terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

1571. Mau Tempo: População de Sines avia-se em camiões cisterna e esgota água nos supermercados

Sem água desde segunda-feira em consequência do mau tempo, a população de Sines tem recorrido ao "avio" nos camiões cisterna e à compra de garrafões nos supermercados, enquanto espera que as torneiras voltem a pingar, hoje à tarde. A interrupção do abastecimento público de água, desde as 10:30 de segunda-feira, deveu-se a um deslizamento de terras, causado pelas fortes chuvadas, que provocou a ruptura da principal conduta da cidade, na Estrada da Afeiteira.
A ruptura afectou grande parte do núcleo urbano, deixando apenas de fora a Zona Industrial Ligeira (ZIL) nº 2 e dois bairros, onde o corte de água "só durou duas ou três horas", explicou hoje à agência Lusa o vereador responsável pela protecção civil, António Nogueira. A poucas horas de ser restabelecido o abastecimento público, os populares ainda recorriam à compra de garrafões de água de cinco litros nos supermercados da cidade, que esgotaram os stocks.
"Segunda-feira à tarde vendemos mais de 60 garrafões. Esgotámos o stock que havia no armazém e o meu patrão já teve de ir abastecer para repormos o produto mais logo", contou uma funcionária de um minimercado. Na prateleira, somam-se apenas algumas garrafas de água de 1,5 litros, só procuradas pelos clientes "no caso de não conseguirem comprar garrafões noutros locais", disse.
Num dos supermercados do centro da cidade a água engarrafada já foi hoje reposta três vezes e a procura continua, apesar do anúncio do restabelecimento do fornecimento público para hoje à tarde. Junto ao camião cisterna da autarquia, que circula pela cidade carregado de oito mil litros de água, dezenas de pessoas vão chegando, munidas de baldes e garrafões. "Vim aviar-me, mas isto não é quase nada", desabafou um dos populares, carregando dois garrafões de cinco litros em cada mão.
"Se Deus quiser, daqui a pouco já temos água", alegou uma senhora, quando transportava três garrafões, para juntar em casa aos que o marido já levou. "Somos cinco pessoas lá em casa e esta água já dá, pelo menos, para lavar a loiça", garantiu.
O abastecimento de água à população através de camiões cisterna começou na tarde de segunda-feira, com a colocação de meia dúzia de viaturas municipais e dos bombeiros nos bairros da cidade. "A principal preocupação foi com as escolas, infantários e a Santa Casa da Misericórdia, mas vamos manter os carros na rua até que a água chegue totalmente a casa das pessoas", afiançou à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Sines (BVS).
A corporação, que também disponibiliza água num tanque estacionado junto ao quartel, tem acorrido a um sem número de solicitações de populares e já colocou mesmo um elemento de serviço "só para atender as chamadas telefónicas". O corte de água, que afectou 10 mil habitantes de Sines, está prestes a chegar ao fim, com o restabelecimento da rede pública, hoje à tarde. "Isto tem de ser feito muito lentamente, porque se trata da conduta principal da cidade e a pressão da água é muita. Por isso, a água vai começando a aparecer aos poucos na casa das pessoas", assegurou o vereador António Nogueira.
A reparação da conduta foi feita por seis homens da equipa das águas da câmara, que trabalharam até de madrugada para concluir os trabalhos. "Hoje, tivemos apenas que aguardar que o betão secasse para poder ligar a água", disse o autarca.
O deslizamento de terras, que não provocou feridos, ocorreu numa zona da cidade em que se situa uma grande superfície comercial, onde decorrida a reparação de uma conduta de água que tinha uma ruptura parcial.
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