quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Cheias e inundações: o que a Protecção Civil pede à população?


A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil reforça as recomendações à população face ao agravamento das condições meteorológicas, alertando para o risco de inundações urbanas, cheias, deslizamentos de terras e acidentes rodoviários, bem como para a possibilidade de galgamento da orla costeira devido à forte ondulação marítima.

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, sublinha que a conjugação da chuva intensa com a subida dos caudais dos rios aumenta significativamente o perigo.

Não atravessem estradas inundadas. É crítico que não o façam”, alerta o responsável, explicando que “30 centímetros de água são suficientes para que a maioria dos veículos fique imobilizada por aspiração da água, colocando imediatamente as pessoas em risco”.

Cuidados na condução e na via pública – A Protecção Civil recomenda que os condutores evitem túneis, passagens inferiores, ribeiras e vales, e que, em caso de necessidade, parem em locais seguros e elevados, longe das linhas de água. O comandante nacional chama ainda a atenção para o arrastamento de objectos soltos e quedas de detritos nas vias rodoviárias, que podem provocar acidentes.

Mesmo quando a corrente parece fraca, 30 centímetros de água podem ser suficientes para arrastar uma pessoa ou um veículo”, sublinha.

O que fazer em casa – Para quem se encontra em casa, a recomendação é clara: fechar portas e janelas, desligar o gás e cortar a electricidade, mantendo-se, sempre que possível, nos andares superiores ou em pontos elevados. Os equipamentos eléctricos devem ser afastados da água e, se for necessário abandonar a habitação, deve ser levado apenas o essencial.

As pessoas que fazem medicação diária devem levá-la consigo, assim como os documentos de identificação. Caso contrário, criam-se problemas adicionais na resposta de emergência”, alerta Mário Silvestre.

Atenção redobrada a crianças, animais e curiosos – A Protecção Civil apela para que as crianças sejam mantidas afastadas das linhas de água, que os animais sejam protegidos e colocados em zonas seguras e que ninguém se aproxime de rios para filmar ou fotografar a subida da água.

O comandante nacional deixa ainda um aviso específico para as zonas de descarga das barragens, onde os caudais estão particularmente elevados, pedindo à população que não permaneça nem circule nessas áreas.

Rio Tejo com caudais excepcionais – Uma das maiores preocupações prende-se com o Rio Tejo, onde as barragens espanholas de Alcântara e Cedillo estão a libertar volumes muito elevados de água.

Esperamos caudais na ordem dos sete mil metros cúbicos por segundo, que poderão chegar aos nove mil metros cúbicos por segundo em território nacional”, refere Mário Silvestre, acrescentando que “desde 1997 que não se registava um episódio com esta dimensão na bacia do Tejo”.

Perante este cenário, a Protecção Civil recomenda às populações ribeirinhas que retirem bens das habitações, se coloquem em segurança e abandonem as casas sempre que necessário.

O comportamento seguro neste momento é crítico para atravessarmos este episódio sem termos vítimas a lamentar”, conclui o comandante nacional da Protecção Civil.

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Fonte: Renascença

 

PORTUGAL CONTINENTAL: Mau tempo já provocou quase seis mil ocorrências desde domingo e isolou várias localidades


A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) contabilizou, desde o início de Fevereiro até ao meio-dia desta quinta-feira, 5.793 ocorrências associadas a cheias, envolvendo mais de 20 mil operacionais e cerca de oito mil meios terrestres.

Os números foram avançados pelo comandante nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, durante um ponto de situação realizado na sede da ANEPC, em Carnaxide. Segundo o responsável, a resposta no terreno mantém-se reforçada, incluindo três helicópteros em permanência, utilizados na vigilância aérea e na avaliação das zonas mais afectadas.

Apesar de as quedas de árvores continuarem a representar uma parte significativa dos incidentes, as inundações registam um crescimento acentuado, com 1.593 ocorrências já identificadas. A subida das águas está também a provocar isolamento de várias localidades.

No distrito de Santarém, permanecem cortados os acessos a Reguengo do Alviela, Valada, Porto da Palha e Caneira. Já no distrito de Coimbra, a localidade de Ereira, no concelho de Montemor-o-Velho, continua sem ligações viárias.

