sábado, 29 de dezembro de 2007

1464. Faro: Ambiente chumba parque nómada

Uma família de etnia cigana, que ocupa um terreno do Parque Natural da Ria Formosa, anseia por um espaço com água e electricidade, mas as autoridades ambientais chumbaram um parque nómada que a Câmara de Faro queria instalar onde o clã está a viver. O projecto, para o qual já tinha sido aprovado financiamento comunitário, consistia na construção de um espaço com cozinha e balneários colectivos na zona do Rio Seco, entre Faro e Olhão, mas o Parque Natural da Ria Formosa (PNRF) não o viabilizou.
A família, com cerca de 40 elementos, ocupou durante dois anos um espaço igualmente em área protegida, junto ao Teatro Municipal de Faro, mas por querer avançar com a requalificação da zona ribeirinha, a Câmara chegou a acordo com a família para que se deslocasse para um novo espaço. O Parque Natural afirma “nada ter contra” a instalação da família na área protegida e explica que a inviabilização do parque nómada não se prende exclusivamente com valores naturais presentes.
Segundo disse à Lusa a direcção do PNRF, o projecto foi chumbado pelo facto do terreno estar integrado no Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura/Vila Real de Santo António, classe de áreas húmidas e ameaçadas pelas cheias. “Para além de ser Reserva Ecológica Nacional, estas classes de espaço são bastante restritivas quanto a qualquer tipo de edificação, ocupação e alteração da morfologia dos terrenos”, acrescentou.
A zona anteriormente ocupada pelo clã, no Parque Ribeirinho da cidade, apesar de também estar integrada no Parque Natural, é classificada como área de enquadramento, logo menos sensível e sujeita a condicionamentos. A autarquia local quer instalar ali equipamentos desportivos e de lazer, o que deverá acontecer em meados do próximo ano, razão pela qual pediu à família que se transferisse para outro terreno, igualmente propriedade da Câmara.
O clã, composto por oito casais e cerca de 20 crianças, ocupa agora um terreno recatado e longe dos olhares citadinos, numa zona de canavial, onde não há electricidade nem água potável. Ainda a montar as habitações de madeira, material fornecido pela própria autarquia, a família queixa-se sobretudo da falta de água e do mau cheiro provocado pelos esgotos e teme a época das chuvas.
“Quando chover isto vai ficar tudo alagado, temos que sair daqui de barco”, lança um dos membros do clã, dizendo que o pior de tudo são as crianças, algumas com poucos meses de vida e mais vulneráveis a doenças. Era para aquele espaço que estava prevista a instalação do parque nómada, dotado de água e luz, com capacidade para vinte habitações provisórias e para ser utilizado por curtos períodos de tempo.
“Estamos neste momento à procura de outro terreno para poder concretizar o projecto do parque nómada, que já tinha fundos comunitários aprovados”, à semelhança do que existe em Évora e em Espanha, disse à Lusa João Marques, vereador da Câmara de Faro, responsável pela Habitação. Enquanto o parque nómada não avança, as populações nómadas terão que procurar outros sítios para erguer as suas habitações e depender da boa vontade das autoridades locais.
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