quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

1527. Plástico selvagem na Torre

O assunto não é novo, mas a parcimónia com que (não) tem sido tratado e o desleixo de quem passa pela Serra da Estrela faz com que venha outra vez à ribalta. O plástico selvagem à solta na Torre é um espectáculo único.
Quem passa de carro mal dá por ele e até pensará estar a olhar para um dos últimos recantos limpos de Portugal. Mas depois de um fim-de-semana concorrido como o último (adivinhando-se igual enchente no Carnaval), basta abrir a porta e ao sair pode ter a sorte de pisar logo uma bela posta de plástico colorido, mais ou menos rijo consoante a perícia do “skuador” que a usou para deslizar pela neve (ou pelas rochas). Sacos, trenós, tábuas rasas, tudo feito de plástico, tudo à venda na Torre, tudo para deslizar nalguns metros na neve, onde tudo acaba enterrado.
Tudo evitável. Na Serra da Estrela basta aplicar um par de receitas já testadas noutros locais. Por exemplo, nenhum trenó (ou outro utensílio de plástico) deve ser vendido na zona sem uma caução, que é devolvida a quem entregar o plástico para reciclagem. Se mesmo assim houver quem o prefira abandonar, pelo menos a soma das cauções deve dar para uma equipa limpar o local. Mais: como já acontece nalgumas praias, quem ainda se entreter a apanhar lixo que por ali encontre e o entregue, deve receber também um determinado valor. E acreditem, há muito para apanhar.
Luís Fonseca
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