Kristin, enquanto 132 permanecem no Lar de Coruche, onde está preparado um plano de evacuação caso a situação se agrave.
No distrito de Leiria, foram realojadas 145 pessoas. Em Castelo Branco continuam deslocadas 53, e em Setúbal há registo de 15 pessoas realojadas, incluindo oito acamados. Duas pessoas da Trafaria foram encaminhadas para um espaço de acolhimento temporário da Protecção Civil municipal.
Para além do impacto das cheias, milhares de famílias continuam sem electricidade. Mário Silvestre confirmou que cerca de 86 mil pessoas permanecem sem fornecimento de energia, citando dados da E-Redes. A maioria das avarias concentra-se nas regiões mais afectadas pelo mau tempo.
Leiria é o distrito mais penalizado, com 57 mil clientes ainda sem luz, seguindo-se Santarém, onde 15 mil pessoas continuam sem energia eléctrica. Em Castelo Branco, registam-se três mil clientes afectados, enquanto em Coimbra permanecem cerca de mil avarias por resolver.
Entretanto, o plano especial para risco de cheias na bacia do Tejo foi elevado ao nível vermelho, após avaliação dos caudais e do impacto previsto. A decisão foi tomada na sequência de uma reunião da Comissão Distrital de Protecção Civil de Santarém, realizada durante a manhã desta sexta-feira.
O comandante nacional sublinhou que os patamares do plano estão directamente associados aos níveis de caudal, tendo como referência a estação hidrométrica de Almourol, acrescentando que a bacia do Tejo é a única no país com um plano especial desta dimensão, devido à sua extensão e potencial impacto das cheias.
A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil voltou a reforçar os apelos à população perante o agravamento das condições meteorológicas, alertando para o aumento do risco de inundações e cheias, bem como para a possibilidade de deslizamentos de terras, acidentes rodoviários e galgamento costeiro, associado à forte agitação marítima.
Olímpia Mairos
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Fonte: Renascença
LEONARDO é o nome atribuído pelo IPMA - Delegação Regional dos Açores a uma depressão, que se prevê que esteja centrada em 49°N e 20°W às 12UTC de dia 4 de Fevereiro, aproximadamente a 1100 km a norte do arquipélago dos Açores, com uma pressão atmosférica no seu centro de 966 hPa, inserida numa vasta região depressionária onde irão formar-se vários núcleos nos próximos dias.
As ondulações frontais associadas à depressão LEONARDO irão afectar o estado do tempo em Portugal continental até dia 7, com períodos em que a precipitação será persistente e por vezes forte, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima forte. Para os dias seguintes prevê-se a passagem de novas superfícies frontais e a continuação deste padrão muito instável.
Os efeitos da referida depressão serão inicialmente sentidos na região Sul, devido à aproximação de um sistema frontal a ela associado, com precipitação persistente e por vezes forte, e rajadas de vento que podem atingir 80 km/h no litoral a sul do Cabo Mondego e 110 km/h nas terras altas, em especial na costa Sul e nas serras do Algarve.
Esse sistema frontal irá estender-se gradualmente às restantes regiões do continente durante o dia 4, prevendo-se que o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite de 4 para 5, passando gradualmente a regime de aguaceiros, que poderão ser de granizo e acompanhados de trovoada. Ocorrerá queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, baixando a cota para 900 metros no dia 6, com acumulação nas serras do Norte e Centro.
O vento terá um enfraquecimento temporário entre a tarde de dia 5 e a manhã de dia 6, intensificando novamente a partir da madrugada de dia 7, período em que se espera um novo período de precipitação mais persistente e generalizada.
Ao longo dos próximos dias os maiores valores acumulados de precipitação deverão registar-se nas regiões montanhosas do Norte e Centro, podendo, entre os dias 3 e 7, atingir 150 a 250 mm (litros/m2) em alguns locais. Todavia, salienta-se o carácter persistente da precipitação também na região Sul em alguns períodos.
A agitação marítima manter-se-á forte durante este período, prevendo-se ondas do quadrante oeste até 6 metros de altura significativa na costa ocidental, podendo atingir 11 metros de altura máxima, diminuindo temporariamente entre a tarde de dia 4 e a manhã de dia 5. Na costa sul do Algarve as ondas de sudoeste deverão atingir 4 metros.
Devido a esta situação foram emitidos avisos meteorológicos de níveis LARANJA e AMARELO, nomeadamente de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima, aconselhando-se o acompanhamento das actualizações dos mesmos.
