quarta-feira, 4 de novembro de 2009

2656. Temperatura média aumentou em Portugal 1,2 graus desde a década de 1930 e meio grau em três décadas

Ambientalistas de vários cantos do Mundo realizaram dia 24 de Outubro acções públicas exigindo medidas contra as alterações climáticas. Haverá razões para os portugueses estarem preocupados com o clima? Que a temperatura está a subir, não há dúvidas.
As mudanças "devem preocupar-nos a todos, em particular se os registos que formos tendo denunciarem algumas tendências e sobretudo porque já foi demonstrado que há afectações do clima em particular com maior intensidade a partir dos anos 70", considera o presidente do Instituto de Meteorologia. "A fazer fé nos cenários, há uma antecipação de uma situação não favorável", acrescenta Adérito Serrão ouvido pelo JN.
"Nota-se efectivamente uma tendência, de alguma forma constante nas três últimas décadas, de aumento da temperatura, que em Portugal anda à razão de meio grau por década, o que é mais do que a nível global", acrescenta.
Trata-se de uma tendência que até agora não regista nenhuma regressão nos últimos dez anos, pois a maior parte dos anos registou valores médios da temperatura superiores aos normais para o período 1971-2000 e só o ano de 2008 foi inferior, acentua. Relativamente a este período, a temperatura média já está meio grau acima.
A situação é diferente quando se compara os dados actuais com os primeiros registos em Portugal. Na década de 1930, a temperatura média era de 14,5 graus centígrados; hoje temos temperaturas que andam acima dos 15 graus – precisamente 15,7, ou seja, mais 1,2 graus.
Se a tendência se mantiver – e verifica-se uma constância –, os cenários que se apresentam, mesmo que não sejam os mais gravosos, já preocupam. Poderemos chegar a uma anomalia (diferença entre a temperatura registada e a normal para uma série de dados de três décadas) de dois graus em relação ao período de referência de 1961-1990 considerando nas simulações internacionais.
Os vários cenários para Portugal apontam aumentos de temperatura entre dois a 8,6 graus até ao final deste século. O pior cenário poderá ocorrer se nada se fizer para contrariar as alterações climáticas. Alguns modelos admitem uma situação mais grave, antecipando esse aumento para meados da centúria – 2050.
Muitos de nós ainda estaremos vivos na altura em que a temperatura média será superior. Mas, independentemente do horizonte e das adaptações progressivas possíveis até lá, o que preocupa os meteorologistas é a ocorrência de fenómenos extremos. E isso, observa Adérito Serrão, está a acontecer. Por exemplo, nos últimos anos registou-se com maior frequência episódios como um número muito alargado de noites tropicais.
Em 2003, o país registou ondas de calor de 15 dias. No Verão passado, que registou três ondas de calor em muitas regiões, os valores médios da temperatura foram superiores em 1,1 graus à máxima média do período 1971-2000. O ano hidrológico que acabou (30 de Setembro) foi de seca meteorológica, com 44% do território com dois níveis severos de seca e só foi suplantado pelos de 1945 e 2005. Assim como temos tido e vamos ter anos de cheias.
Confirma-se que a temperatura aumenta e que há variações grandes na precipitação. Mas em que medida contribuem a variabilidade climática natural e as causas humanas? "Não temos elementos suficientes para dizer o peso de cada uma, mas o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas diz que é altamente provável que haja factores antropogénicos e há muitas evidências que apontam para a influência inquestionável da correlação entre o aumento dos gases com efeito de estufa e o aumento da temperatura", diz Adérito Serrão.
Alredo Maia
* * * * * * * * *
Fonte: JN

Sem comentários: