Os fenómenos climáticos extremos ocorridos nos últimos verões na Europa continental poderão ser cada vez mais frequentes até ao fim do século, indica o estudo publicado na revista científica britânica Nature.
Paralelamente, segundo os autores suíços deste trabalho, o clima quente e seco dos países ribeirinhos do Mediterrâneo poderá chegar até ao norte da Europa. Esta evolução deverá ter “um efeito positivo mecânico” no centro e leste da Europa e arrastar estas regiões para um círculo vicioso, com uma maior evaporação do solo e um aumento da humidade libertada pela vegetação devido à subida das temperaturas. Nas regiões húmidas, o ar quente deverá também contribuir para alimentar o ciclo das precipitações, aumentando o risco de cheias.
Pelo contrário, nas regiões afectadas por um clima mais seco, a humidade do solo e das plantas desaparecerá mais rapidamente, limitando cada vez mais as possibilidades de refrescamento da atmosfera e acentuando as canículas.
Este processo será tanto mais complexo que a própria vegetação sofrerá alterações com o aquecimento climático, com as florestas de folhosas a dar lugar progressivamente a plantas adaptadas a um clima quente e seco, o que afectará as trocas de ar húmido com a atmosfera.
O estudo baseou–se numa modelização informática capaz de prever os efeitos da humidade dos solos num mapa da Europa com uma resolução quase duas vezes superior à dos modelos anteriores, precisou Sónia Seneviratne, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça. Em particular, o trabalho mostra que esta evolução será caracterizada por vagas de calor mais frequentes e confirma também que os fenómenos climáticos - canículas ou cheias - serão muito variáveis de ano para ano.
Alterações ameaçam anfíbios e répteis - As alterações climáticas poderão provocar um declínio substancial em quase todas as espécies de anfíbios e répteis do sudoeste da Europa, com destaque para Portugal, Espanha e França, revela um estudo liderado por um investigador português. No estudo, publicado na revista “Journal of Biogeography” e divulgado pelo site www.ambio.blogspot.com, a equipa liderada pelo investigador Miguel Araújo projectou as distribuições de 42 espécies de anfíbios e 66 espécies de répteis, nos próximos 20 a 50 anos, utilizando quatro cenários de emissões de gases com efeito de estufa e dois modelos climáticos. Os cientistas concluíram que os aumentos previstos de temperatura não seriam causa provável de declínio das espécies de anfíbios e répteis na Europa, já que um cenário de arrefecimento global seria, na realidade, bastante pior. No entanto, o aumento de aridez previsto para o sudoeste da Europa poderá causar reduções acentuadas na área de distribuição de quase todas as espécies de anfíbios e répteis que existem actualmente em Portugal, Espanha e França.
Os investigadores sublinham que “os impactes que se prevêem para estes países não são triviais, dado o facto de albergarem 62 por cento de todas as espécies de anfíbios e répteis que ocorrem na Europa”. A explicação para a elevada percentagem de anfíbios e répteis que ocorrem nestes três países deve–se ao facto da Península Ibérica ter constituído um importante refúgio para a sobrevivência destes animais durante os períodos glaciares que antecederam o período quente actual.
Segundo Miguel Araújo, a verificarem–se as alterações climáticas previstas, “estas regiões que foram chave para a sobrevivência dos anfíbios e répteis poderão transformar–se em regiões com elevadas taxas de extinção”.
Sol não é responsávelpelo aquecimento da Terra - Cientistas garantem que as alterações climáticas não se devem a qualquer aumento da energia do Sol, antes à acção do homem.
A evolução da energia libertada pelo Sol não parece ter tido consequências nas alterações climáticas terrestres, pelo menos desde o século XVII e provavelmente durante os últimos milénios, indica um estudo publicado pela revista científica britânica Nature. A luminosidade do Sol, ou a energia que produz, aumenta ou diminui um pouco menos de 0,1 por cento, segundo o ciclo das manchas solares.
Ao recuar por extrapolação os períodos deste ciclo até ao ano 1000, os investigadores concluíram que as variações foram demasiado fracas para explicar as do clima na Terra. “No conjunto, não encontrámos nenhuma prova de variações da luminosidade do Sol com amplitude suficiente para provocar variações significativas do clima numa escala de cem, mil ou mesmo um milhão de anos”, refere o estudo, realizado por uma equipa de investigadores de institutos dos Estados Unidos da América, Suíça e Alemanha.
Segundo estes cientistas, processos mais complexos explicariam as emissões variáveis de radiações ultravioleta e gases magnetizados passíveis de alterar o clima, mas estas são hipóteses ainda por verificar. Sobretudo, “os nossos resultados implicam que, durante o último século, a acção do homem ultrapassou de longe as alterações da luminosidade do Sol no que se refere às alterações climáticas”, sublinhou um dos investigadores, Tom Wigley, do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica (NCAR).