As cheias obrigaram ainda ao realojamento de centenas de pessoas em diferentes pontos do país. Em Santarém, há 53 pessoas deslocadas na sequência da tempestade Kristin, enquanto 132 permanecem no Lar de Coruche, onde está preparado um plano de evacuação caso a situação se agrave.

No distrito de Leiria, foram realojadas 145 pessoas. Em Castelo Branco continuam deslocadas 53, e em Setúbal há registo de 15 pessoas realojadas, incluindo oito acamados. Duas pessoas da Trafaria foram encaminhadas para um espaço de acolhimento temporário da Protecção Civil municipal.

Para além do impacto das cheias, milhares de famílias continuam sem electricidade. Mário Silvestre confirmou que cerca de 86 mil pessoas permanecem sem fornecimento de energia, citando dados da E-Redes. A maioria das avarias concentra-se nas regiões mais afectadas pelo mau tempo.

Leiria é o distrito mais penalizado, com 57 mil clientes ainda sem luz, seguindo-se Santarém, onde 15 mil pessoas continuam sem energia eléctrica. Em Castelo Branco, registam-se três mil clientes afectados, enquanto em Coimbra permanecem cerca de mil avarias por resolver.

Entretanto, o plano especial para risco de cheias na bacia do Tejo foi elevado ao nível vermelho, após avaliação dos caudais e do impacto previsto. A decisão foi tomada na sequência de uma reunião da Comissão Distrital de Protecção Civil de Santarém, realizada durante a manhã desta sexta-feira.

O comandante nacional sublinhou que os patamares do plano estão directamente associados aos níveis de caudal, tendo como referência a estação hidrométrica de Almourol, acrescentando que a bacia do Tejo é a única no país com um plano especial desta dimensão, devido à sua extensão e potencial impacto das cheias.

A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil voltou a reforçar os apelos à população perante o agravamento das condições meteorológicas, alertando para o aumento do risco de inundações e cheias, bem como para a possibilidade de deslizamentos de terras, acidentes rodoviários e galgamento costeiro, associado à forte agitação marítima.

Olímpia Mairos

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Fonte: Renascença

 

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

IPMA: Chuva, neve, vento e agitação marítima para Portugal Continental

LEONARDO é o nome atribuído pelo IPMA - Delegação Regional dos Açores a uma depressão, que se prevê que esteja centrada em 49°N e 20°W às 12UTC de dia 4 de Fevereiro, aproximadamente a 1100 km a norte do arquipélago dos Açores, com uma pressão atmosférica no seu centro de 966 hPa, inserida numa vasta região depressionária onde irão formar-se vários núcleos nos próximos dias.

As ondulações frontais associadas à depressão LEONARDO irão afectar o estado do tempo em Portugal continental até dia 7, com períodos em que a precipitação será persistente e por vezes forte, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima forte. Para os dias seguintes prevê-se a passagem de novas superfícies frontais e a continuação deste padrão muito instável.

Os efeitos da referida depressão serão inicialmente sentidos na região Sul, devido à aproximação de um sistema frontal a ela associado, com precipitação persistente e por vezes forte, e rajadas de vento que podem atingir 80 km/h no litoral a sul do Cabo Mondego e 110 km/h nas terras altas, em especial na costa Sul e nas serras do Algarve.

Esse sistema frontal irá estender-se gradualmente às restantes regiões do continente durante o dia 4, prevendo-se que o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite de 4 para 5, passando gradualmente a regime de aguaceiros, que poderão ser de granizo e acompanhados de trovoada. Ocorrerá queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, baixando a cota para 900 metros no dia 6, com acumulação nas serras do Norte e Centro.

O vento terá um enfraquecimento temporário entre a tarde de dia 5 e a manhã de dia 6, intensificando novamente a partir da madrugada de dia 7, período em que se espera um novo período de precipitação mais persistente e generalizada.

Ao longo dos próximos dias os maiores valores acumulados de precipitação deverão registar-se nas regiões montanhosas do Norte e Centro, podendo, entre os dias 3 e 7, atingir 150 a 250 mm (litros/m2) em alguns locais. Todavia, salienta-se o carácter persistente da precipitação também na região Sul em alguns períodos.

A agitação marítima manter-se-á forte durante este período, prevendo-se ondas do quadrante oeste até 6 metros de altura significativa na costa ocidental, podendo atingir 11 metros de altura máxima, diminuindo temporariamente entre a tarde de dia 4 e a manhã de dia 5. Na costa sul do Algarve as ondas de sudoeste deverão atingir 4 metros.

