quarta-feira, 30 de junho de 2021

8226. Altas temperaturas continuam a atingir Estados Unidos e Canadá



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Os Estados Unidos e o Canadá continuam a ter de suportar temperaturas superiores a 49 graus. Há agora 40 milhões de pessoas em risco por causa do calor. No Canadá morreram já 233 pessoas de forma súbita.

8225. RANKING EUROPEU: Tendência climática para o Verão de 2021

Actualização da postagem nº 7774
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PRIMAVERA 2021
(Julho/Agosto/Setembro)
  Tendência climática para o terceiro trimestre de 2021
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TEMPERATURAS MÁXIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas máximas diárias superiores aos valores máximos normais deste trimestre.
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TEMPERATURAS MÍNIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas mínimas diárias inferiores aos valores mínimos normais deste trimestre.
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PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com precipitações máximas diárias superiores aos valores máximos diários normais deste trimestre.
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 Prováveis regiões da Europa
com valores INFERIORES à média
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VERÃO 2021
(Julho/Agosto/Setembro)
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TEMPERATURA MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos calor
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TEMPERATURA MÍNIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos frio 
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PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para uma diminuição da precipitação
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8224. Detetado corte de sobreiros sem autorização em Torres Vedras

Num comunicado, o Comando precisa que, no dia 23 de Junho, durante uma acção de patrulhamento elementos do Núcleo de Protecção Ambiental (NPA) de Torres Vedras detectaram que estavam a ser arrancados vários sobreiros com maquinaria agrícola industrial no concelho de Torres Vedras.

"No decorrer das diligências policiais, apurou-se que tinham sido cortados sobreiros adultos, tendo sido elaborado um auto de contra-ordenação por falta de autorização, uma infracção punível com coima até 150 mil euros" e "foi ainda identificado um homem de 40 anos", adianta o comunicado.

O Comando sublinha no comunicado que "o corte ou arranque das espécies de azinheira e sobreiro em povoamento ou isolados carece de autorização prévia, uma vez que estas espécies incluem alguns dos biótipos mais importantes ocorrentes em Portugal continental em termos de conservação da natureza".

Estes biótipos desempenham assim uma importante função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico e na qualidade da água e têm ainda um elevado interesse económico a nível local, desempenhando um papel fundamental na produção animal, nomeadamente destinada a produtos tradicionais, sublinha ainda o comunicado do Comando Territorial de Lisboa.

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Fonte (texto e imagem): SAPO Notícias


8223. PORTUGAL: Probabilidades no Verão

Actualização da postagem nº 7763
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sexta-feira, 25 de junho de 2021

8218. Sexta-feira, 25 de Junho (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00

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Santarém (Fonte Boa) – 37,4 ºC

Alvega – 36,8 ºC

Tomar (Valdonas) – 36,5 ºC

Coruche – 36,4 ºC

Avis (Benavila) – 35,7 ºC

Reguengos (São Pedro do Corval) – 35,7 ºC

Castro verde (N. Corvo) – 35,7 ºC

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Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 24,4 ºC

Fóia – 23,8 ºC

São Pedro de Moel – 22,2 ºC

Penhas Douradas – 22,2 ºC

Cabo Carvoeiro – 19,1 ºC

Cabo Raso – 18,7 ºC

Pico Alto (Madeira) – 14,7 ºC

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Fonte: IPMA


quinta-feira, 24 de junho de 2021

8217. Alertas tardios IPMA


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8216. As destruidoras tempestades criadas por grandes queimadas

Numa tarde de Junho de 2017, os moradores de Pedrógão Grande, uma pequena cidade no centro de Portugal, viram uma coluna de fumaça com cerca de 1 m de largura se aproximando a vários quilómetros ao norte. Os bombeiros chegaram ao local em poucos minutos, mas àquela altura a velocidade do vento ao redor do fogo havia aumentado, e a nuvem de fumaça havia se expandido para quase um quilómetro de largura.

À medida que a tarde caía, o incêndio ganhava velocidade e calor rapidamente, e a nuvem de fumaça ficava cada vez mais alta e grande, até que uma nuvem escura e trovejante começou a se formar, bem no alto da atmosfera. Longe de ser um sinal bem-vindo de chuva, era um tipo de nuvem de tempestade bastante incomum.

Em Washington DC, Mike Fromm, meteorologista do Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos que colabora com a NASA, agência espacial americana, foi informado por um cientista australiano sobre as notícias que chegavam de Portugal. Com base em imagens e dados de satélite globais, Fromm suspeitou que a grande nuvem — agora pairando sobre o centro do país — era uma pirocumulonimbus, também conhecida pela forma abreviada "piroCb".

Foi a primeira vista na Europa Ocidental desde que os registos começaram, embora tenha levado meses para confirmar isso com a ajuda de meteorologistas portugueses. Uma piroCb é uma tempestade gerada pelo fogo que cria seus próprios loops de feedback positivo, incluindo ventos, raios e, às vezes, correntes descendentes mortais que alastram o fogo.

"É um sintoma de algo extremamente perigoso acontecendo no solo", diz Fromm. "Porque para obter uma nuvem como esta, você precisa de um comportamento intenso e insano do fogo. Uma piroCb está no limite de quão alta, fria e opaca uma nuvem pode ser, e significa que o fogo que a está causando está no limite extremo de intensidade também. E isso quer dizer que o fogo em si é mais intenso, mais imprevisível e mais perigoso do que os incêndios em um estado mais preguiçoso."