As reconstituições da evolução do clima desde o século VII mostram uma muito clara aceleração do aquecimento no último século, que tem sido atribuída à produção de gases com efeito de estufa, a variações naturais do sistema climático terrestre e, segundo algumas teorias, às alterações da luminosidade do Sol. Os fenómenos climáticos extremos ocorridos nos últimos verões na Europa continental poderão ser cada vez mais frequentes até ao fim do século, indica ainda o estudo divulgado pela Nature, segundo o qual o clima quente e seco dos países ribeirinhos do Mediterrâneo poderá chegar até ao norte da Europa.
“Uma verdade inconveniente” - Portugal está a ver desde a semana passada “o mais aterrador” filme alguma vez feito sobre o aquecimento da Terra. Estreou a semana passada nas salas de cinema portuguesas um documentário que traça a história pessoal e os esforços de Al Gore, antigo vice–presidente dos Estados Unidos da América, no sentido de reverter os efeitos do aquecimento global.
Paladino do ambiente há várias décadas, Gore apresenta os factos, enumera as inquietações e revela os desastrosos e fatais efeitos da ignorância dos governos e da indiferença dos cidadãos. A película mostra ainda em que Terra vivemos e o planeta sem virtudes que estamos prontos a deixar aos nossos filhos. Não é um acto de desespero: é um aviso sério.
O anúncio do filme, antes da sua estreia, durava 30 segundos, o tempo que demora a derreter 210 metros cúbicos de gelo e a libertar 34,8 toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera por causa das alterações climáticas. “E a única casa que conhecemos estará 30 segundos mais perto do ponto de não retorno”, rematava a pré–apresentação de “A Verdade Inconveniente”.
“Vão ver os glaciares do Ártico e do Antártico a derreter. Vão ver a Gronelândia a escorrer para o mar. Vão ver a atmosfera poluída com gases com efeito de estufa que impedem o calor de escapar”, escreveu o jornalista do Washington Post Richard Cohen, a propósito do filme, considerado “o mais aterrador” alguma vez feito sobre o assunto. “Vão ver fotos a partir do espaço que mostram como eram os glaciares e como são agora e, em animação, até que ponto os oceanos vão subir. Xangai e Calcutá alagadas. Grande parte da Florida, também. A água toma uma parte de Nova Iorque. A polémica sobre o que fazer na zona de Ground Zero vai ser inútil. Vai estar submersa”, adiantava Richard Cohen.
O ponto de partida do filme, realizado por Davis Guggenheim, é o livro onde o homem “que costumava ser o próximo presidente dos EUA”, como o próprio Al Gore se apresenta, expõe as suas preocupações relativas ao aquecimento global e explica como o tema se tornou central na sua vida.
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Fonte: AS BEIRAS ON LINE
Paralelamente, segundo os autores suíços deste trabalho, o clima quente e seco dos países ribeirinhos do Mediterrâneo poderá chegar até ao norte da Europa. Esta evolução deverá ter “um efeito positivo mecânico” no centro e leste da Europa e arrastar estas regiões para um círculo vicioso, com uma maior evaporação do solo e um aumento da humidade libertada pela vegetação devido à subida das temperaturas. Nas regiões húmidas, o ar quente deverá também contribuir para alimentar o ciclo das precipitações, aumentando o risco de cheias.
Pelo contrário, nas regiões afectadas por um clima mais seco, a humidade do solo e das plantas desaparecerá mais rapidamente, limitando cada vez mais as possibilidades de refrescamento da atmosfera e acentuando as canículas.
Este processo será tanto mais complexo que a própria vegetação sofrerá alterações com o aquecimento climático, com as florestas de folhosas a dar lugar progressivamente a plantas adaptadas a um clima quente e seco, o que afectará as trocas de ar húmido com a atmosfera.
O estudo baseou–se numa modelização informática capaz de prever os efeitos da humidade dos solos num mapa da Europa com uma resolução quase duas vezes superior à dos modelos anteriores, precisou Sónia Seneviratne, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça. Em particular, o trabalho mostra que esta evolução será caracterizada por vagas de calor mais frequentes e confirma também que os fenómenos climáticos - canículas ou cheias - serão muito variáveis de ano para ano.
Alterações ameaçam anfíbios e répteis - As alterações climáticas poderão provocar um declínio substancial em quase todas as espécies de anfíbios e répteis do sudoeste da Europa, com destaque para Portugal, Espanha e França, revela um estudo liderado por um investigador português. No estudo, publicado na revista “Journal of Biogeography” e divulgado pelo site www.ambio.blogspot.com, a equipa liderada pelo investigador Miguel Araújo projectou as distribuições de 42 espécies de anfíbios e 66 espécies de répteis, nos próximos 20 a 50 anos, utilizando quatro cenários de emissões de gases com efeito de estufa e dois modelos climáticos. Os cientistas concluíram que os aumentos previstos de temperatura não seriam causa provável de declínio das espécies de anfíbios e répteis na Europa, já que um cenário de arrefecimento global seria, na realidade, bastante pior. No entanto, o aumento de aridez previsto para o sudoeste da Europa poderá causar reduções acentuadas na área de distribuição de quase todas as espécies de anfíbios e répteis que existem actualmente em Portugal, Espanha e França.
