segunda-feira, 5 de maio de 2008

1745. Lisboa: Quercus apoia Wind Parade e sugere avaliação sobre impacto no fim do projecto

A associação ambientalista Quercus considerou a iniciativa Wind Parade, que prevê a instalação de turbinas eólicas em Lisboa, "muito interessante", sugerindo que os impactos positivos e negativos sejam avaliados no fim do projecto que dura seis meses. A proposta de instalação de 15 turbinas eólicas na cidade no âmbito da iniciativa Wind Parade foi apresentada pelo vereador do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, mas suscitou os protestos de toda a oposição camarária depois de ter sido retirada para evitar um mais que provável "chumbo", justificado com os impactos visuais e sonoros decorrentes do projecto. Apesar de retirada, a proposta vai avançar sendo aplicada por decisão directa do presidente da autarquia.
Ana Rita Antunes, da Quercus, entidade que foi convidada a participar no projecto, considerou a iniciativa "muito interessante" e desvalorizou os impactos associados às turbinas. "O contributo em termos de produção de electricidade não é muito significativo, mas a iniciativa é muito bem vinda, sobretudo devido à mais valia que traz em termos da sensibilização para estas questões", observou.
O Wind Parade assenta na colocação deste tipo de equipamentos e inclui um "road-show" pelas escolas aderentes da cidade, dedicado à sensibilização ambiental para as questões das alterações climáticas e eficiência energética, que conta com a participação desta organização ambientalista.
Instada a comentar a polémica em torno dos impactos negativos do projecto, Ana Rita Antunes admitiu que as "turbinas eólicas têm sempre impacto visual" e salientou que "deve ser salvaguardado o problema do ruído". No entanto, tratando-se de um projecto experimental, "poderá ser feita uma avaliação no final, questionando as pessoas sobre o que sentem relativamente a estes impactos", sugeriu, lembrando que a instalação não é definitiva.
O evento, que se realiza entre 15 de Junho e 31 de Dezembro, é apoiado por instituições do sector das energias renováveis e promovido pelas empresas "Energia Lateral" e "For the Future". A "Energia Lateral" disponibiliza no seu "site" um estudo de mercado, realizado em finais de 2006, que visava avaliar o potencial da implantação do conceito das turbinas eólicas urbanas e que contou com a participação de mais de 270 inquiridos (233 particulares, 20 empresas e 20 câmaras municipais). O estudo evidenciou "grande envolvimento dos inquiridos nos aspectos que se relacionam com a sua contribuição para o aquecimento global" e demonstrou "o interesse de todos os grupos no conceito de micro-turbinas eólicas urbanas".
Todos os locais indicados como potenciais para colocação de turbinas foram avaliados positivamente, incluindo edifícios, condomínios, escolas, estradas, postes de antenas celulares e de iluminação pública, instalações de fábricas e parques de centros comerciais ou hipermercados. "Assinalável é o facto dos particulares considerarem uma turbina eólica num condomínio novo como um factor de diferenciação: 78 por cento dos inquiridos admitem, num eventual processo de compra de um andar/moradia, terem interesse no facto de o mesmo
ter uma turbina instalada de raiz", revela o inquérito.
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