Descargas em barragens estão controladas
* * *
* * *
As barragens das bacias do Tejo e do Sado têm ajudado a controlar as cheias, retendo a água e fazendo descargas controladas, com o lado espanhol a colaborar, disse à Lusa um responsável do Instituto da Água (INAG). No último fim-de-semana, Espanha reteve praticamente toda a água na barragem de Alcântara (a montante do Rosmaninhal, na região fronteiriça do Tejo Internacional) para evitar que uma descarga fizesse aumentar ainda mais o caudal do Tejo.
"Toda a água que entrou foi proveniente da precipitação que ocorreu na zona de fronteira. O único caudal que veio de Espanha foi de afluentes, como o Sever, o Erges ou o Pônsul, que não é possível controlar por barragens. Aí, as cheias naturais passam", explicou o responsável pela área de recursos hídricos do INAG. As autoridades portuguesas e espanholas mantêm-se em contacto para gerir da melhor forma as descargas e não agravar o problema das cheias.
"Caso o país de jusante (Portugal) esteja com problemas comunica com Espanha para que as descargas sejam feitas numa altura mais adequada", explicou. Normalmente, adiantou o especialista, as barragens "retardam a chegada das cheias, porque retêm o caudal e depois vão descarregando mais lentamente". O objectivo é fazer uma "gestão de atenuação", ou seja, armazenar água tanto quanto possível e depois fazer descargas controladas. Se a previsão meteorológica, por exemplo, for feita a 12 horas, é possível fazer descargas para "encaixar" mais volume de água, caso se preveja precipitação intensa.
"As descargas pontuais na bacia do Tejo permitiram controlar a cheia de forma muito eficaz, já que esta teve um pico muito concentrado e uma recessão (descida de nível) muito rápida", salientou Rui Rodrigues.
A Sul do Tejo, não foi tão fácil controlar o problema porque "as bacias não têm tanta capacidade de retenção, nem há tantas barragens". No Sado, em apenas 24 horas, as chuvas encheram a barragem de Pego do Altar (Alcácer do Sal) com 22 milhões de metros cúbicos de água.
Nalguns países existem barragens especificamente construídas para controlar as cheias. "É uma obra caríssima e sem retorno que normalmente só é construída em zonas muito urbanizadas para minimizar os prejuízos", justificou o técnico do INAG. Em Portugal, "chegou a haver uma ideia" para construir uma barragem destas na Ribeira das Vinhas, em Cascais, mas o projecto nunca saiu da gaveta.
Algumas barragens existentes no nosso país são de fins múltiplos - rega, abastecimento, geração de electricidade e controlo de cheias -, mas a grande maioria serve um destes fins especificamente, sem ter como objectivo o controlo de cheias.
Agência LUSA 2006-11-07
* * *
Pico de cheia em Santarém sem ocorrências de registo
* * *
* * *
O pico de cheia do rio Tejo ocorrido segunda-feira à noite em Santarém "não causou ocorrências de registo" devido à pouca precipitação e ao facto de a população e dos bombeiros terem estado em prevenção, disse fonte dos bombeiros. De acordo com o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, o pico de cheia registou-se como previsto, entre as 21:00 e as 22:00, na sequência da preia-mar, contudo não provocou situações de alarme.
A mesma fonte explicou que a precipitação foi inferior ao esperado o que fez diminuir os caudais do Tejo, bem como as descargas da barragem de Castelo de Bode. Segundo a mesma fonte, o mau tempo dos últimos dias continua a justificar o corte de algumas estradas em Santarém e Beja.
Em Santarém, a Estrada Nacional 365 tem vários troços cortados devido a inundação, nomeadamente em Pernes, Golegã e Santarém, adiantou a fonte. Estão também cortadas as estradas municipais 1344, em Palhais, Vale de Figueira, e a 1456 em Benavente, entre a Ponte de Benavente e a Recta do Cabo. Em Santarém, a população de Reguengo de Alviela mantém-se isolada desde as 09:47 de segunda-feira.
No distrito de Beja, há estradas, caminhos municipais e pontes cortadas de acordo com o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. Em Mértola estão cortadas a Estrada Nacional 122 e duas pontes, entre elas a ponte de Navarra, em Alsaria Ruivo. As estradas municipais em Corte Pequeno e em Estieira (Ourique) estão também inundadas.
De acordo com a mesma fonte os planos municipais de Constância e Chamusca são os únicos activados. Na sequência do mau tempo dos últimos dias, o ministro da Administração Interna reúne-se hoje de manhã com os governadores civis dos distritos mais afecta dos pelas cheias e chuvadas.
Agência LUSA 2006-11-07
Agência LUSA 2006-11-07
Sem comentários:
Enviar um comentário