quarta-feira, 29 de outubro de 2008

2070. Alunos portugueses disputam concurso europeu com projectos a pensar no Ambiente

Seis alunos portugueses integram o lote de cerca de 200 estudantes do ensino secundário, de perto de 40 países, participantes no 20º Concurso Europeu de Jovens Cientistas, na Dinamarca. Os jovens portugueses concorrem com dois trabalhos, um na área da Biologia, fruto de uma parceria entre as escolas secundárias de Arouca e Júlio Dinis, de Ovar, e o outro na de Ciências do Ambiente, apresentado pelo Colégio Internato dos Carvalhos, de Vila Nova de Gaia.
"A Ameaça xenobiótica – Paracentrotus lividus e a Barrinha de Esmoriz" é o projecto de Arouca e Ovar, envolvendo os alunos Beatriz Moreira, Sérgio Almeida e Vasco Sá Pinto, assim como o professor Filipe Ressurreição. O trabalho assenta num novo modelo de estudo para ecossistemas lagunares e de estuários, utilizando bioensaios de toxicidade desenvolvidos em ouriços-do-mar da espécie Paracentrotus lividus.
"É um novo modelo de biomonitorização [forma de avaliar a qualidade ambiental recorrendo a organismos vivos] para um ecossistema lagunar, neste caso a Barrinha de Esmoriz, e o grande trunfo é a sua aplicabilidade", afiançou à agência Lusa Sérgio Almeida, de 19 anos. Segundo o estudante, que agora frequenta Engenharia Electrotécnica de Computadores na Universidade do Porto, pode-se, desta forma, na monitorização de ecossistemas marinhos poluídos, substituir análises clínicas laboratoriais pelo estudo de desenvolvimento do ouriço-do-mar.
"O ouriço-do-mar existe na zona costeira do Norte e é um bom modelo de biomonitorização, o que torna este método mais barato, rápido e sensível", disse, precisando que, nesta fase inicial do projecto, foram detectados três poluentes: PCBs (bifenis policlorados), arsénio e manganês.
Sérgio Almeida está convicto das virtualidades da investigação, assente num modelo de biomonitorização "nunca antes utilizado", mas, em Copenhaga, quer sobretudo adquirir "experiência" e fomentar a sua capacidade para "desenvolver novos projectos". "Chegar aos prémios é muito difícil. Se ganharmos uma menção honrosa, já ficamos satisfeitos", acrescentou.
Quanto ao trabalho de Vila Nova de Gaia, de Luísa Aguiar da Silva, Mariana Oliveira e Nelson Ribeiro, sob orientação do professor José Manuel Pereira da Silva, denomina-se "Electrólise da Água do Mar – Produção de Hidrogénio com benefícios ambientais". O projecto foi desenvolvido sob a forma de um protótipo, à escala laboratorial, com a montagem de um flutuador sobre a água do mar num aquário, para recriar um ecossistema marinho de litoral.
Um electrolisador flutuante, onde foram aplicados os eléctrodos, grafite (cátodo) e ferro (ânodo), é alimentado pela corrente eléctrica produzida por fontes de energia renovável, conseguindo-se produzir hidrogénio que é armazenado e, depois, usado numa célula de combustível. "O objectivo é produzir hidrogénio como alternativa aos combustíveis fósseis, como o petróleo, que tem a desvantagem da redução da oferta para o aumento da procura e implica impactos ambientais negativos, mas também às energias renováveis, como o vento ou o sol, que não podem ser armazenadas", disse à Lusa Luísa Aguiar, de 17 anos.
Esta aluna do 12º ano explicou que, além deste processo de electrólise permitir obter um vector energético "limpo e que pode ser armazenado", para alimentar nomeadamente o sector dos transportes, há outros impactos ambientais positivos. "A electrólise já se usa, mas a diferença do nosso projecto é, em vez de dois eléctrodos inertes, usarmos um deles reactivo, o ferro, que escasseia nos oceanos e ajuda a formar clorofila/fitoplâncton", disse.
Através do processo, referiu, é libertado ferro para a água do mar e aumentado o fitoplâncton, base da cadeia alimentar, pelo que, mais alimento disponível, "estimula a quantidade de peixe nos oceanos". "Se houver mais fitoplâncton, também se captará mais CO2 na atmosfera, diminuindo o efeito de estufa", indicou, enumerando outro benefício: "Os oceanos têm o problema da acidificação, que leva à destruição de recifes de coral, mas, com o nosso projecto, são libertados para a água vários iões que anulam essa acidez".
Para Luísa Aguiar, que espera seguir Química quando entrar no ensino superior, "talvez no campo da investigação", este trabalho é "completamente novo" e "seria óptimo" se despertasse o interesse de investigadores da área, quem sabe se logo em Copenhaga.
* * * * * * * * * * * * * * * *

Sem comentários: