Uma depressão do tipo gota-fria, centrada a oeste da região de Aveiro ao início de dia 23 de maio, promovia sobre o território das regiões do Norte e do Centro o transporte de uma massa de ar instável acima de 2000 m de altitude, mas caracterizada pela presença de ar seco nos níveis inferiores, onde persistia inibição para a convecção. Ainda assim, e não obstante a ausência de aquecimento radiactivo significativo, o impulso inicial oferecido pela orografia e a dinâmica da depressão, propiciaram o desenvolvimento de superfícies de convergência com orientação sudoeste-nordeste, sobre as referidas regiões. Uma destas perturbações, no final da madrugada e início da manhã de dia 23, afectava a região de Viseu.
O perfil termodinâmico da troposfera era favorável a correntes ascendentes intensas e sustentava a formação de granizo, observado em diversos locais. No entanto, foi a presença de ar seco nas camadas mais baixas que, ao favorecer processos de arrefecimento evaporativo dos hidrometeoros precipitantes (granizo e chuva), conduziu à formação de correntes de ar descendentes e organizadas (downbursts), que geraram vento muito forte, o fenómeno mais notório. Exemplifica-se o episódio ocorrido em Viseu, onde a estação do IPMA situada um pouco a norte da cidade (Viseu-CC), registou uma rajada de 24,3 m/s (87,5 km/h) de sudoeste, no período 08:30-08:40 UTC. As observações com radar mostram, exactamente nesse período, uma extensa assinatura de diversos downbursts que afectavam a região de Viseu e outras áreas da região Centro, em associação a uma superfície de convergência. Os padrões radar sugerem que em alguns locais o valor das rajadas se possa ter aproximado de 100 km/h, ou mesmo ter excedido este valor.
No dia 24, as condições foram semelhantes às anteriormente descritas, mas o perfil termodinâmico reforçou, para a tarde, correntes ascendentes particularmente energéticas entre os 3000 m e os 8000 m de altitude, fruto de muita instabilidade disponível nessa camada, e, por outro lado, a presença de shear vertical foi susceptível de suportar ciclos relativamente prolongados de crescimento do granizo. Neste contexto foi observada a queda de pedras de grande diâmetro, por vezes da ordem de 3 cm ou superior. Locais como Cabril, que se refere como exemplo, e muitos outros, em particular no noroeste do Continente, foram afectados por queda de granizo com dimensões menos comuns no nosso território. A actividade eléctrica que acompanhou a convecção foi intensa, como se mostra no campo observado das descargas eléctricas, pela rede de detecção do IPMA, entrado no período 16-18 UTC
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Fonte (texto e imagem): IPMA
O perfil termodinâmico da troposfera era favorável a correntes ascendentes intensas e sustentava a formação de granizo, observado em diversos locais. No entanto, foi a presença de ar seco nas camadas mais baixas que, ao favorecer processos de arrefecimento evaporativo dos hidrometeoros precipitantes (granizo e chuva), conduziu à formação de correntes de ar descendentes e organizadas (downbursts), que geraram vento muito forte, o fenómeno mais notório. Exemplifica-se o episódio ocorrido em Viseu, onde a estação do IPMA situada um pouco a norte da cidade (Viseu-CC), registou uma rajada de 24,3 m/s (87,5 km/h) de sudoeste, no período 08:30-08:40 UTC. As observações com radar mostram, exactamente nesse período, uma extensa assinatura de diversos downbursts que afectavam a região de Viseu e outras áreas da região Centro, em associação a uma superfície de convergência. Os padrões radar sugerem que em alguns locais o valor das rajadas se possa ter aproximado de 100 km/h, ou mesmo ter excedido este valor.
No dia 24, as condições foram semelhantes às anteriormente descritas, mas o perfil termodinâmico reforçou, para a tarde, correntes ascendentes particularmente energéticas entre os 3000 m e os 8000 m de altitude, fruto de muita instabilidade disponível nessa camada, e, por outro lado, a presença de shear vertical foi susceptível de suportar ciclos relativamente prolongados de crescimento do granizo. Neste contexto foi observada a queda de pedras de grande diâmetro, por vezes da ordem de 3 cm ou superior. Locais como Cabril, que se refere como exemplo, e muitos outros, em particular no noroeste do Continente, foram afectados por queda de granizo com dimensões menos comuns no nosso território. A actividade eléctrica que acompanhou a convecção foi intensa, como se mostra no campo observado das descargas eléctricas, pela rede de detecção do IPMA, entrado no período 16-18 UTC
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Fonte (texto e imagem): IPMA

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