Nas próximas 48 horas um novo rio atmosférico vindo das Caraíbas atingirá Portugal continental, mantendo elevado o risco de cheias e derrocadas em vários distritos. Saiba quando será o grosso da chuva na terça e quarta-feira, dias 10 e 11. Ao longo de grande parte da presente semana o jacto polar continuará a circular na direcção de Portugal continental, sendo favorável à chegada de novas frentes ao nosso território, associadas a tempestades formadas entre a Terra Nova e as Ilhas Britânicas. Prevê-se precipitação persistente e particularmente forte na metade ocidental das Regiões Norte e Centro (grosso modo a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela).
O que é um rio
atmosférico? Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas na atmosfera que
funcionam como verdadeiras “auto estradas de transporte de vapor de água”,
deslocando grandes quantidades de humidade desde as zonas tropicais até às
latitudes médias. Quando interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis,
ganham o potencial de gerar chuva forte, eficiente e persistente.
A disposição dos
centros de acção atmosférica, com um novo “comboio” de tempestades a circular
no Atlântico Norte e o anticiclone dos Açores deslocado para sul,
permitirá a canalização de um novo rio atmosférico até
ao nosso país, cujo grosso nos atingirá entre terça e quarta-feira, dias 10 e
11 de Fevereiro. Ainda assim, este novo rio de humidade não terá a
mesma magnitude que o da semana passada, mas ao “chover
no molhado” contribuirá para o agravamento do risco de cheias,
inundações, derrocadas e deslizamentos de terras.
A mais recente actualização
do modelo Europeu intui que a parte mais activa do rio atmosférico procedente
das Caraíbas afectará toda a geografia do Continente (embora com contrastes
regionais). É importante salientar que ao longo de terça-feira,
dia 10, o contributo do rio de humidade já será bastante significativo para a
precipitação em Portugal continental, especialmente durante a manhã
deste dia nas Regiões Norte e Centro e no litoral Oeste.
Além disto, perspectiva-se
a possibilidade de trovoadas fortes durante a manhã e início da
tarde de terça (10) em qualquer ponto da geografia do Continente entre Minho e
Tejo (especialmente mais junto ao litoral), pelo que poderá
atingir zonas dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real,
Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa e Setúbal.
Já na quarta (11)
começará por primeiramente alcançar as regiões entre os rios Mondego e
Guadiana, desde as primeiras horas da madrugada, onde reforçará a chuva, tornando-a
persistente e moderada ou pontualmente forte até quase ao final do dia,
especialmente na faixa territorial entre Tejo e Guadiana e em particular nas
zonas mais expostas aos ventos de Sudoeste.
O rio de humidade
rapidamente se espalhará para outras zonas do país, como a Região Norte, esperando-se que a sua fase mais intensa nesta parte
da nossa geografia ocorra entre o meio da manhã e o meio da tarde de
quarta-feira (11). No Norte, e sobretudo nos distritos situados a
oeste da Barreira de Condensação, prevê-se chuva persistente e pontualmente
moderada. Ainda de acordo com os mapas, o Algarve será a região menos afectada
pelo rio atmosférico, registando geralmente céu encoberto e chuva
fraca.
Quanto ao arquipélago
dos Açores prevê-se uma quarta-feira (11) de céu nublado, com boas
abertas, mas também períodos de chuva ou aguaceiros. Na Madeira
espera-se que o céu esteja geralmente muito nublado graças às altas pressões
que estenderão a sua influência de maneira significativa sobre este
arquipélago.
No Continente os rios
e as barragens terão de continuar a ser monitorizados, dado que muitos
deles ainda estão cheios e, mesmo que não chova tanto como nos últimos dias, os
solos saturados farão com que a água mais fácil e rapidamente flua sobre a
terra.
A chegada do ar
tropical muito ameno e húmido ‘transatlântico’ trouxe esta segunda-feira (9)
uma subida das temperaturas, sendo especialmente acentuada
nas mínimas. Nos próximos dias espera-se que subam de forma gradual, ou que se
mantenham, tanto máximas, como mínimas. Nesta primeira metade da semana as
mínimas oscilarão entre 12 e 15 ºC, excepto no interior Norte e
Centro onde os valores serão ligeiramente inferiores.
O rio
atmosférico impulsionará para o nosso país uma massa de ar tropical marítima
muito amena, provocando uma subida das temperaturas que registarão valores
acima da média para esta época do ano.
Tendo este panorama
térmico em conta, o cenário de queda de neve fica completamente descartado. O
que se espera é chuva abundante, também nas principais serras do Norte e do
Centro, o que elevará o risco de derretimento de alguma neve
que eventualmente ainda persista nos cumes, bem como o transbordamento de
cursos de água situados nestas regiões.
O vento de Oés-sudoeste
intensificará numa parte significativa da geografia continental, geralmente a
norte do rio Tejo, estando previstas rajadas até 70 km/h no litoral e
até 90 km/h nas terras altas.
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Fonte (tempo e imagem): Meteored Portugal

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