O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique precisará de um máximo de 750 milhões de meticais (18,6 milhões de euros) para fazer face a eventuais desastres naturais, incluindo sismos e ciclones, em 2010. O Plano de Contingência, apresentado em Maputo pelo INGC, referente aos meses de Janeiro e Março do próximo ano, prevê valores que variam entre 580 milhões de meticais (14,4 milhões de euros) e aproximadamente 750 milhões de meticais (18,6 milhões de euros) para três cenários.Para o primeiro cenário, que consiste numa ameaça de pequena magnitude, o INGC acha que serão necessários 14,4 milhões de euros, o valor mais baixo, enquanto para o segundo cenário de média magnitude poderão ser gastos pouco mais de 605 milhões de meticais (15 milhões de euros). Para o cenário de grande magnitude, o terceiro, que engloba sismos e ciclones, a proposta do INGC a ser entregue esta semana ao Governo moçambicano estima em 18,6 milhões de euros o valor necessário para reduzir o impacto dos desastres naturais.
Em 2008 o valor proposto foi de 1,2 mil milhões de meticais (29,8 milhões de euros), dos quais o Executivo de Maputo disponibilizou 120 milhões de meticais (2,9 milhões de euros), mas "que não foi necessário usar", segundo o director-geral do INGC, João Ribeiro. Em declarações à agência Lusa o director-geral do INGC afirma que as previsões para Janeiro, Fevereiro e Março indicam que as três regiões do país vão ter cenários hidrológicos diferentes.
Moçambique vai enfrentar "seca na região sul, cheias médias nas bacias do centro (Búzi, Save e Licongo) e cheias altas nos rios Zambeze e Messalo", norte, referiu João Ribeiro à margem de uma reunião de apresentação do Plano de Contingência 2009-2010.
Actualmente a seca está a afectar 2.000 pessoas dos distritos áridos e semi-áridos (regiões cuja precipitação é baixa) da província de Maputo, assistidos pelo INGC. "Na província de Maputo a situação é bastante grave. Em alguns povoados dos distritos de Magude e Moamba houve necessidade de se fazer uma intervenção de abastecimento de água às populações, porque percorriam mais de 50 quilómetros" para captar água, disse.
Em 2008 foram assistidas pelo INGC 100.000 vítimas de seca, contra as actuais 2.000, redução que se deveu a "muitas acções do Plano Económico e Social realizadas nesses distritos, e que começam a minimizar este problema da falta de água", diz João Ribeiro. "Em função destes fenómenos estamos a avaliar que acções temos de realizar na questão da prontidão, de pré-posicionamento de bens alimentares e não alimentares, e as respectivas medidas de prevenção", afirma o responsável pelo INGC.Já na próxima semana "vamos realizar simulações regionais e distritais no sentido de estarmos mais preparados para situações que possam surgir", afirma João Ribeiro.
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