De volta ao Atlântico, em Pedrógão Grande, à medida que se aproximava o início da noite, uma fumaça espessa bloqueava o sol e dificultava a visão e a respiração dos moradores. O fogo sugava o ar em sua direcção, gerando ventos de até 117km/h e balançando carros em um município próximo. Enquanto isso, as chamas devastavam 4.460 hectares de floresta por hora. Mas o momento mais dramático e perigoso ainda estava por vir.

Por volta das 20h, a nuvem escura de fumaça — agora com 13 km de altura — "desabou", enviando ar frio para a base do fogo e soprando oxigénio. De acordo com a investigação posteriormente encomendada pelo governo português, os moradores descreveram o momento em que o ar tocou o solo como "uma 'bomba' repentina de fogo espalhando labaredas e faíscas em todas as direcções". A rápida ascensão do fogo resultou na maioria das 64 mortes que ocorreram no incidente de Pedrógão Grande, com a maioria das vítimas surpreendidas pelas chamas enquanto tentavam escapar nas estradas.

Portugal sofreria com mais três piroCbs naquele mês de Junho, e outra em Outubro, com o total de mortes em decorrência de incêndios florestais chegando a mais de 120 no ano. Marc Castellnou, um investigador espanhol de incêndios florestais, foi chamado a Portugal após o primeiro incidente para ajudar o governo a apurar o que tinha acontecido. Bombeiro e engenheiro de combate a incêndio por formação, Castellnou investiga grandes incêndios florestais na Europa, nas Américas, na África e na Austrália desde meados da década de 1990, tentando entender melhor seu comportamento.

Ele sabia que incêndios florestais eram um acontecimento comum e normal em Portugal — mas não daquele jeito. No entanto, havia algo preocupantemente familiar. Cinco meses antes, Castellnou estava à frente de uma equipe da União Europeia para investigar incêndios florestais de grandes proporções no município de Maule, no Chile, a cerca de 270 quilómetros ao sul da capital Santiago.

Assim como em Portugal, os incêndios em Maule tiveram uma forte aceleração repentina, diz ele. "Em 25 de Janeiro, o fogo já estava queimando havia 10 dias, mas naquela noite ficou de repente quatro vezes maior, se espalhando por 110 mil hectares em uma noite."

Posteriormente, Castellnou percorreu o caminho do fogo e sobrevoou a região de helicóptero em busca de pistas. Ele encontrou um padrão distinto — "ruas" de árvores que haviam caído todas em uma direcção, além de árvores que não apresentavam nenhum sinal de chamas chegando às suas copas, como normalmente aconteceria em um incêndio intenso. Isso significa que o fogo havia permanecido em grande parte no solo, mas também criado seu próprio sistema de circulação de ar — um vento forte o suficiente para derrubar árvores.

"Percebemos que este não era um comportamento clássico de incêndio florestal, e que a energia tinha que vir de outro lugar", diz Castellnou. Isso significava que o fogo estava recebendo ar frio, e a única maneira de conseguir isso era verticalmente. De alguma forma, o fogo estava sugando o ar da parte mais alta da atmosfera e isso deve ter mantido as chamas no solo. Essas chamas poderiam então queimar de forma mais plena, gerando mais energia que ajudaria a elevar a coluna de fumaça para tocar o ar frio.

"Cada vez que a nuvem dobrava de altura, o vento se multiplicava por seis na superfície. Isso significava que o vento poderia [rapidamente] ir de 5-10km/h a 150km/h", diz ele. Além desses ventos ferozes, Maule também testemunhou a nuvem piroCb "desabar", como os portugueses descreveram.

Mas no incêndio em Maule, o clima incomum não se limitou ao Chile. A fumaça dos incêndios viajou 1.000 km ao norte até a costa do arquipélago Juan Fernández, onde fez a humidade despencar de 90% para 20% e as temperaturas caírem de 3° C para 4 °C, conta Castellnou.

"Incêndios [como este] não estão se comportando de acordo com o clima que podemos prever em nossos modelos — não dependem mais da topografia, meteorologia ou combustíveis." "Em vez disso, o fogo se comporta de acordo com o clima que está criando, o que significa que também não podemos mais prever o clima quando esse tipo de incêndio está ocorrendo. É o que chamamos de comportamento dinâmico de incêndio florestal", explica.

Nos três anos seguintes a esses incêndios no Chile e em Portugal, Castellnou foi chamado para investigar piroCbs e outros comportamentos extremos de incêndios florestais na África do Sul, Bolívia, Austrália — e três vezes na Califórnia. Actualmente, ele tem 83 investigações abertas sobre esse tipo de comportamento de incêndio florestal envolvendo fenómenos meteorológicos. Na década de 1990, ele tinha duas ou três.

Compreender melhor as piroCbs é agora sua principal preocupação. "A análise é crucial. Se podemos prever, então podemos proteger... mas, do contrário, podemos perder tudo." Castellnou alerta que, à medida que o clima aquece e as práticas de manejo da terra mudam, o norte da Europa poderá em breve testemunhar estes tipos de eventos meteorológicos extremos.

Ele agora deposita suas esperanças em Mark Finney, do Missoula Fire Sciences Laboratory, em Montana (EUA), o único laboratório dos Estados Unidos dedicado a trabalhos experimentais sobre incêndios florestais. Trabalhando com uma equipe internacional de meteorologistas e especialistas em comportamento do fogo, incluindo Castellnou, Finney tem construído um modelo para prever com mais precisão como os incêndios florestais extremos se comportam meteorologicamente. Mas é um grande desafio, ele explica, uma vez que os incêndios reagem às menores mudanças a nível de partículas.

"Voltamos ao básico no laboratório para entender as coisas e essencialmente decompor o fogo em partes, na esperança de poder entendê-las melhor de forma independente e, em seguida, colocá-las novamente juntas em um modelo muito simples", afirma Finney. No nível mais básico, no entanto, todo fogo muda o fluxo de ar e o clima ao seu redor, até mesmo uma vela, diz ele. A chama aquece o ar, fazendo com que se expanda e suba, e o ar mais frio seja sugado para substituí-lo. "À medida que os incêndios ficam cada vez maiores, envolvem um volume cada vez mais alto e uma área cada vez maior da atmosfera. E quando esses incêndios ficam grandes o bastante, há vários feedbacks atmosféricos diferentes", afirma Finney.

Um deles é criar nuvens. A humidade da combustão dos combustíveis sobe até atingir o ar frio, resfriando e condensando para criar nuvens cumulus brancas volumosas (e inofensivas). Mas se o fogo for muito intenso, o calor e a energia empurram a humidade cada vez mais alto, até que a água se transforme em gelo na estratosfera, entre 10-50 km de altura, se espalhando pela região onde fica a camada de ozono. Cada vez que a humidade muda de fase — de gás para água e depois gelo — ela liberta mais energia, empurrando a nuvem ainda mais alto e criando um feedback positivo. "Em algum ponto, ela sobe alto o bastante que fica sem energia para continuar subindo", diz Finney.

"Você acaba com muitas partículas de fumaça, que se transformam em um núcleo de condensação. E, sejam gotículas líquidas ou gelo sólido, elas começam a se agregar em torno desses núcleos, se tornando gotículas maiores, sejam congeladas ou líquidas." Uma vez que se tornam grandes demais para ficarem suspensas no ar, elas começam a cair. A água passa pelas mudanças de fase na direcção contrária, de gelo para água e depois gás, cada vez consumindo mais energia. "E assim começa a fluir cada vez mais rápido — e é isso que leva a essas correntes descendentes que desabam no fogo e começam a respingá-lo para todos os lugares", explica Finney. "É o reverso do processo, é tudo por causa da água. Se você não tivesse água na pluma de fumaça, nada disso aconteceria".

Esta pode ser uma das razões pelas quais as piroCbs mais recentes ocorreram em países com litoral, acredita Castellnou. Portugal está na costa do Atlântico; a Califórnia e o Chile, do Pacífico; e a África do Sul, dos oceanos Índico e Atlântico. A Austrália é, obviamente, totalmente cercada pelo mar, e muitos de seus piores incêndios em 2020 (embora não todos) ocorreram perto da costa.

As fortes correntes descendentes também criam "focos", diz Finney, em que o material em chamas é lançado, às vezes viajando muitos quilómetros até cair e iniciar novos incêndios. Segundo ele, as piroCbs também podem iniciar novos incêndios por meio de raios. "Com um relâmpago, uma descarga vem da nuvem e encontra outra vinda do solo. Por algum motivo, tempestades geradas pelo fogo tendem a ter mais descargas de retorno positivas do que negativas — e as descargas positivas são aquelas que tendem a começar incêndios", explica Finney.

Outro factor que colabora — ou pelo menos não um feedback negativo que poderia ajudar a conter um incêndio — é o fato de que, diferentemente da maioria das tempestades, as piroCbs não tendem a produzir chuva, uma vez que as partículas no ar resultam em pequenas gotículas de água que evaporam antes de chegar ao solo.

O objectivo de Finney agora é construir um modelo que ajude a prever alguns desses comportamentos mais rápido do que em tempo real, para que os administradores de terras e os chefes dos bombeiros possam agir rapidamente quando um grande incêndio começar. Os incêndios florestais extremos também têm o potencial de afectar o clima, pelo menos regionalmente, diz o climatologista canadense Mike Flannigan, da Universidade de Alberta. Flannigan tem alertado que a mudança climática está causando incêndios florestais mais intensos há 20 anos — à medida que seca os combustíveis, prolonga a temporada de incêndios e possivelmente cria mais raios. Mas pouco se sabe sobre as contribuições dos incêndios florestais para as mudanças climáticas, afirma Flannigan. "Há muitos pesos e contrapesos em nosso sistema climático, e algumas das coisas que o fogo faz causam aquecimento e outras causam resfriamento."

Alguns dizem que os processos de resfriamento superam o aquecimento, enquanto outros afirmam que o inverso é verdadeiro. "Mas tem muitos elementos móveis, e é por isso que ainda não foi completamente resolvido", avalia. A queima de combustíveis obviamente libera muitos gases de efeito estufa, diz Flannigan, que contribuem para o aquecimento, principalmente se houver turfa rica em carbono. Mas outros mecanismos são menos claros.

A fuligem, ou carbono negro, criada pelo fogo é um dos factores desconhecidos. "O carbono negro é muito eficaz no aquecimento da atmosfera, seja directamente [absorvendo] a luz do sol ou caindo na neve e no gelo, [uma vez que] as superfícies escuras absorvem a radiação solar e as brancas reflectem", explica Flannigan. "Mas, por outro lado, a fumaça bloqueia a radiação solar e pode cobrir grande parte do globo, causando resfriamento regional." Isso acontece quando as piroCbs injectam material na estratosfera, que é normalmente uma parte muito estável da atmosfera, permitindo que as partículas permaneçam lá por mais tempo. Quanto mais fumaça na estratosfera, mais intenso será o resfriamento.

