terça-feira, 29 de setembro de 2009

2599. Alimentação de 1 600 milhões de asiáticos ameaçada por mudança climática

A segurança alimentar de cerca de 1 600 milhões de habitantes do Sul da Ásia está ameaçada por causa das secas, das chuvas torrenciais e outros efeitos das alterações climáticas, advertiu o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD). Um relatório da instituição financeira com sede em Manila, identifica o Afeganistão, Bangladesh, Índia e Nepal, como os países mais vulneráveis a essa crise alimentar que pode suscitar o desaparecimento de campos de cultivos em consequência das alterações climáticas.
"A vulnerabilidade do Sul da Ásia às alterações climáticas tem implicações extremamente sérias para a agricultura e, portanto, também na segurança alimentar", assinala o BAD. Segundo o estudo, estes quatro países do sul do Ásia e especialmente os que têm uma alta densidade de população como Índia e Bangladesh, verão reduzida de forma notável a extensão de cultivos e a água durante as próximas quatro décadas.
Se continuar a actual tendência, antes 2050 a produção de arroz cairá 10%, enquanto a de trigo, 12%, e a de milho registará uma redução de 17%, de acordo aos dados recolhidos pelo estudo. "A escassez de comida provocará uma subida dos preços e reduzirá o consumo de calorias por parte da população de toda a região", aponta a instituição bancária.
O estudo sobre os efeitos das alterações climáticas na segurança alimentar no Sul da Ásia segue o apresentado em Abril passado pelo BAD no qual alertava que a região que padecerá graves perdas económicas se não freia os efeitos do aquecimento global. Nessa altura, o BAD avisou que se continuava a actual inércia para fazer frente ao fenómeno, as perdas poderiam supor até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) de países como as Filipinas, Indonésia, Tailândia ou Vietname.
A segurança alimentar se verá ameaçada pela queda na produção de arroz, o aumento do nível do mar obrigará a deslocar a milhares de residentes de ilhas e zonas do litoral, e cada vez mais pessoas serão vulneráveis a doenças como o dengue ou a malária, segundo a instituição multilateral. O BAD aconselhou aos Governos lutar contra o aquecimento global e a actual crise económica por meio de programas de estímulo que também levem em conta a redução de emissões poluentes e a pobreza.
O relatório do BAD cita como sectores-chave a melhora dos sistemas de tratamento de água e irrigação, optimização de cultivos, economia energética, protecção de florestas e preservação dos recifes de coral para garantir as actividades de pesca. Realizando estas e outras medidas, os países do Sudeste Asiático serão capazes de reduzir o nível de suas emissões em 40% antes de 2020.
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Fonte: EPA

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