segunda-feira, 22 de novembro de 2010

3244. Sul da Ásia é a região mais vulnerável a alterações climáticas

O sul da Ásia é a região do mundo mais vulnerável às alterações climáticas, com a sua crescente população muito exposta a inundações, secas, tempestades e subida do nível do mar, segundo uma consulta feita com 170 países. Dos 16 países listados como em risco "extremo" devido às alterações climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do sul da Ásia, com Bangladesh e Índia no primeiro e segundo lugares, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. O Brasil (81º), a China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de "alto risco".
O Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas, compilado pela britânica Maplecroft, uma empresa global de aconselhamento de riscos, pretende ser um guia para o investimento estratégico e a adopção de políticas. O barómetro é baseado em 42 factores sociais, económicos e ambientais, inclusive a capacidade de resposta dos governos, de forma a avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das alterações climáticas.
O Sul da Ásia é especialmente vulnerável por causa de mudanças em padrões climáticos que resultam em desastres naturais, inundações no Paquistão e Bangladesh, este ano, e afectou mais de 20 milhões de pessoas, disse Maplecroft. "Há evidências crescentes de que as alterações climáticas aumentam a intensidade e a frequência de eventos climáticos", disse a analista ambiental da empresa, Anna Moss. "Mudanças muito pequenas de temperatura podem ter impactos maiores no ambiente humano, incluindo mudanças na disponibilidade hídrica e na produtividade agrícola, a perda de terra por causa da subida do nível do mar, bem como a disseminação de doenças", acrescentou.
Bangladesh aparece na primeira posição devido a uma dupla má sorte. O país tem o mais alto risco de seca e o maior risco de fome. Também luta contra a pobreza extrema, a alta dependência na agricultura – o sector económico mais afectado pelas alterações climáticas – e um governo que é o menos capaz de responder aos impactos climáticos. Quanto à Índia, "quase todo (o país) tem um alto nível ou nível extremo de sensibilidade às alterações climáticas, devido à severa pressão populacional e ao consequente abuso de recursos naturais", reforçou a Maplecroft. "A isto se soma um alto nível de pobreza, baixa qualidade da saúde em geral e dependência agrícola de grande parte da população", acrescentou.
Entre os países da categoria de "médio risco" estão a Rússia (117º), os Estados Unidos (129º), a Alemanha (131º), a França (133º) e a Grã-Bretanha (138º). A Noruega lidera o pequeno grupo de 11 países considerados em baixo risco, dominado pelos escandinavos e pelos holandeses, que têm trabalhado para defender o seu território, abaixo do nível do mar, da elevação das águas dos mares.
A Maplecroft já tinha publicado em 2009 um índice de vulnerabilidade às alterações climáticas, situando 28 países entre aqueles que correm "risco extremo", liderado por Somália, Haiti, Serra Leoa e Burundi. No entanto, os índices de 2009 e 2010 não são comparáveis, afirmou Fiona Place, da Maplecroft.
O novo índice, amplamente reconfigurado, usou três "subíndices" que se focam especialmente na habilidade de um país em responder ao estresse climático. "As vulnerabilidades mais sérias às alterações climáticas foram encontradas no grupo de países em desenvolvimento com sistemas socioeconómicos mal equipados para responder a desafios como a segurança alimentar e hídrica, além de sofrerem com economias instáveis e instituições fracas", ressaltou Place em um e-mail enviado à AFP. "Este é o caso de um grande número de países, estando o sul da Ásia e a África no centro das preocupações", concluiu.
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Fonte: AFP

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