Lisboa - Manuel Brito, vereador da Protecção Civil da câmara de Lisboa, confirmou que cerca de uma hora e meia após começar a cair a primeira chuva, havia 60 pedidos de auxílio por causa das inundações em Lisboa. À Lusa, o vereador confirmou que à autarquia chegaram informações de que na baixa da cidade se registaram os casos mais preocupantes.
“Houve um pico anormal de chuva numa altura de maré-alta, o que piorou a situação”, contou. Questionado ao início da tarde sobre se na origem das inundações estaria a falta de limpeza dos sistemas de escoamento de águas da cidade, Manuel Brito respondeu que não se tratou de um "problema de limpeza". "Houve hoje uma coincidência de uma precipitação intensa com a preia-mar e isso afecta tradicionalmente as zonas baixas da cidade, a Baixa e a 24 de Julho", argumentou o vereador.
A água da chuva provocou inundações no Terreiro do Paço, perturbando a circulação do trânsito, bem como na Praça do Município. Entre o Marquês de Pombal e o Rossio, a circulação foi cortada devido à existência de lençóis de água na Avenida da Liberdade. A forte chuva, em altura de preia-mar, inundou também a zona do Campo das Cebolas.
O túnel na Avenida João XXI não escapou igualmente à água e esteve cortado à circulação em ambos os sentidos. No Martim Moniz, um colector de água rebentou e o trânsito foi igualmente afectado.
Fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro de Lisboa adiantou ao PÚBLICO a meio da manhã que estavam a ser recebidas naquele serviço “muitas chamadas” e que as mais problemáticas estavam a ser encaminhadas para os Bombeiros Sapadores de Lisboa. A zona mais crítica era a da Baixa de Lisboa, onde se registaram inundações em algumas lojas e também em alguns carros, nomeadamente na Rua da Prata, que ficaram “com uma altura de água considerável”.
Na rua do Coliseu de Lisboa, a chuva provocou um lençol de lama que está a afectar a passagem naquele local e o funcionamento de alguns estabelecimentos comerciais. O parque de estacionamento subterrâneo nos Restauradores ficou inundado e o acesso àquele espaço foi encerrado.
Na freguesia de Arroios, o abastecimento de electricidade ficou interrompido depois de um posto de transformação ter explodido depois de ter ficado inundado. Na Avenida 24 de Julho, onde estão situadas instalações do Ministério da Educação, foi pedido aos funcionários daquela tutela que retirassem as suas viaturas do estacionamento devido à entrada de água.
Em Alcântara, na zona ribeirinha de Lisboa, foram também registadas várias situações de inundações, nomeadamente na zona do Largo do Calvário e na Rua Vieira da Silva, onde vários estabelecimentos comerciais chegaram a ter água com cerca de 60 centímetros de altura.
Nos transportes públicos, as principais dificuldades foram verificadas no Metro e nos eléctricos. A Linha Verde chegou a estar interrompida entre as 11h07 e as 11h41, mas a ligação foi resposta. Porém, não está a ser feita a paragem na estação do Rossio, devido a uma inundação. As restantes linhas do Metro estão a “funcionar na normalidade”, assegurou Margarida Guimarães, que não adiantou, no entanto, uma hora prevista para a situação ficar normalizada no Rossio.
A Carris confirmou que as ligações realizadas pelos seus autocarros e eléctricos esta manhã sofreram perturbações. Um comunicado da empresa adiantou que os locais onde os transportes registaram mais dificuldades foram a Rua da Junqueira, a Rua 1º de Maio, o Calvário em Alcântara, a Avenida de Ceuta, Campolide, a Baixa, a Estrada de Chelas, Xabregas, o eixo das avenidas Infante D. Henrique/Berlim, Santos, Conde Barão, as Escolas Gerais, Cabo Ruivo, o Paço do Lumiar e o Campo Pequeno. De acordo com a Carris, “foram afectadas todas as carreiras que circulam naqueles locais”, sobretudo as de eléctrico (12E, 15E, 18E, 25E e 28E).
