“Há uma visão de passado que [diz que] os países ricos podem pensar [no combate às] alterações climáticas, mas os países em desenvolvimento têm necessidades de curto prazo mais urgentes. Mas (…) onde [estão] os países em desenvolvimento a gastar dinheiro? Quatro em cada cinco países com os quais trabalhamos colocam as alterações climáticas no topo das prioridades dos seus planos anti-pobreza”, explicou Steer.
O responsável do Banco Mundial explicou ainda que, nos últimos 12 meses, quase 90% das estratégias de assistência pedidas pelos países em desenvolvimento – e aprovadas pelo próprio Banco Mundial – colocaram as alterações climáticas como um dos principais pilares desta ajuda financeira. Steer refere que, durante a assembleia-geral que está a debater os planos futuros para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, as reuniões sobre as alterações climáticas são um dos assuntos dominantes. “[Isto acontece] porque a [questão das] alterações climáticas remete-nos para a redução da pobreza”, explica o responsável.
E os números estão aí para o provar. Os países em desenvolvimento vão suportar três quartos do impacto negativo da mudança dos padrões do clima, da falta de água e do aumento do nível do mar – e são, paralelamente, os países que estão menos preparados para estas intempéries. Com tudo isto, “as difíceis vitórias na luta contra a pobreza correm um sério risco”. “Este já não é um problema de amanhã. Os impactos estão a ser sentidos hoje”, continuou Steer.
O Banco Mundial está a trabalhar com 100 países para que estes se adaptem às alterações climáticas. No mês passado, a instituição lançou um programa que irá destinar 4,6 mil milhões de euros à estratégia anti-pobreza do Bangladesh até 2014. Reduzir a vulnerabilidade às alterações climáticas é um dos quatro pilares da estratégia.
Finalmente, o responsável do Banco Mundial chama a atenção para o perigo de não considerarmos as alterações climáticas essenciais na luta contra a pobreza. “Tenho ouvido pessoas a perguntarem porque é que o Banco Mundial está tão preocupado com as alterações climáticas [quando] deveria focar-se na redução da pobreza e deixar as alterações climáticas para outros. Esta [visão] deixa de lado a triste realidade que neste novo milénio é simplesmente impossível permanecer uma instituição global de primeira linha, dedicada a erradicar a pobreza do mundo, sem ver as alterações climáticas como core do nosso trabalho”, refere Steer.
“Por isso é que acredito que um acordo forte e justo nas alterações climáticas é essencial para que todas as promessas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio sejam cumpridas”, termina o enviado especial do Banco Mundial para as alterações climáticas.
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Fonte (Texto e imagem): GreenSAVERS
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