domingo, 17 de junho de 2007

1073. Dia Mundial de Luta Contra a Desertificação e a Seca

Hoje lembra-se o Dia Mundial de Luta Contra a Desertificação e a Seca. É necessário começar a prevenir estas situações, quando já se sabe que a seca ou chuva torrencial numa região se alastra às zonas circundantes, contrariamente ao que acontecia até à década de 70.
Os especialistas mostram-se preocupados com o agravamento da desertificação do País. “O padrão espacial dos extremos climáticos é hoje mais abrangente do que na década de 70. Antes, a seca ou a precipitação extrema cingiam-se a uma região. Agora alastram-se às regiões ao lado”, afirmou Amílcar Soares, investigador do Instituto Superior Técnico (IST), uma das universidades europeias que integra o projecto Rede para a Observação e Análise do Fenómeno da Desertificação e da Seca.
Na véspera do Dia Mundial de Luta Contra a Desertificação e a Seca, que se assinala hoje, o investigador mostrou-se preocupado com o futuro: “Temos de começar a prevenir e combater este fenómeno. Quando se alastrar a toda a Península Ibérica vamos ter de enfrentar um novo problema de gestão da água”.
A margem esquerda do Guadiana, junto a Mourão, foi a zona-piloto escolhida para avançar com uma investigação sobre desertificação que nos próximos meses se vai alastrar a toda a Península Ibérica com o apoio de investigadores espanhóis, italianos e gregos. As investigações decorrem no âmbito do projecto ROADS - Rede de Observação e Análise da Desertificação da Seca, liderado pelo IST, que em Portugal estudou este ano a qualidade do solo e os extremos climáticos daquela região do Alentejo conhecida pela aridez dos solos.
Os investigadores recolheram amostras dos solos e relacionaram os resultados das análises com os extremos climáticos, de seca e precipitação extrema. “Há uma relação directa. E nota-se uma degradação da qualidade dos solos, que estão a perder condições para fixar vegetação e a transformar-se em rocha”, explicou. O estudo abrangeu também o clima, área em que os investigadores se mostraram mais preocupados, ao notar que cada vez mais zonas do País são afectadas.
“Se em média os valores dos episódios extremos não variam muito ao longo do tempo, o seu padrão espacial é cada vez mais abrangente. Ou seja, quando acontece uma grande seca ela abrange cada vez mais espaço”, adiantou. Mais de metade de Portugal corre o risco de desertificar e um terço do território continental encontra-se classificado como zona susceptível à desertificação.
Em termos mundiais, Lúcio do Rosário, responsável nacional do Desert Watch, programa europeu de monitorização da desertificação, explicou que o fenómeno atinge um terço das áreas continentais da Terra. As principais causas são as secas e as alterações climáticas, os sobrecultivos, os sobrepastoreios, as desflorestações e as más práticas de regadio.
Os últimos números, de 2004, indicam que em todo o planeta existem cerca de 250 milhões de pessoas afectadas directamente pela desertificação e quase 20 por cento da população mundial a viver em áreas em risco de desertificação ou indirectamente afectadas.
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