Os bombeiros de Lisboa receberam até às 13h00 de hoje 167 pedidos de ajuda, 145 dos quais por causa de inundações. “Desde as 08h00 até às 13h00, foram recebidas 5396 chamadas de pedidos de informação e de ajuda, 3767 das quais entre as 11h00 e as 12h00”, adiantou o vereador Manuel Brito em conferência de imprensa conjunta com o comandante dos bombeiros e com a Protecção Civil.
Almada - Fora de Lisboa, nos concelhos limítrofes, estão actualmente 50 ocorrências em curso, sobretudo inundações em casas, mas também em serviços públicos. A conservatória de Almada não está a funcionar devido a uma inundação. Um dos funcionários adiantou à Lusa que “vários documentos ficaram inutilizados na inundação”. “Muitos papéis do cartão de cidadão estão a boiar no chão”, afirmou.
Almada - Fora de Lisboa, nos concelhos limítrofes, estão actualmente 50 ocorrências em curso, sobretudo inundações em casas, mas também em serviços públicos. A conservatória de Almada não está a funcionar devido a uma inundação. Um dos funcionários adiantou à Lusa que “vários documentos ficaram inutilizados na inundação”. “Muitos papéis do cartão de cidadão estão a boiar no chão”, afirmou.
Porto - No Porto e em Gaia, os bombeiros receberam pedidos de ajuda, mas segundo os sapadores das duas cidades, a maioria foi devido a pequenas inundações e limpeza de sarjetas. Os Sapadores de Gaia avançaram à Lusa que a única situação que mereceu mais atenção foi o levantamento de um telhado na zona da Afurada, devido ao “forte vento”. No Porto, houve apenas registo de pequenas inundações e pedidos de limpeza de sarjetas.
Vila Franca de Xira - Na localidade, situada à beira do Tejo, os serviços do 2ºJuízo Criminal, que funciona num contentor desde o Verão, que ficaram fortemente afectados, com vários processos destruídos.
“Quando começou a chover a água inundou o contentor onde funciona o 2º Juízo Criminal. Chovia lá dentro como na rua. Houve processos que pelo menos em parte terão ficado destruídos. Estamos a falar de processos todos em papel”, contou o advogado Henrique Levezinho. Segundo o advogado, “só escaparam os processos que estavam guardados dentro dos armários”.
Setúbal - A chuva intensa e vento forte desta manhã provocaram em Setúbal e Azeitão seis quedas de árvores, mas, segundo os bombeiros Sapadores, não houve registo de grandes inundações, situação que a corporação justifica com a boa capacidade de escoamento devido à baixa-mar no rio Sado.
Cantanhede - O Comando Distrital de Operações de Socorro de Coimbra registou, por sua vez, alguns prejuízos na Escola C+S de Febres, concelho de Cantanhede, provocados pelo vento forte. Não houve registo de feridos, tendo apenas se verificado estragos no telhado e em janelas da escola. As aulas acabaram por suspensas.
Alentejo - A chuva desta manhã provocou ainda estragos no Alentejo. Pelo menos duas dezenas de inundações foram registadas em casas e vias públicas, bem como quedas de árvores em várias estradas dos distritos de Évora, Beja e Portalegre, que entretanto já foram removidas pelos bombeiros. A maioria das inundações ocorreram em Évora.
Figueira da Foz - A Figueira da Foz não escapou à chuvada desta manhã e os bombeiros tiveram que acudir a vários pedidos de ajuda da população devido a inundações na via pública e em várias casas. A chuva associada à maré-alta levou a que a água chegasse junto aos correios e ao tribunal, a zonas de Buarcos, das rotundas novas e dos pontões da A14, tendo condicionado ou interrompido o trânsito
Cláudia Bancaleiro, Inês Boaventura e Marisa Soares
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Fonte: PÚBLICO
2 comentários:
Permita-me que o corrija, ou sou eu que estou enganado!
"a maioria das inundações correram em Évora"
Não será "a maioria das inundações, ocorreu em Évora".
Se fosse "as inundações ocorreram em Évora", tudo certo.
Agora "a maioria das inundações ocorreu em Évora"
Só para nossa reflexão.
Não fiz qualquer alteração ao texto. Alguma precipitação na leitura ...
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