segunda-feira, 27 de outubro de 2008

2063. Grijó ainda não se refez dos danos causados pela trovoada do final de Agosto

Temporal em Grijó provocou a destruição deste campo de girassóisEm Grijó há moradores que, neste momento, e com o Outono quase à porta, não sabem como consertar os telhados das suas casas que foram levados pelo vento durante a tempestade do dia 28 do passado mês de Agosto. Por sua vez, os agricultores queixam-se que as autoridades que visitaram a aldeia após a trovoada se limitaram a dizer que a única solução para aquele tipo de situações é os agricultores recorrerem aos seguros das culturas, nem que para isso tenham de se associar para tornar os prémios mais baratos.
A trovoada que assolou a aldeia de Grijó no dia 28 do passado mês de Agosto deixou um rasto de desolação na povoação. Em escassos minutos, o vento levou telhas e parte de telhados de lusalite de algumas casas de habitação. A estrutura de um cabanal, pertencente a Manuel Pinto, voou cerca de 30 metros com a respectiva cobertura de zinco e parte das chapas de zinco do telhado da carpintaria pertencente a Alberto Alves foram vistas a ir pelos ares em poucos segundos. A água da chuva transbordou das ruas e entrou pelas casas dentro, causando pânico e caos entre os moradores. Chamados a intervir, os Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, com o apoio da GNR local, não tiveram mãos a medir para desimpedir os acessos à povoação, para além dos apoios que prestaram à população. A Câmara Municipal também foi chamada a intervir, deslocando para a aldeia o carro limpa neve, desta vez transformado em limpa lamas.
Não houve danos pessoais a lamentar, mas os prejuízos materiais foram muitos. Em algumas casas, os tachos e as vasilhas foram poucas para aparar a água, enquanto noutras se abriam portas e janelas para fazer circular a água para que a mesma não se acumulasse, evitando assim maiores estragos. Além das folhas de zinco, o dono da carpintaria dá conta de que, devido à chuva que entrou na fábrica após a queda das chapas de zinco, parte da madeira e de outras matérias primas ficou irremediavelmente irrecuperável para os fins a que estava destinada. Além disso, alguns móveis, uns em laboração e outros em fase de conclusão, ficaram bastante danificados. Por isso, os prejuízos provocados pelo temporal, na carpintaria, podem ascender a mais de 35 mil euros.
Para além dos estragos provocados em algumas casas da po-voação, há também o registo de outros prejuízos. Segundo o presidente da Junta da Freguesia, António Salselas, todas as culturas que foram apanhadas no raio de acção daquela espécie de furacão foram arrasadas pelo granizo, nomeadamente azeitona, uvas (em fase de maturação), fruta, legumes das hortas e um campo de girassol. O vento foi também tão violento que arrancou algumas oliveiras.
Na perspectiva do autarca, os prejuízos poderão ultrapassar os 200 mil euros. E o pesadelo maior é que nenhum dos agricultores atingidos pela intempérie possui seguro de cultura. Perante esta constatação, o governador civil de Bragança, Jorge Gomes, e o director regional de agricultura, Carlos Guerra, que visitaram a aldeia após a ocorrência, não encontrando naquele contexto formas possíveis de ajuda, limitaram-se a aconselhar os agricultores a recorrerem às associações do ramo, para, através delas, conseguirem fazer seguros colectivos de culturas, pois só dessa forma é que é possível tornar os ditos prémios mais acessíveis.
Confrontada com a situação, a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros fez saber, através do vereador Carlos Barroso, que tinha tomado algumas diligências no sentido de fazer chegar algumas ajudas à população, nomeadamente a de ter informado o governador civil e a Direcção Regional de Agricultura do Norte acerca da ocorrência. Questionado sobre a possibilidade da autarquia poder prestar alguma ajuda, respondeu que aquela tinha sido a única medida encetada pelo executivo municipal.

João Branco
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Fonte (Texto e imagem): Semanário Transmontano

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