Devido a esta situação foram emitidos avisos meteorológicos de níveis LARANJA e AMARELO, nomeadamente de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima, aconselhando-se o acompanhamento das actualizações dos mesmos.

As actualizações oficiais das previsões e dos avisos meteorológicos poderão ser acompanhadas em www.ipma.pt, através das redes sociais do IPMA ou dos Órgãos de Comunicação Social.

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Fonte: IPMA

 

Seis distritos com aviso laranja para queda de neve

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Segunda-feira, 2 de Fevereiro (15h00)

Imagem de satélite às 15h00
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Fonte: SAT24
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Tarde instável, com ocorrência de aguaceiros, por vezes acompanhados de trovoadas e queda de granizo.

KRISTIN desenvolveu um processo de “sting jet” ao tocar terra



KRISTIN desenvolveu um processo de “sting jet” ao tocar terra a sul do Porto. Este fenómeno é realmente incomum nas nossas latitudes e certamente será lembrado como um estudo de caso para os profissionais da matéria.
Mas o que é o "Sting Jet”? Por que lhe chamam assim? Um sting jet é uma corrente de vento extremamente intensa, estreita e de curta duração (horas) que desce desde níveis médios da troposfera até a superfície em certos ciclones extratropicais intensos. Associados à estrutura de "ferrão" da nuvem em forma de vírgula, podem gerar furacões superiores a 160 km/h, muitas vezes ligados à ciclogénese de Shapiro-Keyser. Eles são de curta duração, mas carregam no seu centro poderosas rajadas de vento.
Os jactos de ferrão foram formalmente identificados pela primeira vez em 2004 por Keith Browning na Universidade de Reading numa análise da grande tempestade de 1987, embora os prognosticadores tenham conhecido os seus efeitos desde, pelo menos, o final da década de 1960. O jet de ferrão emerge do interior da extremidade da cabeça de nuvem de um ciclone extratropical, uma região de nuvens em forma de gancho perto do centro de baixa pressão e acelera à medida que desce para a superfície.
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Fonte: Andalmet

Por que a Península Ibérica sofre um trem de borrascas contínuo?


Nas últimas semanas, a Península Ibérica sofreu uma mudança drástica no seu padrão meteorológico para estas datas, caracterizado pela passagem incessante de frentes e borrascas. Para entender por que não pára de chover e por que as temporais se acorrentam um após o outro, é necessário olhar para a alta atmosfera e analisar o comportamento da Corrente em Chorro e os bloqueios atmosféricos em latitudes altas.

1. A Corrente em Chorro

O responsável directo por esta situação é o Jet Stream ou Corrente em Chorro. É um rio de ventos fortes que circula a cerca de 10-12 km de altura e que atua como o "director de orquestra" do tempo em latitudes médias. Esta corrente separa o ar frio polar do ar quente subtropical e guia a frente polar, que é a área onde nascem e se deslocam as borrascas.

Normalmente, as borrascas circulam por latitudes mais altas. No entanto, quando o jacto polar se desloca para sul e aponta directamente para a Península, age como uma correia transportadora ou "auto-estrada" que traz as tempestades directamente para nós.

2. O culpado do desvio: O Bloqueio Anticiclónico no Norte

A razão pela qual o jacto polar caiu de latitude e continua apontando para a Península Ibérica reside num fenómeno conhecido como Bloqueio Atmosférico no Atlântico Norte.

O Muro no Norte: Actualmente, formou-se um poderoso anticiclone de bloqueio entre a Gronelândia e a Escandinávia (latitudes altas). Este sistema de alta pressão age como uma rocha em um rio, forçando a corrente jacto a desviar-se.

• A Via Aberta para Sul: Não podendo circular na sua rota habitual para o norte, o jacto é forçado a descer de latitude. Isto abre um "corredor" ou via directa do Atlântico para a Península Ibérica, canalizando uma sucessão de borrascas muito activas para a nossa geografia.

3. Oscilação do Atlântico Norte (NAO) negativa.

Este padrão atmosférico coincide com uma fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte (NAO).

• NAO Positiva: Normalmente, o Anticiclone dos Açores é forte e desvia as borrascas para o norte da Europa.

