O verão de 2012 no hemisfério norte vai ficar para a
história. O degelo no Árctico voltou a atingir recordes, revelou o Centro
Nacional de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC). As imagens de satélite mostram que, no
passado dia 16 de Setembro, a superfície gelada do Árctico era de apenas 3,4
milhões de quilómetros quadrados, o que parece ser a extensão mais baixa deste
ano. Isto significa menos 18% do que em igual período de 2007.
Relativamente ao mínimo de há cinco anos, a diferença
é de 760 mil quilómetros quadrados, ou seja, 1,5 vezes o tamanho de Espanha. "É
surpreendente, porque o recorde de 2007 já representava 22% abaixo do anterior.
Resta agora apenas metade da superfície gelada que havia há poucas décadas",
afirmou Walt Meier, cientista do NSCID.
O recorde de 2007 já havia sido ultrapassado no dia 18
de Agosto, quando a superfície de gelo caiu para 4,10 milhões de quilómetros
quadrados contra os 4,17 milhões alcançados há cinco anos. "Há poucos dados, mas
acreditamos que o gelo actualmente é 50% mais fino", assinalou Meier,
acrescentando que, curiosamente, "enquanto em 2007 a zona enfrentou condições
meteorológicas adversas, com vento, nuvens e temperatura do ar que favoreceram a
perda de gelo, este ano, no entanto, as condições não foram tão
extremas".
A rapidez do degelo está a surpreender os cientistas,
pois está a ocorrer mais depressa do que previam os modelos climáticos, o que
não quer dizer, segundo Meier, que a situação vá fatalmente piorar no próximo,
podendo mesmo estabilizar durante uns anos. "Estamos em território
desconhecido", afirma em comunicado o director do NSIDC. "Sabemos, desde há
muito tempo, que as consequências do aquecimento do planeta apareceriam primeiro
e seriam mais pronunciadas no Árctico, mas poucos de nós estávamos preparados
para a rapidez com que isso iria ocorrer", disse Mark Serreze.
Há poucos anos, os cientistas previram que um dia o
Árctico poderia ficar sem gelo no verão. Mas os prazos para isso acontecer foram
ficando cada vez mais curtos. De 2070 baixaram para 2040, e agora não descartam
que possam acontecer nos próximos 20 anos, como admitiu Meier.
De acordo com a cientista Julienne Stroeve, do NSICD,
as medições em algumas placas mostram que não apenas o tamanho, mas também a
espessura também estão a diminuir, o que acelera o processo de degelo. Na
inspecção feita a bordo do navio My Artic Sunrise, do Greenpeace, Stroeve não
encontrou gelo 'antigo' no Árctico, mas apenas placas mais finas e formadas
recentemente, o que quer dizer que há perda na camada permanente. No passado dia
14 de Setembro, activistas do Greenpeace fizeram um apelo em defesa do Árctico,
instalando um coração com as bandeiras dos 193 países membros da ONU numa placa
de gelo ao norte do Círculo Árctico.
Maria Luiza Rolim
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Fonte: Expresso

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