A Protecção Civil contabilizou até às 19h deste sábado, 1163 desalojados e alertou para o risco agravado de derrocadas nas próximas horas. “Temos neste momento mais de 1163 pessoas deslocadas, falta ainda contabilizar os eventos mais recentes e as ocorrências mais significativas e com maior número de desalojados referem-se todas elas a movimentos de massa, a derrocadas”, referiu em conferência de imprensa Mário silvestre, comandante nacional da protecção civil.
“Até ao momento registámos 10.002 ocorrências que envolveram 35.443 operacionais e 13.870 meios. As principais tipologias das ocorrências continuam a ser as quedas de árvores, o movimento de massas e as inundações”, acrescentou. É no risco de derrocadas que devem estar concentradas as atenções: “quanto à queda de árvores já estamos sobejamente fartos de falar delas, as inundações são visíveis mas os movimentos de massas não são, só são no fim de acontecerem. Um talude, um muro, uma vertente, parece que está segura e daqui a pouco pode ravinar, é um risco baste significativo. Todas as pessoas que tenham habitações em zonas que confinam com muros, suporte de terras, em zonas com elevados declives, devem ter cuidado, olhem para estas vertentes, percebam se há algum movimento por exemplo de um arbusto ou de uma árvore que já não está bem no mesmo sítio onde estavam anteriormente, são os sinais de que há algum tipo de aluimento destas terras”, alertou Mário Silvestre, referindo que o problema está a atingir “proporções bastante significativas”.
Na lezíria do Tejo, no município do Cartaxo, povoação de Valada do Ribatejo “realizaram-se trabalhos de reforço do dique de Valada que continuaram ao longo do dia e que continuam a ser monitorizados para não haver ali nenhum problema”. No litoral alentejano, em Alcácer do Sal, “a localidade de Forno da Cal continua insolada e com abastecimento através de embarcações dos bombeiros” e na península de Setúbal na Costa da Caparica, “um movimento de massa deixou três prédios afectados, procede-se à avaliação de danos e já se procedeu à evacuação de pessoas”. Em Camarate, Loures, “um movimento de massa provocou danos em várias habitações, está neste momento em avaliação mas a estimativa inicial aponta para que poderemos ter deslocadas cerca de 70 pessoas”. Em Santo Isidro, Mafra, “também num momento de massa há uma habitação com danos e nove deslocados”.
Mário Silvestre destacou por fim o acidente que provocou mais uma morte, a 14ª deste rol de tempestades: “o acidente com um bombeiro de Campo Maior infelizmente vítima mortal”.
Por outro lado, os maiores rios do país continuam “com risco significativo de inundação”: Mondego, Tejo, Sorraia, Sado, Vouga Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana. “Estamos de norte a sul com rios com potencial elevado de inundação, é sem dúvida nenhuma uma situação a nível nacional e que nos obriga a cuidados redobrados. Por causa deste fenómeno temos 7 planos distritais activados: Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leira, Lisboa Beja e Setúbal, assim como 92 planos municipais activados e 17 declarações de situação de alerta”, referiu Mário Silvestre.
O mesmo responsável adiantou que o plano de cheias do rio Tejo se mantém no nível mais elevado, vermelho. E alertou para o “piso escorregadio e eventualmente obstruído” nas estradas: “A condução à noite é extremamente perigosa neste momento sobretudo nas zonas que podem sofrer os efeitos das inundações, por haver lençóis de água”. Fez ainda referência aos “acidentes na orla costeira pelo galgamento atendendo à agitação marítima elevada e ao arrastamento de objectos soltos para as estradas quer pelo vento quer pela água”.
Pedro Lima * * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte: Expresso
Sem comentários:
Enviar um comentário