sexta-feira, 4 de setembro de 2009

2564. Ban Ki-moon alerta que mundo segue para o abismo com aquecimento global

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou espanto em Genebra com a aceleração do aquecimento global e alertou que o mundo caminha para o abismo. "Temos o pé afundado no acelerador e caminhamos para o abismo", declarou Ban na conferência sobre o clima que está reunida em Genebra desde o início da semana.
O secretário-geral da ONU, que acaba de voltar do Árctico, onde constatou os danos da mudança climática, advertiu que o que é feito agora terá consequências mais tarde, como afirmam os cientistas. "Os cientistas foram acusados durante muitos anos de ser alarmistas. Mas os verdadeiros alarmistas são os que dizem que não podemos bancar uma acção climática porque isto desaceleraria o crescimento económico", declarou Ban.
"Eles estão errados. A mudança climática pode desencadear um desastre em massa", alertou. "O que farão quando as tempestades empurrarem o mar para o interior dos continentes? Para onde irão?", perguntou.
Ban depositou todas as suas esperanças no encontro internacional de alto nível que será realizado no dia 22 de Setembro em Nova York por iniciativa das Nações Unidas, mas lamentou a lentidão e o carácter limitado das negociações para a Cúpula de Copenhaga de Dezembro. Patrocinada pela ONU, a cúpula de Copenhaga tentará chegar a um acordo internacional para substituir o Protocolo de Kyoto sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa, considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global.
"Temos apenas 15 dias de negociações (em Nova York) antes de Copenhaga. Não nos podemos contentar com progressos limitados. Precisamos de progressos rápidos", disse. "Em Nova York, espero negociações sinceras e construtivas. Espero que pontes sejam lançadas. Espero resultados importantes", disse Ban diante dos representantes e dos ministros de cerca de 150 países participantes da Conferência de Genebra.
"A resposta está num crescimento (económico) verde, um crescimento sustentável", insistiu o chefe da ONU. Considerou que "falta uma política que imponha um preço ao dióxido de carbono. Uma política que envie um forte sinal do mercado às iniciativas pioneiras para um futuro com um nível baixo de dióxido de carbono". "Precisamos de um programa de investimentos públicos para a energia renovável. Precisamos de transferências de tecnologia para uma eficácia energética", reiterou.
O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) "estima que os investimentos para que nossos objectivos sejam alcançados em matéria de emissões (de gases do efeito estufa) não representariam mais de 2% do PIB mundial anual até 2030", lembrou o secretário-geral da ONU. Este investimento representaria "menos poluição, uma saúde pública melhor, uma melhoria da segurança alimentar, menos riscos de emigrações em massa e de instabilidade política, mais empregos na economia verde", concluiu.

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Fonte: AFP

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