quinta-feira, 15 de março de 2007

900. Secretário de Estado do Ambiente considera que energia nuclear não é opção para Portugal

A energia nuclear não é uma opção para Portugal, estando fora de questão o Governo autorizar esse tipo de unidade de geração de electricidade, disse Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente.
O empresário Patrick Monteiro de Barros tem reiterado o seu interesse em lançar uma central nuclear em Portugal, defendendo que é uma alternativa mais barata de produção de energia eléctrica e permitiria ao país cumprir mais facilmente Quioto, posição que abriu o debate desta questão. "A discussão sobre o nuclear é interessantíssima, aliás está em curso na nossa sociedade mas, se isso quer dizer que é uma opção para este Governo? Não", disse em entrevista à Reuters - "Isso está dito, com muita clareza, pelo primeiro-ministro e pelo actual ministro da Economia", adiantou Humberto Rosa.
Afirmou que, pessoalmente, tem "as maiores dúvidas sobre a bondade dessa opção, caso fosse tomada", adiantando: "há dúvidas ambientais e económicas que me parecem até determinantes". "Contados todos os investimentos necessários e custos parece-me duvidoso que seja uma opção barata. Quanto a ser uma energia limpa, só é limpa se descontarmos a parte suja que são os resíduos", frisou. Lembrou que "os resíduos nucleares são de longa-duração e não têm uma solução pois a humanidade não inventou ainda uma solução adequada para esses resíduos".
"Alguns dizem que nós temos urânio, é verdade. Mas, se usássemos urânio nosso, nem sequer era limpo em CO2 porque só extraímos urânio no sub-solo através de combustíveis fósseis. Portanto, mesmo para uma invocação no contexto de Quioto me parece duvidoso", afirmou. "Não é a mesma coisa discutir se França deve continuar com o nuclear e discutir se Portugal deve ter nuclear. É muito diferente um país, que já tem instalado o nuclear no seu território e tem uma infraestrutura de capacidade de rede eléctrica e recursos humanos, de outro que teria custos acrescidos de arrancar do zero", acrescentou.
* * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte:
Diário Económico

Sem comentários: