Na Viagem ao Centro da Terra, o clássico de Júlio Verne, um grupo de aventureiros desce por uma fenda na crosta terrestre e encontra um mundo inteiramente novo dentro de um espaço oco existente no centro do planeta. Neste universo subterrâneo há um oceano, diamantes gigantescos e até um sistema misterioso de iluminação. O francês Verne, que morreu em 1905, escreveu sobre viagens no fundo do mar, à Lua e pelos ares muito antes que o submarino, o foguete e o avião fossem inventados. Agora parece que ele também estava certo, pelo menos em parte, sobre a existência de um mar no interior da Terra.
Um estudo produzido por oceanógrafos da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos, sugere a existência de grandes quantidades de água entre 250 e 650 quilómetros abaixo da crosta terrestre. Não são lagos e cascatas encantadoras como as da ficção científica de Verne. Mas, de qualquer forma, revela a presença de água em profundidades antes inimagináveis.
O objectivo do estudo foi o de realizar uma análise inédita da condutibilidade eléctrica do manto terrestre, em profundidades que chegaram a 1 600 quilómetros. O manto é a camada viscosa, com quase 3 000 quilómetros de espessura, que separa a superfície e o núcleo sólido da Terra. Com o uso de aparelhos desenvolvidos pela NASA que realizam uma espécie de tomografia do campo magnético, o estudo mediu a condutibilidade em 59 pontos do planeta. A partir das medições, foi desenhado um mapa-múndi da condutibilidade global. Percebeu-se então que em certas partes do manto a capacidade de conduzir energia é três vezes maior do que noutras áreas. "É provável que haja água no interior das rochas, já que ela é um óptimo condutor de electricidade", disse a VEJA o americano Adam Schultz, geólogo e um dos autores da pesquisa.
No mapa-múndi criado pelos pesquisadores americanos, as áreas que abrigariam água nas profundezas são justamente as repletas de vulcões e terramotos, como a costa oeste americana, o norte do Oceano Pacífico e o Japão. "Pensávamos que havia perto de um centésimo de água dentro das rochas do manto. Uma condutividade eléctrica tão alta, como a que o estudo mostrou, sugere que a quantidade de água possa ser dez vezes maior", diz o geógrafo Marcelo Assumpção, da Universidade de São Paulo. Os pesquisadores não conseguem determinar o tamanho das porções de água ou a forma que elas teriam. A 500 quilómetros de profundidade a pressão (que pode ser 1,5 milhão de vezes maior que a do nível do mar) e a alta temperatura (2.000 graus) impediriam a existência de água na sua forma líquida.
A presença de água é a explicação mais fascinante para a alta condutibilidade dessas regiões, mas não é a única possível. O manto terrestre é uma mistura heterogénea de rochas pastosas, formada por dezenas de minerais diferentes. Em áreas com maior presença de carbono, a condutibilidade eléctrica é tão alta como em rochas húmidas. Como Júlio Verne mostrou há quase 150 anos, o centro da Terra é repleto de mistérios.
Um estudo produzido por oceanógrafos da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos, sugere a existência de grandes quantidades de água entre 250 e 650 quilómetros abaixo da crosta terrestre. Não são lagos e cascatas encantadoras como as da ficção científica de Verne. Mas, de qualquer forma, revela a presença de água em profundidades antes inimagináveis.
O objectivo do estudo foi o de realizar uma análise inédita da condutibilidade eléctrica do manto terrestre, em profundidades que chegaram a 1 600 quilómetros. O manto é a camada viscosa, com quase 3 000 quilómetros de espessura, que separa a superfície e o núcleo sólido da Terra. Com o uso de aparelhos desenvolvidos pela NASA que realizam uma espécie de tomografia do campo magnético, o estudo mediu a condutibilidade em 59 pontos do planeta. A partir das medições, foi desenhado um mapa-múndi da condutibilidade global. Percebeu-se então que em certas partes do manto a capacidade de conduzir energia é três vezes maior do que noutras áreas. "É provável que haja água no interior das rochas, já que ela é um óptimo condutor de electricidade", disse a VEJA o americano Adam Schultz, geólogo e um dos autores da pesquisa.
No mapa-múndi criado pelos pesquisadores americanos, as áreas que abrigariam água nas profundezas são justamente as repletas de vulcões e terramotos, como a costa oeste americana, o norte do Oceano Pacífico e o Japão. "Pensávamos que havia perto de um centésimo de água dentro das rochas do manto. Uma condutividade eléctrica tão alta, como a que o estudo mostrou, sugere que a quantidade de água possa ser dez vezes maior", diz o geógrafo Marcelo Assumpção, da Universidade de São Paulo. Os pesquisadores não conseguem determinar o tamanho das porções de água ou a forma que elas teriam. A 500 quilómetros de profundidade a pressão (que pode ser 1,5 milhão de vezes maior que a do nível do mar) e a alta temperatura (2.000 graus) impediriam a existência de água na sua forma líquida.
A presença de água é a explicação mais fascinante para a alta condutibilidade dessas regiões, mas não é a única possível. O manto terrestre é uma mistura heterogénea de rochas pastosas, formada por dezenas de minerais diferentes. Em áreas com maior presença de carbono, a condutibilidade eléctrica é tão alta como em rochas húmidas. Como Júlio Verne mostrou há quase 150 anos, o centro da Terra é repleto de mistérios.
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Fonte: VEJA.com
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