As populações indígenas sentem primeiro as alterações climáticas mas têm mais meios de subsistência face aos seus efeitos graças à experiência e cultura tradicionais. A conclusão é de um estudo publicado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
De acordo com os responsáveis, os povos indígenas podem ter um papel fundamental na sobrevivência humana às mudanças do planeta. "Estas populações vivem literalmente no limiar – são altamente dependentes dos ecossistemas naturais, ocupam terras marginais, estão sobre pressão social e muitas ressentem-se com a falta de representação politica adequada para melhorar a sua situação", assinala Gonzalo Oviedo, do grupo de Política Social da IUCN e co-autor do estudo. "Estão especialmente vulneráveis às alterações climáticas". Mas o relatório conclui que estas populações não serão meras vítimas.
"Graças à sua longa dependência da natureza desenvolveram estratégias para lidar com as mudanças climáticas ou situações naturais extremas. Estas estratégias continuam a ser tão relevantes hoje como eram há centenas de anos", defende Julia Marton-Lefèvre, directora-geral da IUCN. Segundo Gonzalo Oviedo, as três conclusões principais são que o risco de vulnerabilidade varia entre populações e é muito elevado em algumas regiões do planeta, que a comunidade internacional não se tem dedicado o suficiente a esta questão e que há muito a aprender com o passado e com as várias experiências de adaptação destes povos.
O relatório identifica algumas estratégias a reabilitar, entre elas, por exemplo, o método de cultivo de Quezungal, na América Central, em que a plantação se faz debaixo de árvores de forma a que as raízes agarrem o solo e diminuam a devastação das colheitas em caso de desastres naturais como tornados.
O documento apela aos decisores políticos para terem em conta os conhecimentos tradicionais no que diz respeito à elaboração de estratégias para fazer frente às alterações climáticas. Mas muito mais pode ser feito, adianta Gonzalo Oviedo. "Por exemplo em Israel, que é uma das zonas mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas pelo terreno árido e seco, estamos a incentivar as populações tradicionais a aumentar os espaços verdes nos locais onde vivem, o que providenciará uma espécie de 'pára-choques' de vegetação para os efeitos da seca", explica o responsável. "Na América estamos a trabalhar com algumas comunidades costeiras de forma a melhorar as suas florestas e no Oceano Índico incentivamos a replantação dos terrenos lodosos costeiros que são barreiras fundamentais contra os impactos do mar", acrescenta.
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Fonte: Ciência Hoje
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