Os investigadores sublinham que “os impactes que se prevêem para estes países não são triviais, dado o facto de albergarem 62 por cento de todas as espécies de anfíbios e répteis que ocorrem na Europa”. A explicação para a elevada percentagem de anfíbios e répteis que ocorrem nestes três países deve–se ao facto da Península Ibérica ter constituído um importante refúgio para a sobrevivência destes animais durante os períodos glaciares que antecederam o período quente actual.
Segundo Miguel Araújo, a verificarem–se as alterações climáticas previstas, “estas regiões que foram chave para a sobrevivência dos anfíbios e répteis poderão transformar–se em regiões com elevadas taxas de extinção”.
Sol não é responsávelpelo aquecimento da Terra - Cientistas garantem que as alterações climáticas não se devem a qualquer aumento da energia do Sol, antes à acção do homem.
A evolução da energia libertada pelo Sol não parece ter tido consequências nas alterações climáticas terrestres, pelo menos desde o século XVII e provavelmente durante os últimos milénios, indica um estudo publicado pela revista científica britânica Nature. A luminosidade do Sol, ou a energia que produz, aumenta ou diminui um pouco menos de 0,1 por cento, segundo o ciclo das manchas solares.
Ao recuar por extrapolação os períodos deste ciclo até ao ano 1000, os investigadores concluíram que as variações foram demasiado fracas para explicar as do clima na Terra. “No conjunto, não encontrámos nenhuma prova de variações da luminosidade do Sol com amplitude suficiente para provocar variações significativas do clima numa escala de cem, mil ou mesmo um milhão de anos”, refere o estudo, realizado por uma equipa de investigadores de institutos dos Estados Unidos da América, Suíça e Alemanha.
Segundo estes cientistas, processos mais complexos explicariam as emissões variáveis de radiações ultravioleta e gases magnetizados passíveis de alterar o clima, mas estas são hipóteses ainda por verificar. Sobretudo, “os nossos resultados implicam que, durante o último século, a acção do homem ultrapassou de longe as alterações da luminosidade do Sol no que se refere às alterações climáticas”, sublinhou um dos investigadores, Tom Wigley, do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica (NCAR).
As reconstituições da evolução do clima desde o século VII mostram uma muito clara aceleração do aquecimento no último século, que tem sido atribuída à produção de gases com efeito de estufa, a variações naturais do sistema climático terrestre e, segundo algumas teorias, às alterações da luminosidade do Sol. Os fenómenos climáticos extremos ocorridos nos últimos verões na Europa continental poderão ser cada vez mais frequentes até ao fim do século, indica ainda o estudo divulgado pela Nature, segundo o qual o clima quente e seco dos países ribeirinhos do Mediterrâneo poderá chegar até ao norte da Europa.
“Uma verdade inconveniente” - Portugal está a ver desde a semana passada “o mais aterrador” filme alguma vez feito sobre o aquecimento da Terra. Estreou a semana passada nas salas de cinema portuguesas um documentário que traça a história pessoal e os esforços de Al Gore, antigo vice–presidente dos Estados Unidos da América, no sentido de reverter os efeitos do aquecimento global.
Paladino do ambiente há várias décadas, Gore apresenta os factos, enumera as inquietações e revela os desastrosos e fatais efeitos da ignorância dos governos e da indiferença dos cidadãos. A película mostra ainda em que Terra vivemos e o planeta sem virtudes que estamos prontos a deixar aos nossos filhos. Não é um acto de desespero: é um aviso sério.
O anúncio do filme, antes da sua estreia, durava 30 segundos, o tempo que demora a derreter 210 metros cúbicos de gelo e a libertar 34,8 toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera por causa das alterações climáticas. “E a única casa que conhecemos estará 30 segundos mais perto do ponto de não retorno”, rematava a pré–apresentação de “A Verdade Inconveniente”.
“Vão ver os glaciares do Ártico e do Antártico a derreter. Vão ver a Gronelândia a escorrer para o mar. Vão ver a atmosfera poluída com gases com efeito de estufa que impedem o calor de escapar”, escreveu o jornalista do Washington Post Richard Cohen, a propósito do filme, considerado “o mais aterrador” alguma vez feito sobre o assunto. “Vão ver fotos a partir do espaço que mostram como eram os glaciares e como são agora e, em animação, até que ponto os oceanos vão subir. Xangai e Calcutá alagadas. Grande parte da Florida, também. A água toma uma parte de Nova Iorque. A polémica sobre o que fazer na zona de Ground Zero vai ser inútil. Vai estar submersa”, adiantava Richard Cohen.
O ponto de partida do filme, realizado por Davis Guggenheim, é o livro onde o homem “que costumava ser o próximo presidente dos EUA”, como o próprio Al Gore se apresenta, expõe as suas preocupações relativas ao aquecimento global e explica como o tema se tornou central na sua vida.
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Fonte: AS BEIRAS ON LINE
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