Por exemplo, um estudo mostrou que a fumaça dos incêndios australianos no início de 2020 bloqueou mais radiação solar do que qualquer incêndio florestal documentado anteriormente, na mesma medida que uma erupção vulcânica moderada, diz Flannigan. O resfriamento pode durar "de um mês a um ano, e de um continente a um hemisfério. Tudo isso são possibilidades", acrescenta.

Com as mudanças climáticas causando incêndios florestais mais extremos, poderia haver um futuro de resfriamento planetário? "Se você tivesse me perguntado isso alguns anos atrás, eu teria dito que provavelmente não. Agora, eu diria que sim, mudei de ideia."

De volta a Washington DC, Fromm também observou a fumaça estratosférica sobre a Austrália em 2020 por meio de satélites e ajudou a detectar outra novidade na meteorologia do fogo. Uma "bolha" de fumaça se estendendo por 1.000 km gradualmente deu a volta na Terra na forma de ovo. Ela foi criada por uma pluma de fumaça tão quente que gerava sua própria circulação atmosférica, explica Fromm. Ele suspeita que ela tenha sido criada por de uma a três piroCbs, embora diga que os cientistas ainda não têm certeza.

"A bolha começou a circular em um movimento anticiclónico e, enquanto girava, também se movia pela atmosfera e subia de altitude, podendo ser rastreada em todo o mundo", revela. "Não temos uma teoria ainda [sobre o impacto], mas estamos especulando que isso poderia realmente alterar a química da estratosfera." As piroCbs sempre ocorreram, diz Fromm, e ainda não se sabe se o número delas está aumentando.

"[Mas desde Portugal em 2017] observamos, não tendências, mas eventos que nunca vimos antes ou em locais onde nunca havíamos visto uma piroCb antes. Com os incêndios australianos de 2019-2020, observamos um aglomerado de piroCbs que era mais dramático em termos de tamanho, número e intensidade do que tínhamos conhecimento de ter acontecido anteriormente, pelo menos na era dos satélites." É um dos muitos aspectos a serem explorados na meteorologia do fogo, diz Fromm. Mas a área-chave de pesquisa agora deve ser vincular esses fenómenos e comportamentos meteorológicos com o que está acontecendo no solo, antes que se tornem mais extremos.

Jez Fredenburgh

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Fonte (texto e imagens): BBC Future


terça-feira, 22 de junho de 2021

8215. Terça-feira, 22 de Junho (20h00)

Imagem de Satélite às 20h00

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Fonte: SAT24

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Alguma instabilidade durante a tarde nas regiões do interior norte e centro, com aguaceiros pouco frequentes e trovoadas no nordeste transmontano.

8214. Previsões meteorológicas: a necessidade do bom senso

 



A diferença entre previsões acima apresentadas permite ao leitor tirar conclusões; o exemplo ilustra entre previsões amadoras da LUSOMETEO, susceptíveis de errar sem que daí advenham quaisquer responsabilidades, e as previsões oficiais, que há vários dias vinham a apontar para a instabilidade atmosférica esta tarde no nordeste transmontano e Beira interior.

A situação de hoje é um exemplo que devemos ter em conta com algumas destas páginas amadoras; nem todas são fiáveis, como é o caso ilustrado deste exemplo da LUSOMETEO, embora haja destaque e se reconheça que há quem queira trabalhar na área e que revela bom senso, não enveredando por uma ciência que não domina.

Por isso, na consulta de páginas não oficiais que abordam previsões meteorológicas, muitas vezes da autoria de possíveis autodidactas amadores sem formação científica na área, o bom senso sugere que deverá comparar-se sempre com as previsões dos organismos oficiais.

A meteorologia é uma ciência que merece ser bem tratada.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

8213. IPMA: Página no FaceBook

8212. IPMA: Envio de Relatos Meteorológicos

O projecto "Observar" do IPMA, dedicado à cooperação voluntária, dispõe de novas funcionalidades, fruto do interesse cada vez maior demonstrado pelos cidadãos na observação meteorológica.

Assim, foi efectuada a actualização da plataforma do projecto, disponível em https://observar.ipma.pt/, dotando-o de novas funcionalidades como sendo a possibilidade de partilha de mais fotografias assim como do carregamento de vídeos por parte de utilizadores que testemunhem fenómenos meteorológicos.

Esta actualização surge na sequência do aumento das submissões de relatos por parte dos utilizadores como consequência da cada vez maior sensibilidade para a temática dos fenómenos meteorológicos extremos, bem como do aumento da capacidade de partilha de informação recorrendo a dispositivos móveis.

A iniciativa Observar é um projecto de cooperação voluntária que permite a qualquer cidadão reportar, em tempo quase real, a ocorrência de fenómenos meteorológicos severos que testemunhe, através da resposta a um pequeno formulário designado por Relatos. Esta informação será encaminhada, de imediato, para o Centro de Análise e Previsão do Tempo do IPMA, para conhecimento e utilização dos meteorologistas responsáveis pela vigilância do estado do tempo.

Envie-nos os seus relatos (aceda abaixo ao link).

