sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

1503. Cimeira Ibérica: Ambientalistas defendem caudais mensais de bacias hidrográficas

Três organizações ambientalistas defendem a definição de um regime de caudais mensais das bacias hidrográficas ibéricas como forma de garantir a sobrevivência das espécies aquáticas e uma melhor gestão da produção de energia. A posição, defendida em comunicado pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, Liga para a Protecção da Natureza e Quercus, surge na véspera da XXIII Cimeira Ibérica, que debaterá em Braga, entre outras questões, o aproveitamento dos recursos hídricos de Portugal e Espanha.
Em declarações à Agência Lusa, a vice-presidente da Liga para a Protecção da Natureza, Paula Chainho, lembrou que a Convenção sobre a Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas (Convenção de Albufeira) estabelece "um regime provisório anual de caudais que tem de ser revisto", mas que até agora não feito, apesar do documento estar em vigor há sete anos. "A Convenção apenas define um regime sazonal para o Guadiana e um regime de excepção em caso de seca", ressalvou Paula Chainho.
Os ambientalistas sustentam que deveria ser determinado um regime de caudais mensais como meio de assegurar a "sobrevivência dos ecossistemas aquáticos" e as "necessidades de produção de energia eléctrica". Paula Chainho exemplificou que a libertação de caudais "torrenciais" no Inverno e "nulos" no Verão pode "afectar o ciclo de vida das espécies".
Por outro lado, um regime de caudais anuais "é insuficiente para satisfazer as necessidades de produção de energia eléctrica", advogou. A dificuldade no acesso a "informação técnica" sobre a Convenção, que "não garante a participação pública", também é criticada pelos ambientalistas.
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