• NAO Negativa: Na situação actual, o anticiclone dos Açores está enfraquecido ou deslocado. Isto permite que as borrascas circulem mais a sul do que o normal, afectando plenamente Espanha e Portugal. Previsões indicam que este índice se tornaria negativo, favorecendo a chegada de chuvas contínuas.

4. Por que é tão persistente? A ligação com o Árctico.

A duração deste episódio é explicada pela natureza ondulada e lenta do Jet Stream, influenciada pelo aquecimento do Árctico.

Chorro Ondulado: Quando a diferença de temperatura entre o pólo e as latitudes médias diminui, segundo várias linhas de investigação, a corrente jacto pode tender a enfraquecer e tornar-se mais serpenteante, formando grandes meandros conhecidos como Ondas de Rossby.

Padrões estagnados: Estas ondas grandes e lentas fazem com que os padrões meteorológicos "encravem" ou bloqueiam. Se a Península ficar presa no flanco de uma vaguada (a parte baixa da onda onde se alojam as baixas pressões) ou sob a influência de um "Trem de Borrascas", a situação de chuva pode persistir durante semanas sem grandes mudanças.

5. O Factor de Intensidade: Rios atmosféricos e Ciclogénese

Não é só a frequência, mas a intensidade. Essas borrascas frequentemente chegam carregadas de humidade através dos Rios Atmosféricos, bandas longas e estreitas que transportam vapor de água dos subtrópicos para as nossas latitudes, agindo como combustível para precipitações extremas. Além disso, a interacção destas massas de ar com jacto intenso pode provocar processos de ciclogénese explosiva, gerando borrascas profundas e ventos muito fortes em pouco tempo.

Conclusão

A sucessão contínua de borrascas que atravessa a Península não é por acaso, mas o resultado de um bloqueio anticiclónico persistente em latitudes altas (Gronelândia/Escandinávia) que forçou a Corrente em Chorro a circular mais a sul do que o habitual. Esta configuração, somada a uma NAO em fase negativa e a um jacto mais ondulado e lento, deixou a porta do Atlântico “aberta”. Enquanto este padrão de bloqueio se mantiver, a circulação atlântica continuará a agir como um sistema quase estacionário de alimentação de borrascas sobre a Península Ibérica, prolongando os episódios de tempo instável e chuvoso.

Rafael Roldán

 

Vento Extremo na Tempestade Kristin

Figura 1 – Imagem do satélite MTG, produto RGB massa de ar, 05:00 UTC, 28 Jan 2026 (EUMETview, portal EUMETSAT). Notória a presença de um padrão acastanhado nas vizinhanças da tempestade Kristin, sinónimo da presença de ar seco.




Figura 2 – (a) Imagem de PPI de reflectividade (baixa elevação), 05:10 UTC. Visível o padrão da extremidade da massa nebulosa da tempestade Kristin no campo da reflectividade (Sting) e assinalado o local da estação Leiria/aeródromo. (b) Imagem de PPI de velocidade Doppler (baixa elevação), 05:07 UTC. Assinalado o local da estação Leiria/aeródromo. Alcance deste produto (100 km) referenciado a circulo preto em (a). O máximo da velocidade Doppler observada (b) coincide com a extremidade da massa nebulosa (a), no momento em que a estação indicada observava a rajada máxima. Radar de Coruche/Cruz do Leão 28 de Janeiro de 2026.

 

Foi publicada a nota técnica sobre o vento extremo na tempestade Kristin, em 28 de Janeiro de 2026. Um núcleo depressionário que se formou e desenvolveu no bordo sul da tempestade Joseph, sofreu um processo de ciclogénese explosiva a oeste da costa ocidental portuguesa (com rápida e significativa diminuição de pressão atmosférica no seu centro), no período compreendido entre as 21 UTC de dia 27 e as 03 UTC de dia 28 de Janeiro. Este núcleo foi nomeado pelo IPMA como tempestade Kristin.

Esta tempestade sofreu intrusão de ar estratosférico, bastante seco, que ao entrar na sua circulação condicionou e determinou as suas características (Figura 1), que foram as de uma tempestade de vento. Trata-se de uma tempestade cujo principal impacto advém da força do vento. As correntes de ar seco vão evaporando e sublimando hidrometeoros (água e gelo), presentes na massa nebulosa, o que contribui para que se tornem progressivamente mais frias, densas e, consequentemente, acelerem à medida que vão descendo.