 

https://observar.ipma.pt/


domingo, 20 de junho de 2021

8211. Domingo, 20 de Junho (13h30)

Imagem de satélite às 13h30

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Fonte: SAT24

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Períodos de chuva durante a manhã, estendendo-se do litoral para o interior e das regiões do norte para as regiões do sul; passagem a regime de aguaceiros durante a tarde.

sábado, 19 de junho de 2021

8210. Efeitos do mau tempo em Portugal Continental (2ª parte)

 

Prazo às candidaturas de apoio à instalação de redes anti granizo em pomares deve ser alargado um mês – O Presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira apelou hoje aos agricultores e às organizações de produtores da região que adiram “em força” às candidaturas de apoio à instalação de redes anti granizo em pomares disponibilizadas pelo Governo. “Se quisermos manter este instrumento de apoio, temos que o usar”, lembrou José Eduardo Ferreira.

O autarca lançou o apelo na sessão de esclarecimento que decorreu esta sexta-feira de manhã, em Moimenta da Beira, iniciativa que juntou dezenas de agricultores e organizações de produtores da região, em especial de Armamar, Lamego, Moimenta da Beira e Tarouca, os concelhos mais afectados pelas intempéries de granizo, geada e outros fenómenos que têm destruído nos últimos anos centenas de hectares de pomares, provocando gravíssimos prejuízos aos agricultores e à economia local.

Até ontem apenas 25 candidaturas tinham dado entrada nos serviços do Ministério da Agricultura. “Parece-me muito pouco tendo em conta as preocupações manifestadas pelos agricultores e a extensão dos prejuízos”, disse a Directora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Carla Alves, que admitiu o alargamento do prazo para a entrega das candidaturas em mais um mês, passando de 23 de Junho para 23 de Julho, dilação que permitirá o aumento do número de processos de candidaturas por parte dos fruticultores interessados.

António Tojal, Presidente da Beyra d’Ouro Fruits, uma sociedade composta por um núcleo de seis empresas da região, englobando mais de 300 produtores e mais de mil hectares de macieiras que no seu conjunto produzem cerca de 45 mil toneladas de maçã por ano, está convencido que os agricultores “à boa maneira portuguesa deixam tudo para a última hora”. O dirigente, que é também produtor e empresário, assegura que muitas candidaturas vão ainda ser apresentadas.

O Governo vai alocar 17,5 milhões de euros à instalação de redes anti granizo que têm como objectivo contribuir para a protecção dos pomares contra agentes climáticos adversos e para o reforço da viabilidade das explorações agrícolas, promovendo uma maior previsibilidade do rendimento e valorização da produção. O apoio estatal pode chegar a 60% a fundo perdido no âmbito do PDR 2020.

Na sessão de esclarecimento usaram ainda da palavra José Teixeira, da Beyra d’Ouro Fruits, que falou sobre as “vantagens de rede anti granizo”; Maria Adelaide Inácio, Directora de Serviços de Investimento da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, que apresentou a medida 3.2.1 (redes anti granizo em Pomóideas e Prunóideas); e ainda três representantes de empresas de instalação de redes anti granizo.

Notícias deViseu

Régua estima prejuízos de 2,2ME após estragos em 930 hectares de vinha – O mau tempo afectou 930 hectares de vinha no Peso da Régua e poderá originar um prejuízo de 2,2 milhões de euros na produção de vinho, segundo estimativas reveladas hoje pelo município.

O presidente da Câmara do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, referiu que foi feito um levantamento dos estragos causados pela queda de granizo e chuva intensa no concelho, na última semana, e pediu a intervenção do Governo para apoiar os agricultores afectados. "O vinho é a principal actividade económica do concelho, é a mola do desenvolvimento do nosso concelho e desta região", afirmou o autarca à agência Lusa.

Segundo a informação divulgada pelo município do distrito de Vila Real, o território das uniões de freguesia de Poiares e Canelas e de Galafura e Covelinhas, na Região Demarcada do Douro, foi o mais afectado, com "prejuízos avultados na vinha, nos olivais, nas acessibilidades rurais e nos muros de suporte". "No que respeita à produção de vinho, o levantamento aponta para perda na ordem dos 50%. A isto acresce a destruição completa de novas plantações, que ainda não estavam aptas a produzir e que será necessário replantar. A produção de azeite também foi afectada, verificando-se prejuízos avultados nos olivais", apontou a autarquia.

O município estima que o território afectado seja equivalente a 1220 hectares, dos quais 930 hectares são vinha (350 hectares na União de Freguesias de Poiares e Canelas e 580 hectares na União de Freguesias de Galafura e Covelinhas). "Considerando a produção média de oito pipas por hectare, estima-se que, no que respeita à cultura de vinha, o prejuízo ronde os 2,2 milhões de euros", contabilizou.

A câmara deu conhecimento deste levantamento ao Ministério do Ambiente e à Direcção Regional da Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), aos deputados eleitos pelo distrito de Vila Real e aos grupos parlamentares, com assento na Assembleia da República, solicitando ajuda para "a mitigação dos prejuízos registados" no concelho do Peso da Régua. Lembrou ainda que a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), que representa 19 municípios, já solicitou uma audiência à ministra da Agricultura, com vista à avaliação conjunta dos prejuízos registados e à definição de soluções "urgentes" e "adequadas" às necessidades dos agricultores da região.

A Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN) referiu que, até quarta-feira, tinham sido afectados pelo granizo cerca de 2200 hectares de vinha principalmente nos concelhos de Armamar, Lamego, Peso da Régua e Vila Real.

