A iniciativa de acelerar as ambições espaciais europeias pertence à presidência francesa da União e o Programa Kopernikus é emblemático. Por seu turno, a Comissão quer evitar os erros cometidos com o sistema Galileo, que se deparou com falta de verbas, sendo salvo in extremis graças ao desvio de dinheiro que não tinha sido utilizado pela agricultura. Desta vez, as ambições estarão inscritas nas próximas perspectivas financeiras, em vigor a partir de 2014, prometeu Günther Verheugen, vice--presidente da Comissão Europeia, na cerimónia que marcou o nascimento do Kopernikus.
O novo programa pega no que já existia desde 2001, e que visava o tratamento de dados de satélite. Era o chamado GMES (Global Monitoring for Environment and Security), que sete anos depois entra em fase de pré-operacionalidade. Muito resumidamente, isto significa que os dados de satélite passam a estar disponíveis online, embora não as imagens em que se baseiam, cujo preço é elevado. Mas os serviços permitirão perceber questões tão distintas como as correntes marinhas ou a poluição das cidades. Apesar de tudo, o sistema não é comparável a um google earth, no sentido em que este último compra as imagens que coloca ao dispor do público.
As aplicações do Kopernikus serão enormes e algumas já estão a ser úteis. Foram criados cinco consórcios de serviços de tratamento de dados, de marinha, emergência, serviços de observação continental, atmosfera e segurança. Pode ser realizada, por exemplo, monitorização de incêndios florestais, urbanismo, cartografia, segurança de navegação, entre muitas outras hipóteses.
A ministra da Educação Superior e da Ciência francesa, Valérie Pécresse, garantiu em Lille que a presidência francesa da União quer não apenas garantir o financiamento a prazo deste sistema, mas alargar as ambições espaciais da Europa. Uma das intenções referidas foi a organização, pela presidência, de uma conferência política internacional sobre a exploração do sistema solar, onde a UE quer ter um papel "incontornável". Também está a ser planeado um sistema de vigilância de lixo espacial.
Na sua intervenção, no fórum de Lille, o comissário Verheugen explicou que "uma potência económica global tem de ter uma capacidade de decisão independente e isso implica informação independente". Até agora, montar a infra-estrutura de 40 satélites que permitirá operacionalizar o Kopernikus - o sistema de serviços que irá resultar do uso dessa infra-estrutura custou 2,4 mil milhões de euros. Mas falta garantir o funcionamento normal do sistema e definir aspectos da utilização da informação. E essa discussão vai ocupar muitas horas de negociações entre os Estados membros nos próximos anos.
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Fonte: Jornal de Notícias
Fonte: Jornal de Notícias
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