As actualizações oficiais das previsões e dos avisos meteorológicos poderão ser acompanhadas em www.ipma.pt, através das redes sociais do IPMA ou dos Órgãos de Comunicação Social.
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Fonte: IPMA
Imagem de satélite às 15h00
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Tarde instável, com ocorrência de aguaceiros, por vezes acompanhados de trovoadas e queda de granizo.
1. A Corrente em Chorro
O responsável directo por esta situação é o Jet Stream ou Corrente em Chorro. É um rio de ventos fortes que circula a cerca de 10-12 km de altura e que atua como o "director de orquestra" do tempo em latitudes médias. Esta corrente separa o ar frio polar do ar quente subtropical e guia a frente polar, que é a área onde nascem e se deslocam as borrascas.
Normalmente, as borrascas circulam por latitudes mais altas. No entanto, quando o jacto polar se desloca para sul e aponta directamente para a Península, age como uma correia transportadora ou "auto-estrada" que traz as tempestades directamente para nós.
2. O culpado do desvio: O Bloqueio Anticiclónico no Norte
A razão pela qual o jacto polar caiu de latitude e continua apontando para a Península Ibérica reside num fenómeno conhecido como Bloqueio Atmosférico no Atlântico Norte.
• O Muro no Norte: Actualmente, formou-se um poderoso anticiclone de bloqueio entre a Gronelândia e a Escandinávia (latitudes altas). Este sistema de alta pressão age como uma rocha em um rio, forçando a corrente jacto a desviar-se.
• A Via Aberta para Sul: Não podendo circular na sua rota habitual para o norte, o jacto é forçado a descer de latitude. Isto abre um "corredor" ou via directa do Atlântico para a Península Ibérica, canalizando uma sucessão de borrascas muito activas para a nossa geografia.
3. Oscilação do Atlântico Norte (NAO) negativa.
Este padrão atmosférico coincide com uma fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte (NAO).
• NAO Positiva: Normalmente, o Anticiclone dos Açores é forte e desvia as borrascas para o norte da Europa.
• NAO Negativa: Na situação actual, o anticiclone dos Açores está enfraquecido ou deslocado. Isto permite que as borrascas circulem mais a sul do que o normal, afectando plenamente Espanha e Portugal. Previsões indicam que este índice se tornaria negativo, favorecendo a chegada de chuvas contínuas.
4. Por que é tão persistente? A ligação com o Árctico.
A duração deste episódio é explicada pela natureza ondulada e lenta do Jet Stream, influenciada pelo aquecimento do Árctico.
• Chorro Ondulado: Quando a diferença de temperatura entre o pólo e as latitudes médias diminui, segundo várias linhas de investigação, a corrente jacto pode tender a enfraquecer e tornar-se mais serpenteante, formando grandes meandros conhecidos como Ondas de Rossby.
• Padrões estagnados: Estas ondas grandes e lentas fazem com que os padrões meteorológicos "encravem" ou bloqueiam. Se a Península ficar presa no flanco de uma vaguada (a parte baixa da onda onde se alojam as baixas pressões) ou sob a influência de um "Trem de Borrascas", a situação de chuva pode persistir durante semanas sem grandes mudanças.
5. O Factor de Intensidade: Rios atmosféricos e Ciclogénese
Não é só a frequência, mas a intensidade. Essas borrascas frequentemente chegam carregadas de humidade através dos Rios Atmosféricos, bandas longas e estreitas que transportam vapor de água dos subtrópicos para as nossas latitudes, agindo como combustível para precipitações extremas. Além disso, a interacção destas massas de ar com jacto intenso pode provocar processos de ciclogénese explosiva, gerando borrascas profundas e ventos muito fortes em pouco tempo.
Conclusão
A sucessão contínua de borrascas que atravessa a Península não é por acaso, mas o resultado de um bloqueio anticiclónico persistente em latitudes altas (Gronelândia/Escandinávia) que forçou a Corrente em Chorro a circular mais a sul do que o habitual. Esta configuração, somada a uma NAO em fase negativa e a um jacto mais ondulado e lento, deixou a porta do Atlântico “aberta”. Enquanto este padrão de bloqueio se mantiver, a circulação atlântica continuará a agir como um sistema quase estacionário de alimentação de borrascas sobre a Península Ibérica, prolongando os episódios de tempo instável e chuvoso.