Pequim, 10/11 – O comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson, apelou hoje ao governo chinês para que articule o crescimento económico com o combate às alterações climáticas. Numa conferência em Pequim sobre comércio e alterações climáticas, Mandelson incitou a China, que depende do carvão para satisfazer a maioria das suas necessidades energéticas, a contabilizar o custo ambiental do crescimento económico."Em nenhum outro local do mundo as emissões de gases com efeito estufa crescem tanto quanto na China, onde a cada semana entra em funcionamento uma nova central energética a carvão", disse Mandelson. O responsável europeu citou também o estudo do antigo economista-chefe do Banco Mundial Nicholas Stern, dizendo que "o custo das alterações climáticas ameaça prejudicar o crescimento económico tanto quanto a grande depressão nos anos 30 do século passado".
"O crescimento económico e o comércio são parte do problema. Será que os podemos tornar mais sustentáveis? Como é que podemos torná-los parte da solução?", questionou o comissário. Peter Mandelson disse também que Pequim deve passar a ter um maior envolvimento no debate internacional sobre comércio e alterações climáticas, até por que a China deve no médio prazo ultrapassar os Estados Unidos e tornar-se no maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, que causam o aquecimento global. "A China deve estar no centro de qualquer debate futuro sobre comércio e alterações climáticas", sublinhou Mandelson, adiantando que os países em vias de desenvolvimento têm também "uma responsabilidade especial", uma vez que são responsáveis por mais de 80 por cento da emissão de gases com efeito de estufa.
A China é actualmente o segundo maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, mas as previsões apontam para um crescimento das emissões chinesas na ordem dos 17,8 por cento até 2025. O país tem também 16 das 20 cidades mais poluídas no mundo, e os níveis de poluição atmosférica excedem os limites da Organização Mundial de Saúde em 70 por cento das cidades chinesas.
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Fonte: Angola Press
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