sábado, 30 de janeiro de 2010

2834. Brisa não compensará utentes pelo transtorno do bloqueio da CREL

A Brisa não tenciona compensar os utentes da CREL pelos transtornos causados com o fecho do troço entre os nós de Belas e de Queluz, na sequência da derrocada de há uma semana. Está fora de questão abrir aquele troço, que custa 30 cêntimos, por um período igual ao que estiver fechado, assegurou ontem o porta-voz da Brisa numa visita às obras.
“Não faz qualquer sentido falar em indemnização aos utentes por uma coisa que eles não estão a utilizar nem há um contrato para usarem", afirmou Franco Caruso, excluindo uma possível abertura das portagens no futuro. Mas a concessionária já avisou que irá apresentar a factura dos trabalhos de remoção, e pedirá uma indemnização pelos prejuízos, aos proprietários dos terrenos da encosta que desabou sobre a via.
Um pouco mais à frente do local da derrocada, há uma área de serviço que teve de encerrar - e também quererá ser ressarcida. Não há ainda estimativa sobre o tempo que a via ainda terá de permanecer fechada, até porque "depende da solução para contenção das terras", mas a Brisa diz que "não reabrirá o troço enquanto a encosta não estiver consolidada".
Paralelamente à retirada das terras, que está a ser feita 24 horas por dia com 60 camiões, 13 máquinas (incluindo 10 escavadeiras giratórias) e uma grande equipa técnica, a Brisa está a fazer sondagens em vários pontos da encosta "para saber qual a altura do aterro e preparar um eventual projecto de estabilização", explicou a engenheira responsável pela obra. Da via já terão sido retirados 70 a 80 mil metros cúbicos de terra - o equivalente a 140 mil toneladas -, mas o solo teima em avançar cinco a dez centímetros por hora, ocupando mais de metade das faixas.
A Brisa já fez a estimativa dos custos, mas não a divulga. A empresa ainda não sabe se a plataforma foi afectada, mas mesmo que não seja, a camada de desgaste (a mais superficial) terá de ser substituída numa extensão de 600 metros.
Dois dos terrenos que compõem a encosta que desabou e que pertencem ao grupo de construção Obriverca valem 15,76 milhões de euros. São dois terrenos rústicos, urbanizáveis, com uma área total de 328.108 metros quadrados, que estão inscritos na carteira de activos do Edifundo, que é gerido pela ESAF - Espírito Santo Activos Financeiros, segundo informação disponível na Comissão de Mercado de Valores Mobiliários. Este fundo é composto por terrenos e empreendimentos diversos da Obriverca e há três meses foi avaliado num total de 42 milhões de euros.
O PÚBLICO questionou a Obriverca sobre os terrenos, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição. Há dúvidas sobre a propriedade de um terceiro terreno, mais pequeno. Fonte da empresa Alberto Joaquim das Neves, que fez despejos de terras na encosta e foi identificada num ofício da Estradas de Portugal como estando a "realizar trabalhos para a Câmara da Amadora", disse ao PÚBLICO que não tem qualquer terreno na área. A empresa só terá transportado terras para ali durante dois anos e confirma ter construído a estrada ao cimo da encosta, que ligará o IC30 à zona norte da Amadora e Queluz.
Porém, a via não está acabada por ter sido "embargada pela Câmara da Amadora". A empresa não explicou o que terá levado a autarquia a embargar uma obra que ela própria terá encomendado.
Maria Lopes
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Fonte (Texto e imagem): PÚBLICO

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