Em alguns casos, como no presente, essas correntes de ar podem alcançar a superfície junto à extremidade sul da massa nebulosa, onde produzem episódios de vento muito forte, em geral durante poucas dezenas de minutos, mas, frequentemente, bastante destrutivos. O formato do padrão identificável nas observações com satélite e radar meteorológico que se verificou, historicamente, estar associado à presença destas correntes de ar na referida extremidade levou a comunidade científica a designar o fenómeno como corrente de jacto do tipo Sting (do inglês, ferrão), bem evidente no presente caso (Figura 2). Em geral, a área onde o vento mais forte ocorre, corresponde a um corredor relativamente estreito à superfície, da ordem de poucas dezenas de quilómetros.

Valores de rajada registados pelas estações meteorológicas do IPMA (UTC= hora local):
- Cabo Carvoeiro, (41.4 m/s), 149 km/h, às 04H00

- Ansião (40,5 m/s), 146 km/h, às 05H30

- Leiria/aeródromo (39,4 m/s), 142 km/h, às 05H:00

- Castelo Branco (38 m/s), 137 km/h, às 06H20

- Fóia (37,6 m/s), 135 km/h, às 06H40

- Tomar/Vale Donas (36,9 m/s), 133 km/h, às 05:30

- Cabo da Roca (36,4 m/s), 131 km/h, às 03H00

Na estação meteorológica da base aérea de Monte Real foi observado um valor máximo instantâneo de 48,9 m/s (175,9 km/h), às 05 UTC. Na maioria destes casos o vento máximo verificou-se em associação directa à presença do Sting, embora no Cabo da Roca e Fóia os máximos tenham sido observados noutras áreas da tempestade.

A interacção entre os escoamentos atmosféricos e a orografia não permite excluir a possibilidade de que vento com magnitude superior à observada possa ter ocorrido noutros locais

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Fonte: IPMA

 

Centenas de militares apoiam populações afectadas pela tempestade


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domingo, 1 de fevereiro de 2026

As medidas do Governo para apoiar famílias e empresas afetadas pela depressão Kristin

O Governo anunciou hoje um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.

Eis os principais pontos anunciados pelo primeiro-ministro:

  • Apoios à reconstrução da habitação, agricultura e floresta até 10 mil euros

O Governo aprovou apoios para obras na habitação própria e permanente até 10 mil euros, sem exigência de documentação quando não exista seguro aplicável, mediante vistoria das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e das câmaras municipais. O mesmo regime aplica-se a prejuízos na agricultura e na floresta.

  • Intervenções urgentes em coberturas e telhados

Será realizada na segunda-feira, 03 de Fevereiro, uma reunião em Leiria com a Associação dos Industriais da Construção para organizar respostas rápidas na reparação de telhados e coberturas, considerados prioritários para evitar o agravamento dos prejuízos.

  • Criação de estrutura de missão para a recuperação

Foi criada uma estrutura de missão, sedeada em Leiria, para coordenar a recuperação das zonas afectadas, liderada por Paulo Fernandes, antigo presidente da Câmara do Fundão, articulando ministérios, autarquias, CCDR, sector social e empresas.

  • Aceleração das peritagens dos seguros

As seguradoras comprometeram-se a realizar 80% das vistorias nos próximos 15 dias. Em muitos casos, o registo fotográfico será suficiente para activar seguros e permitir reparações imediatas.

  • Dispensa de licenciamento para obras de reconstrução

As obras de reconstrução, públicas e privadas, ficam dispensadas de licenciamento e de controlo prévio urbanístico, ambiental e administrativo, ao abrigo do regime excepcional.

  • Apoios sociais directos às famílias

Famílias em situação de carência ou perda de rendimentos poderão aceder a apoios da Segurança Social até 537 euros por pessoa ou 1.075 euros por agregado familiar.

  • Apoios às instituições particulares de solidariedade social

Serão disponibilizados apoios financeiros às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e entidades afins para reforço da resposta social nas zonas afectadas.

  • Isenção de contribuições e `lay-off` simplificado

As empresas afectadas beneficiarão de isenção de contribuições para a Segurança Social durante seis meses e de um regime simplificado de lay-off por três meses.

