quinta-feira, 9 de julho de 2009

2493. Empresários pedem preço fixo para troca de bónus de carbono

Os mais de 500 líderes empresariais de 57 países que estiveram reunidos na Cúpula Empresarial Mundial sobre Mudança Climática, em Copenhaga, estabeleceram a necessidade de um preço fixo para a troca de bónus de carbono como condição para fazer com que a economia mundial gere baixas emissões de dióxido de carbono (CO2).
O objectivo de criar regras fixas para acabar com a incerteza nos mercados de bónus de carbono deve ser incluído como factor essencial no acordo mundial que será negociado na capital dinamarquesa no final do ano. Junto com padrões comuns para combustíveis não renováveis, essas regras contribuiriam também para impulsionar o desenvolvimento tecnológico necessário para acelerar o processo, defendeu o director-executivo da British Petroleum (BP), Tony Hayward, durante uma mesa-redonda com outros líderes empresariais.
"Precisamos de mais transparência e clareza e de acabar com a incerteza de um preço variável. Além disso, mais países devem seguir o exemplo da União Europeia (UE), estabelecendo regras e objectivos concretos. Mas tudo deve ser feito de forma gradual", afirmou Samuel DiPiazza, director-executivo da PricewaterhouseCoopers. A necessidade de envolver os países em desenvolvimento no processo e de transferir tecnologia também foi mencionada como uma questão fundamental numa mesa-redonda na qual se reflectiu sobre as discussões prévias mantidas em grupos de trabalho pelos participantes da conferência.
"Não haverá um acordo mundial sobre clima se não há dinheiro para os países em desenvolvimento e se as promessas de apoio não cumpridas anteriormente não forem atendidas", declarou Björn Stigson, presidente do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. Colaboração entre sectores, recompensas para os que favoreçam soluções tecnológicas que respeitem o meio ambiente e a inclusão da silvicultura como uma parte fundamental do processo de criação de mercados de bónus de carbono foram outros dos aspectos destacados pelos empresários.
O segundo dia da conferência foi encerrado com um discurso da actriz australiana Cate Blanchett, que pediu à comunidade empresarial para que pressione aos políticos. Segundo a actriz, não chegar a um acordo mundial em Copenhaga seria "imperdoável".
A Cúpula Empresarial Mundial sobre Mudança Climática, aberta pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, terminou com uma declaração final que foi entregue ao primeiro-ministro dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen. O documento incluiu uma série de recomendações concretas com vistas à cúpula mundial de Dezembro.
Durante a conferência, a Prefeitura de Copenhaga anunciou a assinatura de um acordo com a empresa Better Place, especializada em serviços para veículos eléctricos, para incentivar o uso de carros eléctricos com o objectivo de que a capital dinamarquesa esteja livre de emissões de CO2 em 2025. Até à cúpula de Dezembro, serão instaladas estações de recarga para carros eléctricos. Além disso, haverá durante a conferência demonstrações pela cidade das vantagens de usar este tipo de veículo, explicou o responsável do Meio Ambiente local, Klaus Bondam.
Bondam também anunciou que uma cúpula paralela será realizada em Dezembro, a qual contará com a presença de representantes de 100 cidades de todo o mundo.
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