Portugal, através do Instituto de Meteorologia, vai integrar um projecto europeu para alerta precoce de tsunamis e apresenta-se como candidato a acolher um centro regional para o Atlântico Nordeste e Mediterrâneo, anunciou o IM. O primeiro projecto (TRIDEC) é coordenado pelo Centro Geofísico de Potsdam (Alemanha), no âmbito da instalação de futuros sistemas de alerta precoce de tsunamis e tem uma duração prevista de três anos para desenvolver “arquitecturas inteligentes” destinadas ao processamento de grandes volumes de dados que sirvam de suporte à decisão num quadro de alerta de tsunami, segundo informação divulgada pelo Instituto de Meteorologia (IM).
“Tem por objectivo desenvolver ferramentas informáticas capazes manipular grandes volumes de dados. No caso de acontecer um tsunami é necessário analisar um grande conjunto de informação”, desde dados sísmicos, ao nível do mar, altura da onda, cenários de tsunamis e ondas expectáveis em vários pontos da costa a cartas de inundação, explicou à agência Lusa o director do Departamento de Sismologia e Geofísica do IM. “É muita informação que tem de ser rapidamente trabalhada e colocada à disposição do decisor”, referiu.
O projecto que agora vai ter início é financiado pela União Europeia, foi “aprovado há dias” e a primeira reunião que dará o “pontapé de arranque” deverá ocorrer em Outubro ou Novembro, acrescentou. Paralelamente, Portugal propõe-se acolher o Centro Regional de Alerta de Tsunamis na Região do Atlântico Nordeste e Mediterrâneo, no âmbito do sistema de alerta que se encontra em desenvolvimento na Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
Além do IM, o projecto integra mais nove instituições de seis países europeus. No âmbito do sistema de Alerta de Tsunamis para o Atlântico Nordeste e Mediterrâneo e deste sistema que está a ser preparado, Portugal faz-se representar com um grupo de trabalho.
“Para funcionar no futuro, prevê a existência de centros regionais de alerta e para este em que está Portugal o país é candidato a albergar o centro que desempenhe essas funções”, indicou. Caso a candidatura vingue, o centro de processamento de dados, em terra, deverá ficar no Instituto de Meteorologia, mas ainda não há apoio explícito dos vários governos envolvidos no processo, nem decisões políticas sobre o modelo de financiamento.
Numa primeira fase, os sistemas de alerta irão ter como preocupação detectar tsunamis originados por sismos no mar. A primeira componente é a rede sísmica, que vai avaliar o sismo, a profundidade e intensidade. A partir daí é calculada a probabilidade de ocorrer um tsunami, seguindo-se a confirmação.
Segundo o especialista, o equipamento no mar é “muito dispendioso”, comparativamente ao investimento para os equipamentos que existem em terra e que já estão instalados, mas é preciso o país estar preparado. O responsável não tem dúvidas de que a zona litoral portuguesa, nomeadamente a região de Lisboa, voltará a ser assolada por um fenómeno destes: “Não é uma teoria, isso vai mesmo acontecer”.
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Fonte: Correio do Minho
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