  • Moratórias no crédito à habitação e às empresas

Foi acordada uma moratória de 90 dias nos empréstimos às empresas e no crédito à habitação própria e permanente, com possibilidade de extensão por mais 12 meses após esse período.

  • Moratória fiscal até 31 de Março

As obrigações fiscais entre 28 de Janeiro e 31 de Março ficam adiadas para Abril.

  • Linha de crédito de 500 milhões para tesouraria

Será criada uma linha de crédito de 500 milhões de euros para necessidades de tesouraria das empresas e de outras pessoas colectivas, que o Governo estima ficar disponível dentro de uma semana.

  • Linha de crédito de mil milhões para recuperação empresarial

Uma segunda linha de crédito, no valor de mil milhões de euros, destina-se à recuperação das empresas na parte não coberta por seguros, devendo estar operacional dentro de cerca de três semanas.

  • 400 milhões para infraestruturas rodoviárias e ferroviárias

O Governo vai transferir 400 milhões de euros do Orçamento do Estado para a Infraestruturas de Portugal, destinados à recuperação urgente da rede ferroviária e rodoviária.

  • 200 milhões para autarquias via CCDR

Serão transferidos 200 milhões de euros para as CCDR, para financiamento urgente da recuperação de equipamentos e infraestruturas públicas locais, incluindo escolas.

  • 20 milhões para património cultural

Foi ainda aprovada uma verba de 20 milhões de euros para intervenções urgentes no património cultural afectado.

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Fonte: RTP Notícias

 

Quinze pessoas assistidas no Hospital de Leiria por intoxicação com origem em geradores

Quinze pessoas deram entrada no Hospital de Santo André, em Leiria, por intoxicação com monóxido de carbono com origem em geradores, após a depressão Kristin, disse hoje à agência Lusa fonte hospitalar. De acordo com a mesma fonte, os dados referem-se a ocorrências desde quarta-feira, quando a depressão Kristin atingiu o país e, mais gravemente, a região de Leiria.

As situações têm origem em uso de geradores no interior de habitações, caves ou garagens. Hoje de madrugada, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador, afirmaram fontes da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Protecção Civil. De acordo com o Comando Sub-regional de Emergência e Protecção Civil da Região de Leiria, o alerta para a ocorrência, na localidade de Segodim, União de Freguesias de Monte Real e Carvide, chegou às autoridades pelas 02:30. Fonte do Comando Territorial de Leiria da GNR adiantou que a vítima tinha 74 anos. O Município de Leiria lamentou a morte do idoso, reconhecendo que o recurso a geradores a combustão aumentou exponencialmente nos últimos dias, devido à falta de electricidade na sequência da depressão Kristin e pelou para a tomada de medidas de prevenção no uso deste tipo de equipamentos.

Já na última noite, em Fervença, concelho de Alcobaça (Leiria), uma intoxicação com origem num gerador afectou nove pessoas, cinco das quais em estado grave, afirmou hoje o comandante dos Bombeiros Voluntários locais. Segundo Leandro Domingos, tratou-se de uma "intoxicação com monóxido de carbono, na noite de ontem [sábado], porque tinham um gerador dentro da habitação". As vítimas têm idades compreendidas entre os 22 e 65 anos, tendo sido transportadas para as unidades hospitalares de Alcobaça e Leiria.

Nas redes sociais, a GNR de Leiria alerta que com o frio se procura o conforto das lareiras e, em caso de falha de energia, se recorre a geradores, mas ambos "podem libertar monóxido de carbono, um gás altamente tóxico, sem cheiro, cor ou sabor, que pode ser fatal". O Comando Territorial de Leiria lembra que, em caso de lareiras e braseiros, "a ventilação é vital", pedindo aos cidadãos que deixem "sempre uma fresta numa janela". Por outro lado, salienta a necessidade de limpeza de chaminés, pois "uma chaminé obstruída faz com que os gases tóxicos recuem para dentro de casa", apelando para que se apaguem sempre as brasas antes de dormir.

Quanto aos geradores, estes devem estar sempre no exterior, nunca o ligando "dentro de casa, na garagem ou em anexos, mesmo com janelas abertas". Neste caso, tem de ser observada uma distância de segurança, sendo que "o escape deve estar a pelo menos seis metros de distância de qualquer entrada de ar da habitação", além de que deve ser confirmado que o fumo do gerador não está a ser empurrado para o interior da casa.

Os sinais de intoxicação são "dores de cabeça, tonturas, náuseas, confusão ou sonolência súbita" e, se tal suceder, o apelo aos cidadãos é para que saiam imediatamente para o ar livre e liguem para o 112.

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Fonte: RTP Notícias

 

Quase 700 operacionais em Leiria, incluindo pelotões de fuzileiros

Quase 700 operacionais, incluindo três pelotões do Exército, estão hoje no concelho de Leiria, gravemente afectado pela depressão Kristin, a desenvolver trabalhos de limpeza e reconstrução, foi hoje anunciado. "Temos no terreno actualmente 670 operacionais, reforçados durante esta madrugada com três pelotões de fuzileiros do Exército", afirmou aos jornalistas o vereador Luís Lopes, que tem o pelouro da Protecção Civil, numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, o centro de operações municipal.

Segundo o autarca, hoje o foco é a "estabilização de todo este território relativamente à recolha das árvores que ainda estão em queda" e "também a desobstrução dos principais cursos de água", os rios Lis e Lena, dada a possibilidade de cheias nos próximos dias.

Face à hipótese do incremento de vento, haverá também "uma especial atenção a todas as estruturas que estão actualmente afectadas", referiu. Sobre o apoio à população, as acções decorrem em "articulação com todas as entidades que estão no terreno", desde bombeiros, juntas de freguesia e unidades locais de Protecção Civil, havendo equipas a fazer o levantamento de situações por resolver e sinalizando ao centro de operações.

Os postos para entrega de bens, quer no pavilhão dos Pousos, quer no estádio municipal, estão a ser reforçados, agora com outros componentes, nomeadamente materiais de construção. "A afluência tem sido de milhares de pessoas e a expectativa é que se mantenha nos próximos dias", declarou, adiantando existir uma alteração das necessidades. Além dos bens alimentares, lonas e plásticos, há pessoas a tentar reparar os seus telhados, pelo que até ao final da tarde vão ser entregues telhas.

Para o município, além da questão da Protecção Civil, a preocupação passa pela ajuda e proximidade à população. "Temos várias equipas da Acção Social e Segurança Social a fazer agora praticamente um porta-a-porta para verificar em que circunstâncias as pessoas se encontram, principalmente os casos mais vulneráveis", declarou.

Neste aspecto, o município vai disponibilizar ajuda para que aquelas que têm menor capacidade física ou financeira, com recursos de construção civil para poderem fazer reparações em suas casas.

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Fonte: RTP Notícias

 

E-Redes mobilizou 450 geradores para zona afectada

A E-Redes mobilizou 450 geradores para a zona afectada pela depressão Kristin, que provocou corte de electricidade, disse hoje o presidente do conselho de administração da empresa, José Ferrari Careto. "Neste momento, temos cerca de 450 geradores mobilizados para a zona afectada pelo temporal. Há depois uma logística própria de transporte e de instalação destes geradores", referiu José Ferrari Careto, nos Bombeiros Sapadores de Leira, onde está o centro de operações do município.

Em conferência de imprensa, este responsável explicou que os geradores "não são propriamente portáteis", mas têm "uma dimensão e um peso consideráveis", decorrendo da alimentação destes equipamentos. Sobre as zonas rurais, existe "uma quantidade muito significativa de apoios, de postos na rede de média tensão e na rede de baixa tensão que estão danificados, que estão no chão".

"Estamos a recuperar várias linhas de média tensão. É um trabalho demoroso, é um trabalho que já vai numa grande capilaridade na rede e é um trabalho que vai demorar algum tempo", avisou, esclarecendo que à medida que as operações decorrem novas dificuldades são identificadas. Garantindo que a empresa está a fazer tudo ao seu alcance, com os seus parceiros e até equipas de Espanha, o presidente do conselho de administração frisou que a empresa parou totalmente as suas actividades de investimento, para priorizar o restabelecimento de electricidade.

Sobre Leiria, assinalou que "não houve muitos concelhos afectados ao nível de subestações" como neste, onde ainda há duas sem funcionar, Andrinos e Pinheiros. "Ao nível do país, neste momento, há apenas dois concelhos afectados ao nível de subestações e é Leiria e também o concelho de Pombal, que tem uma subestação também fora de serviço, que é a subestação de Ranha", referiu.

