segunda-feira, 11 de junho de 2007

1062. Clima perigoso: alterações provocam doenças

Lisboa pode ser um foco de malária em 2030. Com as alterações climáticas que afectam o planeta é provável que, a menos que se reduza as emissões de gases com efeito de estufa, o mapa térmico do Mundo se altere. Nessa mudança nos ecossistemas, os países africanos ficariam demasiado secos para a bactéria da malária sobreviver, ao mesmo tempo que Portugal assumiria condições ideais para a propagação da doença.
Esta e outras previsões foram apresentadas em Lisboa pela Organização Mundial de Saúde (OMS), numa conferência sobre o ambiente, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Segundo a médica Bettina Menna, da OMS, a mudança do clima já afectou a saúde de milhões de pessoas e a situação pode piorar.
Partindo da onda de calor que matou 80 mil pessoas em França no Verão de 2003, a especialista alertou para cenários semelhantes num futuro próximo. “O aumento da temperatura faz subir a frequência de catástrofes naturais”, como tempestades e longos períodos de seca. Estudos apontam para que o nível da água potável em 2050 desça entre dez e 30 por cento, o que causará problemas de disenteria e de doenças associadas.
“Milhões podem estar em risco”, referiu Bettina Menna, sublinhando que, com a falta de chuva, as colheitas vão diminuir a nível mundial, provocando graves crises humanitárias em que os habitantes da maioria dos países subdesenvolvidos padecerão de malnutrição. A subida dos preços dos bens básicos é outra das consequências para o pouco número de alimentos produzidos, o que implica que milhões podem vir a morrer de fome.
As alterações climáticas são já responsáveis por um aumento de 0,3% nas doenças a nível global. “Desde problemas cardiorrespiratórios a questões neurológicas, o aumento da temperatura está a ter um forte impacto na saúde das pessoas”, garante a médica. E, dado que o aumento do efeito de estufa deve continuar nos próximos anos, assistir-se-á a nível mundial a “cada vez mais casos de pessoas doentes”.
As implicações económicas são óbvias: “Com pessoas doentes que não trabalham, o desenvolvimento económico das nações está em risco.” As estimativas das mortes que as alterações climáticas provocarão em solo europeu apontam para que seja “o maior desastre na Europa depois da II Guerra Mundial”, diz a especialista.
Como evitar este futuro sombrio foi a questão que reuniu os outros participantes da conferência. Para o geofísico Filipe Duarte Santos, a Humanidade tem de aprender a satisfazer as necessidades energéticas sem intensificar o efeito de estufa. A União Europeia definiu como objectivo reduzir as emissões poluentes de dióxido de carbono (CO2) em cerca de 20% até 2020 e até 80% até 2050. Mas, com o aumento de dióxido de carbono proveniente dos países extracomunitários, as previsões apontam para que em 2030 as emissões aumentem significativamente, até 90%.
Com as alterações climatéricas causadas pelo efeito de estufa, o mais provável é que no século XXI as situações de crise “criem cada vez mais refugiados ambientais”.
* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sem comentários: