segunda-feira, 2 de julho de 2012

3926. Fenómeno faz desaparecer enorme lago na Patagônia


Em menos de um dia, o enorme lago Cachet II, na Patagónia chilena, desaparece por completo, um fenómeno impressionante que se acelera neste e em outros lugares devido à subida da temperatura motivada pelas alterações climáticas, explicam cientistas. Pouco antes da meia-noite de 31 de Março, o lago, que compreende 200 milhões de litros de água, começou a esvaziar-se de repente pela segunda vez no ano. Em poucas horas, ficou seco, só com algumas poças e muitos pedaços de gelo que se soltaram do glaciar que o alimenta.
A assistente de pesquisas do Centro de Estudos Científicos (CECS), Daniela Carrión, estava no local a fazer uma pesquisa justamente quando o fenómeno voltou a acontecer. "Quando acordamos, vimos uma mudança no vale. As áreas por onde caminhávamos inundaram-se e tudo se encheu de pedaços grandes de gelo. O esvaziamento tinha provocado uma grande fractura no glaciar" que alimenta o lago, explicou Carrión à AFP.
O Cachet II forma-se com o derretimento do glaciar Colônia, que com suas enormes paredes de gelo também actua como muro de contenção. Mas o aumento das temperaturas fragiliza pouco a pouco o glaciar e quando não pode mais suportar a pressão do lago que represa, deixa sair a água por um túnel que se forma entre a rocha e o glaciar. A água chega de repente ao imponente rio Baker, que aumenta três vezes o seu caudal habitual. Quando ocorre, automaticamente se activa um sistema de alerta destinado a avisar à dezena de moradores que habitam a zona para que resguardem os seus animais e se mantenham atentos ao aumento do caudal do rio, que ocorre em oito horas, o tempo que a água leva para chegar ao rio.
Na última vez, o desnível foi "superior a 31 m", de acordo com informações da Direção Geral de Águas (DGA), que monitora o lago com um sistema por satélite. A rápida redução dos níveis "foi-se reflectindo no aumento dos caudais no rio Baker no sector do rio Colônia, onde o volume aumentou, de aproximadamente 1.100 m³/s até 3.511 m³/s, registando-se, assim, um caudal três vezes maior do que o habitual", informou a DGA.
Nos últimos tempos, este tipo de drenagem súbita tem-se tornado habitual em vários lagos alimentados por glaciares. De facto, o lago Cachet esvazia-se, em média, três vezes por ano. Este ano o processo também aconteceu em 27 de Janeiro e desde 2008, quando pela primeira vez o fenómeno foi registado, já se esvaziou 11 vezes.
Os cientistas alertam que os "desaparecimentos" repentinos deste tipo de lago podem aumentar devido ao aumento das temperaturas terrestres e devem ser vigiados para poder prever os efeitos para as comunidades vizinhas. Até agora, o esvaziamento do Cachet II não provocou maiores estragos, apenas uma grande curiosidade. "Tem havido um aumento dos esvaziamentos. Os modelos prevêem que, com o aumento da temperatura, estes fenómenos, chamados GLOFs (Glacial Lake Outburst Floods), serão mais frequentes", explicou à AFP o glaciologista especializado em alterações climáticas do CECS, Gino Casassa.
Segundo Casassa, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2007 como coordenador do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, no Chile ocorreram 53 casos de esvaziamentos entre 1896 e Janeiro de 2010, com uma aceleração na frequência nos últimos anos. Este tipo de fenómeno não é exclusivo da Patagónia. Na Islândia costumam acontecer esvaziamentos por causa de degelos provocados pela actividade vulcânica, enquanto na cordilheira dos Himalaias também "desaparecem" lagos, e segundo os especialistas, cada vez com maior frequência, devido às alterações climáticas.
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Fonte (Texto e imagem): Portal Terra

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