segunda-feira, 9 de abril de 2007

953. O inexorável avanço do mar

Segundo um alarmante (e alarmista) relatório da União Europeia, as alterações climáticas globais poderão originar uma devastação sem precedentes no continente europeu, incluindo a subida do nível médio dos mares, a extinção de espécies marinhas, uma maior incidência de fogos florestais, o colapso de colheitas agrícolas, a falência das estâncias de Inverno, maior probabilidade da ocorrência de inundações, uma destruição assinalável do turismo mediterrânico, bem como secas e episódios de calor extremo.
De acordo com este relatório, Portugal será um dos países mais afectados, muito devido à subida do nível dos mares e consequente impacto no turismo nacional. Este artigo debruça-se sobre o impacto da subida do mar em Portugal.
Apesar das temperaturas globais terem aumentado somente 0,60C desde 1800, um dos sinais mais palpáveis do impacto das alterações climáticas é-nos dado pela crescente erosão das orlas costeiras a nível mundial. Desde o Alasca ao Brasil, da África à Europa, existem cada vez mais indícios de que o nível do mar está a subir, tornando cada vez maior o impacto das tempestades de Inverno e das preia-mares. Ou seja, o mediático desgaste da orla da Costa de Caparica não é caso isolado, mas sim o prenúncio de uma tendência crescente.
Em Portugal, existe uma crescente erosão do litoral, havendo um desgaste muito elevado em 30% da orla marítima, problema que tem sido exacerbado pela inexistência de planeamento urbanístico. Em parte do litoral tem havido recuos substanciais da orla costeira, com perdas médias nalgumas zonas a rondar seis metros por ano. Se as previsões mais pessimistas sobre as mudanças climáticas se verificarem, é provável que a erosão litoral se estenda a toda a costa portuguesa.
Face a estes desafios é preciso actuar rapidamente para minorarmos o impacto do avanço do mar sobre a orla costeira. Que podemos então fazer face a este enorme desafio? Em primeiro lugar, são precisos estudos, estudos e mais estudos. Precisamos de elaborar mapas detalhados de vulnerabilidade e de risco. Urge também fazer um estudo custo-benefício das alterações climáticas no território nacional, que tenha em linha de conta vários cenários possíveis.
Em segundo lugar, e baseado na conclusão destes estudos, é preciso elaborar um Plano Nacional de Combate à Erosão da Orla Costeira. Finalmente, é preciso actuar. Urgentemente. O Instituto da Água tem sido o principal impulsionador e executante das obras na orla costeira. Porém, não basta fazermos esporões nem defesas artificiais. É fundamental planearmos agora, já!, para minorarmos os efeitos da inexorável subida dos mares.
E, se é verdade que tradicionalmente Portugal tem uma cultura reactiva, não existe melhor motivo para começarmos a praticar uma cultura mais preventiva. Os desafios das mais que certas alterações climáticas assim o exigem.
Álvaro Santos Pereira
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Fonte:
DIÁRIO DE NOTÍCIAS

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