A primeira ocorrência de queda de granizo, chuva intensa e trovoada aconteceu a 31 de Maio, afectando principalmente o concelho de Vila Real. Novos episódios de mau tempo aconteceram nos dia 11 e 13 de Junho, atingindo também os concelhos de Peso da Régua, de Armamar e Lamego, todos inseridos na Região Demarcada do Douro.

Há uma semana que a trovada, acompanhada de chuva intensa e, em algumas situações, granizo, afecta diferentes concelhos do distrito de Vila Real. Entre quinta-feira e hoje, verificaram-se várias inundações repentinas principalmente nos municípios de Murça e Valpaços, mas também em Chaves e Ribeira de Pena.

O serviço de Protecção Civil Municipal de Valpaços registou várias ocorrências, "a maior parte relacionadas com inundações, que provocaram obstáculos à circulação automóvel e inundações de terrenos agrícolas". Durante o dia estiveram no terreno as equipas do departamento de ambiente, dos jardins e espaços verdes, e da Protecção Civil a proceder à limpeza das vias e valetas, de modo a atenuar os constrangimentos causados pelo mau tempo.

Porto Canal

PSD reclama medidas de apoio para prejuízos causados pelo mau tempo no Norte e Centro – O PSD apresentou na Assembleia da República um projecto de resolução para que sejam adoptadas medidas de apoio extraordinárias para fazer face aos prejuízos causados pelas intempéries registadas em Vila Real, Viseu, Bragança e Guarda.

“Perante a dimensão e gravidade das situações causadas por estes acidentes climáticos adversos, o Grupo Parlamentar do PSD considera que o Governo deve adoptar, urgentemente, as medidas de carácter financeiro e administrativo que se impõem, no sentido de minorar os impactos sociais e económicos nestes territórios”, lê-se no documento citado pela agência Lusa. O PSD reivindica ainda que o Governo proceda ao levantamento dos danos causados nas infraestruturas e equipamentos municipais afectados, de modo a averiguar a necessidade de aplicação de medidas específicas de apoio à sua recuperação.

Ao apresentar a questão, os sociais-democratas frisam os prejuízos causados pela “queda de chuva forte, acompanhada de granizo e trovoada”, que se registou entre final de Maio e meados de Junho, nas regiões de Vila Real, Viseu, Bragança e Guarda, e um pouco por todo o território, no Norte e Centro. “O resultado foi uma devastação profunda em vinhas e árvores de fruto, comprometendo as produções agrícolas do presente ano e dos anos seguintes, assim como danos materiais em infraestruturas e vias de comunicação”, apontam.

A informação destaca ainda que a intensidade do granizo, registada a 31 de Maio, afectou uma vasta área de vinha na região de Vila Real e de Viseu, com várias parcelas localizadas na Região Demarcada do Douro, e que, “passados cerca de 15 dias, mais concretamente nos dias 13, 14 e 15 de Junho”, se voltaram a registar tempestades de chuva e granizo que afectaram a mesma região do Douro, assim como a região do sul do distrito de Viseu, Região Demarcada do Dão. “Estima-se que mais de dois mil hectares de vinha e mil hectares de pomares de maçã e pequenos frutos estejam em risco de perda total”, é vincado.

Face à destruição, o PSD reivindica que a “desejável recuperação abranja não só a valorização económica, como também a valorização ambiental e territorial, especialmente nas zonas mais expostas ao risco de abandono agrícola e à perda de biodiversidade”. Por outro lado, o PSD também defende que o Governo deve fazer “um maior esforço no reforço dos instrumentos nacionais e comunitários no sentido de promover a adesão maciça ao sistema de seguros agrícolas e fundos mutualistas e consequentemente mais atractivos para os agentes económicos”.

Além disso, considera que é fundamental “a criação de um sistema de apoio público vocacionado especialmente para a agricultura familiar, pequena agricultura e agricultura de subsistência que, pela sua natureza intrínseca, se encontra particularmente [vulnerável] perante este tipo de fenómenos”.

O documento do PSD deixa ainda a recomendação de que o Ministério da Agricultura divulgue o resultado do levantamento dos prejuízos causados pelos temporais ocorridos entre 31 de Maio e 15 de Junho, nas regiões do Norte e Centro, nas diversas produções agrícolas, e que avalie a possibilidade de declaração de estado de calamidade pública para os concelhos mais atingidos e consequentemente mobilize os instrumentos necessários. Reivindica igualmente que os instrumentos financeiros para as situações onde os prejuízos foram mais elevados sejam “a fundo perdido” e que se pondere a “possibilidade de criar uma linha de crédito bonificada”.

Na lista, os deputados incluem ainda a recomendação para que se fortaleçam e alarguem as operações de investimento para a instalação de redes anti-granizo, e que a elaboração do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PAC) contemple instrumentos de gestão de crise e de risco que sejam “robustos financeiramente e adequados à realidade agrícola nacional”.

Jornal Económico

Chuva e granizo inundam casas e levam ao corte de estrada em Montalegre – A chuva intensa e a queda de granizo provocaram esta quarta-feira inundações em estradas, em habitações e numa superfície comercial em Montalegre, no distrito de Vila Real, e levaram ao corte de uma estrada, adiantou à Lusa o município. O vice-presidente da Câmara de Montalegre, David Teixeira, explicou que a chuva intensa e o granizo caíram sobre aquela vila durante cerca de meia hora, entre as 15.00 e as 15.30.

"A chuva repentina e a queda de pedra entupiram canalizações, o que fez com que a água entrasse em casas e mesmo em habitações em prédios, pelas varandas", referiu o responsável pela Protecção Civil municipal. Na Estrada Municipal 308 o abatimento de parte da via devido ao mau tempo levou ao corte da estrada. David Teixeira acrescentou que esta ocorrência ainda está a ser avaliada e que para já a via irá continuar cortada. Devido ao entupimento de sarjetas, também várias outras artérias ficaram inundadas de água.

"A chuva já parou e nesta altura os Bombeiros Voluntários de Montalegre e a Protecção Civil municipal estão no terreno a proceder à limpeza das vias", salientou.

Diário de Notícias

8209. Efeitos do mau tempo em Portugal Continental (1ª parte)

 

Granizo destrói culturas a 100% na região de Lamego e causa prejuízos de 3 milhões de euros em Armamar – O presidente da Câmara de Lamego disse na segunda-feira que “há culturas perdidas a 100%” no concelho, com prejuízo de “enorme gravidade”, que está a ser avaliado, devido à queda de granizo deste fim-de-semana.

“As freguesias de zona vinhateira e de pomar, como as de Cambres, Sande e a da cidade de Lamego, Várzea de Abrunhais, Britiande e Valdigem, principalmente no domingo, sofreram prejuízos de enorme gravidade, com várias situações de culturas perdidas a 100%”, afirmou na segunda-feira, à agência Lusa, o presidente da Câmara de Lamego, Ângelo Moura. “Houve situações de danos em infraestruturas”, mas o que “mais preocupa e onde os danos são maiores são nas vinhas e nos pomares de várias frutas”, sublinhou o autarca. Há também novas plantações que sofreram danos profundos e que apesar de terem sido logo tratadas, só os próximos dias é que vão revelar o real prejuízo e até que ponto foi feito o dano na planta e se estão ou não comprometidas as colheitas dos próximos anos”, explicou. Ângelo Moura referiu que há propriedades com “dezenas de hectares com perda total”, tanto de vinha como de pomares, embora os “danos efectivos, só com o passar dos dias é que vão ser contabilizados”. De todo o modo, para já, “pode falar-se em dezenas de milhares de euros”, salientou.

O presidente do município, a pedido de alguns produtores e associações de agricultores, reuniu-se ao início da tarde de segunda-feira com a directora regional da Agricultura do Norte, Carla Alves Pereira, encontro que contou também com a presença dos presidentes de junta das freguesias mais afectadas. “Foram dadas algumas respostas às preocupações levantadas e procurou-se motivar os agricultores para a prevenção futura, no que diz respeito aos pomares, com a colocação de rede de protecção”, contou. Os produtores ficaram a saber que, neste momento, “está aberta uma candidatura para realizar esse investimento” nas redes de protecção e foi também “acedido o pedido de prorrogação do prazo da candidatura”, acrescentou. Também há um eventual reforço de verbas, caso seja necessário, num processo simplificado, sem exigências burocráticas e com apoio a 100%, a fundo perdido, de 18 mil euros por hectare, a que os agricultores se podem candidatar e que será objecto de resposta rápida por parte da direcção regional”, prometeu.

O seguro de colheitas, “pouco divulgado e que deve ser difundido, nomeadamente, na zona das frutícolas” foi outro tema em cima da mesa uma vez que “tem de ser repensado porque o valor do prémio a pagar é avultado”. “A directora regional assumiu ainda o compromisso de encontrar soluções para os [produtores] que vão ficar numa situação de incumprimento das metas financeiras definidas, nomeadamente os jovens agricultores”, contou Ângelo Moura.

O granizo na região de Lamego, de acordo com o autarca, começou a cair na sexta-feira, mas “foi no domingo que se verificou a grande parte dos prejuízos, tendo em conta o tempo que esteve a cair, a violência com que caiu e o [grande] tamanho do granizo em si”.

Granizo em Armamar causa prejuízos de 3 milhões de euros nos pomares – O presidente da Câmara Municipal de Armamar disse na segunda-feira à Lusa que o “granizo severo” do fim de semana causou prejuízos nos pomares acima dos três milhões de euros e deixou a próxima colheita comprometida. Em alguns casos há perda total de culturas, irremediavelmente destruídas. Para além disso, o granizo ainda causou danos nas plantas, quer na vinha, quer no pomar, o que vai comprometer a produção do próximo ano, ou mesmo dos próximos anos”, destacou João Paulo Fonseca.

O presidente da Câmara de Armamar referiu que o granizo começou por cair na sexta-feira, “mas atingiu uma pequena franja”, depois, ao longo do fim-de-semana houve mais episódios de queda, com o domingo a registar “um fenómeno bastante adverso”. “Durante 40 minutos caiu granizo com intensidade, foi granizo severo, com dimensão considerável, o que acabou por destruir tudo o que apanhou. Há prejuízos em infraestruturas, casas particulares e lojas comerciais, mas o que mais preocupa é a agricultura”, sublinhou.

