sábado, 13 de dezembro de 2008

2156. ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: Cimeira de Poznan termina com conflito entre países pobres e países ricos

Após 12 dias de negociações, as nações ricas são criticadas pelos países emergentes e em desenvolvimento por não aceitarem ampliar o financiamento do Fundo de Adaptação para combater as consequências do aquecimento global.
A conferência mundial sobre mudanças climáticas das Nações Unidas chegou ao fim neste sábado (13/12) em Poznan, na Polónia, com um conflito entre países ricos e nações em desenvolvimento. A União Europeia e outros Estados desenvolvidos negaram-se a aceitar uma exigência destes últimos de que fosse imposta uma taxa de 2% sobre todas as transacções no mercado de emissões de carbono, a fim de ampliar o fundo de ajuda aos mais pobres.
Por mais que tenham finalmente libertado 60 milhões de dólares para o Fundo de Adaptação, destinado a ajudar países em desenvolvimento e emergentes a lidar com as consequências da mudança climática, a União Europeia admitiu que seriam necessários milhares de milhões de dólares para dar conta da tarefa.
Mesmo assim, os países industrializados disseram que é cedo demais para a sugestão, o que gerou fortes críticas. A Índia acusou as nações ricas de "crueldade, estrategismo e ofuscação", lembrando que as vítimas das mudanças climáticas são frequentemente os mais pobres. Para o representante indiano, Prodipto Ghosh, milhões de pessoas sofrem pois os países ricos não estão dispostos a ceder uma parte mínima de seus lucros com a venda de certificados de emissão. "Teremos que investir mais energia em diminuir o crescente fosso entre os dois lados", disse o representante do Gana. "É um fosso de visão, o que não é um bom sinal para o futuro."
A maratona de quase duas semanas de negociações resultou em pouco progresso nas principais questões, entre elas a redução das emissões de gases-estufa, devido principalmente ao facto de muitos países estarem a aguardar até que Barack Obama assuma o governo dos Estados Unidos em 20 de Janeiro próximo.
Além disso, a linguagem emocional na sessão de encerramento fez com que a tentativa de redigir uma declaração conjunta falhasse, com muitos representantes ressaltando a dificuldade de se levar adiante a luta contra o aquecimento global em época de crise económica – tema abordado por diversos palestrantes.
De modo que não foram definidas metas claras de redução das emissões, nem houve progressos na luta contra o desmatamento florestal. Mesmo assim, os representantes de 189 países aprovaram um plano de acção que define os rumos de negociações até a cúpula de Copenhaga em Dezembro do ano que vem e confirma o ano de 2009 como prazo para que estas se encerrem.
Os países industrializados cederam também à pressão dos emergentes ao aceitar que o acesso às verbas do fundo de ajuda seja facilitado, sem que nações pobres tenham que passar por longos e burocráticos processos. A decisão coloca agora os países emergentes sob pressão para que concordem em reduzir as suas emissões. O objectivo é que se aprove em Copenhaga um tratado global em substituição do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

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Fonte: DW

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