segunda-feira, 25 de junho de 2007

1085. Relatório diz que mudanças nas regiões geladas afectarão milhões de pessoas

Milhões de pessoas serão afectadas pelo degelo e pela diminuição de geleiras e coberturas de neve em decorrência da mudança climática, alertou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em novo relatório.
Só a perda de neve e das geleiras das montanhas da Ásia afectaria aproximadamente 40% da população mundial – indica o relatório 'Perspectiva Global sobre a Neve e o Gelo', apresentado em Nairobi, sede do Pnuma, na véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de Junho.
Porém, outras áreas elevadas, como os Pirinéus, os Alpes e os Andes, também serão muito prejudicadas pelo impacto das mudanças nestes ecossistemas. O documento analisa as tendências actuais e possível evolução futura dos sistemas de gelo e neve, como geleiras, rios e lagos gelados.
A mudança climática é um círculo vicioso no que diz respeito a estes ecossistemas: temperaturas mais altas levam a menos gelo e neve e isso faz com que a terra e o mar precisem absorver mais luz solar, o que aumenta ainda mais as temperaturas – disse Christian Lambrechts, da Divisão de Alerta Prévio do Pnuma. Os efeitos de alcance global incluirão mudanças substanciais na disponibilidade de água para beber e para a irrigação, assim como um aumento dos níveis do mar, mudanças nos padrões de circulação de água nos oceanos, e a ameaça à sobrevivência de espécies da flora e fauna que habitam estes ecossistemas, entre outros.
Segundo a informação científica já disponível, o Árctico está a aquecer a uma velocidade quase o dobro da do resto do mundo. Em muitos locais, as regiões montanhosas também estão registando aumentos de temperaturas maiores que nas áreas de baixa altitude. A cobertura de gelo no Oceano Árctico está diminuindo 8,9% por década no Verão. É possível que, até 2100, tenhamos um Oceano Árctico completamente sem gelo nesta estação – afirmou Lambrechts, um dos coordenadores do relatório.
O documento confirma a tendência de redução do tamanho dos glaciares do mundo registada nos últimos anos, principalmente desde os anos 1980.
Os glaciares que há na África – o Monte Quénia, o Kilimanjaro da Tanzânia e as montanhas Rwenzori de Uganda – já perderam 82% de sua superfície; é provável que os glaciares do Kilimanjaro desapareçam totalmente no espaço de duas décadas – alertou o especialista.
Na Antártida e na Groenlândia estão as camadas de gelo que contêm 98% da água fresca congelada do planeta. Por isso, estima-se que, se a Groenlândia derretesse completamente, a subida do nível do mar poderia chegar a 7 metros. Até agora, as camadas destas regiões que se derreteram, assim como os fenómenos semelhantes em geleiras e a expansão térmica dos oceanos, causaram um aumento do nível do mar de menos de 20 cm entre 1870 e 2001, segundo o estudo.
De acordo com o texto, se o nível do mar aumentar 1 metro e os países não adoptarem medidas para se adaptar a esta elevação, cerca de 145 milhões de pessoas poderiam enfrentar inundações, a maior parte delas na Ásia.
O relatório aponta que as camadas de gelo e neve do planeta estão intimamente ligadas à vida no resto do planeta – disse Lambrechts. Por isso, as consequências da mudança climática nestes ecossistemas "não afectarão apenas os que vivem ou trabalham em regiões polares e montanhosas", alerta.
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