sexta-feira, 29 de julho de 2022

8689. SIRESP volta a falhar em Leiria

O Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) voltou a ter “falhas constantes” na rede, segundo revelou esta 6ª feira a ‘Renascença’, durante os incêndios que assolaram o distrito de Leiria – muitas das falhas deveram-se à sobrecarga da rede, nos momentos de passagem de um incêndio de pequena ou média dimensão para um de grande dimensão. Se em alguns casos as falhas foram momentâneas, houve no entanto momentos em que as comunicações estiveram mesmo cortadas durante longos períodos de tempo.

Em Pelmá, Alvaiázere, por exemplo, o comandante da corporação de bombeiros voluntários do concelho, Mário Bruno, foi obrigado a enviar relatórios do ponto de situação para o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) através de email. “Não tinha SIRESP. Não sabia se a minha mensagem chegava ao CDOS ou se eles comunicavam comigo, porque eu não os conseguia ouvir. Portanto, pontos de situação, que são uma ferramenta tão importante para a actualização de um teatro de operações, fi-los muitas vezes por email”, denunciou.

Para o comandante dos bombeiros de Alvaiázere, as falhas do SIRESP “já começam a ser estranhamente recorrentes”. O sistema é uma ferramenta “muito útil quando funciona na sua plenitude”, mas em “zonas sombra ou quando apanha uma operação de alguma envergadura, falha”. “Ao falhar deixa-nos completamente entregues a nós próprios, porque não conseguimos muitas vezes solicitar a ajuda de outra corporação, de outro veículo que está ao nosso lado. Muitas das vezes é aflitivo. Nós quase gritamos ao rádio, porque pensamos que nos estão a ouvir e não estão. E isso cria-nos muitos problemas na operação”, lamentou.

Pedro Paz, 2º comandante dos bombeiros voluntários de Ansião, relatou a mesma experiência no incêndio de Mogadouro. Fui obrigado a “ir ao posto de comando recolher alguns contactos telefónicos de outros elementos que estavam afectos ao mesmo [incêndio]. Quando precisei de os contactar, teve de ser via telemóvel. Não conseguia via SIRESP”, contou.

Nos incêndios do distrito de Leiria, o SIRESP voltou a revelar falhas nos momentos em que os incêndios aumentaram dramaticamente de dimensões – situação resolvida, na larga maioria dos casos, através da colocação de um veículo repetidor do sinal da rede.

António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, admitiu à ‘Renascença’ já ter tido conhecimento de falhas no SIRESP “em alguns momentos, especialmente nos período iniciais” no combate aos incêndios.

Francisco Laranjeira

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Fonte: MultiNews


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