sábado, 30 de janeiro de 2010

2832. Pescadores resgatados por helicóptero da Força Aérea Portuguesa

Viram a vida por um fio quando a água começou a inundar o navio pesqueiro Luís Fortunato a mais de 300 quilómetros da costa. Estava noite cerrada, com ventos a soprar a 60 quilómetros por hora e ondas de 4,5 metros. Mas quando já estavam em hipotermia, a mais de cem quilómetros do local do naufrágio, os nove pescadores das Caxinas, de Vila do Conde e Póvoa de Varzim haviam de ser resgatados bordo do EH-101 Merlin, o mesmo helicóptero da Força Aérea (FA) que dia 13 de Maio irá transportar o Papa entre Lisboa, Fátima e Porto.
"Se calhar é mesmo um milagre estarmos aqui". Foi o único comentário proferido por um dos náufragos que chegaram ontem em silêncio à Base Aérea do Montijo, depois de uma madrugada de pânico, onde conseguiram manter a calma suficiente para subirem para as balsas antes de o navio ir ao fundo, enquanto lançavam o SOS. A tripulação preparava-se para regressar da pesca do espadarte, com passagem por Vigo (Espanha) para descarregar.
Mas o pesqueiro foi violentamente atingido por uma onda que lhe partiu o casco. Seriam 03.00 quando os pescadores pediram ajuda via rádio, tendo o primeiro sinal de esperança surgido com a aproximação de um navio japonês, que se revelou determinante nas operações de salvamento, tendo ajudado a localizar as vítimas.
"O vento deslocou os pescadores mais de cem quilómetros face às coordenadas que nós tínhamos", revelou o piloto Marco Casquinho, elogiando a estratégia dos náufragos que, apesar de terem duas balsas, mantiveram-se só em uma para não se afastarem.
O primeiro helicóptero viria a resgatar apenas dois homens, já que as três horas de voo - uma de viagem e duas de buscas - deixaram o Merlin sem combustível, obrigando-o a regressar à base. Depois de içar os primeiros dois pescadores com recurso a um guincho, os elementos da FA falaram via rádio com os pescadores. "Ficaram calmos e confiantes, porque tinham ali o navio japonês muito próximo", recordou Marco Casquinho.
O navio nipónico acabou, mais tarde, por retirar as vítimas da água. "Tinham bebido muita água. Estavam bem de saúde. Foi só puxá-los para o barco e seguir viagem", contou António Mondão, o piloto do segundo heli. Chegariam ao Montijo pelas 13.45, tendo tomado um banho, antes do almoço e de uma "fotografia de família" junto ao helicóptero, que dia 13 será dotado de um novo kit, com tapete incluído, para receber o Papa. Regressaram a casa num autocarro da Câmara do Montijo.
Roberto Dores
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