Assegurando que estão a ser feitos "esforços no sentido de recuperar essas três subestações que ainda subsistem desligadas", José Ferrari Careto admitiu que é uma "reposição demorada", pois trata-se de "torres de 20 a 30 metros que pesam entre cinco e 10 toneladas". Segundo o responsável, a empresa está "a tentar encontrar métodos expeditos para poder fazer essa reposição", podendo, inclusivamente, passar por estender a rede subterrânea, "para evitar ter demoras".

"Importante dizer que a alimentação que neste momento estamos a fazer ao concelho de Leiria passa muito pelas subestações que estão, obviamente, já disponíveis e passa por um aproveitamento da rede subterrânea que Leiria tem", acrescentou. Das 20 freguesias de Leiria, três já têm geradores instalados, prevendo-se que até ao final do dia de hoje outros possam ser colocados.

O presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, considerou, no entanto, que a solução de geradores é uma vela colocada na escuridão das freguesias, dado que darão, apenas, para alimentar "um pavilhão onde as pessoas possam tomar banho, ligar carregadores e algumas casas à volta".

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Fonte: RTP Notícias

 

Policiamento foi intensificado e reforçado na Marinha Grande

A segurança foi reforçada na Marinha Grande e o policiamento intensificado junto a postos de combustível e outros locais críticos, anunciou a Câmara Municipal. "Foram activadas redes alternativas de comunicação, reforçada a vigilância em zonas críticas e mobilizados reforços de Lisboa, Aveiro e Vila Real, na PSP", informou hoje o município da Marinha Grande, no distrito de Leiria, após o `briefing` de balanço sobre a resposta em curso às consequências da passagem da depressão Kristin no concelho.

O presidente da Câmara da Marinha grande, Paulo Vicente, agradeceu o empenho das forças de segurança, sublinhando o reforço significativo no terreno, de elementos da PSP e da GNR. Segundo o autarca, a GNR destacou como principal dificuldade os constrangimentos nas comunicações, incluindo vulnerabilidades na rede SIRESP.

O policiamento foi intensificado junto a postos de combustível e outros locais, reforçado o dispositivo com 22 militares, em São Pedro de Moel e Vieira de Leiria. "O Serviço Municipal de Protecção Civil continua a formar e a mobilizar equipas, apontando um elevado número de participações, em articulação com as forças de segurança e restantes agentes de protecção civil".

A autarquia informou também que está a funcionar uma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP), no Sport Império Marinhense, que acolhe, actualmente, 75 pessoas.

Existe ainda no local uma equipa multidisciplinar de apoio permanente, constituída por médica, enfermeira, assistente social e assistente operacional. Na sede da SBR 1.º de Janeiro, no lugar da Ordem, foi instalada uma segunda ZCAP, numa tenda disponibilizada pelas Forças Amadas, que está a albergar desalojados e voluntários e é apoiada por duas técnicas de serviço social e profissionais de saúde.

O município destaca a forte mobilização solidária registada, com mais de 1.500 voluntários provenientes de todo o país, incluindo algumas figuras públicas. "Os voluntários estão a ser canalizados para tarefas compatíveis com a sua actividade profissional, garantindo continuidade e eficácia no apoio. Os escuteiros da Marinha Grande e de Vieira de Leiria estão, igualmente, no terreno, em articulação com os serviços sociais".

A população pode recolher bens essenciais no Pavilhão Nery Capucho, das 09:00 às 18:00, e quem precisar de material de construção, deve dirigir-se ao Estaleiro Municipal (Rua do Matadouro). A Câmara Municipal da Marinha Grande está também a garantir refeições aos operacionais que estão a trabalhar nas acções de limpeza, voluntários e desalojados.

A cantina social entrou em funcionamento no sábado, na Cantina da Embra (junto à escola Básica João Beare), que está a fornecer refeições a famílias carenciadas, das 12:00 às 14:00 e das 18:00 às 20:00. A autarquia sublinha ainda que em Vieira de Leiria, nas instalações da Junta de Freguesia, estão a ser asseguradas refeições para famílias carenciadas e forças de segurança e entregues bens essenciais. É ainda disponibilizada rede wifi.

Na Moita, foi reposta a água, mantendo-se constrangimentos na energia eléctrica e nas telecomunicações.

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Fonte: RTP Notícias