João Paulo Fonseca disse que a autarquia está no terreno, juntamente com a associação de produtores e técnicos do Ministério da Agricultura, a fazer um “levantamento mais afinado” dos prejuízos causados” e que ele já se reuniu, na segunda-feira, com a directora regional da Agricultura do Norte. “Mas já podemos dizer que só no que diz respeito ao sector agrícola”, sobretudo nos pomares, “são acima dos 3 ME de prejuízo. Da reunião saiu, pelo menos, a intenção de criar uma linha de apoio para os nossos produtores, que já tinha sido anunciada até por causa de Vila Real também [região igualmente afectada]”, contou. Uma linha que o autarca pediu à directora regional para ser “reforçada para fazer face aos prejuízos no território de Armamar” e também solicitou que “essas linhas de apoio tenham algum período de carência” para os agricultores. Essas linhas têm de permitir que os nossos produtores possam recorrer a elas e efectuar os pagamentos dos créditos, porque estamos a falar de um concelho que, nos últimos cinco anos, foi atingido quatro vezes por episódios desta natureza, essencialmente granizo”, lembrou. João Paulo Fonseca explicou que “os produtores acabam por já não poder ter capacidade para recorrer ao crédito, a não ser que seja gerado um período de carência para que o consigam fazer”.

Dos pomares que possuem redes anti-granizo, o autarca explicou que “só cerca de 10% da produção do concelho” é que tem essa protecção e, dessa percentagem “só uns 2% é que foi atingido e a rede funcionou bem”.

Autarca de Vila Real defende verbas a fundo perdido para colmatar prejuízos – O presidente da Câmara de Vila Real defendeu na segunda-feira que os ministérios da Economia e da Agricultura devem apoiar com verbas a fundo perdido as actividades mais afectadas pelo granizo e chuva intensa que atingiram o concelho. O mau tempo tem sido, de facto, terrível. E temos observado que nos últimos anos, fruto das alterações climáticas, a severidade do mau tempo, fora de época, tem sido muito constante e causado prejuízos imensos em todo o concelho”, afirmou Rui Santos.

Desde o dia 31 de Maio que o concelho de Vila Real foi já atingido por três tempestades de granizo e de chuva intensa. A última situação verificou-se no domingo. O autarca apontou os prejuízos causados na agricultura, nomeadamente nas vinhas de freguesias como Abaças e Guiães, nos pomares e na horticultura, também nos stands de automóveis que têm as viaturas expostas ao ar livre, na queda de muros, nas vias públicas e em casas de particulares, que sofreram inundações. “Conheço variadíssimas situações em casas particulares onde os prejuízos também foram muito consideráveis”, salientou.

Segundo Rui Santos, a autarquia tem, através da Protecção Civil, “acorrido a todas as emergências” e tem conseguido “manter o concelho em funcionamento”. E temos tentado, dentro daquilo que nos é possível, alertar o Estado central para a severidade das tempestades que por aqui têm caído e para a necessidade de apoio, nomeadamente nas actividades económicas que mais têm sido prejudicadas, como a vitivinicultura, porque os prejuízos são para o ano 2021 mas, em alguns casos, também para anos futuros”, frisou. E explicou que, “em alguns casos, as videiras e árvores de fruto ficam de tal forma danificadas que a expectativa de produção fica condicionada nos próximos anos”.

Após a queda intensa de granizo a 31 de Maio, foi estabelecida uma parceria entre o município e o Ministério da Agricultura para, “pelo menos, fornecer cal aos agricultores para a cicatrização das videiras e das árvores”. Houve uma linha de crédito de três milhões de euros, mas face ao que aconteceu nos últimos dias a percepção que temos é que isso já não chega, temos que ir mais longe, o Estado central tem que ir mais longe, isto é uma competência do Estado central, não é da autarquia”, salientou. E continuou: “Temos que, provavelmente, junto do ministério da Economia, mas também da Agricultura, dependendo dos sectores de actividade, encontrar forma de apoiar os nossos concidadãos com verbas a fundo perdido, é isso que defendemos”.

Ao longo do dia de segunda-feira foram feitas as operações de limpeza de habitações ou de estradas. Rui Santos fez questão de agradecer a todos os que têm estado no terreno, desde a PSP e a GNR, às duas corporações de bombeiros do concelho (Cruz Branca e Cruz Verde) e à Protecção Civil Municipal. “Todos em conjunto souberam estar à altura das circunstâncias e num espaço de tempo absolutamente recorde conseguiram pôr a cidade, o concelho, tudo a funcionar, sem prejuízos de maior”, salientou.

Na sexta-feira, a chuva intensa provocou inundações no concelho, nomeadamente no mercado municipal, que está sofrer obras de requalificação. “As obras não estão concluídas e, portanto, vamos a tempo de rectificar, sabendo nós que não podemos nunca prever tudo (…) Temos seguros, os empreiteiros têm seguros e tentaremos salvaguardar sempre o bem-estar daqueles que momentaneamente foram prejudicados e serão, obviamente, recompensados”, frisou. Relativamente à situação do mercado, o autarca lamentou e pediu desculpa pelo que aconteceu.

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Fonte: Observador

sexta-feira, 18 de junho de 2021

8208. FINAL DE TARDE: Temporal pela Beira Alta, Alto Douro e Trás - os - Montes

 





Situação meteorológica severa ao fim da tarde e inicio da noite em Trás o s Montes e Beira Alta, com aguaceiros, por vezes fortes e acompanhados de trovoadas dispersas e queda de granizo.

Perigo iminente por inundações rápidas de leitos de cheias, acumulação excessiva de águas sobre coberturas, lençóis de água sobre as vias rodoviárias e quedas de arvores; possibilidade de quebras momentâneas da rede eléctrica e de telecomunicações.

8207. Sexta-feira, 18 de Junho (19h00)

Imagem de Satélite às 19h00

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Fonte: SAT24

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Portugal Continental com tempo instável; períodos de céu muito nublado e ocorrência de aguaceiros dispersos, por vezes fortes e acompanhados de trovoadas; possibilidade de queda de granizo.