O tempo já não é o que era – da impressão e observação de cada um passou-se, agora, para a confirmação oficial; os especialistas da Organização Meteorológica Internacional não têm dúvidas: 2006 é já um dos símbolos de como as alterações climáticas podem mudar a face do Planeta.Foi, dizem as medições, um dos anos mais quentes, com a temperatura a chegar a valores que não se verificavam há décadas. As leituras dos termómetros dão conta de mais 0,42 graus do que os registados no período entre 1961 e 1990, o que torna este o sexto ano mais quente desde 1861.
Um ano que começou invulgarmente quente, sobretudo em algumas regiões dos Estados Unidos, onde as temperaturas serviram para alimentar a força dos incêndios, considerados dos piores das últimas décadas. Isto apesar de, em grande parte da Ásia e da Europa de Leste, nomeadamente na Rússia, o Inverno ter sido rigoroso.
Pelo contrário, o Canadá experimentou um dos Invernos e Primaveras mais amenos, assim como as ilhas mais próximas do Árctico. O calor afectou ainda de forma particular a Austrália, onde a Primavera se revelou a mais quente desde os anos 50 e o Brasil onde, entre Janeiro e Março, o tempo quente foi uma constante.
Na Europa, a média da temperatura em Julho foi 2,7º C acima do considerado normal e o Outono também foi quente. Por cá e em grande parte da Europa, entre Setembro e Novembro registaram-se temperaturas superiores em 3° C ao que é considerado normal. Nos Alpes, despidos de neve, os termómetros assinalaram valores que não eram sentidos, segundo os cientistas, nos últimos 1300 anos.
“Em Portugal houve cinco ondas de calor emn 2006”, revela ao CM Filipe Duarte Santos, professor da Faculdade de Ciências e especialista em alterações climáticas. “Foi um ano invulgarmente quente”, confirma, apontando o dedo aos grandes responsáveis as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. “Foram libertadas seis mil milhões de toneladas de carbono sob a forma de dióxido de carbono, o que dá cerca de uma tonelada por habitante.”
Às temperaturas elevadas juntou-se a seca, que atingiu com maior intensidade várias regiões de África, a Austrália, Estados Unidos e China. Mas o aquecimento global não é apenas sinónimo de calor e seca. As alterações climáticas trouxeram ainda as chuvas violentas, as inundações, os aluimentos de terras. Em Fevereiro, o deserto do Sara foi surpreendido com uma precipitação intensa que, na região de Tinduf, ditou que cerca de 60 mil pessoas perdessem quase tudo. O mesmo aconteceu no Níger, assim como na América Latina.
Balanço feito, o buraco do ozono atingiu, em 2006, valores extremos: 29,5 milhões de quilómetros quadrados, excedendo as dimensões registadas em 2000.
Reverter a tendência do aquecimento global é possível e só depende da vontade humana, diz Filipe Duarte Santos. “Para acabar com esta dependência dos combustíveis fósseis, precisamos de ter sistemas energéticos mais eficazes, poupar mais energia e aumentar a penetração das energias renováveis.”
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Fonte: Correio da Manhã
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